A LIBERDADE É AMORAL

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 FRIEDRICH NIETZSCHE - UMA OBRA DE DEUS...

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Anarca



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MensagemAssunto: Re: FRIEDRICH NIETZSCHE - UMA OBRA DE DEUS...   Ter Ago 04, 2009 12:31 pm

A Necessidade do Mal

Examinai a vida dos homens e dos povos melhores e mais fecundos, e perguntai se uma árvore que deve elevar-se altivamente nos ares pode dispensar o mau tempo e as tempestades; se a hostilidade do exterior, as resistências exteriores, todas as espécies de ódio de inveja, de teimosia, de desconfiança, de dureza, de avidez e de violência não fazem parte das circunstâncias favoráveis sem as quais nada, nem sequer a virtude, poderia crescer grandemente? O veneno que mata as naturezas fracas é um fortificante para as fortes; ... e por isso não lhe chamam veneno.

Friedrich Nietzsche, in 'A Gaia Ciência'
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Anarca



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MensagemAssunto: Re: FRIEDRICH NIETZSCHE - UMA OBRA DE DEUS...   Ter Ago 04, 2009 12:33 pm

Citações de Friedrich Wilhelm Nietzsche:

Não posso acreditar num Deus que quer ser louvado o tempo todo

O homem é definido como um ser que evolui, como o animal é imaturo por excelência

A consciência é a última e mais tardia evolução da vida orgânica e, por conseguinte, o que nela existe de menos acabado e de mais frágil

O amor é o estado no qual os homens têm mais probabilidades de ver as coisas tal como elas não são

O verdadeiro homem quer duas coisas: perigo e jogo. Por isso quer a mulher: o jogo mais perigoso

Os erros de grandes homens... são mais fecundos que as verdades de pequenos

Fiquei magoado, não por me teres mentido, mas por não poder voltar a acreditar-te

Tudo é precioso para aquele que foi, por muito tempo, privado de tudo

Se se quer ser alguém, deve venerar-se a própria sombra

Não há nada que deprima mais o ser humano (mais depressa) do que a paixão do ressentimento

É necessário ter o caos cá dentro para gerar uma estrela

O filósofo, como o entendo, é um explosivo terrível na presença do qual tudo está em perigo

Não poríamos a mão no fogo pelas nossas opiniões: não temos assim tanta certeza delas. Mas talvez nos deixemos queimar para podermos ter e mudar as nossas opiniões
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MensagemAssunto: Re: FRIEDRICH NIETZSCHE - UMA OBRA DE DEUS...   Ter Ago 04, 2009 12:38 pm

Amor ou Posse?

O nosso «amor pelo próximo» não será o desejo imperioso de uma nova propriedade? E não sucede o mesmo com o nosso amor pela ciênica, pela verdade? E, mais geralmente, com todos os desejos de novidade? Cansamo-nos pouco a pouco do antigo, do que possuímos com certeza, temos ainda necessidade de estender as mãos; mesmo a mais bela paisagem, quando vivemos diante dela mais de três meses, deixa de nos poder agradar, qualquer margem distante nos atrai mais: geralmente uma posse reduz-se com o uso. O prazer que tiramos a nós próprios procura manter-se, transformando sempre qualquer nova coisa em nós próprios; é precisamente a isso que se chama possuir.

Cansar-se de uma posse é cansar-se de si próprio. (Pode-se também sofrer com o excesso; à necessidade de deitar fora, pode assim atribuir-se o nome lisonjeiro de «amor). Quando vemos sofrer uma pessoa aproveitamos de bom grado essa ocasião que se oferece de nos apoderarmos dela; é o que faz o homem caridoso, o indivíduo complacente; chama também «amor» a este desejo de uma nova posse que despertou na sua alma e tem prazer nisso como diante do apelo de uma nova conquista. Mas é o amor de sexo para sexo que se revela mais nitidamente como um desejo de posse: aquele que ama quer ser possuidor exclusivo da pessoa que deseja, quer ter um poder absoluto tanto sobre a sua alma como sobre o seu corpo, quer ser amado unicamente, instalar-se e reinar na outra alma como o mais alto e o mais desejável.

Friedrich Nietzsche, in 'A Gaia Ciência'
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MensagemAssunto: Re: FRIEDRICH NIETZSCHE - UMA OBRA DE DEUS...   Ter Ago 04, 2009 12:39 pm

O Sentimento de Poder

Ao fazer o bem e mal, exercemos o nosso poder sobre aqueles a quem se é forçado a fazê-lo sentir; porque o sofrimento é um meio muito mais sensível, para esse fim, do que o prazer: o sofrimento procura sempre a sua causa enquanto o prazer mostra inclinação para se bastar a si próprio e a não olhar para trás. Ao fazer bem ou ao desejarmos o bem exercemos o nosso poder sobre aqueles que, de uma maneira ou de outra, estão já na nossa dependência (quer dizer que se habituaram a pensar em nós como nas suas causas); queremos aumentar o seu poder porque assim aumentamos o nosso, ou queremos mostrar-lhes a vantagem que há em estar em nosso poder; ficarão mais satisfeitos com a sua situação e mais hostis aos inimigos do nosso poder, mais prontos a combatê-los. O facto de fazermos sacrifícios para fazer o bem ou o mal não altera em nada o valor definitivo dos nossos actos; mesmo se arriscarmos a nossa vida, como o mártir pela sua igreja, é um sacrifício que fazemos à nossa necessidade de poder, ou a fim de conservar o nosso sentimento de poder.

Friedrich Nietzsche, in 'A Gaia Ciência'
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MensagemAssunto: Re: FRIEDRICH NIETZSCHE - UMA OBRA DE DEUS...   Ter Ago 04, 2009 12:40 pm

A Consciência

A consciência é a última fase da evolução do sistema orgânico, por consequência também aquilo que há de menos acabado e de menos forte neste sistema. É do consciente que provém uma multidão de enganos que fazem com que um animal, um homem, pereçam mais cedo do que seria necessário, «a despeito do destino», como dizia Homero.
Se o laço dos instintos, este laço conservador, não fosse de tal modo mais poderoso do que a consciência, se não desempenhasse, no conjunto, um papel de regulador, a humanidade sucumbiria fatalmente sob o peso dos seus juízos absurdos, das suas divagações, da sua frivolidade, da sua credulidade, numa palavra do seu consciente: ou antes, há muito tempo que teria deixado de existir sem ele!

Enquanto uma função não está madura enquanto não atingiu o seu desenvolvimento perfeito, é perigosa para o organismo: é uma grande sorte que ela seja bem tiranizada! A consciência é-o severamente, e não é ao orgulho que o deve menos. Pensa-se que este orgulho forma o núcleo do ser humano; que é o seu elemento duradoiro, eterno, supremo, primordial! Considera-se que o consciente é uma constante! Nega-se o seu crescimento, as suas intermitências! É considerado como «a unidade do organismo»! Sobrestima-se, desconhece-se ridiculamente, aquilo que teve a consequência eminentemente útil de impedir o homem de realizar o seu desenvolvimento com demasiada rapidez. Julgando possuir a consciência, os homens pouco se esforçaram para a adquirir; e hoje ainda estão nisso! Trata-se ainda de uma tarefa eminentemente actual, que o olho humano começa apenas a entrever, a de se incorporar o saber, de o tornar instintivo no homem; uma tarefa de que só se dão conta aqueles que compreenderam que até aqui o homem só incorporou o erro, que toda a nossa consciência se relaciona com ele.

Friedrich Nietzsche, in 'A Gaia Ciência'
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MensagemAssunto: Re: FRIEDRICH NIETZSCHE - UMA OBRA DE DEUS...   Ter Ago 04, 2009 12:41 pm

Citações de Friedrich Wilhelm Nietzsche:

As paisagens insignificantes existem para os grandes paisagistas; as paisagens raras e notáveis são para os pequenos

Existo, logo penso

A obra de arte refere-se à natureza, como o círculo matemático ao círculo natural

Há muitas coisas que quero, de uma vez por todas, não saber. A sensatez estabelece limites mesmo ao conhecimento

É equivocar-se grosseiramente ver no código penal de um povo uma expressão do seu carácter; as leis não revelam o que é um povo, mas o que lhe parece estranho, bizarro, monstruoso, exótico

A história só é tolerável para personalidades fortes, ela sufoca as personalidades fracas

As grandes guerras modernas são a consequência dos estudos históricos

Deve-se estabelecer a proposição: só vivemos graças a ilusões - a nossa consciência aflora à superfície

Os homens não odeiam a ilusão, mas as consequências deploráveis e hostis de certas espécies de ilusão

A linguagem é a expressão adequada de todas as realidades?

Comparadas entre si, as diferentes línguas mostram que jamais se chega pelas palavras à verdade, nem a uma expressão adequada: não fosse isso, não haveria tão grande número de línguas

A importância da linguagem para o desenvolvimento da civilização reside no facto de que nela o homem colocou um mundo próprio ao lado do outro, posição que julgava bastante sólida para dali erguer o resto do mundo sobre os seus eixos e se tornar senhor do mundo
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MensagemAssunto: Re: FRIEDRICH NIETZSCHE - UMA OBRA DE DEUS...   Ter Ago 04, 2009 12:42 pm

Virtudes Inconscientes

Todas as qualidades pessoais de que um homem tem consciência - sobretudo quando supõe que os que o rodeiam as vêem, que saltam aos olhos dos outros -, estão submetidas a leis da evolução completamente diferentes daquelas que regem as qualidades que ele conhece mal ou não conhece, as qualidades que a sua finura dissimula ao observador mais subtil e que parecem entrincheirar-se atrás da cortina do nada. Assim como a delicada gravura que esculpe a escama da serpente: seria um erro ver nela ou uma arma ou um ornamento, porque só é possível descobri-la ao microscópio, por consequência com um olho cuja potência é devida a tais artifícios que os animais para os quais ela teria por sua vez servido de arma ou de ornamento não possuem semelhante!

As nossas qualidade morais visíveis e, nomeadamente, aquelas que nós acreditamos serem tais, seguem o seu caminho; e as do mesmo nome que se não vêem, que não podem portanto servir-nos de arma ou de ornamento, seguem assim o seu caminho, provavelmente completamente diferente, decoradas de linhas, de finuras e de esculturas que poderiam talvez dar prazer a um deus munido com um microscópio divino. Eis por exemplo o nosso zelo, a nossa ambição, a nossa perspicácia: temo-los, toda a gente os conhece; mas não possuímos além disso o nosso zelo, a nossa ambição, a nossa perspicácia, escamas de réptil para as quais ainda se não encontrou nenhum microscópio? E eis os amigos da moralidade instintiva a gritar: «Bravo! Ao menos admite a possibilidade de virtudes instintivas!... Isso não basta!» Oh! como vos basta pouco!

Friedrich Nietzsche, in 'A Gaia Ciência'
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MensagemAssunto: Re: FRIEDRICH NIETZSCHE - UMA OBRA DE DEUS...   Ter Ago 04, 2009 12:43 pm

Dignidade Perdida

A meditação perdeu toda a sua dignidade exterior; ridicularizou-se o cerimonial e a atitude solene daquele que reflecte; já não se poderia continuar a suportar um sages da velha escola. Pensamos demasiado depressa, e pelo caminho, em plena marcha, no meio de negócios de toda a espécie, mesmo quando se trate das coisas mais graves; temos apenas necessidade de pouca preparação, e até de pouco silêncio: tudo se passa como se tivéssemos na cabeça uma máquina que girasse incessantemente e que prosseguisse o seu trabalho, mesmo nas piores circunstâncias. Outrora, quando alguém se queria pôr a pensar - era uma coisa excepcional! - era coisa que se notava imediatamente ; notava-se que queria tornar-se mais sábio e que se preparava para uma ideia: o seu rosto ganhava uma expressão como em oração; o homem detinha-se na sua marcha; ficava até imóvel durante horas na rua, apoiado numa perna ou nas duas, quando a ideia lhe «surgia». A coisa «valia» então «esse trabalho».

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MensagemAssunto: Re: FRIEDRICH NIETZSCHE - UMA OBRA DE DEUS...   Ter Ago 04, 2009 12:44 pm

A Charrua do Mal

Foram os espíritos fortes e os espíritos malignos, os mais fortes e os mais malignos, que obrigaram a natureza a fazer mais progressos: reacenderam constantemente as paixões que adormecidas - todas as sociedades policiadas as adormecem -, despertaram constantemente o espírito de comparação e de contradição, o gosto pelo novo, pelo arriscado, pelo inexperimentado; obrigaram o homem a opor incessantemente as opiniões às opiniões, os ideais aos ideais.

As mais das vezes pelas armas, derrubando os marcos fronteiriços, violando as crenças, mas fundando também novas religiões, criando novas morais! Esta «maldade» que se encontra em todos os professores do novo, em todos os pregadores de coisas novas, é a mesma «maldade» que desacredita o conquistador, se bem que ela se exprime mais subtilmente e não mobilize imediatamente o músculo; - o que faz de resto com que desacredite com menos força! - O novo, de qualquer maneira, é o mal, pois é aquilo que quer conquistar, derrubar os marcos fronteiriços, abater as antigas crenças; só o antigo é o bem! Os homens de bem em todas as épocas, são aqueles que implantam profundamente as velhas ideias para lhes dar fruto, são os cultivadores do espírito. Mas todos os terrenos acabam por se esgotar, é preciso sempre que a charrua do mal aí volte.

Friedrich Nietzsche, in 'A Gaia Ciência'
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MensagemAssunto: Re: FRIEDRICH NIETZSCHE - UMA OBRA DE DEUS...   Ter Ago 04, 2009 12:46 pm

Citações de Friedrich Wilhelm Nietzsche:

Aquele que se sabe profundo esforça-se por ser claro; aquele que gostaria de parecer profundo à multidão esforça-se por ser obscuro

É possível viver quase sem lembranças e viver feliz, como demonstra o animal, mas é impossível viver sem esquecer

A moral não passa de uma interpretação - ou mais exactamente de uma falsa interpretação - de certos fenómenos

O inimigo mais perigoso que você poderá encontrar será sempre você mesmo

Falar muito sobre si mesmo pode ser um meio de se esconder

Se a fé não tornasse feliz, não haveria fé: então quão pouco valor ela deve ter!

Em toda a religião, o homem religioso é uma excepção

As guerras da religião constituíram até então o maior progresso das massas: afinal, demonstram que a massa passou a considerar as noções com respeito

O tempo em si é um absurdo: só existe tempo para um ser que sente. E o mesmo acontece em relação ao espaço

Um facto é sempre absurdo e sempre se pareceu mais com um bezerro do que com um deus

O homem exige a verdade e realiza-a no comércio moral com os homens; é sobre isso que repousa toda a vida em comum

Quase nada é mais inconcebível do que o advento de um instinto de verdade honesto e puro entre os homens
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MensagemAssunto: Re: FRIEDRICH NIETZSCHE - UMA OBRA DE DEUS...   Ter Ago 04, 2009 12:47 pm

A Doutrina do Objectivo da Vida

Quer considere os homens com bondade ou malevolência, encontro-os sempre, a todos e a cada um em particular, empenhados na mesma tarefa: tornar-se úteis à conservação da espécie. E isto não por amor a essa espécie, mas simplesmente porque não há neles nada mais antigo, mais poderoso, mais impiedoso e mais invencível do que esse instinto... porque esse instinto é propriamente a essência da nossa espécie, do nosso rebanho.

Se bem que se chegue assaz rapidamente, com a miopia ordinária, a separar a cinco passos os nossos semelhantes em úteis e em prejudiciais, em seres bons e maus, quando fazemos o nosso balanço final e reflectimos sobre o conjunto acabamos por desconfiar destas depurações, destas distinções, e acabamos por renunciar a elas.

Talvez o homem mais prejudicial seja ainda, no fim de contas, o mais útil à conservação da espécie; porque sustenta em si mesmo, ou nos outros, com a sua acção, instintos sem os quais a humanidade estaria há muito tempo mole e corrompida. O ódio, o prazer de prejudicar, a sede de tomar e de dominar, e, de uma maneira geral, tudo aquilo a que se dá o nome de mal, não passam no fundo de um dos elementos da espantosa economia da conservação da espécie; economia cara, decerto, pródiga e, no fundo, altamente insensata, mas que, como está provado, manteve a nossa raça até agora.

Friedrich Nietzsche, in 'Genealogia da Moral'
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MensagemAssunto: Re: FRIEDRICH NIETZSCHE - UMA OBRA DE DEUS...   Ter Ago 04, 2009 12:48 pm

Os Fortes Aspiram a Separar-se e os Fracos a Unir-se

O crescimento da comunidade frutifica no indivíduo um interesse novo que o aparta da sua pena pessoal, da sua aversão à sua própria pessoa. Todos os doentes aspiram instintivamente a organizar-se em rebanhos, o sacerdote ascético adivinha este instinto e alenta-os onde quer que haja rebanhos, o instinto de fraqueza forma-os, a habilidade do sacerdote organiza-os. Não nos enganemos: os fortes aspiram a separar-se e os fracos a unir-se; se os primeiros se reúnem, é para uma acção agressiva comum, que repugna muito à consciência de cada qual; pelo contrário, os últimos unem-se pelo prazer que acham em unir-se; porque isto satisfaz o seu instinto, assim como irrita o instinto dos fortes. Toda a oligarquia envolve o desejo da tirania; treme continuamente por causa do esforço que cada um dos indivíduos tem que fazer para dominar este desejo.

Friedrich Nietzsche, in 'Genealogia da Moral'
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MensagemAssunto: Re: FRIEDRICH NIETZSCHE - UMA OBRA DE DEUS...   Ter Ago 04, 2009 12:50 pm

Culpabilidade

O estado de pecado no homem não é um facto, senão apenas a interpretação de um facto, a saber: de um mal-estar fisiológico, considerado sob o ponto de vista moral e religioso. O sentir-se alguém «culpado» e «pecador», não prova que na realidade o esteja, como sentir-se alguém bem não prova que na realidade esteja bem. Recordem-se os famosos processos de bruxaria; naquela época os juízes mais humanos acreditavam que havia culpabilidade; as bruxas também acreditavam; contudo, a culpabilidade não existia.

Friedrich Nietzsche, in 'Genealogia da Moral'
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MensagemAssunto: Re: FRIEDRICH NIETZSCHE - UMA OBRA DE DEUS...   Ter Ago 04, 2009 4:21 pm

Citações de Friedrich Wilhelm Nietzsche:

As verdades são ilusões que esquecemos serem ilusões

A crença forte só prova a sua força, não a verdade daquilo em que se crê

Não acreditamos mais que a verdade seja ainda a verdade a partir do momento em que se retira o seu véu: vivemos demasiadamente para acreditar nisso

O fanatismo é a única forma de força de vontade acessível aos fracos

Não desfaças o herói que está na tua alma!

Nós, homens do conhecimento, não nos conhecemos; de nós mesmos somos desconhecidos

Não poderia haver felicidade, jovialidade, esperança, orgulho, presente, sem o esquecimento

Com ajuda da moralidade do costume e da camisa-de-forças social, o homem foi realmente tornado confiável

O trágico na vida de grandes homens está, frequentemente, não no seu conflito com a época e a baixeza de seus semelhantes, mas na sua incapacidade de adiar por um ou dois anos a sua obra

O hipócrita que representa sempre o mesmo papel deixa enfim de ser hipócrita

Toda a moral admite acções intencionalmente prejudiciais em caso de legítima defesa

Tudo evolui; não há realidades eternas: tal como não há verdades absolutas

Opinião pública - preguiças privadas
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MensagemAssunto: Re: FRIEDRICH NIETZSCHE - UMA OBRA DE DEUS...   Ter Ago 04, 2009 4:22 pm

Os Doentes São o Maior Perigo da Humanidade

Se tão normal é o homem em estado morboso, tanto mais de devem estimar os raros exemplos de potência física e corpural, os acidentes felizes da espécie humana, e tanto mais devem ser preservados do ar infecto os seres robustos. Faz-se assim ?...
Os doentes são o maior perigo para os sãos; daqueles vêm todos os males. Já se reparou suficientemente nisto?... Decerto se não deve desejar que diminua a violência entre os homens; porque esta violência obriga os homens a serem fortes, e mantém na sua integridade o tipo do homem robusto. O temível e desastroso é o grande tédio do homem e a sua grande compaixão. Se algum dia estes elementos se unirem, darão á luz irremissivelmente a monstruosa «última» vontade, a sua vontade do nada, o niilismo.

E efectivamente tudo está já preparado para este fim. Os que têm olhos, ouvidos, nariz, percebem por todos os lados a atmosfera de um manicómio e de um hospital, em todas as partes do mundo civilizado, europeizado. Os doentes são o maior perigo da humanidade; não os maus, não as «feras de rapina». Os desgraçados, os vencidos, os impotentes, os fracos são os que minam a vida e envenenam e destroem a nossa confiança. Como escapar a este olhar triste e concentrado dos homens incompletos? Este olhar é um suspiro que diz: «Ah! Se eu pudesse ser outro! Mas não há esperança: sou o que sou; como poderia libertar-me de mim próprio? Estou cansado de mim próprio!...»

Neste terreno panatanoso de dezprezo de si mesmo cresce esta ruim erva, esta planta venenosa, pequena, oculta e adocicada. Aqui formigam os vermes do ódio e do rancor: o ar está impregnado de miasmas desconhecidos: aqui se atam sem cessar os fins de uma conjuração indigna: a conjuração dos doentes contra os robustos e os triunfantes; aqui se aborrece até o próprio aspecto do triunfador.

Friedrich Nietzsche, in 'Genealogia da Moral'
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MensagemAssunto: Re: FRIEDRICH NIETZSCHE - UMA OBRA DE DEUS...   Ter Ago 04, 2009 4:23 pm

Conhecimento sem Paixão seria Castrar a Inteligência

Como investigadores do conhecimento, não sejamos ingratos com os que mudaram por completo os pontos de vista do espírito humano; na aparência foi uma revolução inútil, sacrílega; mas já de si o querer ver de modo diverso dos outros, não é pouca disciplina e preparação do entendimento para a sua futura «objectividade», entendendo por esta palavra não a «contemplação desinteressada», que é um absurdo, senão a faculdade de dominar o pró e o contra, servindo-se de um e de outro para a interpretação dos fenómenos e das paixões. Acautelemo-nos pois, oh senhores filósofos!

Desta confabulação das ideias antigas acerca de um «assunto do conheciemnto puro, sem vontade, sem dor, sem tempo», defendamo-nos das moções contraditórias «razão pura», «espiritualidade absoluta», «conhecimento subsistente» que seria um ver subsistente em si próprio e sem órgão visual, ou um olho sem direcção, sem faculdades activas e interpretativas? Pois o mesmo sucede com o conhecimento: uma vista, e se é dirigida pela vontade, veremos melhor, teremos mais olhos, será mais completa a nossa «objectividade». Mas eliminar a vontade, suprimir inteiramente as paixões - supondo que isso fosse possível - seria castrar a inteligência.

Friedrich Nietzsche, in 'Genealogia da Moral'
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MensagemAssunto: Re: FRIEDRICH NIETZSCHE - UMA OBRA DE DEUS...   Ter Ago 04, 2009 4:24 pm

Cultura

É um fenómeno eterno: a ávida vontade vai sempre encontrar um meio de fixar as suas criaturas na vida através de uma ilusão espalhada sobre as coisas, forçando-as a continuar a viver. Este vê-se amarrado pelo prazer socrático do conhecimento e pela ilusão de poder, através do mesmo, curar a eterna ferida da existência; aquele vê-se envolvido pedo véu sedutor da arte ondeando diante dos seus olhos; aquele, por seu turno, pela consolação metafísica de que sob o remoinho dos fenómenos continua a fluir, impreturbável, a vida eterna: para não falar das ilusões mais comuns, e talvez mais vigorosas, que a vontade tem preparadas em qualquer instante.
Aqueles três níveis de ilusão destinam-se apenas às naturezas mais nobremente apetrechadas, nas quais a carga e o peso da existência são em geral sentidos com um desagrado mais profundo e que podem ser ilusoriamente desviadas desse desagrado através de estimulantes seleccionados. É nestes estimulantes que consiste tudo o que chamamos cultura.

Friedrich Nietzsche, in 'O Nascimento da Tragédia'
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MensagemAssunto: Re: FRIEDRICH NIETZSCHE - UMA OBRA DE DEUS...   Ter Ago 04, 2009 4:26 pm

Citações de Friedrich Wilhelm Nietzsche:

Vivemos num tempo em que a civilização periga morrer por meio da civilização

Ninguém mais morre hoje de verdades mortais, há antídotos em demasia

A exigência de ser amado é a maior das pretensões

Um mantém a sua opinião, porque imagina que chegou a ela por si mesmo, o outro porque a aprendeu com dificuldade e está orgulhoso por ter conseguido compreendê-la: ambos, em decorrência, por vaidade

Sobre a educação. Paulatinamente esclareceu-se, para mim, a mais comum deficiência de nosso tipo de formação e educação: ninguém aprende, ninguém aspira, ninguém ensina - a suportar a solidão

O homem perde o poder quando é contagiado pelo sentimento de piedade

A humanidade aprendeu a chamar a piedade de virtude, quando em todo o sistema moral superior ela é considerada como uma fraqueza

A piedade opõe-se completamente à lei da evolução, lei da selecção natural

A desigualdade dos direitos é a primeira condição para que haja direitos

A vida mais doce é não pensar em nada

Não suporto almas estreitas: não têm nada de bom, tampouco nada de mau

Não te enchas de ar: a menor picadela te esvaziaria

É à glória que aspiras? Nesse caso considera esta lição: renúncia a tempo e espontaneamente à honra

Segue as tuas melhores ou piores inclinações e, antes de mais nada, encaminha-te para a tua perdição; em ambos os casos favorecerás, provavelmente, de uma maneira ou de outra, o progresso da humanidade
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MensagemAssunto: Re: FRIEDRICH NIETZSCHE - UMA OBRA DE DEUS...   Ter Ago 04, 2009 4:27 pm

A Fragilidade dos Valores

Todas as coisas «boas» foram noutro tempo más; todo o pecado original veio a ser virtude original. O casamento, por exemplo, era tido como um atentado contra a sociedade e pagava-se uma multa, por ter tido a imprudência de se apropriar de uma mulher (ainda hoje no Cambodja o sacerdote, guarda dos velhos costumes, conserva o jus primae noctis). Os sentimentos doces, benévolos, conciliadores, compassivos, mais tarde vieram a ser os «valores por excelência»; por muito tempo se atraiu o desprezo e se envergonhava cada qual da brandura, como agora da dureza.
A submissão ao direito: oh! que revolução de consciência em todas as raças aristocráticas quando tiveram de renunciar à vingança para se submeterem ao direito! O «direito» foi por muito tempo um vetitum, uma inovação, um crime; foi instituído com violência e opróbio.

Cada passo que o homem deu sobre a Terra custou-lhe muitos suplícios intelectuais e corporais; tudo passou adiante e atrasou todo o movimento, em troca teve inumeráveis mártires; por estranho que isto hoje nos pareça, já o demonstrei na Aurora, aforismo 18: «Nada custou mais caro do que esta migalha de razão e de liberdade, que hoje nos envaidece». Esta mesma vaidade nos impede de considerar os períodos imensos da «moralização dos costumes» que precederam a história capital e foram a verdadeira história, a história capital e decisiva que fixou o carácter da humanidade. Então a dor passava por virtude, a vingança por virtude, a renúncia da razão por virtude, e o bem-estar passivo por perigo, o desejo de saber por perigo, a paz por perigo, a misericórdia por opróbio, o trabalho por vergonha, a demência por coisa divina, a conversão por imoralidade e a corrupção por coisa excelente.

Friedrich Nietzsche, in 'A Genealogia da Moral'
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MensagemAssunto: Re: FRIEDRICH NIETZSCHE - UMA OBRA DE DEUS...   Ter Ago 04, 2009 4:28 pm

A Criação de Deus como Travão aos Instintos

Uma obrigação para com Deus: esta ideia foi porém o instrumento de tortura. Imaginou-se Deus como um contraste dos seus próprios instintos animais (do homem) e irresistíveis e deste modo transformou estes instintos em faltas para com Deus, hostilidade, rebelião contra o «Senhor», «Pai» e «Princípio do mundo», e colocando-se galantemente entre «Deus» e o «Diabo» negou a Natureza para afirmar o real, o vivo, overdadeiro Deus, Deus santo, Deus justo, Deus castigador, Deus sobrenatural, suplício infinito, inferno, grandeza incomensurável do castigo e da falta. Há uma espécie de demência da vontade nesta crueldade psíquica. Esta vontade de se achar culpado e réprobo até ao infinito; esta vontade de ver-se castigado eternamente; esta vontade de tornar funesto o profundo sentimento de todas as coisas e de fechar a saída deste labirinto de ideias fixas; esta vontade de erigir um ideal, o ideal de «Deus santo, santo, santo», para dar-se meçhor conta da própria indignidade absoluta... Oh, triste e louca besta humana!

A que imaginações contra natura, a que paroxismo de demência, a que a bestialidade de ideia se deixa arrastar, quando se lhe impede ser besta de acção!... Tudo isto é muito interessante, mas quando se olha para o fundo deste abismo, sentem-se vertigens de tristeza enervante. Não há dúvida de que isto é uma doença, a mais terrível que tem havido entre os homens e aquele cujos ouvidos sejam capazes de ouvir, nesta negra noite de tortura e de absurdo, o grito de amor, o grito de êxtase e de desejo, o grito de redenção por amor, será presa de horror invencível... Há tantas coisas no homem que infudem espanto! Foi por tanto tempo a terra um asilo de dementes!

Friedrich Nietzsche, in 'A Genealogia da Moral'
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MensagemAssunto: Re: FRIEDRICH NIETZSCHE - UMA OBRA DE DEUS...   Ter Ago 04, 2009 4:29 pm

A Má Consciência como Inibição dos Instintos

A má consciência é para mim o estado mórbido em que devia ter caído o homem quando sofreu a transformação mais radical que alguma vez houve, a que nele se produziu quando se viu acorrentado à argola da sociedade e da paz. À maneira dos peixes obrigados a adaptarem-se a viver em terra, estes semianimais, acostumados à vida selvagem, à guerra, às correrias e aventuras, viram-se obrigados de repente a renunciar a todos os seus nobres instintos. Forçavam-nos a irem pelo seu pé, a «levarem-se a si mesmos», quando até então os havia levado a água: esmagava-os um peso enorme. Sentiam-se inaptos para as funções mais simples; neste mundo novo e desconhecido não tinham os seus antigos guias estes instintos reguladores, inconscientemente falíveis; viam-se reduzidos a pensar, a deduzir, a calcular, a combinar causas e efeitos. Infelizes! Viam-se reduzidos à sua «consciência», ao seu órgão mais fraco e mais coxo! Creio que nunca houve na terra desgraça tão grande, mal-estar tão horrível!

Acrescente-se a isto que os antigos instintos não haviam renunciado de vez às suas exigências. Mas era difícil e amiúde impossível satisfazê-las; era preciso procurar satisfações novas e subterrâneas. Os instintos sob a enorme força repressiva, volvem para dentro, a isto se chama interiorização do homem; assim de desenvolve o que mais tarde se há-de chamar «alma».
Aquele pequeno mundo interior vai-se desenvolvendo e ampliando à medida que a exteriorização do homem acha obstáculos. As formidáveis barreiras que a organização social construía para se defender contra os antigos instintos de liberdade e, em primeiro lugar, a barreira do castigo, conseguiram que todos os instintos do homem selvagem, livre e vagabundo, se voltassem contra o homem interior.
A ira, a crueldade, a necessidade de perseguir, tudo isto se dirigia contra o possuidor de tais instintos; eis a origem da «má consciência». O homem que, por falta de resistência e de inimigos exteriores, colhido no potro da regularidade dos costumes, se despedaçava com impaciência, se perseguia, se devorava, se amedrontava e se maltratava a ele mesmo; este animal a quem se quer domesticar, mas que se fere nos ferros da sua jaula; este ser a quem as privações fazem enlanguescer na nostalgia do deserto e que fatalmente devia achar em si mesmo um campo de aventuras, um jardim de suplícios, uma região perigosa e incerta; este louco, este cativo, de aspirações impossíveis, teve de inventar a «má consciência».
Então veio ao mundo a maior e mais perigosa de todas as doenças, o homem doente de si mesmo foi consequência de um divórcio violento com o passado animal, de um salto para novas situações, para novas condições de existência, de uma declaração de guerra contra os antigos instintos que antes constituíam a sua força e o seu temível carácter.

Friedrich Nietzsche, in 'A Genealogia da Moral'
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MensagemAssunto: Re: FRIEDRICH NIETZSCHE - UMA OBRA DE DEUS...   Ter Ago 04, 2009 4:30 pm

A Auto-Destruição da Justiça

À medida que aumenta o poderio de uma sociedade, assim esta dá menos importância às faltas dos seus membros, porque já lhes não parecem perigosas nem subversivas; o malfeitor já não está reduzido ao estado de guerra, não pode nele cevar-se a cólera geral; mais ainda: defendem-no contra essa cólera.
O aplacar a cólera dos prejudicados, o localizar o caso para evitar distúrbios, e procurar equivalências para harmonizar tudo (compositio) e principalmente o considerar toda a infracção como expiável e isolar portanto o ulterior desenvolvimento do direito penal. À medida, pois, que aumenta numa sociedade o poder e a consciência individual, vai-se suavizando o direito penal, e, pelo contrário, enquanto se manifesta uma fraqueza ou um grande perigo, reaparecem a seguir os mais rigorosos castigos.

Isto é, o credor humanizou-se conforme se foi enriquecendo; como que no fim, a sua riqueza mede-se pelo número de prejuízos que pode suportar. E até se concebe uma sociedade com tal consciência do seu poderio, que se permite o luxo de deixar impunes os que a ofendem. «Que me importam a mim esses parasitas? Que vivam e que prosperem; eu sou forte bastante para me inquietar por causa deles...» A justiça, pois, que começou a dizer: «tudo pode ser pago e deve ser pago» é a mesma que, por fim, fecha os olhos e não cobra as suas dívidas e se destrói a si mesma como todas as coisas boas deste mundo. Esta autodestruição da justiça, chama-se graça e é privilégio dos mais poderosos, dos que estão para além da justiça.

Friedrich Nietzsche, in 'A Genealogia da Moral'
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MensagemAssunto: Re: FRIEDRICH NIETZSCHE - UMA OBRA DE DEUS...   Ter Ago 04, 2009 4:32 pm

Citações de Friedrich Wilhelm Nietzsche:

Os aforismos devem ser cumeeiras, e aqueles a quem se fala devem ser homens altos e robustos

Há almas que nunca se descobrirão, a não ser que se principie por inventá-las

O nobre quer criar alguma coisa nobre e uma nova virtude. O bom deseja o velho e que o velho se conserve

Não vos aconselho o trabalho, mas a luta. Não vos aconselho a paz, mas a vitória! Seja o vosso trabalho uma luta! Seja a vossa paz uma vitória!

É preciso honrar no amigo o inimigo

És escravo? Então não podes ser amigo. És tirano? Então não podes ter amigos

Acaso vos aconselho o amor ao próximo? Antes vos aconselho a fuga do «próximo» e o amor ao remoto!

Tema o homem a mulher, quando a mulher odeia: porque, no fundo, o homem é simplesmente mau; mas a mulher é perversa

Aquele era frio nas suas relações e exigente nas suas escolhas. Mas de um só golpe e para sempre estragou a sua companhia. A isso chama o seu casamento

Os poetas, porém, são por demais mentirosos

A felicidade corre atrás de mim. Isso provém de que eu não corro atrás das mulheres. Mas a felicidade é mulher

Alguns nascem póstumos (...) Eu estaria em completa contradição comigo mesmo se já esperasse hoje encontrar ouvidos e «mãos» prontos para as «minhas» verdades; que hoje não se ouça nada de mim, que hoje não se saiba tirar nada de mim, isto não é apenas compreensível, mas parece-me até mesmo normal
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MensagemAssunto: Re: FRIEDRICH NIETZSCHE - UMA OBRA DE DEUS...   Ter Ago 04, 2009 4:33 pm

A Vantagem do Esquecimento

O esquecimento não é só uma vis inertioe, como crêem os espíritos superfinos; antes é um poder activo, uma faculdade moderadora, à qual devemos o facto de que tudo quanto nos acontece na vida, tudo quanto absorvemos, se apresenta à nossa consciência durante o estado da «digestão» (que poderia chamar-se absorção física), do mesmo modo que o multíplice processo da assimiliação corporal tão pouco fatiga a consciencia. Fechar de quando em quando as portas e janelas da consciência, permanecer insensível às ruidosas lutas do mundo subterrâneo dos nossos orgãos; fazer silêncio e tábua rasa da nossa consciência, a fim de que aí haja lugar para as funções mais nobres para governar, para rever, para pressentir (porque o nosso organismo é uma verdadeira oligarquia): eis aqui, repito, o ofício desta faculdade activa, desta vigilante guarda encarregada de manter a ordem física, a tranquilidade, a etiqueta. Donde se coligue que nenhuma felicidade, nenhuma serenidade, nenhuma esperança, nenhum gozo presente poderiam existir sem a faculdade do esquecimento.

Friedrich Nietzsche, in 'A Genealogia da Moral'
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MensagemAssunto: Re: FRIEDRICH NIETZSCHE - UMA OBRA DE DEUS...   Ter Ago 04, 2009 4:34 pm

Quantos Séculos Precisa um Espírito para Ser Compreendido?

Os maiores acontecimentos e os maiores pensamentos – mas os maiores pensamentos são os maiores acontecimentos – são os que mais tarde se compreendem: as gerações que lhes são contemporâneas não vivem esses acontecimentos, - passam por eles. Acontece aqui algo de análogo ao que se observa no domínio dos astros. A luz das estrelas mais distantes chega mais tarde aos homens; e antes da sua chegada, os homens negam que ali – existam estrelas. “Quantos séculos precisa um espírito para ser compreendido?” – aí está também uma medida, um meio de criar uma hierarquia e uma etiqueta necessárias: para o espírito e para a estrela.

Friedrich Nietzsche, in 'Para Além de Bem e Mal'
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MensagemAssunto: Re: FRIEDRICH NIETZSCHE - UMA OBRA DE DEUS...   Hoje à(s) 10:58 am

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