A LIBERDADE É AMORAL

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 FRIEDRICH NIETZSCHE - UMA OBRA DE DEUS...

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Anarca



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MensagemAssunto: FRIEDRICH NIETZSCHE - UMA OBRA DE DEUS...   Sab Jun 06, 2009 4:59 pm

Friedrich Nietzsche nasceu numa família luterana em 1844, sendo destinado a ser pastor como seu pai, que morreu jovem em 1849 aos 36 anos, junto com seu avô (também pastor luterano). Entretanto, Nietzsche perde a fé durante sua adolescência, e os seus estudos de filologia afastam-no da tentação teológica. Durante os seus estudos na universidade de Leipzig, a leitura de Schopenhauer (O Mundo como Vontade e Representação, 1818) vai constituir as premissas da sua vocação filosófica. Aluno brilhante, dotado de sólida formação clássica, Nietzsche é nomeado aos 25 anos professor de Filologia na universidade de Basiléia. Adota então a nacionalidade suíça. Desenvolve durante dez anos a sua acuidade filosófica no contacto com pensamento grego antigo - com predileção para os Pré-socráticos, em especial para Heráclito e Empédocles. Durante os seus anos de ensino, torna-se amigo de Jacob Burckhardt e Richard Wagner. Em 1870, compromete-se como voluntário (enfermeiro) na guerra franco-prussiana. A experiência da violência e o sofrimento chocam-no profundamente.

Em 1879 seu estado de saúde obriga-o a deixar o posto de professor. Sua voz, inaudível, afasta os alunos. Começa então uma vida errante em busca de um clima favorável tanto para sua saúde como para seu pensamento (Veneza, Gênova, Turim, Nice, Sils-Maria...) : "Não somos como aqueles que chegam a formar pensamentos senão no meio dos livros - o nosso hábito é pensar ao ar livre, andando, saltando, escalando, dançando (...)." Em 1882, ele encontra Paul Rée e Lou Andreas-Salomé, a quem pede em casamento. Ela recusa, após ter-lhe feito esperar sentimentos recíprocos. No mesmo ano, começa a escrever o Assim Falou Zaratustra, quando de uma estada em Nice. Nietzsche não cessa de escrever com um ritmo crescente. Este período termina brutalmente em 3 de Janeiro de 1889 com uma "crise de loucura" que, durando até à sua morte, coloca-o sob a tutela da sua mãe e sua irmã. No início desta loucura, Nietzsche encarna alternativamente as figuras míticas de Dionísio e Cristo, expressa em bizarras cartas, afundando depois em um silêncio quase completo até a sua morte. Uma lenda dizia que contraiu sífilis. Estudos recentes se inclinam antes para um câncro (câncer) do cérebro, que eventualmente pode ter origem sifilítica. Sua irmã Elizabeth Vöster Nietzsche falseou seus escritos após a sua morte para apoiar uma causa anti-semita. Falácia, tendo em vista a repulsa de Nietzsche ao anti-semitismo em seus escritos. Entretanto, sua irmã morre confortavelmente sob a tutela nazi.

Durante toda sua vida sempre tentou explicar o insucesso de sua literatura, chegando a conclusão de que nascera póstumo, para os leitores do porvir. O sucesso de Nietzsche, entretanto, sobreveio quando um professor dinamarquês leu a sua obra Assim Falou Zaratustra e, por conseguinte, tratou de difundi-la, em 1888.

Muitos estudiosos da época tentaram localizar os momentos que Nietzsche escrevia sob crises nervosas ou sob efeito de drogas (Nietzsche estudou biologia e tentava descobrir sua própria maneira de minimizar os efeitos da sua doença).
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MensagemAssunto: Re: FRIEDRICH NIETZSCHE - UMA OBRA DE DEUS...   Sab Jun 06, 2009 5:06 pm

Anarca escreveu:
Friedrich Nietzsche nasceu numa família luterana em 1844, sendo destinado a ser pastor como seu pai, que morreu jovem em 1849 aos 36 anos, junto com seu avô (também pastor luterano). Entretanto, Nietzsche perde a fé durante sua adolescência, e os seus estudos de filologia afastam-no da tentação teológica. Durante os seus estudos na universidade de Leipzig, a leitura de Schopenhauer (O Mundo como Vontade e Representação, 1818) vai constituir as premissas da sua vocação filosófica. Aluno brilhante, dotado de sólida formação clássica, Nietzsche é nomeado aos 25 anos professor de Filologia na universidade de Basiléia. Adota então a nacionalidade suíça. Desenvolve durante dez anos a sua acuidade filosófica no contacto com pensamento grego antigo - com predileção para os Pré-socráticos, em especial para Heráclito e Empédocles. Durante os seus anos de ensino, torna-se amigo de Jacob Burckhardt e Richard Wagner. Em 1870, compromete-se como voluntário (enfermeiro) na guerra franco-prussiana. A experiência da violência e o sofrimento chocam-no profundamente.

Em 1879 seu estado de saúde obriga-o a deixar o posto de professor. Sua voz, inaudível, afasta os alunos. Começa então uma vida errante em busca de um clima favorável tanto para sua saúde como para seu pensamento (Veneza, Gênova, Turim, Nice, Sils-Maria...) : "Não somos como aqueles que chegam a formar pensamentos senão no meio dos livros - o nosso hábito é pensar ao ar livre, andando, saltando, escalando, dançando (...)." Em 1882, ele encontra Paul Rée e Lou Andreas-Salomé, a quem pede em casamento. Ela recusa, após ter-lhe feito esperar sentimentos recíprocos. No mesmo ano, começa a escrever o Assim Falou Zaratustra, quando de uma estada em Nice. Nietzsche não cessa de escrever com um ritmo crescente. Este período termina brutalmente em 3 de Janeiro de 1889 com uma "crise de loucura" que, durando até à sua morte, coloca-o sob a tutela da sua mãe e sua irmã. No início desta loucura, Nietzsche encarna alternativamente as figuras míticas de Dionísio e Cristo, expressa em bizarras cartas, afundando depois em um silêncio quase completo até a sua morte. Uma lenda dizia que contraiu sífilis. Estudos recentes se inclinam antes para um câncro (câncer) do cérebro, que eventualmente pode ter origem sifilítica. Sua irmã Elizabeth Vöster Nietzsche falseou seus escritos após a sua morte para apoiar uma causa anti-semita. Falácia, tendo em vista a repulsa de Nietzsche ao anti-semitismo em seus escritos. Entretanto, sua irmã morre confortavelmente sob a tutela nazi.

Durante toda sua vida sempre tentou explicar o insucesso de sua literatura, chegando a conclusão de que nascera póstumo, para os leitores do porvir. O sucesso de Nietzsche, entretanto, sobreveio quando um professor dinamarquês leu a sua obra Assim Falou Zaratustra e, por conseguinte, tratou de difundi-la, em 1888.

Muitos estudiosos da época tentaram localizar os momentos que Nietzsche escrevia sob crises nervosas ou sob efeito de drogas (Nietzsche estudou biologia e tentava descobrir sua própria maneira de minimizar os efeitos da sua doença).

NEM NIETZSCHE, NEM MEIO NIETZSCHE!

Não sabes que as PR's não deixam mencionar esse fella por causa das associações ao nazismo?

Mas que sorte a minha!

O Francis Ford a laurear a pevide e eu até com o argumento tenho que me preocupar.

Mas porque é que eu não estou em San Francisco?

Levava os bots do Google ao zoo e comprava-lhes amendoins para eles atirarem aos macacos.

Chris, dear, vê lá se começas a tomar conta destes detalhes senão ainda dou em doido.
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Anarca



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MensagemAssunto: Re: FRIEDRICH NIETZSCHE - UMA OBRA DE DEUS...   Sab Jun 06, 2009 5:13 pm

Nietzsche é injustamente conhecido como o homem que pregou a morte de Deus...

"Nietzsche fala do Deus que tem que morrer, porque é o Deus das nossas cabeças, o Deus inventado, o Deus da metafísica, o Deus que não é vivo.''

“A Oração Ao Deus Desconhecido”

Antes de prosseguir em meu caminho
e lançar o meu olhar para frente uma vez mais,
elevo, só, minhas mãos a Ti na direção de quem eu fujo.
A Ti, das profundezas de meu coração,
tenho dedicado altares festivos para que, em
Cada momento, Tua voz me pudesse chamar.
Sobre esses altares estão gravadas em fogo estas palavras:
“Ao Deus desconhecido”.
Seu, sou eu, embora até o presente tenha me associado aos sacrílegos.
Seu, sou eu, não obstante os laços que me puxam para o abismo.
Mesmo querendo fugir, sinto-me forçado a servi-lo.
Eu quero Te conhecer, desconhecido.
Tu, que me penetras a alma e, qual turbilhão, invades a minha vida.
Tu, o incompreensível, mas meu semelhante,
quero Te conhecer, quero servir só a Ti.

(Friedrich Nietzsche)
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Anarca



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MensagemAssunto: Re: FRIEDRICH NIETZSCHE - UMA OBRA DE DEUS...   Sab Jun 06, 2009 5:16 pm

Depois de ter sido considerado um filósofo pré-nazi, a partir das suas noções sobre a Vontade do Poder e o Super-Homem, Nietzsche tornar-se-á um dos filósofos da juventude em revolta no final dos anos sessenta, que a ele foi buscar o niilismo, a afirmação da individualidade, a crítica à ciência e ao progressismo.
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Anarca



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MensagemAssunto: Re: FRIEDRICH NIETZSCHE - UMA OBRA DE DEUS...   Sab Jun 06, 2009 11:58 pm

A Morte de Deus, a Vontade de Poder e o Eterno Retorno no Zaratustra de Nietzsche. (I)

A obra Assim Falava Zaratustra deve ser lida como um romance de formação dentro de uma concepção trágica da vida.

Nesta obra, publicada em 1881, efectua-se pela primeira vez em filosofia a passagem de uma linguagem conceptual, argumentativa, teórica e sistemática (ou seja, uma linguagem tipicamente filosófica), para uma linguagem artística, poética, narrativa e dramática.

Com o Zaratustra Nietzsche pretendeu retomar a forma da tragédia e da epopeia gregas (elogiada já em "A Origem da Tragédia") numa tentativa de "soltar" a palavra do conceito, expressão da racionalidade ocidental que tanto o repugna.

Nietzsche não é um pensador sistemático, é um intempestivo, e é através da narrativa e do drama que pretende libertar a filosofia ocidental do sistema.

(Notas da conferência do Prof. Roberto Machado na Flup)
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Anarca



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MensagemAssunto: Re: FRIEDRICH NIETZSCHE - UMA OBRA DE DEUS...   Dom Jun 07, 2009 11:42 am

A Morte de Deus, a Vontade de Poder e o Eterno Retorno no Zaratustra de Nietzsche. (II)

No início do primeiro livro, Zaratustra está num estado de plenitude.

Dez anos de solidão em que esteve isolado na montanha curaram-no do Niilismo (*).

Ao descer da montanha Zaratustra encontra um ancião que o reconhece: Este viajante (...) passou por aqui há muitos anos. Chamava-se Zaratustra mas mudou. Nesse tempo levavas as tuas cinzas para a montanha; é o teu fogo que levas agora para o vale? Não tens medo do castigo reservado aos incendiários?

Zaratustra desce da montanha em fogo, pronto a incendiar o mundo dos homens. Na montanha Zaratustra descobriu que Deus morreu e quer agora anunciar essa morte aos homens no vale.

Qual é o significado da morte de Deus?

A morte de Deus é a constatação de que a filosofia, ou seja, as grandes questões que sempre atormentaram o homem, já não encontram o seu fundamento em Deus, mas no homem.

Zaratustra (Nietzsche) não mata Deus, apenas constata e anuncia a sua morte, a sua substituição pelo homem.

Kant perguntava-se por aquilo que o homem pode conhecer. Os valores cristãos desapareceram, os valores da modernidade que Zaratustra descobriu são humanos demasiadamente humanos.

Se Deus morreu qual o fundamento último dos nossos valores?

Como não entrar no desespero face a esta orfandade?

Como não cair no niilismo?

É aqui que Zaratustra se anuncia como mestre do super-homem. Para impedir que o homem caia no niilismo passivo face à morte de Deus, Zaratustra irá falar-lhe do super-homem, aquele que supera o mundo do além valorizando a própria terra.

No entanto, a missão deste mestre do super-homem fracassa. Zaratustra não consegue que o ouçam. Não consegue ensinar o povo na feira, que prefere o último homem, o nada da vontade ao super-homem. Como tal, Zaratustra desiste de falar ao povo, aos homens reactivos e passivos que se limitam a imitar e a repetir os valores apreendidos: É longe da feira e da fama que estão os verdadeiros criadores.

Quando Zaratustra descobre que o povo não sabe que Deus morreu muda de estratégia.

Recua até à criação de Deus pelo homem.

Não é Deus o criador, é o homem que tem vontade criadora.

O primeiro livro de Assim Falava Zaratustra é uma oposição entre Deus e o super-homem.

Zaratustra dirige-se não mais ao povo mas aos criadores: Quero unir-me aos criadores.

Zaratustra quer ensiná-los e motivá-los a agir, a criar os seus próprios valores. Pensar é criar novas tábuas e não seguir as antigas. É a criação que coloca o homem no caminho do super-homem (note-se a referência inicial ao Zaratustra como um romance de formação).

Durante o primeiro livro e no início do segundo, Zaratustra surge-nos como uma personagem apolínea.

Nos três cantos do segundo livro (Canto Nocturno, Canto da Dança e Canto do Túmulo), Zaratustra aparece-nos pela primeira vez a cantar. Canta ditirambos dionisíacos. Estes três cantos devem ser lidos como uma auto-crítica do próprio Nietzsche que ainda se sente muito metafísico, ainda muito ligado a Schopenhauer, a Wagner e a Kant.

Ainda não é o filósofo trágico que deseja ser.

É a partir desta altura que surgem os dois grandes temas da obra, além da Morte de Deus: a Vontade de Poder e o Eterno Retorno.

(*) O Niilismo é uma corrente filosófica que, em princípio, concebe a existência humana como desprovida de qualquer sentido.

(Notas da conferência do Prof. Roberto Machado na Flup)
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MensagemAssunto: Re: FRIEDRICH NIETZSCHE - UMA OBRA DE DEUS...   Seg Jun 08, 2009 9:43 pm

A Morte de Deus, a Vontade de Poder e o Eterno Retorno no Zaratustra de Nietzsche. (III)

A Vontade de Poder é o princípio pelo qual a vida se projecta além de si própria.

A vida é o único critério de valor. Como tal, os valores que o homem criou, os valores do além, são valores ilusórios que negam aquilo que realmente tem valor, a vida.

Os valores cristãos são inferiores aos valores que afirmam a vida.

Mesmo o homem moderno, que sabe que Deus morreu, recusa-se a aceitar a vida.

Substitui Deus pela eternidade, pelo futuro.

Zaratustra quer trazer o homem de volta ao instante terreno, de volta à vida, por forma a superar o niilismo. E isso só será possível quando deixar de procurar substituir Deus.

É a própria vida que nos leva a formar valores, escreve Nietzsche em "O Crepúsculo dos Ídolos".

(Notas da conferência do Prof. Roberto Machado na Flup)
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MensagemAssunto: Re: FRIEDRICH NIETZSCHE - UMA OBRA DE DEUS...   Ter Jun 09, 2009 10:01 pm

A Morte de Deus, a Vontade de Poder e o Eterno Retorno no Zaratustra de Nietzsche. (IV)

A teoria do Eterno Retorno, a ideia mais radical da filosofia de Nietzsche, apresentada pela primeira vez explicitamente no Zaratustra, é condição essencial para a superação do niilismo, a relação afirmativa do homem com a vida.

No fim do segundo livro, Zaratustra abandona os seus discípulos tornando-se ele mesmo discípulo.

Zaratustra quer superar a crença na oposição de valores.

A ideia do Eterno Retorno é a sua possibilidade de realizar uma filosofia trágica.

Dois aspectos da doutrina do Eterno Retorno:

1) Doutrina Física/Cosmológica do Eterno Retorno: Há um movimento circular do tempo e das coisas. Tudo volta a acontecer uma infinidade de vezes. Com a ideia de Eterno Retorno, nesta acepção cosmológica, Nietzsche insurge-se contra a noção de um momento inicial do tempo afirmando a sua infinitude.

2) Doutrina Ética do Eterno Retorno: A ética de Nietszche é uma ética imanente, diz respeito aos valores vitais (intensidade, força, potência) e não aos valores transcendentes e universais da moral (dever, Bem, Mal...) Nietzsche valoriza a vida vivida intensamente, vivida ao máximo das nossas capacidades.

No sentido ético, a doutrina do Eterno Retorno diz respeito à vontade humana:

Se em tudo o que quisermos fazer nos perguntarmos se queremos fazê-lo uma eternidade de vezes, isso será para nós o mais sólido centro de gravidade.

Ou seja, tudo aquilo que quisermos, devemos querer que volte uma eternidade de vezes.

Numa leitura do Zaratustra, este sentido ético deverá prevalecer sobre o sentido físico / cosmológico.

Para Nietzsche é a Vontade de Poder que liberta o homem do niilismo passivo.

O homem que é capaz de querer o eterno retorno de todas a coisas (das boas e das más) é o mais feliz dos homens, que já não vive atormentado pelo desespero do nada. Devemos, então, viver como se tudo voltasse eternamente.

Assim, se cada momento voltar uma infinitude de vezes, devemos vivê-lo o mais intensamente e alegremente possível.

Amar a vida com o máximo de intensidade é o que Nietzsche entende por Amor Fati.

Assim, a ideia de um Eterno Retorno cosmológico deve ser entendida como uma mera metáfora, uma mentira poética, tanto mais que é fugazmente referida por Nietzsche em A Gaia Ciência e rapidamente desaparece da sua obra. Esta mentira poética serve para pôr em cena o pensamento ético de Nietzsche, o Amor Fati.

Afirmar éticamente o Eterno Retorno é dizer: Foi assim que se passou, assim eu quis.

(Notas da conferência do Prof. Roberto Machado na Flup)
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Anarca



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MensagemAssunto: Re: FRIEDRICH NIETZSCHE - UMA OBRA DE DEUS...   Qui Jun 11, 2009 11:07 pm

"Aquilo que se faz por amor, parece ir sempre além dos limites do bem e do mal."
[Friedrich Nietzsche]

"As paisagens insignificantes existem para os grandes paisagistas; as paisagens raras e notáveis são para os pequenos."
[Friedrich Nietzsche]

"Não poríamos a mão no fogo pelas nossas opiniões: não temos assim tanta certeza delas. Mas talvez nos deixemos queimar para podermos ter e mudar as nossas opiniões."
[Friedrich Nietzsche]

"O filósofo, como o entendo, é um explosivo terrível na presença do qual tudo está em perigo."
[Friedrich Nietzsche]

"É necessário ter o caos aqui dentro para gerar uma estrela."
[Friedrich Nietzsche]

"Não há nada que deprima mais o ser humano (mais depressa) do que a paixão do ressentimento."
[Friedrich Nietzsche]

"Se se quer ser alguém, deve venerar-se a própria sombra."
[Friedrich Nietzsche]

"Tudo é precioso para aquele que foi, por muito tempo, privado de tudo."
[Friedrich Nietzsche]

"Fiquei magoado, não por me teres mentido, mas por não poder voltar a acreditar-te."
[Friedrich Nietzsche]

"Os erros de grandes homens... são mais fecundos que as verdades de pequenos."
[Friedrich Nietzsche]
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MensagemAssunto: Re: FRIEDRICH NIETZSCHE - UMA OBRA DE DEUS...   Qui Jun 11, 2009 11:15 pm

O Caminho da Felicidade

Um sábio perguntava a um louco qual era o caminho da felicidade. O louco respondeu-lhe imediatamente, como alguém a quem se pergunta o caminho da cidade vizinha: «Admira-te a ti mesmo e vive na rua». «Alto lá», exclamou o sábio, «pedes demais, basta já que nos admiremos!» E o louco respondeu logo: «Mas como admirar sem cessar se não nos desprezarmos constantemente?»

Friedrich Nietzsche, in "A Gaia Ciência"
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MensagemAssunto: Re: FRIEDRICH NIETZSCHE - UMA OBRA DE DEUS...   Sex Jun 12, 2009 11:33 pm

A Vida não me Desapontou

Não, a vida não me desapontou! Pelo contrário, todos os anos a acho melhor, mais desejável, mais misteriosa... desde o dia em que vejo a mim a grande libertadora, a ideia de que a vida podia ser experiência para aqueles que procuram saber, e não dever, fatalidade, duplicidade!... Quanto ao próprio conhecimento, seja ele para outros aquilo que quiser, um leito de repouso, ou o caminho para um leito de repouso, ou distracção ou vagabundagem, para mim é um mundo de perigos, é um universo de vitórias onde os sentimentos heróicos têm a sua sala de baile. «A vida é um meio de conhecimento»; quando se tem este princípio no coração, pode viver-se não somente corajoso mas feliz, pode-se rir alegremente! E quem, de resto, se ouvirá, portanto, a bem rir e a bem viver se não for primeiramente capaz de vencer e de guerrear?

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MensagemAssunto: Re: FRIEDRICH NIETZSCHE - UMA OBRA DE DEUS...   Sex Jun 12, 2009 11:35 pm

Não Seremos Capazes de Modificar um Único Homem

Deixemos pois de pensar mais em punir, em censurar e em querer melhorar! Não seremos capazes de modificar um único homem; e se alguma vez o conseguíssemos seria talvez, para nosso espanto, para nos darmos também conta de outra coisa: é que teríamos sido nós próprios modificados por ele! Procuremos antes, por isso, que a nossa influência se contraponha e ultrapasse a sua em tudo o que está para vir! Não lutemos em combate directo... qualquer punição, qualquer censura, qualquer tentativa de melhoria representa combate directo. Elevemo-nos, pelo contrário, a nós próprios muito mais alto. Façamos sempre brilhar de forma grandiosa o nosso exemplo. Obscureçamos o nosso vizinho com o fulgor da nossa luz. Recusemo-nos a nos tornar, a nós próprios, mais sombrios por amor dele, como todos os castigadores e todos os descontentes! Escutemo-nos, antes, a nós. Olhemos para outro lado.

Friedrich Nietzsche, in "A Gaia Ciência"
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MensagemAssunto: Re: FRIEDRICH NIETZSCHE - UMA OBRA DE DEUS...   Sab Jun 13, 2009 4:08 pm

Mais Vale Ser Surdo que Ensurdecido

Antigamente as pessoas queriam criar uma reputação: isso já não basta, a feira tornou-se demasiado vasta; agora é necessário vender aos berros. A consequência é que mesmo as melhores gargantas forçam a voz e as melhores mercadorias não são oferecidas por orgãos enrouquecidos; já não há génio, nos nossos dias, sem clamor e sem rouquidão. Época vil para o pensador: devemos aprender a encontrar entre duas barulheiras o silêncio de que se tem necessidade e a fingir de surdo até chegar a sê-lo. Enquanto não se tiver chegado a isso, corre-se o risco de perecer de impaciência e de dores de cabeça.

Friedrich Nietzsche, in "A Gaia Ciência"
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MensagemAssunto: Re: FRIEDRICH NIETZSCHE - UMA OBRA DE DEUS...   Sab Jun 13, 2009 4:10 pm

O Preço da Independência

Ser independente é uma questão que diz respeito a uma muito restrita minoria: - é um privilégio dos fortes. Quem a tanto se abalançar, mas sem ter necessidade, ainda que tenha todo o direito a isso, prova desse modo que provavelmente não só é forte, mas também audacioso até à temeridade. Mete-se num labirinto, multiplica ao infinito os perigos inerentes à própria vida; e o menor desses perigos não está em que ninguém veja como e onde se perde, despedaçado na solidão por qualquer subterrãneo Minotauro da consciência. Supondo que um tal homem pereça, o facto estará tão distante do entendimento dos homens que estes não o sentem, nem o compreendem: - e ele já não pode regressar! Não pode sequer regressar à compaixão dos homens!

Friedrich Nietzsche, in "Para Além de Bem e Mal"
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Anarca



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MensagemAssunto: Re: FRIEDRICH NIETZSCHE - UMA OBRA DE DEUS...   Dom Jun 14, 2009 4:44 pm

Toda a Acção é Egoísta

Não pode haver acções que não sejam egoístas. Palavras como «instinto altruísta» soam aos meus ouvidos como machadadas. Bem gostaria eu que alguém tentasse demonstrar a possibilidade de actos desses! O povo e quem se lhe assemelha é que acredita que eles existem. Também há quem creia que o amor maternal e o amor carnal são sentimentos altruístas!
É um erro histórico supor que os povos sempre equipararam o sentido de egoísmo e de altruísmo ao de bem e de mal. Bem mais antiga é a concepção de lícito e ilícito, respectivamente como bem e mal, em conformidade com o cumprimento ou falta de cumprimento dos costumes.

Friedrich Nietzsche, in 'A Vontade de Poder'
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MensagemAssunto: Re: FRIEDRICH NIETZSCHE - UMA OBRA DE DEUS...   Seg Jun 15, 2009 8:53 pm

Compaixão Perversa

O prazer de maltratar outrém é distinto da crueldade. Esta consiste em encontrar satisfação na compaixão, e atinge o ponto culminante quando a compaixão chega a extremos, como quando maltratamos os que amamos; todavia, se fosse alguém, que não nós, a magoar os que amamos, então ficávamos furiosos, e a compaixão tornar-se-nos-ia dolorosa; mas somos nós a amá-los e somos nós a magoá-los...
A compaixão exerce uma infinita atenção: a contradição de dois instintos fortes e opostos actua em nós como atractivo supremo.
(...) A crueldade e o prazer da compaixão:
A compaixão aumenta quanto mais conhecemos e mais amamos intensamente quem é objecto dela. Portanto, aquele que trata com crueldade o objecto do seu amor retira da crueldade - que amplia a compaixão - a máxima satisfação.
Quando, acima de tudo, nos amamos a nós próprios, o maior prazer que encontramos - por meio da compaixão - pode levar-nos a mostrarmo-nos cruéis para connosco. Heróico da nossa parte é o esforço de completa identificação com aquilo que nos é contrário. A metamorfose do Diabo em Deus representa esse grau de crueldade.

Friedrich Nietzsche, in 'A Vontade de Poder'
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MensagemAssunto: Re: FRIEDRICH NIETZSCHE - UMA OBRA DE DEUS...   Seg Jun 15, 2009 8:54 pm

A Complexidade do Prazer e da Dor

Todas as espécies de prazer ou de dor, por mais espontâneas que sejam, são resultantes duma grande complexidade, nelas estão contidas: toda a nossa experiência e uma quantidade enorme de juízos de valor e de erros.
A intensidade da dor está longe de ser proporcional ao perigo que possa anunciar, como o nosso conhecimento dos factos comprova. O mesmo se dá quanto à intensidade do prazer, que não é proporcional ao estado do nosso conhecimento actual, mas sim ao conhecimento obtido nos longos períodos da humanidade primitiva e da animalidade.
Nós estamos submetidos à lei do passdo, ou seja: à lei das crenças e dos juízos de valor.

Friedrich Nietzsche, in 'A Vontade de Poder'
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MensagemAssunto: Re: FRIEDRICH NIETZSCHE - UMA OBRA DE DEUS...   Ter Jun 16, 2009 2:51 pm

Modos de Constuir uma Personalidade

Modos de construir uma personalidade, ou os oito problemas principais:
Queremos simplificar-nos, ou diversificar-nos?
Queremos ser mais felizes, ou mais indiferentes à felicidade e à desgraça?
Queremos ficar mais satisfeitos connosco, ou mais exigentes e mais impiedosos?
Queremos tornar-nos mais amigáveis, mais indulgentes, mais humanos, ou mais desumanos?
Queremos ser mais prudentes, ou mais impulsivos?
Queremos atingir um fim, ou evitar todos os fins - como, por exemplo, faz o filósofo para o qual toda a espécie de fins tresanda, despropositadamente, a limites impostos, mesquinhez, prisão, toleima?
Queremos ser mais respeitados e mais importantes, ou mais desconsiderados?
Queremos tornar-nos tiranos, ou impostores? Pastores, ou carneiros?

Friedrich Nietzsche, in 'A Vontade de Poder'
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MensagemAssunto: Re: FRIEDRICH NIETZSCHE - UMA OBRA DE DEUS...   Ter Jun 16, 2009 2:52 pm

A Necessidade de Juízos de Valor

Qualquer que seja a sua situação, um homem tem necessidade de juízos de valor, mercê dos quais justifica - aos seus próprios olhos, e sobretudo aos dos que o cercam - os seus actos, as suas intenções e os seus estados; melhor dizendo: a maneira de se glorificar a si próprio.
Toda a moral natural exprime a satisfação que uma certa espécie de homens experimenta. Mas, tendo nós necessidade de elogios, também a temos de uma tábua concordante de valores, na qual os nossos actos mais fáceis figurem como os que exprimem a nossa verdadeira força e sejam os de mais elevada estima. É naquilo em que somos mais fortes que queremos ser vistos e honrados.

Friedrich Nietzsche, in 'A Vontade de Poder'
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MensagemAssunto: Re: FRIEDRICH NIETZSCHE - UMA OBRA DE DEUS...   Ter Jun 16, 2009 2:53 pm

A Sinceridade Habitual não Passa de uma Máscara

Toda a acção é necessariamente mal conhecida. Para que não expressemos contradições de momento a momento, precisamos de uma máscara - como acontece se quisermos ser sedutores. Mas é preferível conviver com os que mentem conscientemente, porque esses também sabem ser verdadeiros conscientemente. Porque, a sinceridade habitual não passa de uma máscara, da qual não temos consciência.

Friedrich Nietzsche, in 'A Vontade de Poder'
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MensagemAssunto: Re: FRIEDRICH NIETZSCHE - UMA OBRA DE DEUS...   Qua Jun 17, 2009 9:37 pm

Todo o Grande Homem é Céptico

Todo o grande homem é, necessariamente, céptico, ainda que possa não o mostrar: pelo menos se a grandeza dele consistir em querer uma coisa grande e grandes meios para realizá-la. A liberdade em relação a todas as convicções faz parte da sua vontade: o que está em conformidade com o "despotismo esclarecido" que todas as grandes paixões exercem. Uma paixão dessa espécie põe o intelecto ao seu serviço e tem a coragem de fazer uso até de certos meios proibidos - dos quais se serve, mas aos quais não se submete.
A necessidade de crer, a necessidade de um sim e de um não absolutos é sinal de fraqueza, e toda a fraqueza é uma fraqueza da vontade. O homem de fé, o crente é, necessariamente, de uma espécie inferior; disso resulta a liberdade de espírito, ou seja, a descrença instintiva: uma condição de grandeza.

Friedrich Nietzsche, in 'A Vontade de Poder'
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MensagemAssunto: Re: FRIEDRICH NIETZSCHE - UMA OBRA DE DEUS...   Qua Jun 17, 2009 9:38 pm

Um Ser Revoltante e Falso

Quanta felicidade dá a grata suavidade das coisas! Como a vida é cintilante e de bela aparência! São as grandes falsificações, as grandes interpretações que sempre nos têm elevado acima da satisfação animal, até chegarmos ao humano. Inversamente: que nos trouxe a chiadeira do mecanismo lógico, a ruminação do espírito que se contempla ao espelho, a dissecação dos instintos?
Suponde vós que tudo era reduzido a fórmulas e que a vossa crença era confinada à apreciação de graus de verosimilhança, e que vos era insuportável viver com tais premissas... que fazíeis vós? Ser-vos-ia possível viver com tão má consciência?
No dia em que o homem sentir como falsidade revoltante a crença na bondade, na justiça e na verdade escondida das coisas, como se ajuizará ele a si mesmo, sendo como é parte fragmentária deste mundo? Como um ser revoltante e falso?

Friedrich Nietzsche, in 'A Vontade de Poder'
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MensagemAssunto: Re: FRIEDRICH NIETZSCHE - UMA OBRA DE DEUS...   Qui Jun 18, 2009 11:45 pm

O Ideal Quimérico

Tenho grandes suspeitas e muitas reservas maldosas em relação ao que se chama ideal. O meu pessimismo está em ter reconhecido que os grandes sentimentos são uma fonte de infelicidades; ou seja, de estiolamento, de desvalorização do Homem. Sempre que esperamos dum ideal algum progresso, entramos na ilusão: a vitória do ideal tem sofrido, até hoje, um movimento retrógrado.
Cristianismo, revolução, abolição da escravatura, igualdade de direitos, filantropia, amor ao inimigo, justiça, verdade... Tudo grandes palavras, que só têm valor nas batalhas ou nas bandeiras: não como realidades, mas como fórmulas aparatosas, que exprimem o contrário do que dizem.
Afinal, o nosso idealismo quimérico faz também parte da existência, e também deve manifestar-se no carácter da existência; não sendo a fonte da existência, nem por isso deixa de estar presente nela. Tanto os nossos pensamentos mais elevados como os mais temerários são fragmentos característicos da realidade. Porque, o nosso pensamento é feito de características da realidade; o nosso pensamento é feito da mesma substância de todas as coisas.

Friedrich Nietzsche, in 'A Vontade de Poder'
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MensagemAssunto: Re: FRIEDRICH NIETZSCHE - UMA OBRA DE DEUS...   Qui Jun 18, 2009 11:46 pm

Todos os Fins São Neutralizados

Todos os fins são neutralizados, e os juízos de valor viram-se uns contra os outros:
Dizemos bom aquele que só escuta o seu coração, mas também aquele que só escuta o seu dever;
Dizemos que é bom o indulgente, o pacífico, mas também dizemos que é bom o valente, o inflexível, o rígido;
Dizemos bom aquele que não pratica a violência contra si próprio, mas também dizemos bom o herói, que triunfa de si mesmo;
Dizemos bom o amigo da verdade absoluta, mas também dizemos bom o homem piedoso, que tudo transfigura;
Dizemos bom aquele que é altaneiro, mas também dizemos bom o homem piedoso;
Dizemos bom o homem distinto, o aristocrata, mas também dizemos bom aquele que não é, nem desdenhoso, nem arrogante;
Dizemos bom o homem cordato, que evita conflitos, mas também dizemos bom o que deseja a luta e a vitória;
Dizemos bom aquele que quer ser sempre o primeiro, mas também dizemos bom aquele que não deseja sobrepor-se a ninguém.

Friedrich Nietzsche, in 'A Vontade de Poder'
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MensagemAssunto: Re: FRIEDRICH NIETZSCHE - UMA OBRA DE DEUS...   Qui Jun 18, 2009 11:48 pm

A Acção Edifica-nos

Os nossos actos transformam-nos; em cada um dos nossos actos se exercem certas forças - enquanto que noutros, não - forças essas que assim são transitoriamente ignoradas; e sempre uma paixão se afirma em detrimento doutras paixões, às quais retira forças. Os nossos actos marcadamente habituais acabam por formar em redor de nós como que um edifício sólido; açambarcam as nossas forças de tal modo, que tornam difícil um desvio de intenções.
Acontece também que uma abstenção habitual acaba por transformar o homem. Até pela cara se consegue adivinhar quem é um homem que se tem vencido a si próprio diariamente, ou quem é um homem que se entrega com passividade ao dia a dia.
A primeira consequência da acção, é ser ela a edificar-nos, até fisicamente.

Friedrich Nietzsche, in 'A Vontade de Poder'
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