A LIBERDADE É AMORAL

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 O PUMA E A MANDIOCA...

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Anarca



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MensagemAssunto: Re: O PUMA E A MANDIOCA...   Qua Fev 15, 2012 3:59 pm

Carregados os camiões e distribuído o pessoal, iniciaram a viagem em direcção ao Grafanil - Aquartelamento em que estacionavam as tropas de passagem por Luanda, situado ao norte da cidade.
Manuel observava o chão de um vermelho vivo, que contrastava com uma vegetação de um verde brilhante exuberante.
Os negros pareciam-lhe todos iguais, e não conseguiu distingui-los uns dos outros até chegar ao Grafanil.
As camaratas eram grandes edifícios de secção rectangular, com as camas distribuídas em longas filas, onde cabia uma Companhia completa.
Depois do duche, Manuel não resistiu a ir até Luanda com os outros Furriéis do Grupo de Combate, para uma mariscada na ilha de Luanda, tendo optado pelo Restaurante Restinga.
Enquanto despachavam uma açorda de marisco com vinho verde, Manuel não acreditava que a guerra era assim...
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Anarca



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MensagemAssunto: Re: O PUMA E A MANDIOCA...   Qui Fev 16, 2012 8:19 pm

O grupo de combate de Manuel tinha como destino o Aquartelamento do Alto Zaza.
Durante vários meses teria como companhia os abrigos escavados no chão, o morteiro de grande calibre e um canhão sem recuo montado num tripé.
Para além da vedação rectilínea de arame farpado, que impedia a entrada e dava alguma protecção, estendia-se uma vasta clareira rectangular, a imitar um campo de futebol.


Avançavam cuidadosamente na picada, quando numa curva caíram na emboscada.
Os tiros ecoavam mas, como não se via ninguém, todos disparavam às cegas para o sítio donde pareciam vir os disparos.
Todos procuravam um abrigo, e Manuel atirou-se logo para trás de um morro de salalé - construídos pelas formigas salalé, estes morros têm grande consistência, resistindo mesmo a granadas de bazooka.
De repente sentiu terríveis picadas.
As formigas atacavam , penetravam por baixo do camuflado e trepavam pelas pernas acima com ferroadas tão fortes que esqueceu os turras.
Espetavam de tal modo as mandíbulas na carne, que as deixavam ficar juntamente com a cabeça cravadas no corpo, quando eram arrancadas.
Os tiros iam diminuindo enquanto Manuel se despia o mais depressa possível, aos saltos e a gritar.
Quando ficou nu, os tiros tinham acabado e as gargalhadas ecoavam na selva. Até os sacanas dos turras riam e batiam palmas...
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Anarca



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MensagemAssunto: Re: O PUMA E A MANDIOCA...   Sab Fev 18, 2012 12:01 am

O Capelão era para Manuel uma referência. Apesar da instrução militar básica, o jovem padre, acabado de ordenar, acompanhava-os muitas vezes e visitava amiúde os diversos destacamentos, mesmo os mais isolados.
O Capelão que tinha a guerra por cenário e o sofrimento como palco, era um padre de qualidades humanas excepcionais, sendo aparentemente o homem mais alegre e tranquilo de todo o batalhão.
Estava muito longe da imagem dos missionários dos descobrimentos, com a cruz numa mão e a espada na outra...
Não usava arma, nem mesmo a pistola regulamentar, o que colidia com a vontade de acompanhar a tropa em todas as circunstâncias, insistindo que o seu lugar era junto dos soldados, mesmo em operações na mata.
Para Manuel, o Capelão não era um Padre, mas sim um homem...
E “Miss Quick” provou que ele tinha razão.
Vivia na povoação mais próxima um comerciante, que tinha uma loja com bar e uma filha tão apetitosa que o pessoal andava sempre a rondar pelas redondezas.
Os namoricos com alguns alferes e furriéis que iam passando por lá não tinham resultado - dizia-se que ainda continuava solteira por falta de empenhamento da parte dela.
Mas se não se empenhava nas relações, pelo menos era muito carente de afecto, e, um dia, na falta de um elemento masculino, utilizou uma garrafa de Quick em substituição de um vibrador -modernice que a loja do pai não vendia.
A incorrecta utilização da garrafa e uma precipitada decisão, levou-a a recorrer de urgência ao serviço do médico de uma Companhia que passava pela povoação.
A Companhia passou, mas a vergonha não.
O Capelão já estava saturado de ouvir tantas versões do acontecimento, quando se cruzou por acaso com a “Miss Quick” que não conhecia.
Um dia, partiram os dois ninguém sabe para onde...
O Capelão não podia ser Padre e homem ao mesmo tempo...
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Anarca



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MensagemAssunto: Re: O PUMA E A MANDIOCA...   Dom Fev 19, 2012 3:05 pm

O Cabo Enfermeiro a quem chamavam Matador, estava quase a regressar à Metrópole, se conseguisse ultrapassar os vários Autos que lhe tinham sido levantados, por alegados maus tratos às populações.
As constipações, as infecções externas, as indisposições digestivas e até o paludismo, para ele não eram problema.
Mesmo quando não detectava qualquer sintoma visível, aviava Aspirina, porque como ele dizia, se não fizessem bem, mal também não faziam...
As famosas aspirinas eram disponibilizadas pela tropa e por grosso em grandes frascos de vidro.
O intérprete já sabia explicar a posologia:
- Quando acorda toma um comprimido, quando o sol estiver em cima toma mais um, e ao deitar outro. Se não tomassem o comprimido à hora certa a doença não saía.
- Ena pá, como isto está… - observava o Matador.
O negro tinha a perna muito maltratada devido a uma queda antiga, mas a Consulta da Psique só agora passara na Sanzala.
O Cabo Enfermeiro tinha muitos nesse dia para atender e ainda queria dar um salto à cubata daquela mulata que conhecera…
- Dá aí um “cura tudo” a este gajo. - pediu ao ajudante, mais conhecido por Carniceiro, que dizia ser cirurgião, expulso pela Ordem por motivos políticos.
O negro ficou a olhar para as Vitaminas C, sem se atrever a duvidar do remédio, e lá seguiu a coxear com os comprimidos na mão.
- Isso é para comer … mas tira a casca primeiro. - gritou o Carniceiro.
Nesse dia só apareciam casos complicados. O preto seguinte tinha um enorme furúnculo nas costas.
O desgraçado estava cheio de sorte…
Era uma das especialidades do Carniceiro, que efectuava as extracções com a faca de mato, e se gabava de ser um verdadeiro mestre neste particular, reforçando a verdade de tal capacidade, com o facto de nunca ter conseguido matar nenhum durante as operações.
Com o negro de gatas, sentou-se em cima dele, na zona dos rins, aproveitando as pernas para o prender bem pelos quadris.
- Isto é quase um bloco operatório… - dizia muito sério enquanto mergulhava a lâmina no frasco de álcool. - Eu sempre fui um grande profissional… - comentou para o Matador que observava divertido.
Deitou também um pouco de desinfectante sobre a zona a tratar.
- Não vale a pena abusar… - chamou-lhe à atenção o Matador.
- Temos de procurar a perfeição… - justificou-se.
O Matador agarrou na cabeça do negro quando viu o Carniceiro apontar o bico da faca. O infeliz, ao sentir a lâmina perfurar, gritava como louco, tentando libertar-se sem o conseguir…
Depois de estripado o furúnculo, ficou bem visível um buraco inundado de sangue, na omoplata esquerda.
- Já está… - disse o Carniceiro com um longo suspiro
- Não desinfectas ?… - lembrou o Matador.
- Lá por isso…
Pegava no frasco de álcool quando o negro se conseguiu libertar e fugiu como louco para o mato.
- Estes gajos não merecem nada… - desabafava o Carniceiro.
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Anarca



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MensagemAssunto: Re: O PUMA E A MANDIOCA...   Seg Fev 20, 2012 10:03 pm

O Cabo enfermeiro Matador, desde muito cedo começou a revelar as suas aptidões para a medicina.
O miúdo era tão hiperactivo, que os pais recearam ter mais filhos, receando alguma desgraça, ou que o próximo saísse semelhante.
Mas o Matador também era mau, malcriado para toda a gente, calão, e conseguira em tempo recorde dominar a arte de chantagem, que aplicava com mestria e deleite...
Manipulava os pais e não tinha respeito por ninguém.
Com apenas nove anos, já conseguia ser uma pessoa desprezível.
Os professores não conseguiam perdoar a Deus por a natureza o ter dotado de uma inteligência e de um raciocínio tão rápidos, que provocava inveja a toda a gente.
O Matador era tão esperto como intratável, não demonstrando qualquer afectividade por alguém.
Os bichos tinham vindo ao mundo para ele os maltratar...
Pelo seu improvisado laboratório, passavam pássaros, galinhas, gatos, lagartixas, e toda a bicharada que pudesse servir para pesquisa ou diversão.
Durante umas férias grandes, os pais começaram a estranhar as longas permanências na casinhota que ele exigira para si ao fundo do quintal...
Uma tarde, quando o Matador se fechou no laboratório, o pai, receando alguma desgraça anunciada, foi espreitar o que ele andava a fazer.
Rodeado de frascos de vidro repletos de bicharada, o Matador ia escolhendo os insectos a tratar...
As intervenções cirúrgicas iam deixando as moscas sem asas, as baratas sem pernas, e as lagartixas sem rabo.
Mas só estava a aquecer para as intervenções mais importantes...
Depois de prender à mesa, com alfinetes, o grilo que tinha tirado da pequena gaiola de plástico que o vizinho tinha pendurada na parede, ficou a olhar indeciso para as lâminas da barba e para as agulhas do croché...
Perante a repulsa do pai, lá foi retalhando o pobre bicho ainda vivo.
Os movimentos convulsivos do grilo deliciavam-no...
Quando se preparava para operar uma aranha, o pai não conseguiu suportar mais e entrou desvairado, esquecendo o medo que tinha daquele miúdo...
Nas prateleiras improvisadas viam-se seringas com agulhas de várias espessuras, giletes e facas que serviam de bisturi, agulhas de todos os tamanhos, pilhas eléctricas que eram utilizadas para dar choques, alicates de unhas para amputação de membros, e vários tubinhos coloridos com produtos diversos.
Ratos, rãs, cobras, cabeças de galinha e uma pata de cão estavam num frasco repleto de álcool...
O cheiro era insuportável...
A partir desse dia, o Matador foi ficando ainda mais distante de todos, irascível e amargurado.
Quando o pai soube que ele ia seguir enfermagem, teve uma síncope.
- Não aguentou tanta alegria... - dizia o Matador quando alguém referia aquela coincidência...
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Anarca



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MensagemAssunto: Re: O PUMA E A MANDIOCA...   Qui Fev 23, 2012 2:55 pm

O Matador, mal acabou de despachar a última vitima do dia, delegou no Carniceiro o resto da Assistência Psico e foi procurar a desejada mulata.
Meio escondido pela paliçada do quintal, o Matador chamava em voz baixa pela Joaninha.
Quando ela apareceu vestida de vermelho e saia muito curtinha, fez-lhe sinal para que ele se calasse enquanto se ia aproximando…
Escostou-se à paliçada do lado de dentro e levantou os olhos para ele com ar interrogador.
O Matador meteu-lhe os dedos no cabelo todo aos caracóis, e espreitou-lhe os seios firmes e nus debaixo do vestido.
- Salta !… - convidou ele com voz meiga.
Começava a escurecer e o Matador pegou-lhe pelos braços para a ajudar a saltar.
- Não me agarre… - dizia-lhe a Joaninha, sem fugir.
- És tão linda… - e apertava-a de encontro a ele.
As únicas saudades que ia ter daquela terra seriam destes momentos…
- Não me agarre. Deixe-me… - e encostava-se a ele cada vez mais.
Quando o Matador lhe procurou a boca, enlaçou-o e fechou os olhos.
Sonhava com o Toninho, o filho do patrão…
Ao sentir-lhe as mãos nas coxas, sob o vestido, apertou muito as pernas e deu-lhe um leve empurrão.
- Não…
Mas não se podia libertar dos braços do Matador que pareciam garras nas suas costas.
As bocas continuavam juntas…
- Deixe-me… - e aninhava-se nos braços dele.
Joaninha deitou o busto para trás, dobrada pelos rins sobre os braços dele. De olhos semicerrados e narinas dilatadas oferecia-lhe os lábios grossos.
Deitou-a no capim enquanto lhe tirava o vestido.
Ao senti-la nua, beijou-lhe os seios redondos e duros e percorreu-lhe o corpo com as mãos a tremer…
- Não me faz mal… - pediu-lhe Joaninha num murmurio enquanto o beijava na boca e nos olhos.
- Amor…
As saudades que iria ter daquela maldita terra…
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MensagemAssunto: Re: O PUMA E A MANDIOCA...   Dom Fev 26, 2012 10:34 pm

A Joaninha começara a vida logo aos treze anos. Trabalhava como doméstica na casa do Sr. José, o comerciante branco que vivia sozinho com um filho mulato - o Toninho.
O Sr. José era velho mas malandro, e começou logo nos primeiros dias a roçar-se por ela quando se cruzavam no corredor estreito da casa. A Joaninha nada dizia, não só pelo dinheirinho que recebia no fim do mês, mas principalmente por causa do Toninho. Era um mulato alto e musculoso que ela tinha decidido apanhar. Ainda por cima o negócio passaria para ele…
Um dia muito quente, em que pensava estar sozinha em casa e preparava o almoço, tendo vestida apenas uma combinação muito leve, o Sr. José apareceu de repente e, sem dizer nada, tapou-lhe a boca com uma mão, enquanto a fazia dobrar-se em cima da mesa e lhe punha as nádegas à mostra. A dor invandiu-a quando foi penetrada. O fogo do fogão a lenha lançava um fumo que lhe faziam arder os olhos. A dor tinha diminuído e Joana começava a sentir um estranho prazer, quando ele acabou de repente e saiu porta fora, sem uma palavra.
Ficou assustada por causa do Toninho, mas, ao jantar, já tinha esquecido tudo.
A partir desse dia passou a ser mais atrevida com o filho do patrão, mas ele parecia não entender como a Joaninha o desejava.
Uma tarde, o Sr. José parecendo adivinhar-lhe o desassossego, puxou-a para a cozinha, sem grande resistência.
- Tiveste saudades minhas, não tiveste?... - perguntava-lhe o velho com ar convencido.
Ele bem sabia que as mulatas tinham o sangue quente. A mãe do Toninho era negra. Tinha trabalhado na terra e na casa, ajudando na loja quando era preciso. As negras eram as melhores mulheres para ter em casa, muito diferentes das mulatas que queriam logo comer com garfo e faca à mesa dos brancos.
Depois da morte da mãe do Toninho, tinha amigado com uma mulata tão sabida na cama, que conseguiu ficar lá por casa durante muito tempo. Passava a vida a comer guloseimas e a perfumar-se toda.
Quem sabe se ainda lá estaria, se ele fosse mais novo...
Joaninha não resistiu, e ele foi quase carinhoso. Não doía como da primeira vez, e ela abriu bem as pernas para facilitar.
Quando acabou, o velho passou-lhe a mão pelo rosto e com um sorriso matreiro deixou dez angolares em cima da mesa.
O Sr. José já tinha idade suficiente para saber que o amor pago era o mais barato...
Joaninha que até tinha gostado, ficou deslumbrada com o presente.
A partir daí, com a regularidade que a idade avançada do Sr. José ia permitindo, a Joaninha lá ia gastando aquele dinheirinho extra em roupas e adornos. Vaidosa, estava cada dia mais bonita e apetitosa.
Quando começava a desesperar com o pouco apetite sexual do Sr. José, o Toninho começou dar-lhe mais atenção.
Um dia, aproveitou a limpeza do quarto para ficarem a sós. Quase desfaleceu quando ele a braçou, sem querer acreditar que tinha finalmente nos braços, o filho do patrão.
O Toninho era mais bem servido que o pai, mas em vez de dor, Joaninha sentiu um prazer tão intenso que a deixou quase desfalecida, mas feliz.
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MensagemAssunto: Re: O PUMA E A MANDIOCA...   Dom Mar 04, 2012 10:38 pm

A vida de Joaninha ia decorrendo entre os momentos de prazer com Toninho e a cobrança dos dez angolares ao Sr. José.
Quando o filho do patrão falava em casamento, a Joaninha logo o fazia jurar que não iria dizer nada, até o pai lhe passar o negócio, mas uma noite, Toninho não conseguiu suportar mais aquele segredo e confessou ao pai que queria casar com a Joaninha.
- Um filho meu só casa com mulher virgem !... - berrava o pai perante o espanto do Toninho que olhava para Joaninha com ar de interrogação.
- Eu não sabia nada... - dizia a Joaninha.
- Já disse que o meu filho não casa com mulher furada, quanto mais com uma puta! - continuava o velho.
O Toninho acabou por saber tudo.
Nessa mesma noite, Joaninha vestiu a sua melhor roupa e o melhor sapato. Caprichou no baton vermelho, e foi passear para a povoação.
Havia já uns tempos que Joaninha magicava que os dez angolares só duas vezes por semana não eram suficientes para o que ela queria da vida.
Foi o destino que lhe meteu no caminho o negro Domingos, Pastor da Igreja Metodista, que ficou embeiçado por ela logo ao primeiro olhar.
Quando ficaram noivos, Joaninha teria ficado mesmo feliz, se o noivo não tivesse aquela mania maluca de só querer ter sexo depois do casamento.
Enquanto não arranjavam casa, a Joaninha continuava em casa do Sr. José e fazia o Toninho pagar o mesmo que o pai.
Tudo podia ter acabado em bem se o Cabo Matador não a tivesse visto...
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MensagemAssunto: Re: O PUMA E A MANDIOCA...   Qua Mar 07, 2012 10:41 pm

Os GE - Grupos Especiais - eram pequenas formações compostas por indígenas particularmente adaptados à guerra, que, pelo conhecimento que tinham do meio, foram ganhando grande importância com o arrastamento do conflito, substituindo nas missões de reconhecimento e combate, as cada vez mais mal preparadas e menos motivadas forças metropolitanas.
O controlo das armas e munições indicava números diferentes daqueles que constavam nos registos.
O chefe Moisés dizia que devia ser engano.
- Qual engano, qual quê !... - retorquia Manuel - As munições não são para caçar... - continuava enquanto repunha o stock perante a alegria do Chefe Moisés.
Não podia dar a entender que pensava que eles também tinham direito a comer carne.
No dia seguinte o Chefe Moisés veio trazer-lhe em segredo, uma oferta muito importante - uma planta afrodisíaca.
- É só para o meu furriel... - e estendia-lhe um pequeno embrulho sem querer dar nas vistas.
Manuel bem via os negros idosos com várias mulheres e muitos filhos pequenos, só que não sabia de quem eram os filhos, e por isso aquela história das plantas não o convencia.
Ficou a pensar se o Chefe Moisés não andaria a comer carne a mais...
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MensagemAssunto: Re: O PUMA E A MANDIOCA...   Sab Mar 10, 2012 8:04 pm

O Chefe Moisés nunca deixava fugir a oportunidade de informar que tinha combatido juntamente com o grande Lopes Cabanda.
Não tinham conta as vezes que já tinha contado a história da última missão do Cabanda, que ele, é claro, tinha testemunhado.
Lopes Cabanda era um português negro, nascido nas bandas de Lifune-Tári. Os bandoleiros tudo fizeram para o aliciar mas nada conseguiram. Acabaram mesmo por raptar o pai do Cabanda, ao qual infligiram, durante meses, torturas de toda a espécie.
Finalmente meteram a cabeça de Lopes Cabanda a prémio, sem evitar que ele continuasse a servir de guia das tropas, naquela região que tão bem conhecia.
Envergava um camuflado e levava nas mãos uma arma que lhe tinha sido atribuída como reconhecimento da sua lealdade e valentia.
Estava sempre pronto a qualquer hora…
A Região Militar de Angola concedeu-lhe um louvor onde se lia que “a Pátria lhe era grata por seus serviços”, e numa viagem à Metrópole, foi recebido pelo Chefe do Estado.
Voltou para a sua missão, que a morte iria interromper.
Era uma manhã fria e húmida, tal como são as manhãs cacimbosas do norte angolano. Cabanda, com a Mauser a tiracolo, e a catana na mão direita, ia abrindo o caminho por onde a tropa em fila indiana passaria a seguir.
De repente Cabanda estacou.
- Um vigia… - disse. -Vamos caçá-lo!
O Chefe Moisés ouviu Cabanda dizer:
- Os tiros saíram daquela árvore! - e apontava uma árvore a cerca de 100 metros.
O bandoleiro já descia do seu posto de observação para se pôr em fuga, mas não teve sorte. As rajadas que se seguiram fizeram-no tombar no capim molhado.
A missão tinha por fim a destruição do quartel terrorista, mas os tiros poderiam ter alertado os bandoleiros…
Cabanda era de opinião que o quartel deveria ficar a mais de três horas de caminho, pelo que os turras não teriam ouvido os tiros.
Devia ser quase meio-dia quando chegaram ao ponto culminante da fatídica missão...
No quartel inimigo detectava-se vida, que se traduzia nas vozes dispersas e entrecortadas que eram trazidas pelo sussurro do vento.
De armas aperradas, avançaram cautelosamente em semi-círculo para o respectivo envolvimento. Já estavam tão perto que eram bem visíveis os tectos das cubatas.
De repente, da sanzala abriram fogo…
O Lopes Cabanda tombou na relva verde e orvalhada.
A mulher e os dois filhos, em Lifune-Tári iriam chorar por ele.
O Chefe Moisés não deixaria a sua memória extingir-se.
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