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 A ORIGEM DOS PROBLEMAS LABORAIS

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Anarca

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MensagemAssunto: A ORIGEM DOS PROBLEMAS LABORAIS   Ter Abr 20, 2010 6:28 pm

AMBIÇÃO vs GANÂNCIA

A ambição é uma das molas mestras do sucesso. Ter ambição é querer ardentemente; é colocar a mente e a vontade focadas num objectivo e tudo fazer para que ele se concretize.

A ambição sem medida pode ser negativa. Mas a ambição dentro dos limites da ética é altamente positiva. Uma pessoa sem ambição não terá sucesso, pois não encontrará os motivos para lutar e vencer.

A ganância é totalmente negativa. A ganância é um dos maiores factores de fracasso na vida pessoal e profissional.

A pessoa gananciosa não vê limites para ganhar o que deseja. Ela não tem nenhuma ética, nenhuma consideração de respeito às demais pessoas.

Para o ganancioso, os fins justificam os meios. Vemos, com tristeza, pessoas e empresas que ultrapassam os limites da ambição passando rapidamente para a ganância.

Mas a ganância é um monstro insaciável: quanto mais a alimentamos, mais fome tem. E tem um poderoso efeito destrutivo das relações humanas, da verdade e do clima nos locais de trabalho. A ganância, uma vez à rédea solta, aniquila o carácter das pessoas e destrói todas as qualidades humanas.

A História da Humanidade prova que a ganância do homem não é um exclusivo do capitalismo:

Para Karl Marx (1818-1883), filósofo e revolucionário alemão, o materialismo histórico conduz à visão de que com a alteração da base económica da sociedade, também se altera a consciência, pelo que, a ganância, o egoísmo e a cobiça não constituem uma fatalidade de carácter da natureza humana. Estas características seriam eliminadas pela colectivização da propriedade e dos meios de produção privados. Para a concepção dessa sociedade, Marx foi também influenciado por Tomas More, através da sua obra “Utopia”.

Recentemente, foi afirmado por Francisco Louçã, na intervenção de encerramento da VI Convenção Nacional do Bloco de Esquerda, que a ganância é o "nome próprio do capitalismo". Todavia, não acrescentou que também o foi nas sociedades com modelos sociais e de produção esclavagista, feudal e comunista. Em termos filosóficos, sociológicos e religiosos, o conceito da ganância é abordado há milénios. Não constitui uma novidade para a Humanidade. A História das Ideologias ilustra esta questão com grandes referências do pensamento humano e religioso.

Bastará relembrar algumas para contrariar a tese da atribuição da ganância à exclusividade do capitalismo.

Na fase histórica do esclavagismo, e no período antes de Cristo, podemos recordar Platão (427-347, a.C.) – o primeiro pedagogo, por ter concebido um sistema de educação para a época, integrado numa dimensão ética e política.
Platão acreditava que, por meio do conhecimento, seria possível controlar os instintos, a ganância e a violência. O acesso aos valores da civilização funcionaria como antídoto para as maldades cometidas pelos seres humanos contra seus semelhantes.

“Como pode uma sociedade ser salva, ou ser forte, se não tiver à frente seus homens mais sábios?”, escreveu Platão.

No Novo Testamento, os textos da doutrina de Cristo abordam o homem rico e a sua atitude para com as riquezas: “acautelai-vos e guardai-vos da avareza; porque a vida de qualquer não consiste na abundância do que possui”, Lucas (12;15); “ é mais fácil um camelo passar pelo fundo de uma agulha do que entrar um rico no reino de Deus”, Mateus (19;24).

Seis séculos mais tarde, Maomé (570-632) transmitiu aos seus seguidores um rígido código moral e ético, com determinadas alertas e proibições, entre as quais se destacam a ganância e desonestidade nos negócios, os jogos de azar. “A concórdia é o melhor, apesar de o ser humano, ser propenso à ganância” (Corão)

No século XVI, Thomas More (1478-1535), homem de estado, diplomata, escritor, advogado e homem de leis, foi autor da obra “Utopia”, inspirada no livro “República” de Platão. Para ele o bem individual é subjugado ao bem geral, considerando que através dos tempos “torceram o evangelho como se fosse uma lei de chumbo, para modelá-lo segundo os maus costumes dos homens”. Condenou a vida de luxos em cima do trabalho de outros. Thomas More chegou ao cargo de Chanceler de Inglaterra. Mas, os conflitos com Henrique VIII e Ana Bolena levaram-no à prisão perpétua e depois à morte por crime de alta traição. Foi reconhecido como mártir e declarado beato pelo Papa Leão XIII, em 1886, e “Patrono dos Estadistas e Políticos”, pelo Papa João Paulo II, no ano 2000.

Voltando à ganância, vale a pena citar, demoradamente, Max Weber, na "Introdução" à "A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo": "Instinto do lucro, sede de ganho, de dinheiro, do maior ganho monetário possível, não têm absolutamente nada a ver com o capitalismo.”

Infelizmente todos conhecemos Gananciosos que querem passar por Capitalistas…
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Anarca

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MensagemAssunto: Re: A ORIGEM DOS PROBLEMAS LABORAIS   Qui Abr 22, 2010 6:46 pm

Falta de solidariedade

Os funcionários da Galp marcaram uma greve para a próxima semana. Duas exigências: aumento de 2,8 por cento e no mínimo de 55 euros e distribuição de lucros, como tem acontecido nos últimos cinco anos. A resposta da Administração foi negativa. "Não é possível distribuir resultados que não alcançámos", disse o CEO Ferreira de Oliveira. E a greve por aumentos demonstra "falta de solidariedade para com o futuro da empresa".

Apesar de, segundo a Administração, os lucros não permitirem uma distribuição de rendimentos (foram "só" de 237 milhões de euros), tal não impediu a empresa de dar prémios aos gestores pelos "resultados não alcançados". Mas o mais extraordinário é mesmo a acusação de falta de solidariedade. O mesmo Ferreira de Oliveira recebeu, em 2009, quase 1,6 milhões de euros, incluindo salários, PPR, prémios de desempenho e despesas de deslocação e renda de casa. É um dos gestores mais bem pagos do país. No total, os vinte gestores executivos e não-executivos embolsaram 6,2 milhões de euros, quase três por cento dos lucros da companhia. Quando trataram das suas remunerações não lhes ocorreu o dever de solidariedade e muito menos os interesses da empresa.

A Galp é apenas mais um exemplo da distribuição desigual de sacrifícios neste país. Mas o que mais indigna não chega a ser a forma como esta gente se faz pagar. É a audácia com que, depois de o fazer, ainda quer dar lições de ética empresarial aos seus trabalhadores.

(Texto publicado na edição do Expresso de 17 de Abril de 2010)
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REGINALDO

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MensagemAssunto: Re: A ORIGEM DOS PROBLEMAS LABORAIS   Qui Abr 22, 2010 9:25 pm

E eu que pensava que as EMPRESAS sao dos accionoistas!!!
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Anarca

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MensagemAssunto: Re: A ORIGEM DOS PROBLEMAS LABORAIS   Qui Abr 22, 2010 10:29 pm

Claro que as Empresas são dos Accionistas, mas estes não têm que ser gananciosos...
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REGINALDO

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MensagemAssunto: Re: A ORIGEM DOS PROBLEMAS LABORAIS   Qui Abr 22, 2010 11:54 pm

SINDICATOS teem destruido mais empregos do que o PATRONATO. SINDICATOS sao MAFIAS . O SG da cgtp GANHAVA , 3 ANOS ATRAZ 17 000 EUROS/MES! Oque justifica isso?
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Anarca

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MensagemAssunto: Re: A ORIGEM DOS PROBLEMAS LABORAIS   Ter Abr 27, 2010 12:18 pm

Primavera contestatária

Desenganem-se os que acreditam que é coisa passageira. A contestação veio para ficar.

Não era preciso ser bruxo para escrever, como repetidamente tenho feito, ao longo dos últimos meses, que Portugal iria assistir a um sério recrudescimento da agitação social. As greves e as manifestações que, umas atrás das outras, vão surgindo e atrapalhando a vida dos cidadãos aí estão. As mais perturbadoras do quotidiano de todos são as que se registam no sector dos transportes, sendo difícil que alguém escape aos seus efeitos.

Desenganem-se os que acreditam que é coisa passageira. A contestação veio para ficar.

1. Desde 2003 que os sindicatos dos transportes da CGTP e da UGT, bem como outros independentes, não se uniam para desencadear uma paralisação abrangendo autocarros, comboios e barcos.

O congelamento de salários é a razão principal das acções de protesto, adicionado àquilo que é considerado o bloqueio das negociações envolvendo patrões e sindicatos e a perda de poder de compra.

Não surpreende o que se passa, pois a insatisfação assume carácter geral e é notória em praticamente todas as áreas de actividade. As acções de rua e as greves não representam mais do que as respostas clássicas a diferendos do género. O problema, hoje em dia, para quem promove essa estratégia de luta, consiste em saber até que ponto ela tem condições para se revelar eficaz ou se não representa mais do que uma resposta obrigatória ainda que infrutífera.

Manifestamente, os tempos actuais são diferentes de muitos momentos do passado e os fortes abalos que esfrangalham a nossa economia não permitem a criação de grandes espaços de manobra para negociações. Os próprios sindicatos dão sinais de necessitarem encontrar, eles mesmos, novas respostas para problemas que, não sendo propriamente novos, assumem perfis mais complicados e duradouros.

(José Eduardo Moniz)
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The Great Mexican Virus

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MensagemAssunto: Re: A ORIGEM DOS PROBLEMAS LABORAIS   Ter Abr 27, 2010 12:57 pm

É bem certo!

Nehum macaco olha para o seu rabo e este Moniz, tem-o bem comprido...
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REGINALDO

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MensagemAssunto: Re: A ORIGEM DOS PROBLEMAS LABORAIS   Qua Abr 28, 2010 8:19 am

Quem causou esta CATASTROFE ECONOMICA? Os Empresarios ou os Politicos?
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Anarca

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MensagemAssunto: Re: A ORIGEM DOS PROBLEMAS LABORAIS   Qua Abr 28, 2010 12:16 pm

REGINALDO escreveu:
Quem causou esta CATASTROFE ECONOMICA? Os Empresarios ou os Politicos?

Foram os dois...

Os Empresários que compraram os Políticos para viver à custa do Estado, e os Políticos que se venderam enquanto governantes para obterem os favores - e lugares de Administração - quando abandonam a governação...
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Anarca

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MensagemAssunto: Re: A ORIGEM DOS PROBLEMAS LABORAIS   Qua Jul 28, 2010 11:52 am

"É impossível levar o pobre à prosperidade através de leis que punem os ricos pela sua prosperidade.
Por cada pessoa que recebe sem trabalhar, outra pessoa tem de trabalhar recebendo menos.
O governo só pode dar a alguém aquilo que tira de outro alguém.
Quando metade da população descobre de que não precisa de trabalhar, pois a outra metade da população irá sustentá-la, e quando esta outra metade entende que não vale mais a pena trabalhar para sustentar a primeira metade, então chegamos ao começo do fim de uma nação.
É impossível multiplicar riqueza dividindo-a."

(Adrian Rogers, 1931)
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Anarca

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MensagemAssunto: Re: A ORIGEM DOS PROBLEMAS LABORAIS   Ter Ago 17, 2010 6:56 pm

China - Até quando?...

A população trabalha 16 horas por dia, 6 dias por semana, e recebe 40 euros por mês.
Sempre a dar-lhe.
Sem direitos.
Sem perspectivas de futuro.
Sem condições.
E as fábricas sempre a poluir, não há políticas de preservação do ambiente.
O que me parece muito injusto, uma vez que os outros países estão obrigados a garantir essa mesma preservação, a oferecer direitos aos trabalhadores, obrigados à restrição de materiais, e à China tudo isso passa ao lado.
Exploração infantil no seu habitat natural.
Sem sindicatos ou imprensa livres, nem partidos de oposição, os trabalhadores estão praticamente sós face à frente unida formada pelos gestores das empresas, pelo Partido Comunista chinês, pelos sindicatos únicos, pela polícia e pelos tribunais.
São inúmeros os casos de operários presos durante anos só por terem participado em greves ou fundarem sindicatos livres.
Eles são imensos. 1,3 mil milhões.
E este país que trouxe ao mundo, entre outras coisas, a bússola, a impressão, o papel, o ábaco oriental, a pólvora, o estribo e a besta (arma), bate-se agora com um enorme problema, uma nova doença que ganhou o nome de "guolaosi": morte súbita por hiper-trabalho.
Países a queixarem-se da falta de produtividade?
Quem quiser, tem aqui um "bom" exemplo a seguir...

(Recebido por e-mail)
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