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 BOCAGE - O POETA DA ALMA PORTUGUESA

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Anarca

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MensagemAssunto: Re: BOCAGE - O POETA DA ALMA PORTUGUESA   Seg Jul 13, 2009 10:15 pm

Se Quereis, bom Monarca, ter Soldados

Se quereis, bom Monarca, ter soldados
Para compor lustrosos regimentos,
Mandai desentulhar esses conventos
Em favor da preguiça edificados:

Nos Bernardos lambões, e asselvajados
Achareis mil guerreiros corpulentos;
Nos Vicentes, nos Neris, e nos Bentos
Outros tantos, não menos esforçados:

Tudo extingui, senhor: fiquem somente
Os Franciscanos, Loios, e Torneiros,
Do Centimano aspérrima semente:

Existam estes lobos carniceiros,
Para não arruinar inteiramente
Putas, pívias, cações e alcoviteiros.

(Manuel Maria Barbosa du Bocage)
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Anarca

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MensagemAssunto: Re: BOCAGE - O POETA DA ALMA PORTUGUESA   Sab Jul 18, 2009 7:16 pm

Certo Enfermo, Homem Sisudo

Certo enfermo, homem sisudo,
Deixou por condescendência
Chamar um doutor, que tinha
Entre os mais a preferência.

Manda-lhe o fofo Esculápio
Que bote a língua de fora,
E envia dez garatujas
À botica sem demora.

"Com isto (diz ao doente)
A sepultura lhe tapo".
Replica o pobre a tremer:
"Aposto que não escapo".

(Manuel Maria Barbosa du Bocage)
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MensagemAssunto: Re: BOCAGE - O POETA DA ALMA PORTUGUESA   Sex Jul 24, 2009 5:22 pm

O Macaco Declamando

Um mono, vendo-se um dia
Entre brutal multidão,
Dizem que lhe deu na cabeça
Fazer uma pregação.

Creio que seria o tema
Indigno de se tratar;
Mas isto pouco importava,
Porque o ponto era gritar.

Teve mil vivas, mil palmas,
Proferindo à boca cheia
Sentenças de quinze arrobas,
Palavras de légua e meia.

Isto acontece ao poeta,
Orador, e outros que tais;
Néscios o que entendem menos
É o que celebram mais.

(Manuel Maria Barbosa du Bocage)
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MensagemAssunto: Re: BOCAGE - O POETA DA ALMA PORTUGUESA   Qui Jul 30, 2009 12:46 pm

A Macaca

Nos serros do Brasil diz certo autor que
havia
Uma namoradeira, uma sagaz bugia.
Milhões de chichisbéus pela taful guinchavam,
E por não terem asa, o rabo lhe arrastavam.
Qual, caindo-lhe aos pés de amores cego e
louco,
Nas cabeludas mãos lhe apresentava um coco;
Qual do açúcar brilhante a sumarenta cana;
E qual um ananás, e qual uma banana.
Ela com riso astuto, ela com mil caretas,
Lhe entretinha a paixão, lhe ia doirando as
petas;
Os olhos requebrava ao som de um
suspirinho:
A todos prometia o mais fiel carinho,
E, se algum lhe rogava especial favor,
À terna petição dizia: "Sim, senhor."
Mas com muita esperança o fruto era nenhum,
E os pobres animais ficavam em jejum.
Leitores, há mulher tão destra e tão velhaca,
Que nisto não ganha inda a melhor macaca.

(Manuel Maria Barbosa du Bocage)
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MensagemAssunto: Re: BOCAGE - O POETA DA ALMA PORTUGUESA   Seg Ago 03, 2009 1:12 pm

Saiba morrer o que viver não soube

Meu ser evaporei na lida insana
do tropel de paixões que me arrastava.
Ah! Cego eu cria, ah! mísero eu sonhava
em mim quase imortal a essência humana.
De que inúmeros sóis a mente ufana
existência falaz me não dourava!
Mas eis sucumbe Natureza escrava
ao mal, que a vida em sua origem dana.
Prazeres, sócios meus e meus tiranos!
Esta alma, que sedenta e si não coube,
no abismo vos sumiu dos desenganos.
Deus, ó Deus!... Quando a morte à luz me roube
ganhe um momento o que perderam anos
saiba morrer o que viver não soube.

(Manuel Maria Barbosa du Bocage)
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MensagemAssunto: Re: BOCAGE - O POETA DA ALMA PORTUGUESA   Qui Ago 06, 2009 11:22 pm

Auto-Retrato

Magro, de olhos azuis, carão moreno,
Bem servido de pés, meão na altura,
Triste de facha, o mesmo de figura,
Nariz alto no meio, e não pequeno:

Incapaz de assistir num só terreno,
Mais propenso ao furor do que à ternura,
Bebendo em níveas mãos por taça escura
De zelos infernais letal veneno:

Devoto incensador de mil deidades,
(Digo de moças mil) num só momento
Inimigo de hipócritas, e frades:

Eis Bocage, em quem luz algum talento:
Saíram dele mesmo estas verdades
Num dia, em que se achou cagando ao vento.

(Manuel Maria Barbosa du Bocage)
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MensagemAssunto: Re: BOCAGE - O POETA DA ALMA PORTUGUESA   Ter Ago 11, 2009 9:47 pm

Outro soneto ao França

Rapada, amarelenta, cabeleira,
Vesgos olhos, que o chá, e o doce engoda,
Boca, que à parte esquerda se acomoda,
(Uns afirmam que fede, outros que cheira):

Japona, que da ladra andou na feira;
Ferrugento faim, que já foi moda
No tempo em que Albuquerque fez a poda
Ao soberbo Hidalcão com mão guerreira:

Japona, que da ladra andou na feira;
Ferrugento faim, que já foi moda
No tempo em que Albuquerque fez a poda
Ao soberbo Hidalcão com mão guerreira:

Jarra, com apetites de criança;
Cara com semelhança de besbelho;
Eis o bedel do Pindo, o doutor França.

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MensagemAssunto: Re: BOCAGE - O POETA DA ALMA PORTUGUESA   Sex Ago 14, 2009 1:07 pm

Soneto (des) Pejado

Num capote embrulhado, ao pé de Armia,
Que tinha perto a mãe o chá fazendo,
Na linda mão lhe fui (oh céus) metendo
O meu caralho, que de amor fervia:

Entre o susto, entre o pejo a moça ardia;
E eu solapado os beijos remordendo,
Pela fisga da saia a mão crescendo
A chamada sacana lhe fazia:

Entra a vir-se a menina... Ah! que vergonha!
"Que tens?" - lhe diz a mãe sobressaltada:
Não pode ela encobrir na mão langonha:

Sufocada ficou, a mãe corada:
Finda a partida, e mais do que medonha
A noite começou de bofetada.

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MensagemAssunto: Re: BOCAGE - O POETA DA ALMA PORTUGUESA   Qua Ago 19, 2009 12:23 pm

Soneto Anal

"Ora deixe-me, então... faz-se criança?
Olhe que eu grito, pela mãe chamando!"
Pois grite (então lhe digo, amarrotando
Saiote, que em baixá-lo irada cansa):

Na quente luta lhe desgrenho a trança
A anágua lhe levanto, e fumegando,
As estreitadas bimbas separando
Lhe arrimo o caralhão, que não se amansa:

Tanto a ser gíria, não gritava a bela:
Que a cada grito se escorvava a porra,
Fazendo-lhe do cu saltante pela!

- Há de pagar-me as mangações de borra,
Basta de cono, ponha o sesso à vela,
Que nele ir quero visitar Gomorra.

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MensagemAssunto: Re: BOCAGE - O POETA DA ALMA PORTUGUESA   Sex Ago 28, 2009 6:21 pm

Soneto da Cagada

Vai cagar o mestiço e não vai só;
Convida a algum, que esteja no Gará,
E com as longas calças na mão já
Pede ao cafre canudo e tambió:

Destapa o banco, atira o seu fuscó,
Depois que ao liso cu assento dá,
Diz ao outro: "Oh amigo, como está
A Rita? O que é feito da Nhonhó?

"Vieste do Palmar? Foste a Pangin?
Não me darás notícias da Russu,
Que desde o outro dia inda a não vi?"

Assim prossegue, e farto já de gu,
O branco, e respeitável canarim
Deita fora o cachimbo, e lava o cu.

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MensagemAssunto: Re: BOCAGE - O POETA DA ALMA PORTUGUESA   Dom Set 06, 2009 10:59 am

Soneto da Donzela Ansiosa

Arreitada donzela em fofo leito,
Deixando erguer a virginal camisa,
Sobre as roliças coxas se divisa
Entre sombras subtis pachocho estreito.

De louro pêlo um círculo imperfeito
Os papudos beicinhos lhe matiza;
E a branda crica nacarada e lisa,
Em pingos verte alvo licor desfeito.

A voraz porra, as guelras encrespando,
Arruma a focinheira, e entre gemidos
A moça treme, os olhos requebrando.

Como é inda boçal, perder os sentidos;
Porém vai com tal ânsia trabalhando,
Que os homens é que vêm a ser fodidos.

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MensagemAssunto: Re: BOCAGE - O POETA DA ALMA PORTUGUESA   Sab Set 12, 2009 12:14 am

A Mocetona Pudibunda

Levanta Alzira os olhos pudibunda
Para ver onde a mão lhe conduzia;
Vendo que nela a porra lhe metia
Fez-se mais do que o nácar rubicunda:

Toco o pentelho seu, toco a rotunda
Lisa bimba, onde Amor seu trono erguia;
Entretanto em desejos ardia,
Brando licor o pássaro lhe inunda:

C'o dedo a greta sua lhe coçava;
Ela, maquinalmente a mão movendo,
Docemente o caralho embalava:

"mais depressa" - lhe digo então morrendo,
Enquanto ela sinais do mesmo dava;
Mística pívia assim fomos comendo.

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MensagemAssunto: Re: BOCAGE - O POETA DA ALMA PORTUGUESA   Qua Set 16, 2009 12:13 pm

A Puta Assombrosa

Pela rua da Rosa eu caminhava
Eram sete da noite, e a porra tesa;
Eis puta, que indicava assaz pobreza,
Co'um lencinho à janela me acenava:

Quais conselhos? A porra fumegava;
"Hei de seguir a lei da natureza!"
Assim dizia e efeituou-se a empresa;
Prepúcio para trás a porta entrava:

Sem que saúde a moça prazenteira
Se arrima com furor não visto à crica,
E a bela a mole-mole o cu peneira:

Ninguém me gabe o rebolar d'Anica;
Esta puta em foder excede à Freira,
Excede o pensamento, assombra a pica!

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MensagemAssunto: Re: BOCAGE - O POETA DA ALMA PORTUGUESA   Qui Set 17, 2009 1:46 pm

A Puta Novata

Dizendo que a costura não dá nada,
Que não sabe servir quem foi senhora,
A impulsos da paixão fornicadora
Sobe d'alcoviteira a moça a escada.

Seus desejos lhe pinta a malfadada,
E a tabaquanta velha sedutora
Diz-lhe: "Veio menina, em bela hora,
Que essas, que aí tenho, já não ganham nada".

Matricula-se aqui a tal pateta,
Em punhetas e fodas se industria,
Enquanto a mestra lhe não rifa a greta:

Chega, por fim, o fornicário dia;
E em pouco a menina de muleta
Passeia do hospital na enfermaria.

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MensagemAssunto: Re: BOCAGE - O POETA DA ALMA PORTUGUESA   Sex Set 18, 2009 12:37 pm

O Coito Interrompido

"Mas se o pai acordar!..." (Márcia dizia
A mim, que à meia-noite a trombicava)
"Hoje não..." (continua, mas deixava
Levantar o saiote, e não queria!)

Sempre em pé a dizer: "Então, avia..."
Sesso à parede, a porra me agüentava:
Uma coisa notei, que me arreitava,
Era o calçado pé, que então rangia:

Vim-me, e assentado num degrau da escada,
Dando alimpa ao caralho, e mais à greta
Nos preparamos para mais porrada:

Por variar, nas mãos meti-lhe a teta;
Tosse o pai, foge a filha... Oh vida errada!
Lá me ficou em meio uma punheta!

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MensagemAssunto: Re: BOCAGE - O POETA DA ALMA PORTUGUESA   Dom Set 20, 2009 4:43 pm

O Corno Interesseiro

Uma noite o Scopezzi mui contente
(Depois de borrifar a sacra espada
Que traz de rubra fita pendurada
Com cuspo, e vinho, que vomita quente):

Conversava co'a esposa em voz tremente
Sobre a grande ventura inesperada
De ser a sua Plácida adorada
Por um Marquês tão rico, e tão potente:

A velha lhe replica: Isso é verdade;
Enquanto moça for, nunca o dinheiro
Faltará nesta casa em quantidade.

"Mas tu sempre és o tafulão primeiro:
Pois tendo cabrão sido noutra idade,
És agora o maior alcoviteiro!"

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MensagemAssunto: Re: BOCAGE - O POETA DA ALMA PORTUGUESA   Seg Set 21, 2009 12:58 pm

Diálogo Conjugal

Não chores, cara esposa, que o Destino
Manda que parta, à guerra me convida;
A honra prezo mais que a própria vida,
E se assim não fizera, fora indigno.

"Eu te acho, meu Conde, tão menino
Que receio..." - Ah! Não temas, não, querida;
A francesa nação será batida,
Este peito, que vês, é diamantino.

"Como é crível que sejas tão valente?..."
Eu herdei o valor de avós, e pais,
Que essa virtude tem a ilustre gente.

"Porém se as forças desiguais...?"
Irra, Condessa! És muito impertinente!
Tornarei a fugir, que queres mais?

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MensagemAssunto: Re: BOCAGE - O POETA DA ALMA PORTUGUESA   Qui Set 24, 2009 3:59 pm

O Gozador Coçador

"Apre! não metas todo... Eu mais não posso..."
Assim Márcia formosa me dizia;
- Não sou bárbaro (à moça eu respondia)
Brandamente verás como te coço:

"Ai! por Deus, não... não mais, que é grande! e grosso!"
Quem resistir ao seu falar podia
Meigamente o coninho lhe batia;
Ela diz "Ah meu bem! meu peito é vosso!"

O rebolar do cu (ah!) não te esqueça
Como és bela, meu bem! (então lhe digo)
Ela em suspiros mil a ardência expressa:

Por te unir fazer muito ao meu umbigo;
Assim, assim... menina, mais depressa!...
Eu me venho... ai Jesus!... vem-te comigo!

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MensagemAssunto: Re: BOCAGE - O POETA DA ALMA PORTUGUESA   Sex Set 25, 2009 1:32 pm

O Juramento

Eu foder putas?... Nunca mais, caralho!
Hás de jurar-mo aqui, sobre estas Horas:
E vamos, vamos já!... Porém tu choras?
"Não senhor (me diz ele) eu não, não ralho":

Batendo sobre as Horas como um malho,
"Juro (diz ele) só foder senhoras,
Das que abrem por amor as tentadoras
Pernas àquilo, que arde mais que o alho".

Co'a força do jurar esfolheando
O sacro livro foi, e a ardente sede
O fez em mar de ranho ir soluçando...

Ah! que fizeste? O céu teus passos mede!
Anda, herético filho miserando,
Levanta o dedo a Deus, perdão lhe pede!

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MensagemAssunto: Re: BOCAGE - O POETA DA ALMA PORTUGUESA   Seg Set 28, 2009 9:33 pm

O Membro Monstruoso

Esse disforme, e rígido porraz
Do semblante me faz perder a cor;
E assombrado d'espanto, e de terror
Dar mais de cinco passos para trás;

A espada do membrudo Ferrabraz
Decerto não metia mais horror:
Esse membro é capaz até de pôr
A amotinada Europa toda em paz

Creio que nas fodais recreações
Não te hão-de a rija máquina sofre
Os mais corridos, sórdidos cações:

De Vénus não desfrutas o prazer:
Que esse monstro, que alojas nos calções
É porra para mostrar, não de foder.

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MensagemAssunto: Re: BOCAGE - O POETA DA ALMA PORTUGUESA   Qua Set 30, 2009 11:43 pm

O Mouro Desmoralizado

Veio Muley Achmet marroquino
Com duros trigos entulhar Lisboa;
Pagava bem, não houve moça boa
Que não provasse o casco adamantino:

Passou a um seminário feminino,
Dos que mais bem providos se apregoa,
Onde a um frade bem fornida ilhoa
Dava d'esmola cada dia um pino:

Tinha o mouro fodido largamente,
E já bazofiando com desdouro
Tratava a nação lusa d'impotente:

Entra o frade, e ao ouvi-lo, como um touro
Passou tudo a caralho novamente,
E o triunfo acabou no cu do mouro.

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MensagemAssunto: Re: BOCAGE - O POETA DA ALMA PORTUGUESA   Qui Out 01, 2009 4:22 pm

O Padre Patife

Aquele semi-clérigo patife,
Se eu no mundo fizera ainda apostas,
Apostara contigo que nas costas
O grande Pico tem de Tenerife:

Célebre traste! É justo que se rife;
Eu também pronto estou, se disso gostas;
Não haja mais perguntas, nem respostas;
Venha, antes que algum taful o bife:

Parece hermafrodita o corcovado;
Pela rachada parte (que apeteço)
Parece que emprenhou, pois anda opado!

Mas desta errada opinião me desço;
Pois que traz a criança no costado,
Deve ter emprenhado pelo sesso.

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MensagemAssunto: Re: BOCAGE - O POETA DA ALMA PORTUGUESA   Ter Out 06, 2009 4:45 pm

O Pau Decifrado

É pau, e rei dos paus, não marmeleiro,
Bem que duas gamboas lhe lobrigo;
Dá leite, sem ser árvore de figo,
Da glande o fruto tem, sem ser sobreiro:

Verga, e não quebra, como zambujeiro;
Oco, qual sabugueiro tem o umbigo;
Brando às vezes, qual vime, está consigo;
Outras vezes mais rijo que um pinheiro:

À roda da raiz produz carqueja:
Todo o resto do tronco é calvo e nu;
Nem cedro, nem pau-santo mais negreja!

Para carualho ser falta-lhe um U;
Adivinhem agora que pau seja,
E quem adivinhar meta-o no cu.

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MensagemAssunto: Re: BOCAGE - O POETA DA ALMA PORTUGUESA   Qua Out 07, 2009 4:31 pm

O Velho Escandaloso

Tu, oh demente velho descarado,
Escândalo do sexo masculino,
Que por alta justiça do Destino
Tens o impotente membro decepado:

Tu, que, em torpe furor incendiado
Sofres d'ímpia paixão ardor maligno,
E a consorte gentil, de que és indigno,
Entregas a infrutífero castrado:

Tu, que tendo bebido o méstruo imundo,
Esse amor indiscreto te não gasta
D'ímpia mulher o orgulho furibundo;

Em castigo do vício, que te arrasta,
Saiba a ínclita Lísia, e todo o mundo
Que és vil por gênio, que és cabrão, e basta.

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MensagemAssunto: Re: BOCAGE - O POETA DA ALMA PORTUGUESA   Sab Out 24, 2009 2:54 pm

Bocage e os Médicos...

O pai enfermo e o doutor

Um velho caiu na cama;
Tinha um filho esculapino,
Que para adivinhações
Campava de ter bom tino.
O pulso paterno apalpa,
E receitar depois vai;
Diz-lhe o velho, suspirando:
"Repara que sou teu pai."


A moléstia e a receita

Para curar febres podres
Um doutor se foi chamar,
Que feitas as cerimónias,
Começou a receitar.
A cada penada sua
O enfermo arrancava um ai!
– "Não se assuste (diz Galeno),
Que inda desta se não vai."
– Ah! senhor! (torna o coitado,
Como quem seu fado espreita)
Da moléstia não me assusto,
"Assusto-me da receita."


Conselho a um impaciente

Homem de génio impaciente,
Tendo uma dor infernal,
Pedia, para matar-se,
Um veneno, ou um punhal.
– "Não há (lhe disse um vizinho
Velho que pensava bem),
Não há punhal, nem veneno;
Mas o médico aí vem."


A parca e o médico

– "Morte! (Clamava o doente)
Este mísero socorre."
Surge a Parca de repente,
E diz de longe: – "Recorre
Ao teu médico assistente."


Vingança do médico

Um médico ressentido
De certo seu ofensor,
Ante um amigo exclamava,
Todo abrasado em furor:
– "Para punir este indigno,
Este vil, tomara um raio."
Acode o outro: – "Há um meio
Muito mais fácil; curai-o".


O récipe

Pôs-se médico eminente
Em voz alta a receitar.
– "Récipe" (diz)... de repente
Grita da cama o doente:
– "Basta, que mais é matar."


O adeus do doutor

Um médico receitou:
Súbito o récipe veio.
Do qual no bucho do enfermo
Logo embutiu copo e meio,
– "Adeus até à manhã"
(Diz o fofo professor).
Responde o doente: – "Adeus
Para sempre meu doutor".
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