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 O FIM DAS DITADURAS ÁRABES...

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MensagemAssunto: O FIM DAS DITADURAS ÁRABES...   Sex Jan 28, 2011 10:37 pm

Tunísia: O desempregado que derrubou um ditador

15.01.2011

O doloroso suicídio de um jovem no desemprego conduziu à queda do homem que, com punho de ferro, dirigia a Tunísia há 23 anos. Mohamed Bouazizi é o mártir de uma revolução inédita no Norte de África.

Mohamed Bouazizi teria pouco mais de 20 anos e era um apaixonado pelas Ciências Informáticas (ao contrário do que foi inicialmente avançado, a imprensa francófona não garante que o jovem se tenha licenciado na área). Sonhava com uma carreira no mundo das novas tecnologias. Só não contava com a pena actualmente imposta a cerca de 60% dos diplomados tunisinos.

Num país onde o ditador Ben Ali e a sua família ainda controlam a economia após uma vaga pouco transparente de privatizações, o trabalho está reservado àqueles que têm sorte ou aos que gozam de relações privilegiadas com a diminuta e poderosa elite de Tunes. Na Tunísia, como em outros tantos países, não são as qualificações ou o mérito que determinam o sucesso. É antes o nome, o casamento ou a filiação partidária.

No desemprego, Bouazizi viu-se forçado a vender frutas e legumes nas ruas da sua cidade natal do centro-oeste, Sidi Bouzid, para alimentar a família. Mas não tinha a necessária licença de comércio, difícil de obter no labirinto da burocracia e corrupção tunisina. A 17 de Dezembro de 2010, a polícia confiscou-lhe a banca e a balança. Segundo testemunhos locais, terá sido agredido e humilhado pelas autoridades.

Nessa mesma sexta-feira, Bouazizi deslocou-se à autarquia de Sidi Bouzid para tentar regularizar a situação. Não conseguiu. Com o dinheiro que restava, comprou um litro de gasolina. Despejou o combustível sobre a cabeça e imolou-se pelo fogo.

Com ele, incendiou a revolta dos tunisinos. A notícia do radical protesto foi inicialmente censurada pela imprensa estatal, mas a história espalhou-se pelas redes sociais da Internet, como o Facebook, o Twitter e o YouTube. Milhares de jovens desempregados começaram a sair às ruas. Vários licenciados sem trabalho, como Houcine Néji, de 24 anos, seguiram o exemplo de Bouazizi e cometeram suicídio pelo fogo ou subindo a postes de alta tensão.

Apesar dos ferimentos graves, Bouazizi não morreu de imediato. Foi transferido para unidade de queimados do hospital de Ben Arous, nos arredores da capital tunisina Tunes. Quando o regime pensava ainda poder conter a vaga de contestação, o Presidente foi visitá-lo. Desejou-lhe as melhoras e prometeu prestar-lhe todo o auxílio possível.

Mas Ben Ali e Mohamed Bouazizi eram dois homens condenados que se olhavam mutuamente. O jovem de 23 anos morreu a 4 de Janeiro. Milhares compareceram no funeral, no dia seguinte. «Hoje choramos a tua morte, amanhã vamos fazer chorar quem te matou», era um dos slogans na cerimónia transformada em comício.

Não se sabe se Bouazizi se terá apercebido da revolta que despoletara. O que é certo é que não assistiu à sua conclusão. Ao fim de quase um mês de violentos protestos que vitimaram perto de uma centena de pessoas (pouco mais de 20, segundo o regime), o Presidente Ben Ali dissolveu sexta-feira o Parlamento e fugiu do país. Segundo as últimas informações, o ditador deposto encontra-se na Arábia Saudita. A Tunísia, pela primeira vez após séculos de colonialismo e décadas de autoritarismo, encontra-se entregue aos cidadãos.

(Sol)
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MensagemAssunto: Re: O FIM DAS DITADURAS ÁRABES...   Sex Jan 28, 2011 10:42 pm

A revolta na Tunísia pode alastrar pelo mundo árabe

25.01.2011

Em menos de trinta dias de manifestações de massas, ao preço de mais de cem mortos, o até então sólido regime do general Ben Ali se desfez como se fora um castelo de areia

Quando, entre a metade da década de oitenta e a de noventa, uma onda democrática varreu do mapa boa parte dos regimes autoritários e ditatoriais das mais variadas colorações ideológicas, houve uma região do mundo que ficou incólume: o Oriente Médio. Porém, os conforntos registrados este mês na Tunísia e no Egito indicam que tal situação está mudando, e outros regimes podem tombar a exemplo do presidente tunisiano Ben Ali, que deixou o país.

Mudança somente por golpes palacianos

"Qualquer governante é melhor do que o caos... Até um governante injusto não deve ser deposto, se o resultado for o conflito" - Abu Hamid al-Ghazali (1058- 1111).

Nem o desabar do colosso soviético ou a conversão chinesa ao capitalismo provocaram qualquer oscilação política de relevo naquela imensa área que vai das bordas do Atlântico até a fronteira da Ásia Menor.

A constelação de monarquias, emirados e generalatos republicanos, sucessores dos antigos califados e sultanatos, que hoje formam os países árabes, manteve-se inabalável frente ao avanço democrático.

As mudanças que conheceram até então eram as promovidas por golpes palacianos, tanto para derrubar reis, como se deu no Egito, no Iraque e na Líbia, como para remover presidentes prontos a cair em desgraça, como a deposição do general Karim Qassam e de H.Bourguiba, no Iraque e na Tunísia. Em nenhum destes casos houve participação popular. A multidão somente saía às ruas depois do fato consumado para consagrar o vencedor.

Tempo no Poder

Esta apatia e conformismo dos árabes com seus regimes é que explica o fato de que Hosni Mubarak governe o Egito há 30 anos; que o ex-coronel Muhammad Gadaffi seja ditador da Líbia há 42 anos; que o rei Mohammed VI do Marrocos tenha herdado o trono do pai há 21 anos; e que o rei Abdullah II da Jordânia seja herdeiro de uma "dinastia" criada por Churchill em 1921. Além deles, Saddam Hussein tiranizou o Iraque por 25 anos, e seu parceiro na Síria, o general-brigadeiro Hafez al-Assad mandou em Damasco por 30 anos, legando ainda a cadeira ao seu filho Bashar.

Na Argélia, o presidente Bouteflika é resultado de um regime que venceu a guerra de independência 50 anos atrás. Mas nenhum deles bate o recorde dos descendentes de Ibn Saud, que controlam a Arábia com mão de ferro desde os anos trinta.

Agora, todos eles estão temerosos com o que ocorreu nas ruas de Túnis. Em menos de trinta dias de manifestações de massas, entre o final de dezembro de 2010 a metade de janeiro de 2011, ao preço de mais de cem mortos, o até então sólido regime do general Ben Ali se desfez como se fosse um castelo de areia. Algo sem paralelo por lá. Eis o fato inédito provocado pela dita Revolução do Jasmim na Tunísia.

Ocidente e a passividade árabe

Tais governos se mantêm até hoje no poder não somente pela indiferença passiva da multidão árabe, mas também porque o Ocidente (isto é, os Estados Unidos e a Europa Ocidental) os apoia. Na França, estão cobrando da ministra das relações exteriores, Michèle Alliot-Marie ter ofertado auxilio policial ao ditador três dias antes dele exilar-se em Djeddah, na Arábia.

E a razão disto é que os ocidentais temem mais do que tudo a força dos partidos islâmicos, intensamente reprimidos pelos autocratas. Financiam os ditadores e reis porque os entendem como anteparos a uma perigosa república teocrática que poderia por em perigo o equilíbrio estratégico da região.

Maomé acreditava que a sua geração era a melhor que a Arábia havia conhecido, prevendo que depois dela as coisas somente iriam piorar. De certo modo, é isto que o Ocidente pensa. A rebelião das massas árabes, ainda que tenha intenções democráticas, é percebida com desconfiança e ceticismo. Pode lhes ser pior do que o autoritarismo.
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MensagemAssunto: Re: O FIM DAS DITADURAS ÁRABES...   Sex Jan 28, 2011 10:45 pm

Egipto: Militares nas ruas do Cairo

28.01.2011

Ao pôr-do-sol militares egípcios assumem o controlo das ruas do Cairo. Serão capazes de fazer cumprir o recolher obrigatório entretanto decretado?

Pela primeira vez, desde o início das manifestações, há quatro dias, militares egípcios estão a tomar posições nas ruas do Cairo, que hoje serviram de palco a violentos protestos contra o regime totalitário, avança a Associated Press.

Recorde-se que, segundo a televisão estatal, o Presidente Hosni Mubarak decretou o recolher obrigatório nas cidades do Cairo, capital do país, bem como em Alexandria e Suez a partir das 18h locais (16h em Lisboa), terminando às 07h (05h em Lisboa) de sábado. Uma ordem entretanto alargada a todo o país.

No entanto, milhares de pessoas permanecem nas ruas do Cairo. Enquanto umas rezam, outras tentam tomar de assalto o edifício da televisão e o ministério dos Negócios Estrangeiros, relatam os correspondentes da Associated Press.

Ainda no Cairo, alguns setores da sede do Partido Nacional Democrático (PND), no poder, encontram-se em chamas, aparentemente ateadas por manifestantes que exigem a deposição do Presidente Mubarak, há 30 anos no poder.

"Não posso acreditar que os nossos polícias e o nosso Governo continuem a espancar-nos desta maneira", afirmou um manifestante. Para Ahmad Salah, 26 anos, "este Governo cobarde tem de cair. E nós vamos conseguir".

(Expresso)
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MensagemAssunto: Re: O FIM DAS DITADURAS ÁRABES...   Sex Jan 28, 2011 10:48 pm

"É impossível saber como acordará amanhã o Egipto"

28.01.2001

Declarações do embaixador português no Cairo, em ambiente de recolher obrigatório e tropas na rua para dominar os manifestantes anti-Hosni Mubarak.

«Tudo o que se vê nas televisões é o que está a acontecer e não há previsões possíveis», disse o embaixador português no Cairo.

A "comunidade portuguesa no Cairo está em contacto com a embaixada de Portugal", garantiu ao Expresso o embaixador de Portugal no Egito, Aristides Gonçalves.

Contactado pelo telefone, o embaixador sublinha a incerteza da situação que se vive no Cairo e a limitação do seu ponto de vista, uma vez que se encontra impedido de sair da sua residência pelo recolher obrigatório.

"Tudo o que se vê nas televisões é o que está a acontecer e não há previsões possíveis que possam fazer-se sobre o desenvolvimento da situação", acrescentou Aristides Gonçalves.

Entretanto, Mohamed ElBaradei encontra-se em prisão domiciliária e o país aguarda a comunicação ao país anunciada pelo Presidente Mubarak, para as 18h de Lisboa.

(Expresso)
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MensagemAssunto: Re: O FIM DAS DITADURAS ÁRABES...   Ter Fev 15, 2011 2:25 pm

Democracia no Egipto

01.02.2011

Gosto imenso do Egipto.
Que conheço muito bem.
A cidade do Cairo tem três coisas que jamais esquecerei: O trânsito sem smaforos; o cemitério onde nascem, crescem, vivem e morrem pessoas;as igrejas cristãs coptas ao lado de mesquitas árabes.
Um Povo como o Português, gastronomia como no Alentejo, história de perder dee vista.
Seria bom que fosse instaurada a Democracia Política e que houvesse crescimento económico.
A onda revolucionária que está em curso é bem vinda se for para ser criado um regime democrático.
Espero bem que sim.
E que o novo regime seja amante da paz , com Israel, que o Povo tenha oportunidades para melhorar a sua vida.
A paz é importante para os egipcios e para todo o Mundo.
Porque o Egipto é um dos berços da civilzação ocidental.
Quem conhece o Cairo e a península de Hurgada, Alexandria e Luxor, o Vale dos Reis, Karnak, Assuão, só pode desejar o melhor para o Povo Egipcio.
Que a transição seja pacifica e a paz com Israel se mantenha.

Publicada por josé maria martins
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MensagemAssunto: Re: O FIM DAS DITADURAS ÁRABES...   Qui Mar 10, 2011 5:45 pm

Amado: "Regime de Kadhafi acabou"

10.03.2011

Luís Amado revelou hoje em Bruxelas ter transmitido ao emissário do Governo líbio com quem se encontrou na quarta-feira, em Lisboa, a mensagem "clara" de que "o regime de Kadhafi acabou".

À chegada a uma reunião de chefes de diplomacia da União Europeia sobre a situação na Líbia, em Bruxelas, Luís Amado revelou ainda que, além do encontro "informal" mantido com o emissário de Kadhafi, também falou com a oposição líbia.

O ministro esclareceu ainda que o encontro informal de quarta-feira com um emissário do governo líbio se realizou após ter conversado com a chefe de diplomacia europeia, Catherine Ashton, para coordenar posições ao nível europeu.

"Este encontro teve lugar depois de uma conversa minha com a Alta Representante [da União Europeia para os Negócios Estrangeiros], precisamente para avaliar, na frente da acção externa da UE, todas as possibilidades de informação e de coordenação de informação necessárias para fazer face a esta situação de crise", disse.

"Tive oportunidade também de, em conversa com o representante da oposição líbia, transmitir as mensagens que pude transmitir, as opiniões que recolhi, e os esforços que vamos fazer para conseguir, em colaboração com os nossos aliados europeus e árabes, tentar o mais rapidamente possível encontrar uma forma para resolver o problema", afirmou.

Segundo Amado, as "trocas de impressões" da véspera foram, do ponto de vista de Portugal, "muito importantes neste momento".

"Portugal tem a presidência do comité de sanções [da ONU para a Líbia] e tem por isso a responsabilidade de tudo fazer para o mais rapidamente possível se pôr fim à violência", indicou.

(Diário Económico)
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MensagemAssunto: Re: O FIM DAS DITADURAS ÁRABES...   Dom Mar 27, 2011 1:26 pm

Síria: Polícia mata mais 12 manifestantes que pedem agora a queda de Bashir al-Assad

26.03.2011

As forças militares sírias atiraram granadas de gás lacrimogéneo para dispersar um protesto em Deraa, a cidade do sul do país. Os manitestantes exigem a saída de Bashir al-Assad do poder, depois da repressão armada ter feito mais 12 mortos na sexta-feira, segundo a CNN.

Apesar do regime ter tentado travar o movimento de contestação anunciando a libertação de 230 presos islamistas, milhares de pessoas juntaram-se no funeral vítimas dos disparos dos últimos dias e queimaram bandeiras do partido do Presidente, o Baath.

O embate entre a população e o dirigente começou há uma semana em Deraa. Por duas vezes a polícia e os militares abriram fogo contra a população, fazendo um número não confirmado de mortos – 15 segundo algumas agências noticiosas, várias dezenas para algumas estações de televisão. A Amnistia Internacional diz que foram mortas 55 pessoas na Síria na semana passada.

Hoje, logo de manhã, o nome dos “mártires” foi lido em voz alta nas mesquitas de Deraa. Milhares de pessoas da cidade e dos arredores juntaram-se gritando a palavra “liberdade”. Três homens despiram as camisas e subiram para cima da estátua de Hafez al-Assad (pai de Bashir, a presidência foi passada de pai para filho) que já tinha sido derrubada.

Um dos cartazes dizia “O povo exige a queda do regime” – nas primeiras manifestações a palavra de ordem era “mudanças no regime” e não punha e causa a permanência de Bashir al-Assad no poder. Agora o canto é idêntico ao que se ouviu na Tunísia e no Egipto e ainda se faz ouvir no Iémen.

Em Tafas, cidade próxima de Deraa, e depois do funeral de outra vítima, os manifestantes queimaram bandeiras do Baath e pegaram fogo a uma esquadra de polícia, que desta vez não ripostou.

No início dos protestos por reformas, os sírios deram o benefício da dúvida ao Presidente, que muitas vezes falou nelas mas nunca as aplicou. Mas depois da prisão de alunos das escolas secundárias que, na sequência das manifestações e vitórias na Tunísia e Egipto, pintaram palavras de ordem nas paredes, da promessa quebrada de negociações e da repressão armada que se seguiu – com o pretexto de os manifestantes serem gangues violentos –, os sírios dão sinais de terem atingido um novo patamar na revolta.

“Esta autoridade opressora teve-nos debaixo de grande grande pressão. Agora quando passamos [por forças de segurança] eles já não dizem nada. Não se atrevem a falar com o povo. Porque o povo já não tem medo”, disse à Reuters um habitante de Deraa, Abu Jassem.

Abdelhalim Khaddam, que foi vice-presidente e se demitiu em 2005, abandonando também o Partido Baath, disse que "o sangue dos mártires irá apagar este regime".

No Facebook surgiu uma página de incitamento à revolta em toda a Síria. Hoje, ao início da tarde, já contava com quase 70 mil aderentes. Para contar espingardas, o regime marcou uma manifestação a seu favor em Damasco e, na sexta-feira, foram muitos os que na capital se juntaram para mostrar fotografias de Assad.

(Público)
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