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 GALILEU GALILEI - Vida, época, pensamento e obras

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Anarca



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MensagemAssunto: GALILEU GALILEI - Vida, época, pensamento e obras    Ter Ago 24, 2010 12:35 pm

Leonardo da Vinci, nascido perto de Florença em 1452, exercitou a sua profissão de artista e técnico em Milão, em Florença, em Roma e na França onde faleceu em 1519. Não nos interessa como artista, mas como cientista, técnico e teórico da ciência. Leonardo não deixou obras sistemáticas e editadas, e sim uma grande quantidade de apontamentos e bosquejos preciosos, publicados mais tarde, em que se revela um gênio soberano e um teórico genial. Aplicou ele imediatamente à técnica, ao domínio da natureza, seus princípios teóricos, em harmonia com os ideais e as conquistas da idade nova.

As ciências físicas e naturais, em geral, têm na Renascença a sua maior expressão em Leonardo da Vinci e, sobretudo em Galileu Galilei; pelo que diz respeito em especial à astronomia, em Copérnico e Kepler.

Leonardo fez uma notável quantidade de pesquisas e de invenções preciosas no campo das ciências: em matemática, física, mecânica, astronomia, geologia, botânica, anatomia, fisiologia, etc. Aplicou a matemática à física, convencido de que era mister partir da experiência, para chegar à razão, isto é, à matemática, que seria a razão que governa o mundo natural.

Entretanto, o grande metodólogo da ciência natural é Galileu Galilei, nascido em Tosacana (Pisa) em 1564. Ensinou nas universidades de Pisa e de Pádua; as seguir, em Florença, como matemático e filósofo. Pela sua defesa do sistema astronômico de Copérnico (heliocêntrico) foi para Roma onde foi processado pelo Santo Ofício, que condenou aquele sistema (1616). Galileu, tendo defendido com persistência o supradito sistema, foi processado e condenado novamente em 1633. Passou seus últimos anos de vida na vila de Arcetri, perto de Florença, onde faleceu em 1642. Entre suas obras são famosas: O Saggiatore (1623), livro polêmico contra os aristotélicos; o Diálogo sopra i due massimi sistemi del mondo (1632), que foi causa do segundo processo; e o Diálogo delle scienze nuove (1638).
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Anarca



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MensagemAssunto: Re: GALILEU GALILEI - Vida, época, pensamento e obras    Qua Ago 25, 2010 4:35 pm

Como Aristóteles e Tomás de Aquino, Galileu está convencido de que o conhecimento humano deve firmar-se na experiência; mas, diversamente daqueles dois filósofos que partem da experiência para transcendê-la e construir uma metafísica geral e especial, Galileu fica no âmbito da própria experiência; Galileu estuda o mundo não para conhecê-lo metafisicamente, isto é, para colher as essências imutáveis das coisas, mas fisicamente, isto é, para colher os fenômenos e suas leis. Tais leis julga Galileu sejam as matemáticas; pois, o livro da natureza é escrito com caracteres que são "triângulos, quadrados, círculos, esferas, cones, pirâmides e outras figuras matemáticas muito aptas para tal leitura". Daí a explicação da matemática à física, resultando assim a físico-matemática: o que constituirá o elemento verdadeiramente racional, universal e necessário da ciência moderna, e será tão fecundo em resultados práticos, técnicos.

Para constituir a ciência, portanto, é mister a experiência e a razão, sentido e discurso, como diz Galileu. Quanto ao procedimento metódico e particular para construir a ciência, Galileu distingue três momentos principais: a) a observação; b) a hipótese; c) a experimentação, que é a verificação da hipótese. Esta, quando confirmada experimentalmente, transforma-se em lei.

A ciência galileiana é, por conseguinte, quantitativa, a saber, o seu princípio racional é matemático: é físico-matemática, mecânica. O que é irredutível à quantidade é considerado como subjetivo, escapando ao alcance da físico-matemática. Galileu considera objetivas as propriedades geométrico-mecânicas: a figura, o tamanho, a posição, o movimento, o número - que serão mais tarde chamadas qualidades primárias; ao passo que considera subjetivas (transformação das objetivas por obra dos nossos órgãos sensoriais) as propriedades qualitativas: a cor, o som, o sabor, o frio, o calor - que serão mais tarde chamadas qualidades secundárias.

Como é sabido, a doutrina astronômica heliocêntrica chama-se copernicana, sendo seu verdadeiro fundador Copérnico. Nicolau Copérnico nasceu em Thorn, na Polônia, em 1473. Estudou em vários lugares, especialmente na Itália.

De volta à pátria, retirou-se para Frauenburg, onde era cônego, e dedicou-se às meditações astronômicas, cujo resultado publicou na famosa obra De obrium coelestium revolutionibus, publicada em 1543 e dedicada ao papa.

O seu sistema astronômico pode ser assim resumido: o mundo é esférico, finito; todos os corpos celestes são esféricos; o movimento dos corpos celestes é circular e uniforme; o Sol está imóvel no centro do sistema e giram-lhe em volta os planetas e também a Terra que tem duplo movimento: diurno em volta do próprio eixo, anual em volta do Sol.

Ele também segue o princípio de que a natureza é governada por leis matemáticas: ubi materia, ibi geometria. Caberá mais tarde a Newton completar o sistema com a grande lei da gravitação universal, que explica o equilíbrio dos corpos celestes.
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Anarca



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MensagemAssunto: Re: GALILEU GALILEI - Vida, época, pensamento e obras    Qui Ago 26, 2010 6:32 pm

A Ciência Nova e a Metafísica Tradicional

O atomismo mecânico, que Galileu pressupôs para a sua gnosiologia empirista-matemática, está evidentemente em contraste com o seu fenomenismo, porquanto constitui sempre uma filosofia da natureza, contrariamente ao afirmado agnosticismo galileiano sob este aspecto cientificamente fecundo. E tal atomismo mecânico está logicamente em contraste com a convicção religiosa de Galileu, pois o atomismo mecânico implica evidentemente uma concepção materialista da realidade.

Com Galileu começa a tendência da filosofia moderna - que se manifestará claramente no racionalismo de Descartes, Spinoza, Leibniz, etc. - de reduzir a metafísica à física, pela pretensão de explicar tudo matematicamente e considerar a ordem matemática como a ordem ideal da realidade. Pretensão evidentemente infundada, porquanto não se podem reduzir à quantidade o espirito, Deus, a alma nem sequer o elemento qualitativo da realidade empírica.

Será mister, portanto, que a ciência moderna, mesmo no seu aspecto racional-matemático, adquira consciência da sua limitação, permanecendo entre os limites da experiência, e não pretenda tornar-se metafísica. E destarte será ela inteiramente valorizável e conciliável com a metafísica tradicional aristotélico-tomista. Esta, por sua parte, terá de se libertar de igualmente infundada pretensão de que também a ciência natural seja filosofia, metafísica. Deste modo, poderá logicamente separar-se da física aristotélica e da astronomia ptolemaica, com que estava de fato, e se julgava de direito, ligada, liame este que, historicamente, sobremaneira prejudicou à metafísica tradicional na idade moderna, como ficou evidente também pelo famoso processo de Galileu.

Neste processo não há duvidar da boa fé de Galileu, católico convicto, nem da dos seus juizes, entre os quais se destaca São Roberto Belarmino. Em todo caso devemos prescindir de tais questões práticas, pessoais, que não concernem à história da filosofia, cujo objeto próprio são as idéias, os sistemas, e não os homens e suas intenções.

Temos, de um lado, uma sólida filosofia, que se julgava, sem razão, conexa necessariamente com a ciência da época, cuja ruína, julgava-se erroneamente, acarretaria consigo a ruína da filosofia, que constituía a base racional da religião. E temos, do outro lado, uma ciência prodigiosa, que, erradamente, se punha em contradição com a filosofia tradicional e em conexão com a nova filosofia humanista e imanentista. Tenha-se, acima de tudo, presente a tese geral do matematismo universal, com suas inevitáveis conseqüências materialistas, e a outra tese da infinidade dos mundos, que, erradamente, se julgava derivar do sistema copernicano, heliocêntrico. Acrescenta-se a tudo isso, por parte da igreja católica, o temor da crítica demolidora, que teve tão grave manifestação no livre exame protestante - temor confirmado pela veleidade de interpretação da Sagrada Escritura, por parte de Galileu, para ajustá-la à nova astronomia. E se compreenderá então historicamente o processo e a condenação de Galileu.

A oposição entre sistema ptoleimaco e sistema copernicano, entre a filosofia tradicional e a ciência nova, cessaria no dia em que se adquirisse consciência da natureza infrafilosófica, afilosófica, indiferente, da ciência, se permanecer nos limites da experiência - como deve ser - e se tivesse consciência da sua relatividade. A ciência, portanto, não pode vir a estar em contraste com a filosofia e a teologia, cujo objeto é metafísico; conseqüentemente pode-se e deve-se compor a filosofia tradicional com a ciência nova.
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MensagemAssunto: Re: GALILEU GALILEI - Vida, época, pensamento e obras    Hoje à(s) 5:44 pm

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