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 ALBERT CAMUS - Vida, época, filosofia e obras

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Anarca



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MensagemAssunto: ALBERT CAMUS - Vida, época, filosofia e obras   Dom Maio 02, 2010 8:59 pm

Albert Camus (1913-1960) foi uma personagem que deixou profundas marcas na história do pensamento humano.

Nascido em 7 de dezembro de 1913 em Manclovi, na Argélia, desde cedo se deparou com situações que lhe ofereceram consciência real do mundo em que vivia. Seu pai, bretão, agricultor, foi morto durante a I Guerra Mundial em 1914. Sua mãe, argelina, desde então, trabalhou duramente para sustentar sua família. A infância de Camus deu-se no bairro popular de Belcourt, em Argel. Ali viveu sob condições simples inserido num círculo familiar que mais tarde marcou profundamente a sua obra. Contudo, foi sem preconceito ou vergonha que ele próprio descreveu este período: “Embora eu tenha nascido pobre, nasci sob um céu feliz, num ambiente natural onde alguém se sente em união, desalienado”.

Afirma Barreto que “a primeira mensagem que Camus nos transmite em sua obra é a de como retirar das situações mais negativas da vida a lição e a razão para modificá-las”. Com o tempo, o garoto pobre de Belcourt tornou-se importante ensaísta, novelista, dramaturgo, filósofo e escritor, tendo dedicado sua vida, ao lado de outras ilustres personagens de sua época, a repensar os valores apresentados e impostos por uma sociedade que pouco se importava com a dignidade humana.

O início de sua "escalada" deu-se quando, na escola primária, deparou-se com um professor que se interessara por ele conseguindo-lhe uma bolsa de estudos no Ginásio de Argel, tendo aí descoberto duas grandes paixões em sua vida: a literatura e o futebol, neste exercendo a função de goleiro. Mais tarde formou-se em Filosofia pela Universidade da Argélia. Cedo escreveu seus primeiros artigos na revista Sur e, sob influência do poeta e ensaísta Greiner, seu professor, a quem dedicou seu primeiro livro ("O Avesso e o Direito", e também "O Homem Revoltado"), descobre sua vocação de escritor e a linha sistemática de pensamento que seguiria. Na historiografia filosófica e nos dicionários, Camus é classificado usualmente como um filósofo existencialista, embora tenha ele próprio negado esse título afirmando: "Não, não sou existencialista... e o único livro de idéias que eu publiquei” Le Mythe de Sisiph “(O Mito de Sísifo), foi contra os filósofos chamados existencialistas". Seu pensamento filosófico é firmado sobre dois pilares principais: o conceito do absurdo e o da revolta. A sua definição de "absurdo" diz respeito ao confrontamento da irracionalidade do mundo com o desejo de clareza e racionalidade que se encontra no homem. Quanto ao conceito da revolta, está ele vinculado, em última análise, à busca inconsciente de uma moral. Nas palavras de Camus, "ela é um aperfeiçoamento do homem, ainda que cego". Camus é uma personagem próprio de um contexto histórico, pois, sua filosofia foi fruto de uma realidade e necessidade latente do ambiente em que viveu
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Anarca



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MensagemAssunto: Re: ALBERT CAMUS - Vida, época, filosofia e obras   Seg Maio 03, 2010 4:18 pm

Sua geração presenciou alguns acontecimentos capitais na história da humanidade.
Entre eles:

A I Guerra Mundial, a depressão econômico-financeira de 1929, os expurgos dos processos de Moscou em 1936, a Guerra Civil Espanhola (1936-1939), a defecção da democracia liberal-burguesa diante de Hitler em Munique (1938), os massacres e destruição de populações inteiras na II Guerra Mundial, culminando as suas experiências históricas com a destruição cientificamente controlada de Hiroshima e Nagasaki. Todos esses acontecimentos viriam alterar fundamentalmente a vida e a obra de toda uma geração.

Os pensadores do início do séc. XX passaram a questionar alguns valores sociais impostos e a retratar a disparidade existente entre estes discursos e a prática exercida. A realidade dura do cotidiano que experienciavam passou a ser descrita cruamente em suas obras visando proporcionar consciência real sobre as condições de vida. Alguns protagonistas da literatura desta época que, junto com Camus, se despontaram foram: Malraux, Sartre, Grahan Greene, Hemingway, etc. Para Barreto, três são as características desta nova literatura: a) a eliminação das tradicionais diferenças entre o bem e o mal, entre o certo e o errado; b) fidelidade aos fatos, devendo-se refletir a vida concreta e absurda do homem; c) ênfase na responsabilidade humana.

Este ideal na vida de Camus traduziu-se em engajamento prático de ação. Filiou-se à militância antifascista contra o governo hitleriano participando das atividades do Partido Comunista. Aí foi encarregado quanto à propaganda entre os muçulmanos e sob esta ligação, mais tarde, dirigiu a Casa de Cultura em Argel. Nesta mesma cidade fundou o "Théâtre du Travail" com o intuito de elevar o nível intelectual das pessoas oferecendo-lhes atividades orientadas por considerações políticas e sociais. Também neste mesmo período exerceu outras funções profissionais: funcionário do serviço de meteorologia, vendedor de acessórios de automóveis, empregado no escritório de um corretor marítimo e funcionário da prefeitura. Ainda no Partido Comunista, que representava a força com que os intelectuais contrários ao regime de Hitler podiam contar, dedicou-se a organizar conferências, debates e mesas-redondas com intelectuais antifascistas. Por motivos financeiros, começou a trabalhar também como ator no grupo teatral da Rádio Argel percorrendo por várias cidades do interior argeliano. Após isso, trabalhou ainda no jornal "Alger Republicain", de onde saiu em maio de 1937 por motivos de saúde.

Próximo à II Guerra Mundial rompeu ele com o Partido Comunista; com isso ocorreu a conseqüente dissolução do "Théâtre du Travail" cujo nome passou a ser "Théâtre de L'Equipe", que a partir de então mudou seu enfoque de ação, tornando-se mais "neutro" enquanto movimento de resistência. É nesta época que acontece o primeiro contato entre Camus e Sartre. A amizade entre eles foi marcada por fortes momentos de aproximação e distanciamento. Neste período Camus inicia seu mais importante momento de publicações. Em 1940 terminou "O Estrangeiro"; logo após inicia "O Mito de Sísifo" preparando logo em seguida "A Peste" por influência de Moby Dick de Herman Melville. Sua vida em face da guerra sofreu grandes alterações. Em virtude do fechamento do jornal em que trabalhava pela imposição da censura, mudou-se para Paris, tendo aí trabalhado no "Paris-Soir". Após a ocupação nazista, refugiou-se em Clermont. Veio então o engajamento no movimento clandestino de resistência; aí o seu principal papel foi o de jornalista, profissão que o obrigou a participar ativamente dos acontecimentos políticos. Em 24 de agosto de 1944 o jornal de resistência "Combat", do qual Camus era editor, publicou seu primeiro número.
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Anarca



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MensagemAssunto: Re: ALBERT CAMUS - Vida, época, filosofia e obras   Ter Maio 04, 2010 4:41 pm

Neste mesmo ano foram encenadas as suas peças "O Mal Entendido" e "Calígula", e termina "A Peste", publicado no final de 1947.

No período pós-guerra intelectuais como Sartre, Malraux, Koestler, Manés Sperber e Camus formaram um grupo que discutia novos caminhos para o desafio da construção de uma sociedade democrática. Este caminho para Camus seria feito através do estabelecimento de alguns valores morais que viessem diferenciar as sociedades democrática e totalitária. Em 1947 por motivos políticos e financeiros o jornal "Combat" saiu de circulação; Camus passou a intercalar a sua vida literária com participações em movimentos de protestos. Em 1951 é publicado o livro "O Homem Revoltado" que deu a Camus maior projeção no debate político. Na revista “Os Tempos Modernos”, dirigida por Sartre, que promovia violentos debates entre comunistas e progressistas, a aceiraçãonão daobra de Camus não foi a melhor. Sartre mantinha uma atitude de “colaboração crítica” com o stalinismo já, Camus, considerava que esta posição era irreconciliável. Após a publicação da crítica feita por Francis Jeason em “Os Tempos Modernos” quanto ao “O Homem Revoltado”, deu-se a ruptura definitiva entre Sartre e Camus; suas concepções de filosofia de vida para a construção da sociedade democrática mostravam-se distanciadas em suas práticas de ação.

Entre os anos 1955 e 1960 Camus participou de movimentos diversos. Publicou o livro “La Chute” obtendo grande sucesso com a tradução e adaptação do “Requiem Para uma Freira” de Faulkner. Os contos que constituem o livro “L´Exil et el Royaume” foram publicados em março de 1957 seguidos dois meses depois por “Reflexions sur a Guilhotina”. Em 1957 recebeu o prêmio Nobel de Literatura. Nos anos 1958 e 1959 recomeça a trabalhar no inacabado romance “Le Premier Homme”. No dia 4 de julho de 1960 regressando à Paris morreu em um desastre de automóvel dirigido pelo seu amigo.

Susan Sontag assim definiu a morte de Camus: “Kafka desperta piedade e terror, Joyce admiração, Proust e Gide respeito, mas nenhum escritor moderno que eu me lembre, exceto Camus, despertou amor. Sua morte em 1960 significou ao mundo, uma perda pessoal”.
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