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 LEIBNIZ - Vida, época, filosofia e obras de Gottfried Wilhelm Leibniz

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Anarca



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MensagemAssunto: Re: LEIBNIZ - Vida, época, filosofia e obras de Gottfried Wilhelm Leibniz   Dom Set 06, 2009 8:44 pm

V. Que é o universo.

Apesar de indivisível, individual e simples, há mudanças interiores, atividade na mônada. O universo não é senão um conjunto de substâncias simples, ativas, construídas pelas mônadas. Os corpos no mundo são simples aparências de conjuntos de mônadas. O universo, portanto, é visto por Leibniz como feito de um número infinito de monadas indivisíveis, diferenciadas em uma escala ascendente de espiritualidade desde a mais inferior partícula mineral até o mais alto intelecto criado. Essa continuidade foi a sua maneira de solucionar o problema cartesiano da alegada antítese entre espírito e matéria.

O grau de clareza de representação da mônada, ou consciência, é a principal diferença entre elas, pois varia de uma para outra. Há uma diferença de consciência entre as mônadas. Seu poder de representação é o índice de sua imaterialidade. Existem as mônadas dos corpos brutos "que só têm percepções inconscientes e apetições cegas". Conforme descemos na escala dos seres, do animal até a mais inferior substancia mineral, a região da representação clara diminui e a região da obscuridade ou inconsciência aumenta. Os animais se constituem de mônadas "sensitivas", dotados de apercepções e desejos, e o homem de mônadas "racionais", com consciência e vontade.

Todos os seres tem mentalidade. A planta, que de vários modos adapta-se ao seu ambiente, tem percepção do que está à sua volta, apesar de não ter consciência das coisas. A mentalidade do animal, pelo seu poder de sensação, está acima da mentalidade das plantas. No entanto, de acordo com o princípio de continuidade, não há quebra de continuidade no desenvolvimento do poder mental entre os animais mais superiores e mais inteligentes, e os mais selvagens, e as plantas são animais imperfeitos. A alma humana não é uma exceção, sua imaterialidade não é absoluta, mas apenas relativa, no sentido de que nela a região da representação clara, a consciência, é muito maior que a região da representação obscura, de modo que esta última é uma quantidade praticamente negligenciável. Da percepção, que é encontrada em todas as coisas, até a inteligência e vontade, que são peculiares do homem, há graus imperceptiveis de diferenciação.
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MensagemAssunto: Re: LEIBNIZ - Vida, época, filosofia e obras de Gottfried Wilhelm Leibniz   Qua Set 09, 2009 8:45 pm

VI. Deus.

Porque há acordo entre as mônadas é necessário Deus como autor delas. A prova de que Deus existe é a harmonia pre-estabelecida. Segundo Leibniz, é preciso provar a possibilidade da existência de Deus, e só depois disto é que se pode assegurar a sua existência por meio da prova ontológica, pois Deus é o ens a se. A prova a priori consiste na afirmação de que, se Deus é possível, existe. E a essência divina é possível, diz Leibniz, porque, como não encerra nenhuma negação, não pode ter nenhuma contradição; portanto Deus existe. (Cf. Discours de métaphysique, 23 e Monadologie, 45).
A prova a posteriori e experimental, consiste na afirmação: se o ens a se é impossível, também o são todos os entes ab alio; uma vez que estes existem unicamente por esse aliud que é, justamente, o ens a se; se não existe o ente necessário não ha entes possíveis portanto, nesse caso, não haveria nada. Pois bem: estes existem, uma vez que os vemos. Logo existe o ente a se.

As duas proposições acima enunciadas, reunidas, compõem a demonstração leibniziana da existência de Deus. Se o ente necessário é possível, existe; se não existe o ente necessário, não há nenhum ente possível. Este raciocínio funda-se na existência, conhecida a posterior, dos entes possíveis e contigentes. A fórmula mínima do argumento seria esta: Há algo, logo há Deus.

Outra prova são as coisas contingentes: tudo que existe deve ter uma razão suficiente da sua existência; nenhuma coisa existente tem em si mesma tal razão; portanto existe Deus como razão suficiente de todo o universo.

Deus é a mônada perfeita, puro ato, nada contem de passivo. No cume da hierarquia das mônadas está Deus, que é acto puro. Ao contrário, a mônada criada não pode jamais libertar-se da passividade pois, ao contrário, seria ato puro como Deus. A absoluta perfeição na mônada criada permanece sempre um esforço, jamais é ato. Tal tendência vai ao infinito, pois a mônada não realiza jamais a sua completa perfeição. Em Deus desapareceria a distinção entre verdades de fato e verdades de razão, porque Deus conhece atualmente toda a série infinita de razões suficientes que fizeram que cada coisa seja aquilo que é.
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MensagemAssunto: Re: LEIBNIZ - Vida, época, filosofia e obras de Gottfried Wilhelm Leibniz   Qui Set 10, 2009 11:19 pm

VII. O bem e o mal.

Sem dúvida o problema do mal preocupou muito a Leibniz. Dedicou ao assunto dois extensos trabalhos, o "Confissão do Filósofo", escrito em 1672, e o Théodicée, escrito em 1709.O mal manifesta-se de três modos: metafísico, físico e moral.

O mal metafísico é a imperfeição inerente à própria essência da criatura. Só Deus é perfeito. Falta alguma coisa ao homem para a perfeição, e o mal está nessa falta, pois o mal é a ausência do bem, na concepção neoplatônica e agostiniana. O mal metafísico nasce, portanto da impossibilidade de que o mundo seja completo e infinito como o seu criador. O mundo, como finito, é imperfeito para distinguir-se de Deus. O mal metafísico, sendo a imperfeição, ele é inevitável na criatura.

O mal físico tem a sua justificação para dar ocasião a valores mais altos (por exemplo, a adversidade dá ocasião a que exista a fortaleza de ânimo, o heroísmo, a abnegação); além disso, Leibniz crê que a vida, em suma, não é má, e que é maior o prazer que a dor.

O mal moral é simplesmente permitido por Deus, pois é condição para os outros bens maiores.

Um mal é, para Leibniz, a raiz do outro. O mal metafísico é a raiz do mal moral. O mal físico é entendido por Leibniz como conseqüência do mal moral, seja porque está vinculado à limitação original, seja porque é punição do pecado (moral).

Segundo Leibniz, o que se nos afigura como mal é conseqüência necessária do trabalho de Deus na construção do melhor mundo possível. O bem, na moral, não significa mais do que o triunfo sobre o mal e, consequentemente, para que haja o bem é necessário que haja o mal. O mal que existe no mundo é o mínimo necessário para que haja um máximo de bem.

No "Confissão do Filósofo" Leibniz diz que tudo no mundo é vontade de Deus, apesar de que sua vontade com respeito ao bem no mundo é decretória e sua vontade com respeito ao mal é meramente permissiva . Leibniz coloca a questão se o mundo em que vivemos é realmente imperfeito, e concluiu que o mundo é imperfeito apenas diante de nossos olhos, mas que não o seria aos olhos de Deus.
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MensagemAssunto: Re: LEIBNIZ - Vida, época, filosofia e obras de Gottfried Wilhelm Leibniz   Sab Set 12, 2009 12:09 am

VIII. Otimismo: O Mundo é o melhor possível.

Para Leibniz, sendo Deus todo poderoso, infinitamente sábio e infinitamente bom, não poderia haver nenhuma coisa que o impedisse de criar o melhor mundo possível. Deus calcula vários mundos possíveis, e faz existir o melhor desses mundos. Entre tantos mundos possíveis (existentes em Deus como possibilidades) Deus dá existência a um só e a escolha advém à base do critério do melhor que é a razão suficiente do existir do nosso mundo.

Mas, em que consiste "o melhor"? O mundo seria bom apenas se cada parte dele, tomada isoladamente fosse boa? Ou o mundo seria bom apenas se todas as criaturas humanas fossem felizes nele? Isto não parece muito claro aos comentaristas da filosofia de Leibniz, parecendo que, em geral, ele sustenta que Deus criou o mundo para compartilhar sua bondade com as criaturas da maneira mais perfeita possível e que é no seu todo, e não em suas partes consideradas separadamente, que o mundo deve ser avaliado.

Do ponto de vista metafísico o mundo seria melhor pela maximização das várias facetas de perfeição possíveis para o homem, a "maximização da essência".

Do ponto de vista físico e moral eliminar um mal pode piorar o conjunto, em lugar de melhorá-lo. Não se pode considerar isoladamente um fato. Não conhecemos os planos totais de Deus, já que seria necessário vê-los na totalidade dos seus desígnios. Ao produzir o mundo tal como ele é, Deus escolheu o menor dos males, de tal forma que o mundo comporta o máximo de bem e o mínimo de mal. Segundo alguns comentaristas, Leibniz também parece sugerir um critério algo matemático para avaliação da bondade do mundo.

Para Leibniz a vontade do Criador submete-se ao seu entendimento; Deus não pode romper Sua própria lógica e agir sem razões, pois estas constituem Sua natureza imutável. Conseqüentemente o mundo criado por Deus estaria impregnado de racionalidade, cumprindo objetivos propostos pela mente divina.

A bondade do mundo é medida pela relação entre a variedade de fenômenos que o mundo contem e a simplicidade das leis que o governam. O título da seção 5 do Discourse on Metaphysics , é "Em que consistem as leis da perfeição da conduta divina e que a simplicidade dos meios está em equilíbrio com a riqueza dos efeitos". Deus não olhou apenas a felicidade das criaturas inteligentes mas a perfeição do conjunto.

O título da seção 36 do Discourse on Metaphysics é "Deus é o monarca da mais perfeita república, composta por todos os espíritos, e a felicidade dessa Cidade de Deus é seu principal propósito"

Como Deus é onipotente e bom, podemos assegurar que o mundo é o melhor dos mundos possíveis; isto é, é aquele que contém o máximo de bem com um mínimo de mal que é condição para o bem do conjunto. Assim, o mundo em que vivemos é o melhor mundo possível.
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MensagemAssunto: Re: LEIBNIZ - Vida, época, filosofia e obras de Gottfried Wilhelm Leibniz   Dom Set 13, 2009 1:15 pm

Santidade de Deus.

Leibniz concebe o mundo como rigorosamente racional e como o melhor dos mundos possíveis. Então, como explicar a presença do mal? A resposa de Leibniz é que existe uma razão suficiente para que seja do modo que é: Deus escolheu que as coisas fossem do modo que são, e por ser uma escolha de Deus, com certeza é o melhor dos mundos possíveis. Os ateus contra-argumentam que o mundo em que vivemos, cheio de misérias e imperfeições, não pode ser um mundo melhor possível, uma vez que são concebíveis mundos que seriam infinitamente melhores. O mundo em que vivemos não permite acreditar que exista um Deus infinitamente sábio e poderoso, e como sem esses predicados não seria verdadeiro Deus, então Deus não existe. Desde que Deus e o mal são incompatíveis, e o mal claramente existe, então não existe Deus. Ou então, como pode um ser infinitamente sábio, poderoso e bom, permitir que o mal exista. A Teodicéia trata dessa explicação, ou seja da justificação ou o porquê Deus permite o mal no mundo. Este problema é discutido por Leibniz em sua Théodicée e em muitas de suas cartas.

Os hereges Socinianos ficaram a meio caminho desse argumento, admitindo que o Criador existe, porém não é um Deus como pretendiam os cristãos. Os socinianos sustentavam que Deus não é infinitamente sábio e que lhe falta pelo menos o conhecimento do futuro. Em termos contemporâneos, isto significaria que Deus age por tentativa e erro.

A questão fundamental é como poderia Deus continuar Santo a despeito de haver criado um mundo como o nosso, e também como poderia continuar Santo apesar de conservar a existência deste mundo e cooperar em todos os eventos que ocorrem nele. Em resumo, Deus não seria suficientemente perfeito para fazer o bem sem necessidade de causar algum mal, pois só a imperfeição de Deus faria o mal inevitável para que Ele pudesse cumprir seu dever de fazer o bem.
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MensagemAssunto: Re: LEIBNIZ - Vida, época, filosofia e obras de Gottfried Wilhelm Leibniz   Seg Set 14, 2009 1:30 pm

IX. Relação Corpo-espírito.

No continente europeu, os chamados racionalistas buscavam resolver o que eles chamavam de "problema corpo-espírito", que se originou como um dualismo estrito no sistema do filósofo francês Renê Descartes (1596-1650).
No seu Système nouveau de la nature (1695) e no Eclaircissement du nouveau sisteme (1696), Leibniz apresenta sua concepção filosófica das relações mente corpo por via de uma harmonia preestabelecida. Leibniz argumenta que, além da sua, há somente outras tres possíveis fontes para um acordo a esse respeito: a que Descartes havia proposto, a que Malebranche havia proposto, e a idéia de Spinosa.

A relação corpo-espírito poderia assim ocorrer por mútua influência (interacionismo), como pensava Descartes. A interação da mente e do corpo ocorria na glândula pineal; o sistema nervoso eram cordéis que puxavam a glândula pineal; as vibrações desta eram percebidas pela alma.

Para Malebranche. Somente Deus pode ser causa de qualquer efeito no universo. Não há nenhuma influência da mente sobre o corpo ou do corpo sobre a mente, não existe operação causal senão que Deus é a única causa, intervém para produzir as regularidades que ocorrem na experiência. A harmonia que Leibniz coloca na acção das mônadas, Malebranche já havia colocado para toda causa e efeito no Universo. Assim, quando, por exemplo, uma pessoa deseja mover um dedo, isto serve como ocasião para Deus mover-lhe o dedo, quando um objeto aparece subitamente no campo de visão da pessoa, isto serve de ocasião para Deus produzir uma percepção visual na mente da pessoa. Deus estaria atento a cada minúcia, e aquilo que chamamos causas na física são ocasiões em que Deus tem que intervir para harmonia de todo o universo.

Para Spinosa, o espiritual e o físico, ou seja, a extensão cartesiana e o pensamento cartesiano, são simplesmente dois aspectos diferentes da mesma substância única que é Deus. Deus e Natureza são a mesma coisa. Há apenas uma substância que é Deus. Essa substância tem duas faces, dois atributos: (Porem Leibniz rejeita o panteísmo de Spinosa)

Leibniz, aplica sua tese do paralelismo das açoes, a noção de que corpo e espírito existem em perfeita harmonia preestabelecida por Deus desde o momento da criação. Os corpos agem como se não houvesse almas, e as almas agem como se não houvesse corpos, e no entanto, ambos corpo e alma agem como se um estivesse influenciando e dirigindo o outro. Não parece haver, no entanto, importante diferença entre a interferência de Deus em cada ocasião (Ocasionalismo de Malebranche) e a sua única intervenção na criação do mundo quando estabelecia previamente o mesmo paralelismo harmônico entre a vontade do espírito e a ac'~ao mecânica do corpo (Harmonia pré-estabelecida de Leibniz).

Em Descartes, é como se dois relógios andassem iguais por estarem conectados; em Malebranche, marcariam a mesma hora por esforço de um hábil relojoeiro que regula os relógios e os mantém de acordo (ocasionalismo); em Spinosa, porque fossem dois mostradores com um só mecanismo (teoria do duplo aspecto), ou em virtude do fato de que eles foram construídos com o propósito de que sua futura harmonia ficasse garantida (paralelismo), que era a proposta de Leibniz.
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MensagemAssunto: Re: LEIBNIZ - Vida, época, filosofia e obras de Gottfried Wilhelm Leibniz   Ter Set 15, 2009 12:47 pm

X. O conhecimento.

Como visto, Leibniz negava o efeito causal entre substâncias, e isto porque todas as coisas são constituídas de mônadas e estas eram incomunicáveis. Não admite comunicação ou ligação entre as mônadas. Uma vez que as mônadas constituem todas as coisas e são impermeáveis, não têm janelas para o seu exterior, o que percebem e quem as percebe? Percebem elas a si mesmas quando constituem a consciência. São parcialmente materiais e parcialmente espirituais ou imateriais. A atividade contínua da mônada é o esforço de exprimir-se a si mesma, isto é, de adquirir sempre mais consciência daquilo que virtualmente contem em si mesma. Trazem dentro de si mesmas a experiência de conhecer seu próprio estoque de coisas a serem conhecidas, conforme o programa original da harmonia preestabelecida dispôs que conheceriam desde seu início e por toda a eternidade.

As coisas não são conhecidas por intervenção divina, como postulou Nicolas Malebranche, mas por uma analogia existente, um paralelismo, entre as idéias de Deus e as idéias do homem, uma identidade entre a lógica de Deus e a lógica dos homens. Segundo Leibniz, Deus assegurou, desde sempre, a correspondência das minhas idéias com a realidade das coisas, ao fazer coincidir o desenvolvimento da minha mônada pensante com todo o universo.
O que vamos conhecer na vida já está dado e contido em nossa própria alma, ou seja, na "monada espiritual" responsável pela nossa consciência. Significa também que todas as mônadas têm percepção e que os cartesianos erraram em supor que só o espírito tem percepção e os animais são máquinas. Eles também têm algum grau de percepção, porque também são constituídos de mônadas e todas as mônadas têm um maior ou menor grau de percepção.

Nos "Novos Ensaios Sobre o Entendimento Humano" rejeita a teoria empirista de Locke (1632-1704) segundo a qual a origem das idéias encontra-se exclusivamente na experiência e que a alma seria uma tabula rasa.
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MensagemAssunto: Re: LEIBNIZ - Vida, época, filosofia e obras de Gottfried Wilhelm Leibniz   Qua Set 16, 2009 4:29 pm

Estruturas inatas.

Como as mônadas trazem dentro de si todas as coisas a serem conhecidas, então todas as idéias são inatas. Porém Leibniz, no prefácio de "Novos Ensaios sobre o Entendimento Humano" Leibniz admitiu o inatismo não de idéias, mas de certas estruturas geradoras de idéias. Ele diz: "Por isso emprego de preferência a comparação com um bloco de mármore que tem veios... se há veios na pedra que desenham a figura de Hércules em lugar de qualquer outra, este bloco lhe estaria já disposto, e Hércules lhe seria de algum modo como inato, ainda que fosse sempre necessário certo trabalho para descobrir estes veios e destaca-los pelo polimento, eliminando o que impede sua aparição. Do mesmo modo as idéias e a verdade nos são inatas como inclinações, disposições, capacidades e faculdades naturais, e não como ações ou funções se bem que estas faculdades vão sempre acompanhadas de algumas ações correspondentes imperceptíveis". As ideias são, pois, inatas num certo sentido. Elas existem em potência, e é através da reflexão que se atualizam e a alma adquire consciência.

Apesar de propor para a genese do pensamento lógico a existência de certas estruturas inatas da mente e compará-las aos veios em um bloco de mármore que guiam e inspiram o escultor a talhar uma certa figura, Leibniz não podia em seu tempo pensar em uma estrutura física de neurônios. Com certeza pensa em algo contido no espírito, "faculdades naturais", como ele diz, algo pertinente às mônadas espirituais de que fala em sua Monadologia. A noção do trabalho associativo da mente é, porém, ainda mais antiga, pois, como é sabido, já está em Aristóteles.

Inconsciente.

O saber de perceber é a apercepção, que é também a reflexão ou esforço de ter sempre percepções mais distintas. É verificável que temos em cada momento impressões das quais nós não nos advertimos, mas que permitem o automatismo de nosso comportamento. Temos assim uma infinidade de percepções que não são acompanhadas de apercepção e reflexão. As percepções das quais não se tem consciência são chamadas por Leibniz percepções insensíveis. Nossas as ações, que à primeira vista parecem a nós mesmos sem motivo, são respostas às percepções insensíveis, que explicam também as diferenças de caráter e de temperamento.
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MensagemAssunto: Re: LEIBNIZ - Vida, época, filosofia e obras de Gottfried Wilhelm Leibniz   Sex Set 18, 2009 8:45 pm

XI. Felicidade e Liberdade.

A questão da liberdade é o mais difícil de se compreender em Leibniz porque as mônadas encerram em si tudo o que lhes há de acontecer e hão de fazer. Todas as mônadas são espontâneas, porque nada que é externo pode exercer coação sobre elas, nem obriga-las a coisa alguma. Como é possível a liberdade? Segundo ele, Deus cria os homens, e os cria livres. Deus conhece os "faturíveis", isto é, os fatos futuros condicionados pelo presente, as coisas que serão ou acontecerão se for posta uma certa condição que ainda não existe. Deus conhece o que faria a vontade livre, sem que esteja determinado que isto ou aquilo tenha de ser assim, não se tratando, portanto, de predeterminação. Uma segunda harmonia está entre o domínio físico natural e o reino moral da graça. As mônadas enquanto progridem ao longo de linhas naturais no sentido da perfeição, estão ao mesmo tempo progredindo ao longo da linha moral no sentido da felicidade.

Deus quer que os homens sejam livres e permite que possam pecar, porque é melhor essa liberdade que a falta dela. A Teodicéia de Leibniz leva como subtítulo "Ensaios sobre a bondade de Deus, a liberdade do homem e a origem do mal". Neste Leibniz chama a Vontade de uma "faculdade caracterizada pelo apetite pelo bem": a liberdade é um bem. O homem, porém, não sabe usar a liberdade. O pecado aparece, pois, como um mal possível que condiciona, que restringe um bem superior que é a liberdade humana.

XII. Uma só religião.

Quando Leibniz se tornou bibliotecário e arquivista da casa de Brunswick em 1676, o Duque de Brunswick era Johann Friedrich, que havia recentemente se convertido ao Catolicismo. A boa aceitação dessa conversão entre uma maioria protestante tornou a questão das divergências religiosas um assunto importante e Leibniz quase imediatamente começou a trabalhar pela causa da reconciliação entre Católicos e Protestantes.

Porém, em meu entender, é falso que Leibniz visse apenas como politicamente importante para os Estados Alemães a união religiosa e o espírito de tolerância, e que por isso sua atuação fosse somente diplomática, sem uma verdadeira preocupação teológica. Parece claro que, do mesmo modo como ele buscava fórmulas conciliadoras na filosofia, ele tentou encontrá-las também na teologia, por acreditar que as verdades fundamentais estavam contidas em cada corrente contrária, filosófica ou teológica, bastando mostrar as coincidências para se chegar à conciliação.

O projeto não foi adiante por razões políticas e pela desunião entre os próprios protestantes. Luís XIV, que, através de Bossuet expressara sua aprovação às conclusões de :Leibniz, na verdade não apoiou o projeto. O próprio Leibniz tinha inclinação pelo catolicismo e adotou para si próprio uma espécie de credo cristão racionalista e eclético, e deixou de assistir os serviços religiosos protestantes em 1696.
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