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 GRANDES MISTÉRIOS - Os Paraísos Perdidos

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Anarca



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MensagemAssunto: GRANDES MISTÉRIOS - Os Paraísos Perdidos   Dom Abr 18, 2010 6:18 pm

Os Paraísos Perdidos - I

A existência em um remotíssimo passado de uma terra maravilhosa, na qual moravam seres privilegiados, aparece em tradições muito antigas e em religiões ancestrais. Talvez não se trate de uma simples crença transmitida de geração em geração e estendida com ligeiras variantes por todo o globo. Indícios existem que obrigam a serem delineadas com toda a seriedade a realidade do que a nós parece somente míticos paraísos.

A relação dos deuses e os homens

Desde o começo da história real ou mítica, a humanidade vem transferindo de povo em povo, de região em região, um de seus mais anciosos sonhos: a existência material em um determinado lugar e tempo da legião escolhida, o

Paraíso, atrás de cujos limites nossos longínquos antecessores levavam uma existência idílica.

Não são, na verdade, escassas as referências às quais podemos aludir para chegar ao conhecimento das possíveis motivações que impulsionaram o aparecimento de tais crenças, e se, em alguma medida, estas tiveram um fundo de realidade. O homem manteve dentro de si a dúvida constante de que sua essência não obedece a uma finalidade específica, mas que somente acontece como produto cego das forças naturais. Esta permanente dúvida, que é associada à arbitrariedade de sua existência no mundo, produz a impressão de que "algo" foi perdido em um instante específico de nossa protohistória. Essa razão, que por um lado permitiria compreender nossa atual situação e, por outro, daria acesso a um estado diferente, sem dor nem mudanças.

É curioso descobrir que praticamente em todas as mitologias, conteúdos explicativos da humanidade e seu ambiente, mencionam que em um tempo os deuses mantinham urna relação muito próxima com o homem e inclusive o haviam preservado de qualquer contigência criando para ele urna região privilegiada na qual devia morar, mas sem transgredir determinados preceitos.

Das tradições mitológicas foi produzido um translado às religiões mais importantes, sendo urna linha comum a crença em um lugar não temporário, destinado para os justos que é encontrado à margem de qualquer infelicidade.

Tanto o budismo como a religião cristã, e inclusive a fé de Mahoma, fazem clara distinção do paraíso, contraposição do "Céu" ou "Inferno", no qual tudo é sofrimento constante.

E colocado, pois, de manifesto que primeiramente foram as mitologias que concretizaram as frustrações humanas quanto à busca de respostas específicas a nosso estado atual e depois as crenças religiosas indicaram o caminho para redescobrir o estado original.

Em uma terceira via subsistiram as tradições sobre a permanência de certos paraísos ocultos em nosso mundo; foram estes Agarthi, Thule, Eldorado, Shamballah, etc... dos quais nos iremos ocupando sucessivamente.

O Eldorado

O Eldorado é uma antiga lenda narrada pelos índios aos espanhóis na época da colonização das Américas. Falava de uma cidade cujas construções seriam todas feitas de ouro maciço e cujos tesouros existiriam em quantidades inimagináveis.

Acreditou-se que o Eldorado fosse em várias regiões do Novo Mundo: uns diziam estar onde atualmente é o Deserto de Sonora no México. Outros acreditavam ser na região das nascentes do Rio Amazonas, ou ainda em algum ponto da América Central ou do Planalto das Guianas, região entre a Venezuela, a Guiana e o Brasil (no atual estado de Roraima).

O fato é que essas são algumas - entre as várias - suposições da possível localização do Eldorado, alimentadas durante a colonização do continente americano.

Apesar da lenda, muito ouro e prata foram descobertos nas Américas, em territórios como o Alto Peru, Sudeste do Brasil (Minas Gerais) e nas tegiões onde viviam as civilizações aztecas, incas e maias.

O termo Eldorado significa O [homem] dourado em espanhol; segundo a lenda, tamanha era a riqueza da cidadela, que o imperador tinha o hábito de se espojar no ouro em pó, para ficar com a pele dourada.
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MensagemAssunto: Re: GRANDES MISTÉRIOS - Os Paraísos Perdidos   Ter Abr 20, 2010 3:58 pm

Os Paraísos Perdidos - II

A relação dos deuses e os homens

Desde o começo da história real ou mítica, a humanidade vem transferindo de povo em povo, de região em região, um de seus mais anciosos sonhos: a existência material em um determinado lugar e tempo da legião escolhida, o Paraíso, atrás de cujos limites nossos longínquos antecessores levavam uma existência idílica.

Não são, na verdade, escassas as referências às quais podemos aludir para chegar ao conhecimento das possíveis motivações que impulsionaram o aparecimento de tais crenças, e se, em alguma medida, estas tiveram um fundo de realidade. O homem manteve dentro de si a dúvida constante de que sua essência não obedece a uma finalidade específica, mas que somente acontece como produto cego das forças naturais. Esta permanente dúvida, que é associada à arbitrariedade de sua existência no mundo, produz a impressão de que "algo" foi perdido em um instante específico de nossa protohistória. Essa razão, que por um lado permitiria compreender nossa atual situação e, por outro, daria acesso a um estado diferente, sem dor nem mudanças.

É curioso descobrir que praticamente em todas as mitologias, conteúdos explicativos da humanidade e seu ambiente, mencionam que em um tempo os deuses mantinham urna relação muito próxima com o homem e inclusive o haviam preservado de qualquer contigência criando para ele urna região privilegiada na qual devia morar, mas sem transgredir determinados preceitos.

Das tradições mitológicas foi produzido um translado às religiões mais importantes, sendo urna linha comum a crença em um lugar não temporário, destinado para os justos que é encontrado à margem de qualquer infelicidade.

Tanto o budismo como a religião cristã, e inclusive a fé de Mahoma, fazem clara distinção do paraíso, contraposição do "Céu" ou "Inferno", no qual tudo é sofrimento constante.

E colocado, pois, de manifesto que primeiramente foram as mitologias que concretizaram as frustrações humanas quanto à busca de respostas específicas a nosso estado atual e depois as crenças religiosas indicaram o caminho para redescobrir o estado original.

Em uma terceira via subsistiram as tradições sobre a permanência de certos paraísos ocultos em nosso mundo; foram estes Agarthi, Thule, Eldorado, Shamballah, etc... dos quais nos iremos ocupando sucessivamente.

O Eldorado

O Eldorado é uma antiga lenda narrada pelos índios aos espanhóis na época da colonização das Américas. Falava de uma cidade cujas construções seriam todas feitas de ouro maciço e cujos tesouros existiriam em quantidades inimagináveis.

Acreditou-se que o Eldorado fosse em várias regiões do Novo Mundo: uns diziam estar onde atualmente é o Deserto de Sonora no México. Outros acreditavam ser na região das nascentes do Rio Amazonas, ou ainda em algum ponto da América Central ou do Planalto das Guianas, região entre a Venezuela, a Guiana e o Brasil (no atual estado de Roraima).

O fato é que essas são algumas - entre as várias - suposições da possível localização do Eldorado, alimentadas durante a colonização do continente americano.

Apesar da lenda, muito ouro e prata foram descobertos nas Américas, em territórios como o Alto Peru, Sudeste do Brasil (Minas Gerais) e nas tegiões onde viviam as civilizações aztecas, incas e maias.

O termo Eldorado significa O [homem] dourado em espanhol; segundo a lenda, tamanha era a riqueza da cidadela, que o imperador tinha o hábito de se espojar no ouro em pó, para ficar com a pele dourada.
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MensagemAssunto: Re: GRANDES MISTÉRIOS - Os Paraísos Perdidos   Sex Abr 23, 2010 11:25 pm

Os Paraísos Perdidos - III

Éden, o paraíso primordial

Uma das referências mais clássicas e conhecidas é a sintética explicação que o Gênesis do povo de Israel faz da criação do mundo e conseqüente formação do homem que vive por mandado de Jeová Deus no "Paraíso do Eden", região circundada por rios. Suas características e as sucintas explicações que nos propociona a tradição judaica-cristã coincidem em grande medida com outros presumidos paraísos terrestres. A série de imagens arquetípicas que foram o segundo e terceiro capítulos do Gênesis, enfocam a questão para aspectos que somente na época atual nos arriscamos a interpretar de diferente modo.

Em princípio, existe uma série de imagens definidas que ajudam a compreender ao não versado uma doutrina específica; neste caso, a dirigida ao povo de Israel congregada após um Deus monoteísta, cuja assimilação a uma série de ações, como a ordenação do mundo, aparecimento do primeiro homem do pó da terra, sua localização em um lugar privilegiado que tem características únicas por sua beleza e a ausência de qualquer situação crítica e inclusive a indicação de que existia no paraíso uma árvore da Ciência do Bem e do Mal, junto a um processo de negação e caída das normas impostas e a posterior expulsão do homem e da mulher, humanizou-nos em excesso e relacionou com outras tradições.

As referências do Gênesis

Vejamos algumas das passagens mais características dos capítulos II e III do Gênesis:

Formou, pois, Jeová Deus o homem do pó da terra, e alentou em seu nariz o sopro da vida; e foi o homem em alma vivente.

E havia Jeová Deus plantado um horto no Eden ao oriente, e colocou ali ao homem que havia formado.

E havia Jeová Deus feito nascer da terra toda árvore deliciosa à vista, e bom para comer; também a árvore de vida em meio do horto, e a árvore da ciência do bem e do mal...

Tomou, pois, Jeová Deus ao homem, e o colocou no horto do Eden para que o lavrasse e o guardasse.

E mandou Jeová Deus ao homem dizendo: "De toda árvore do horto comerás".

"Mas, da árvore da ciência do bem e mal, não conterás dela; porque no dia que dela comeres, infalivelmente, morrerás"

E disse Jeová Deus: "Não é bom que o homem esteja sozinho; darei ajuda idônea para ele".

Formou, pois, Jeová Deus da terra todo animal do campo e toda ave dos céus, e trouxe-as a Adão para que visse como deveria chamá-los, e, tudo o que Adão chamou aos animais viventes, esse é seu nome...

E colocou Adão nome em todos os animais, e aves dos céus, e a todo animal do campo, mas para Adão não encontrou ajuda que estivesse diante dele.

E Jeová fez cair sono sobre Adão, e ficou adormecido: então pegou uma de suas costelas e fechou a carne em seu lugar.

E da costela que Jeová Deus pegou do homem, fez uma mulher e trouxe-a ao homem... 25. E estavam ambos despidos, Adão e sua mulher, e não se envergonhavam.

E estavam ambos despidos, Adão e sua mulher, e não se envergonhavam.

Dos temores de Deus e a intervenção Capítulo III

Contudo, a serpente era mais astuta que todos os animais do campo que Jeová Deus havia feito; a qual disse à mulher: "Com que Deus os disse não comeis de toda árvore do horto?"

E a mulher respondeu à serpente: "Do fruto das árvores do horto comemos".

Mas do fruto da árvore que está no meio do horto disse Deus: "Não comereis dele, nem o toqueis, porque não morrerás".

Então a serpente disse à mulher: "Não morrereis".

Mas sabe Deus que o dia que comereis dele, serão abertos vossos olhos, e sereis como deuses sabendo o bem e o mal.

E viu a mulher que a árvore era boa para comer e que era agradável aos olhos, e a árvore cobiçável para alcançar a sabedoria: e pegou de seu fruto e comeu e deu também a seu marido, o qual comeu assim como ela...

Então Jeová Deus disse à mulher: "O que é que fez? E disse a mulher: "A serpente enganou-me e comi..."

E ao homem disse: "Porquanto obedeceste à voz de tua mulher, e comeste de que te mandei dizendo não comerás dela, maldita será a terra por amor de ti; com dor comerás dela todos os dias de tua vida..."

E disse Jeová Deus: "Eis aqui o homem que é como um de nós, sabendo o bem e o mal: agora pois, para que não alongue a mão e pegue também da árvore da vida, e coma e viva para sempre".

E tirou-o Jeová do horto do Eden, para que lavrasse a terra da qual foi feito.

Lançou, pois, fora o homem e colocou ao oriente do horto do Eden querubins e uma espada acesa que se movia para todos os lados, para guardar o caminho da árvore da vida.
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MensagemAssunto: Re: GRANDES MISTÉRIOS - Os Paraísos Perdidos   Seg Abr 26, 2010 10:59 pm

Os Paraísos Perdidos - IV

Éden, uma experiência evolutiva

A ciência nos demonstrou no século XX que o aparecimento do homem em nosso planeta obedece a todo um complexo entramado de fatores, cuja antiguidade é remontada a vários milhões de anos, quando os primeiros seres unicelulares presentes na denominada "sopa primogênita", começaram a ser duplicados, compondo cada vez em maior medida estruturas biológicas organizadas.

Seguindo um processo ascendente de complexidade, a evolução, através de múltiplas vias e tentativas, chega há uns poucos milhões de anos a conformar nossos primeiros antepassados, seres divergentes em um de seus ramos das famílias de orangotangos, chimpanzés e gorilas.

Está claro, pois, que a imagem proporcionada pelo Gênesis trata de sintetizar todo um processo que mantém a crença de que a humanidade procede desse "pó da terra" que infalivelmente é ordenado seguindo um mecanismo de enorme amplidão.

A fértil terra ou paraíso

Nesta tradição judaico-cristã descobrimos que Jeová, o Criador, situa a este homem ou humanidade em um "horto", o do Éden, para que o guarde e lavre a fértil terra. Em seu centro a chamada "Arvore da Ciência do Bem e do Mal", cujos frutos não podem ser comidos porque o ser humano se expõe à morte, ainda que a verdadeira razão deste mandado talvez a encontrássemos no temor que parece expressar Jeová de que o homem chegue a igualar-se a ele quanto a conhecimento e, portanto, poder. Indubitavelmente, o símbolo do paraíso como região privilegiada na qual floresce uma "árvore '', que simbolicamente reúne todo um acúmulo de ensinametos positivos e negativos, força-nos a buscar outras interpretações que não sejam as admitidas classicamente.

Uma especulação heterodoxa

A descrição que nos facilita o Gênesis sobre este paraíso de Éden, ainda que muito sinteticamente, excitou a imaginação da ampla grei judaico-cristã. Ainda tendo presente que muitas de suas partes foram inspiradas pelos ensinamentos de outros povos mesopotâmicos corno os sumérios, e concretamente a "Epopéia de Gilgamés" é um exemplo notório enquanto se refere ao dilúvio, resulta o leito obrigatório para encontrar um novo sentido segundo nossa perspectiva tecnológica.

À margem de que existisse a necessidade de utilizar imagens simples para fazer compreender ao povo judeu a essência da doutrina que se tratava de implantar: crença de um Deus monoteísta condutor do povo escolhido para a Terra Promissão, na atualidade vemos a figura do Senhor como um personagem demasiadamente próximo aos interesses humanos. Aparentemente se preocupa pela possível aparição de um competidor, e assinala que se o homem prova o fruto da árvore, seria como um deus conhecendo o bem e o mal.

A intervenção dos celestes - Livro de Enoch

No "Livro de Enoch" era menciona uma série de intervenções dos chamados "Elohim" ou "Celestes" aos quais se refere também o Gênesis, que inclusive chegam a procriar com as "filhas dos homens".

O Livro de Enoque é um dos maiores pseudo-epígrafos, grandemente conhecido pela sua versão em etíope e mais tarde as traduções gregas dos capítulos I-XXXII, XCVII-CI e CVI-CVII, bem como de algumas citações importantes feitas por Georgius Syncellus, o autor bizantino. Teria sido escrito por Enoque, ancestral de Noé, contendo profecias e revelações. O Livro de Judas cita um trecho desta obra .

Em Qumram, foram encontrados na Gruta 4, sete importantes cópias que foram atestadas pela versão Etíope. Estas cópias embora que não idênticas na totalidade foram encontradas em conjunto com cópias do Livro dos Gigantes referenciadas no capitulo IV do Livro de Enoch.

As cópias de Qumram foram catalogadas com as referências 4Q201-2 e 204-12 e fazem parte da herança deixada pela comunidade Nazarita do Mar Morto, em Engedi.

O Livro de Enoque também é chamado de Primeiro Livro de Enoque. Existem outros dois livros chamados de Segundo Livro de Enoque e Terceiro Livro de Enoque, considerados de menor importância.

Toda esta sorte de enredos parece mais própria de seres humanos, ou ao menos materiais, e impulsionaram a muitos autores a conceber a idéia de que o Senhor e seus "Elohim' foram civilizadores cósmicos atuando segundo um delineamento e interesses próprios. O "paraíso" edênico poderá ser interpretado, segundo isto, como uma região reservada na qual foram efetuadas as primeiras experiências com seres humanos, até que o processo ficou fora de controle após uma intervenção externa, talvez promovida pelos próprios "Elohim" servidores do Senhor.

Esta especulação ainda demonstrável nos conduz a outras transmissões mais ou menos alegóricas, nas quais sempre joga um destacado papel a crença em um lugar material ou não, que se encontra oculto ou foi irremediavelmente perdido, e é miticamente regido por um personagem ou assembléia de indivíduos iniciados em certos conhecimentos esotéricos.
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MensagemAssunto: Re: GRANDES MISTÉRIOS - Os Paraísos Perdidos   Sex Abr 30, 2010 8:46 pm

Os Paraísos Perdidos - V

Hiperbórea, o paraíso do grande norte

De acordo com a tradição da mitologia grega, os Hiperbóreos eram um povo mítico vivendo no extremo norte da Grécia, próximo aos Montes Urálicos. Sua terra, chamada de Hiperbória (do grego ύπερ, hiper, "super" ou "além"; e βόρεια, bóreia, "norte"; traduzido como "além do bóreas" [bóreas, o vento norte]), era perfeita, com o sol resplandecente 24 horas por dia.

Os gregos pensavam que Bóreas, o deus do vento norte, vivia na Trácia. A Hiperbórea, portanto, era uma nação desconhecida, localizada na parte norte da Europa e da Ásia. Exclusivamente entre os Olímpios, apenas Apolo era venerado pelos hiperbóreos: o deus passava os invernos junto a esse povo.

Esses últimos enviavam presentes misteriosos, embalados em palha, que primeiro chegavam a Dodona e depois eram passados de povo em povo até chegar ao tempo de Apolo em Delos (cf. Pausânias). Teseu e Perseu também visitaram os hiperbóreos.

Devemos referir-nos brevemente à possível etimologia do termo "paraíso'', em sua acepção relacionada com uma terra maravilhosa na qual moravam pessoas privilegiadas.

Segundo indicam alguns especialistas, teria sido utilizado pela primeira vez para designar o reino perdido do extremo oriente, o Agartha, cujo nome em sânscrito era "Paradesha", a "Comarca Suprema", onde haviam sido preservados conhecimentos de enorme antiguidade provenientes de outras humanidades desaparecidas. De tal denominação derivou "paradiso" e "paraíso" como centro espiritual à margem de nossa realidade. Por outro lado, nas mitologias dos povos nórdicos encontramos uma significativa crença em Tula ou Thule, cidade que regia os destinos de Hiperbórea, mais primitiva ainda que "Paradesha".

Em todo o mundo conhecemos muitos lugares para os quais está sendo utilizada esta palavra e que derivam dela como Toulon, Tulle, Tolosa e inclusive a cidade mexicana de Tula, fundada como se diz pelos toltecas sobreviventes do suposto continente que desapareceu engolido pelas águas do Atlântico.

A grande inundação

Há vários milhares de anos aconteceu um cataclismo de proporções gigantescas ao qual se referem as mitologias dos povos mais diversos. A "Grande Inundação", o "Dilúvio", destruiu boa parte da humanidade civilizada e houve outras que dispersaram os sobreviventes. No entanto, as regiões setentrionais não foram demasiadamente afetadas e os povos nórdicos salvos deste cataclismo iniciaram urna evolução cultural muito rica, criando o que a tradição denominou Hiperbórea, o continente paradisíaco dos ários.

Segundo a lenda, este paraíso, construído com pedras de cristal rodeado por altas muralhas de gelo, qual imenso iceberg, é localizado na Groenlândia, a "Terra Verde" dos povos do norte. E claro que o conceito em nada se assemelha à realidade atual. Se este lugar existiu em algum tempo, desapareceu por completo, e se foi um estímulo arquetípico, cumpriu perfeitamente sua função. E constante a relação de Hiperbórea com o frio, a incrível brancura de seus inacessíveis prédios e a presença dos misteriosos ário.

A ilha branca da índia

Algumas zonas geográficas bem longínquas desta tradição conservam recordações sobre a mesma e deste modo encontramos que na índia se conhecia a região dos "bem-aventurados" como "Shwetadwipa", a "Ilha Branca", localizada no grande norte, que nos leva a identificá-la como a Tule hiperbórea.

Em tal lugar, elevava-se a "Montanha Branca" ou "Montanha Polar", coincidente com a Ursa Maior, morada simbólica dos sete sábios, cujo número é tradicionalmente venerado em muitas iniciações esotéricas.

Certas obras consideradas por seu conteúdo como reveladoras de grandes mistérios, mencionam a existência de tal região. O "Livro de Enoch", que se diz descoberto na Abissínia por um pesquisador escocês, Jacques Bruce, no século XVIII, é uma obra profética que narra a história das sucessivas raças humanas e sua relação com os seres divinos, tudo isso acompanhado por um bom número de referências astronômicas e cósmicas muito estranhas.

Principalmente, vemos com assombro a relação mantida entre os chamados "anjos" enviados do Senhor, procedentes do Cosmos, e os seres humanos. Aqueles contemplam com satisfação a beleza das mulheres, o que lhos impulsiona a coabitar, gerando a raça dos gigantes, e assim os descreve no capítulo XII.
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MensagemAssunto: Re: GRANDES MISTÉRIOS - Os Paraísos Perdidos   Sab Maio 01, 2010 9:18 pm

Os Paraísos Perdidos - VI

Iniciação e paraíso sumério: a epopéia de Gilgamés

Da mesma forma que outros povoadores da área da mesopotâmia, a civilização suméria elaborou todo um conjunto de cosmogonias e teogonias que incluíam desde a criação do mundo, o aparecimento do homem, a "grande destruição" ou dilúvio e a existência de regiões prediletas dos deuses nas quais era conservado o segredo da imortalidade.

São muitos os aspectos de interesse das diversas culturas que se sucederam entre o Tigre e o Eufrates e assombrosos pela classe de iniciadores que os informavam.

Nos textos decifrados das tábuas sumérias se indica que a instituição da realeza "descendeu do céu", da mesma forma que seus emblemas, a tiara e o trono, inclusive quando sobreveio o dilúvio.

A a terra ficou devastada, foi trazida pela segunda vez desde o céu.

A divindade e seus servidores encontravam-se então muito próxima de sua criação humana e assim a Babilônia, uma das cidades estado mais características da área, recebe seu nome de "bâb-ilâni", a "porta dos deuses" posto que marcava o ponto em que os deuses descendem à Terra.

Existe todo um complexo sistema de correspondências entre o céu e a terra que fazia compreessíveis as realidades materiais influídas por seus protótipos celestes.

Prospecções nos pólos

As pesquisas e sondagens levadas a cabo por cientistas americanos nas regiões polares deram como resultado a detecção, por sonda, de todo um imenso continente com seus diferentes acidentes geográficos, desaparecido sob capas de gelo de centenas de metros de espessura.

Em outro tempo, os pólos possuíam um clima mais benigno, incluindo flora e fauna de temperaturas quentes.

Foram descobertos restos fósseis de plantas e animais correspondentes a zonas temperadas, o que evidencia a drástica transformação climática sofrida no Ártico.

Segundo indicam as tradições, os hiperbóreos de Thule transmitiram sua herança cultural a celtas, vikings e germânicos, conservando deste modo a crença em uma região muito ao norte onde cresciam verdes pastos, a caça era abundante e sua temperatura era cálida.

O que impressiona no tocante à Hiperbórea é que a região era uma das muitas terrae incognitae nos mundos grego e romano antigos, onde Plínio e Heródoto, bem como Virgílio e Cícero, relataram que ali as pessoas atingiam idades de mil anos e gozavam de vidas permeadas de completa felicidade.

De acordo com Heródoto (4.13), os hiperbóreos viviam para além dos Arimáspios e foram visitados por Aristeas, de quem se diz haver escrito um poema em hexâmetro (hoje perdido) falando daquela raça. Heródoto relata que também Hesíodo menciona os hiperbóreos, "e também Homero em sua Epígones, se é que tal trabalho dele realmente veio." Além disso, dizia-se que o sol nascia e punha-se apenas uma vez ao ano na Hiperbórea; e ali havia quantidades massivas de ouro, guardadas pelos grifos.

Diz-se que a Groenlândia, então livre de gelos, formava três ilhas principais e que inclusive os tão debatidos mapas de Piri Reis ainda conservam o traçado de suas costas: seria a chamada "Terra Verde" dos mitos.

Durante milhares de anos foi conservada viva a tradição do "Paraíso dos Ários" desaparecido entre os gelos, porém hoje, à margem de sua lenda, nada nos confirma sua existência.
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MensagemAssunto: Re: GRANDES MISTÉRIOS - Os Paraísos Perdidos   Ter Maio 04, 2010 9:53 pm

Os Paraísos Perdidos - VII

O herói de Uruk

Uruk foi uma das mais antigas e importantes cidades da Babilônia. Dizia-se que suas muralhas haviam sido construídas por ordem de Gilgamesh, que, diz-se, também mandou erguer o famoso templo de Eana, dedicado à Inana, ou Ishtar.

Os extensos registros sobreviventes do templo, pertencentes ao período Neo-Babilônico, documentam a função social do templo como um centro de redistribuição social. Em tempos de fome, famílias podiam enviar crianças ao templo como oblato.

As descrições sobre criaturas semi-humanas que infundiram determinados conhecimentos misturando-se com os colonizadores caldeus, vem confirmada por historiadores astrônomos ;contemporâneos como Beroso.

Entre estes particulares antepassados, situa-se Oannes, deus e civilizador babilônio, representado na forma metade peixe, metade homem, com duas cabeças e possuidor da palavra. Surgia a cada dia das águas para transmitir conhecimentos sobre agricultura, ciência, arte, etc., que impulsionaram a civilização mesopotâmica.

Neste contexto, com milhares de influências "exteriores" toma compor uma das máximas criações literárias sumérias, que faz expressa referência ao paraíso mesopotâmico, é a "Epopéia de Gilgamés".

Este herói, rei da cidade de Uruk, mantém um combate com um ser de gigantesca estatura chamado Enkidu, que havia sido criado pelos deuses para lhe acabar.

Gilgamés vence, e faz amizade com seu inimigo que o ajudará, a partir desse momento, em toda uma série de aventuras heróicas. Ao morrer seu amigo por causa da maldição lançada pela deusa Ishtar, Gilgamés decide ir à busca da imortalidade, para o que deve encontrar Utnapishtim, o único sobrevivente do dilúvio, que vive para sempre.

O processo de iniciaçao

Sua viagem está repleta de provas iniciáticas, que influenciaram a mitologia de outros povos, como a do herói helênico Herakles, buscador da "maçã de ouro".

Através de sua aventura, Gilgamés se vê forçado a efetuar a travessia do túnel que atravessa o Sol cada dia, guardado pelos homens escorpiões, e depois de doze horas de marcha na escuridão, sai do outro lado encontrando-se com um jardim maravilhoso. arremedo do paraíso.

Ali a ninfa Siduri, à qual este interroga sobre o paradeiro do imortal Utnapishtim, trata de persuadir-lhe de seu propósito fazendo-o ver as excelências do jardim paraíso: "Gilgamés, incha teu ventre e goza dia e noite. Faz de cada dia uma festa e dança e brinca dia e noite...".

Mas o herói vence esta tentação, chegando finalmente até o procurado Utnapishtim, que o põe à prova novamente e então é derrotado, perdendo a possibilidade de transformar-se em um dos imortais.
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MensagemAssunto: Re: GRANDES MISTÉRIOS - Os Paraísos Perdidos   Seg Maio 10, 2010 3:56 pm

Os Paraísos Perdidos - VIII

Hércules - Paraíso e imortalidade

Hércules (em Roma) ou Héracles (na Grécia) era filho de Alcmena (uma mortal) e de Zeus (Júpiter). Este disfarçou-se como seu legítimo esposo, Anfitrião, que se achava ausente na guerra de Tebas. Ao nascer, Zeus, para torná-lo imortal, pediu a Hermes que o levasse para junto do seio de Hera, quando esta dormia, e fizesse-o mamar. A criança sugou com tal violência que, mesmo após Hércules ter terminado, o leite da deusa continuou a correr e as gotas caídas formaram no céu a via-láctea e na Terra, a flor-de-lis.

Novamente encontramos que a crença em uma região paraíso na qual brota uma série de dons imortais, principalmente o poder da imortalidade ou a luz do conhecimento, é comum a quase todos os mitos do paraíso, e se em uma determinada tradição seus dons procedem do dourado fruto de uma árvore maravilhosa, em outra se converte em um cálice, o Grial sagrado, ou em algum manancial de águas puríssimas que proporcionarão ao iniciado o regresso e a recuperação de uma série de valores perdidos. Praticamente a formulação é a mesma, o grande segredo somente é acessível através de uma longa série de provas ou iniciações em determinados mistérios.

O mesmo mito, repetido por outros personagens, tornamos a descobrir na antiga Grécia, sob o nome de " Jardim das Hespérides", onde cresce a árvore das maçãs de ouro.

Hércules, à busca do paraíso

A antiga Hélade conserva uma das mitologias mais completas e diversas que são conhecidas, desde a existência própria do monte Olimpo, morada dos deuses, perfeitamente localizado na geografia, até os conflitos que enfrentam seres sobrenaturais e homens, todo o rico panorama da mitologia grega, resulta muito próximo às próprias paixões da espécie humana.

Os deuses e suas criações manifestam um contínuo estado de relação que somente se vê roto em contadas ocasiões.

Alguns estudiosos sugeriram que determinadas partes dos mitos helênicos transmitem informações iniciáticas para os que possuem a chave de seu deciframento; e em nosso caso, os denominados "Trabalhos de Herakles ", servem como pano de fundo a um conhecimento de ordem superior, situado unicamente ao alcance de contados indivíduos ou adeptos de ordens esotéricas.

Fulcanelli, o autor alquimista, afirma que este relato serve ao "conhecedor" para estabelecer os passos a seguir na consecução da "Grande Obra", a busca do Velo de Ouro, a pedra Filosofal. Sigamos, pois, a prova de Herakles em sua busca do paraíso onde cresciam maçãs de ouro.

As façanhas do filho de Zeus

Herakles é considerado na mitologia como a personificação da força física e lhe é atribuída a fundação dos Jogos de Olímpia. E representado na plenitude do vigor, com poderosíssima musculatura e apoiado em sua pesada maça (arma antiga), encontrando-se a seu alcance qualquer sobre-humana empresa. A antiga Grécia sentia veneração por suas façanhas e desde Tabas e Argos irradiava sua lenda.

E o próprio pai dos deuses, Zeus, quem o engendra com o propósito de encontrar um protetor tanto para os seres humanos quanto para Os imortais.

A Herackles surge um competidor, Euriste°, falo que será forçado a efetuar os famosos "doze trabalhos" ou provas de iniciação. Em uni deles, o herói se encaminha para o jardim das Hespérides, que eram filhas de Atlante de Hesperis, e guardavam a árvore das maçãs de ouro do fabuloso jardim localizado na extremidade ocidental do mundo, mais além do rio Oceano.

Conto antes fizera Gilgamés, Herakles acorre a Nem), o deus profético, para que lhe indique a forma de chegar até o paraíso. Após uma série de aventuras, entre as que se encontra a morte no Cáucaso de águia que devorava as entranhas de Prometeu, chega ao "Jardim das Hespérides".
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MensagemAssunto: Re: GRANDES MISTÉRIOS - Os Paraísos Perdidos   Sab Maio 15, 2010 5:28 pm

Os Paraísos Perdidos - IX

Coincidências com o Gênesis

Gênesis é o primeiro livro da Bíblia. Faz parte do Pentateuco, os cinco primeiros livros bíblicos, cuja autoria é, tradicionalmente, atribuída a Moisés (em hebraico, משה, Moshê). Gênesis (que significa “Origem; Nascimento”) é o nome dado pela Septuaginta ao primeiro destes livros, ao passo que seu título hebraico Bereshit (No Princípio) é tirado da primeira palavra na sua sentença inicial.

Todas as informações contidas no livro de Gênesis relacionam-se com eventos que acredita-se que ocorreram antes do nascimento de Moisés. Narra acontecimentos, desde a criação do mundo, na perspectiva judaica, passando pelos Patriarcas hebreus, até à fixação deste povo no Egipto, depois da história de José.

Ali arremete contra o dragão Ladon que guardava o acesso e o inata. Recolhe então o dourado fruto da árvore situada em meio deste paraíso e presenteia as maçãs à sábia Atenea, que ao final as restitui a seu lugar de origem.

Descobrimos uma série de coincidências com a tradição generalizada em torno do paraíso e principalmente com as crenças estabelecidas no Gênesis.

Este famoso jardim não o vigiam querubins com espadas flamejantes, mas um dra
gão e duas mulheres filhas de Atlas, que segundo a mitologia grega, era quem mantinha a Terra sobre suas costas (dele procede o termo atlante, repetindo-se esta conexão em outros mitos).

Outra coincidência com a epopéia suméria que citamos, é que o paraíso grego pertence a uma região muito isolada no ocidente e para chegar até ela são necessários bons ofícios de um ser sobrenatural, Nereo.

Indubitavelmente, o caráter mais importante da aventura com as Hespérides o oferece a presença de uma árvore da qual pendem algumas maçãs de ouro, que são entregues à deusa Atenea, a dispensadora do saber, e que possui todo o conhecimento, quem com juízo acertado reintegra a truta simbólica à árvore da "Ciência do Bem e do Mal'', como o afirma em outro contexto com o Gênesis.

A maçã de ouro

Se nos fosse factível algum tipo de interpretação sobre o mito, diríamos que através de uma série de imagens é explicada a busca da maçã do conhecimento superior, empreendida por alguns homens escolhidos em nosso remoto passado.

Da mesma forma que o símbolo do Graal, que para os albigenses e cátaros era fonte de um saber hoje praticamente perdido, a maçã de ouro é o conjunto da grande tradição que foi proporcionada pelos primeiros iniciadores das culturas mais destacadas, quando a 'Ferra ainda conservava seu estado original.

Eles, os mestres do cosmos, puseram a nossa disposição um saber que resultava muito superior à circunstância evolutiva da espécie e haveriam de reintegrá-lo a seu lugar de procedência. De fato, foi produzido um desmanche entre a situação criada artificialmente por uma intervenção externa e a natureza objetiva do homem nesse instante concreto.

De algum modo, tão destacado acontecimento de uma série histórica não contida nos manuais, foi estendido às mais diversas culturas, atuando como catalizador para os poucos que ainda conservavam esse fio da tradição tecido por Ariadne.

O paraíso, como vivência material em um princípio e com posterioridade convertido em algo eminentemente espiritual, foi tratado por muitas mitologias e oferecido pela prática totalidade das religiões e seus adeptos.

A atração que exerceu esse insólito lugar impregna povos tão antigos como os celtas, dos quais conservamos algumas tradições e uma cultura megalítica insuficientemente conhecida.
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MensagemAssunto: Re: GRANDES MISTÉRIOS - Os Paraísos Perdidos   Ter Maio 18, 2010 9:47 pm

Os Paraísos Perdidos - X

"Tir-Nan-Og": Terra da juventude

A arqueologia tratou de estudar os traços dos chamados povos celtas ao longo de seus périplos pelo continente europeu. São atribuídas os mesmos as culturas dos "túmulos" na França em começos da Idade de Bronze e inclusive são contemplados seus traços nos "campos de urnas" da Europa Central.

A consolidação de sua cultura entre os séculos V a IV a.C. produz como resultado a sedimentação de suas primeiras criações mitológicas e histórias próprias.

Atualmente conhecemos parte delas através das inscrições e tábuas votivas, por meio dos manuscritos gauleses, irlandeses e escoceses que datam de época muito posterior, da mesma forma que pela tradição bárdica dos trovadores e as narrações de origem popular.

Por último, alguns historiadores romanos citam determinadas crenças que completam nossas parciais fontes informativas.

A aventura dos povos célticos

Entre tais histórias, o "Livro das Invasões" ou Lebar Gebala" menciona uma série de ciclos sobre a origem e peripécias dos povos célticos da Irlanda.

Esta obra foi completada até o século XVI, recolhendo-se parte da tradição oral. Nela é indicado que a Irlanda foi povoada em princípio pela rainha maga Cessair, mas pouco depois toda sua gente pereceu.

Após uma série de novas raças comandadas por indivíduos dedicados à guerra, como o príncipe Partolon, que dirigia aos "Filhos de Nemred"; desde as "Ilhas do Oeste", onde praticavam a magia, chegaram os Tuatha de Dannan, que eram de raça divina.

Trouxeram consigo diversos talismãs, como a "pedra de Fal" que gritava ao sentar-se nela o legítimo rei da Irlanda e em pouco tempo se fizeram donos da situação. Mas os de Dannan tiveram logo sérios competidores, provocando tremendas guerras que os obrigaram a ir embora.

No último combate foi negociado um armistício pelo qual os Tuatha de

Dannan cederam a ilha de Erin e se retiraram para o país do "Mais Além", não exigindo mais compensação que cerimônias de culto e sacrifícios.

O plano da Alegria

Ao abandonar a Irlanda os de Dannan, uma parte foi buscar refúgio em uma região no confim do mar Ocidental, denominada Mag Mel ("Plano da Alegria") ou Tir-Nan-Og ("Terra da Juventude").

Nesta região particular os séculos eram contados por minutos, seus habitantes nunca envelheciam, seus prados estavam cobertos por flores eternas e, em lugar de água, pelos rios corria hidromel. Segundo diz a tradição, os guerreiros tinham comidas e bebidas maravilhosas e suas companheiras eram de rara beleza.

Este paraíso céltico possuía pontos notáveis de contato com o país mágico dos Hiperbóreos, descrito por Diodoro de Sicília, que na mitologia saxônia se refere a Avallon (a "Ilha das Maçãs"), onde repousam os grandes heróis e reis defuntos.
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MensagemAssunto: Re: GRANDES MISTÉRIOS - Os Paraísos Perdidos   Qua Maio 26, 2010 10:53 pm

Os Paraísos Perdidos - XI

"País dos mortos", o paraíso da dor

A busca permanente de explicações à condição humana polarizada entre o conhecimento e a morte ou dissolução, compôs e deu princípio aos paraísos da dor.

Carente de soluções definitivas, o homem de todas as culturas que sucederam no planeta tratou de encher seu vazio formulando determinados mitos com os quais proporcionava tranqüilidade a suas dúvidas.

A crença em um lugar de superior beleza e sabedoria, imutável ao sobrevir, que respondesse a suas necessidades de satisfação espiritual neste mundo, deu como resultado por oposição o nascimento do "País dos Mortos", no qual repousam ou sofrem aqueles que no mundo foram. Se aprofundarmos em algumas dessas crenças, comprovaremos a concordância com o "paraíso" material e espiritual dos vivos.

O ensinamento do Livro dos Mortos

Livro dos Mortos é a designação dada a uma coletânea de feitiços, fórmulas mágicas, orações, hinos e litanias do Antigo Egipto escritos em rolos de papiro e colocados nos túmulos junto das múmias.

O objectivo destes textos era ajudar o morto na sua viagem pelo mundo subterrâneo, afastando eventuais perigos que este poderia encontrar na viagem que o levaria para o Além. Embora não tenha sido escrito como livro de síntese teológica, constitui uma das principais fontes para os investigadores modernos para o estudo e compreensão da religião egípcia.

Entre as dinastias que sucessivamente governaram o antigo Egito, o culto à sobrevivência depois da morte faz parte essencial de seu campo de crenças; boa prova disso é a arquitetura de templos e tumbas desenvolvida para a conservação dos restos do defunto.

No ano de 1600 antes de Cristo apareceram as primeiras alusões ao chamado "Livro dos Mortos", que compõe uma coleção de textos dedicados ao juízo do mais além, que tem lugar na maneira de uma vista terrena com o fim de facilitar ou recusar o acesso ao "Campo da Satisfação", do deus Osiris.

Tudo isto é conseqüência da idéia de que o defunto possuía uma forma de espectro de existência que podia influenciar positiva ou negativamente sobre seus parentes. As preciosas pinturas e textos sobre papiro que foram conservados até o presente, explicam-nos o desenvolvimento de tão obrigatória passagem ao "Paraíso do Mais Além".

Depois de transpassar com a proteção de talismãs e conjuros a temível região que separa este Mundo do reino dos mortos, o defundo é conduzido à presença de Osíris, localizado ao fundo de uma imensa sala denominada "da dupla justiça".

Em uma balança de grandes dimensões, a deusa Maat, divindade da justiça e da verdade, pesará o coração do defunto, após ser examinada sua consciência em determinados pontos por parte de alguns juízes com forma semi-humana.

Após a "psicostasia" ou "avaliação da alma", e se a balança ficou equilibrada, Osíris dará passagem a seu reino, onde sua existência continuará com satisfação, apesar de ser obrigado a trabalhar nas posses do deus.

A crença, portanto, em um paraíso do mais além, estava justificada para os egípcios como continuação da vida terrena e acontece do mesmo modo em outros mitos separados pelo tempo e a distância.
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MensagemAssunto: Re: GRANDES MISTÉRIOS - Os Paraísos Perdidos   Qui Jun 03, 2010 4:30 pm

Os Paraísos Perdidos - XII

Hades - Tártaro - Éliseu: Paraíso das profundezas

Hades (Ἄιδη em grego) era um deus de poucas palavras e seu nome inspirava tanto medo que as pessoas procuravam não pronunciá-lo.

Era descrito como austero e impiedoso, insensível a preces ou sacrifícios, intimidativo e distante. Invocava-se Hades geralmente por meio de eufemismos, como Clímeno (o Ilustre) ou Eubuleu (o que dá bons conselhos). Seu nome significa, em grego,o Invisível, e era geralmente representado com o capacete que lhe dava essa faculdade, que ele ganhou dos ciclopes quando participou da luta contra o pai e os titãs.

No fim da luta contra os titãs, vencidos os adversários, Júpiter, Netuno e Plutão partilharam entre si o império do universo. Júpiter ficou com o céu e a terra. Netuno herdou o reino dos mares e Plutão (Hades) tornou-se o deus das profundezas, dos subterrâneos, dos infernos.

Em alguns autores da Grécia clássica se faz menção expressa à existência de regiões subterrâneas às quais se dirigem os heróis mortos.

Quando o deus grego,Cronos é vencido por Zeus em uma batalha junto aos Titans, reina sobre as distantes ilhas dos "Todo-poderosos ou Bem-Aventurados" e isto o narra Hesíodo em sua "Teogonia".

Na mesma obra, Cronos reside também no Tártaro, região subterrânea e escura, imagem negativa do paraíso dos "He-roas".

Na "Ilíada" e "Odisséia" tal lugar é denominado o "Hades" que é diferenciado do "Tártaro" na medida em que este último se encontra em maior profundidade. Disse Homero que a distância entre ambas as regiões é tão grande como a que media entre a Terra e o Hades.

Hades era conhecido como o reino dos mortos ou simplesmente o submundo. Este era um lugar onde imperava a tristeza. Hades era senhor do submundo e usa-se seu nome para designar também a região das profundezas, Erebus.

Vírgilio localiza a entrada da morada dos mortos; é perto do Vesúvio. Uma região vulcânica que sofre tremores e despreende um cheiro terrível vindo das profundezas. Assim ele descreve a ida da Sibila com Enéias ao Hades. Lá dentro, há que passar pelos Pesares, as Ansiedades, as Enfermidades, a Velhice, o Medo, a Fome, o Cansaço, a Miséria e a Morte. Depois se enfrenta as Fúrias, a Discórdia, Briareu de cem braços, as hidras e quimeras.

Assim se chega ao negro rio Cócito onde está o barqueiro Caronte, velho e esquálido. Em seu barco ele transporta as almas de todos, sejam heróis, jovens, velhos, virgens, homens ou mulheres.

A outra margem do rio era guardada pelo feroz cão tricéfalo Cérbero, que deixava entrar as almas, mas nunca sair. Seguindo a estrada onde vagueiam as almas dos que não foram devidamente sepultados, mais a frente, existe um caminho que se divide. Um lado leva ao Elísio e outro às regiões dos condenados onde corre o rio Flegeton. O abismo do Tártaro é onde habitam as almas desgraçadas que ali enfrentam todos os suplícios.

Os Campos Elíseos era um belo lugar onde moravam as almas dos heróis, santos sacerdotes, poetas. Também havia um vale por onde corria o rio Lete e onde as almas dos que iam voltar à Terra esperavam por um corpo, no momento devido.

Plutão habitava um palácio circundado por um bosque de álamos e salgueiros estéreis. O solo era recoberto de asfódelo planta das ruínas e dos cemitérios.

Estas crenças e mitos foram evoluindo ao longo do tempo, forçados pelos crescentes conhecimentos geográficos.

A delimitação da Europa e África com a consciência clara de que a oeste se estendia o imenso oceano, deu como resultado a modificação da morada onde residiam os mortos. Deste modo, as mencionadas ilhas dos Bem-aventurados foram fundidas em uma só, onde se estabeleceu a fortaleza de Cronos, que igualmente residia no Tártaro.

Dita beleza no Éliseu

Este lugar, fechado com portas de bronze, era onde se retinha os que haviam cometido algum crime contra os deuses.

Era rodeado de uma tripla muralha que era percorrida por um rio. Ali eram encontrados presos os "Gigantes" como Ticio, que era comido por.abutres; Tântalo, com fome e sede perpétuas; Ixion, atado a uma roda de fogo que girava pelos ares, e outros.

Como contraposição, o Eliseu não conhecia nenhum tipo de inclemência nem dor. No lugar reinava uma felicidade e beleza permanentes que em princípio eram reservadas para os deuses, mas depois se fez extensiva aos vencedores olímpicos e às almas justas.
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MensagemAssunto: Re: GRANDES MISTÉRIOS - Os Paraísos Perdidos   Ter Jun 08, 2010 9:25 pm

Os Paraísos Perdidos - XIII

Paraíso escatológico do "Zend-Avesta" - Zaratrusta

Entre os povos indo-iranianos foi desenvolvido igualmente um conjunto de crenças esclarecedoras da indefesa do homem frente a seu destino.

Para isso surgem as regiões onde é produzida uma "existência melhor", literalmente em linguagem persa "wahista ahu". Este termo dará lugar ao de "bihist" ou "paraíso".

Avesta é o nome das mais antigas escrituras do zoroastrismo, da Pérsia que datam de 500 a.C..

A base do Avesta é um conjunto de hinos (ou gathas) que falam do deus criador Ahura Mazda.

Nos textos de caráter litúrgico do "Avesta", coleção de escritos sagrados ditados por Zoroastro no século VII antes de Cristo, se diz:

"Adoramos os radiantes âmbitos de Asa (a Verdade), onde moram as almas dos mortos... Adoramos a existência melhor dos asavenes (possuidores da Verdade), luminosos e donos de todas as coisas gratas" (Yasna, 16,7).

E refletido, pois, em suas doutrinas o convencimento de que o conteúdo espiritual do defunto formará ou será integrado ao menos parcialmente na "existência melhor", bem-aventurada do paraíso.

O zoroastrismo contempla identicamente um processo de juízo ao defunto que abandonou este mundo, no qual depois de permanecer seu cadáver três dias imóvel, seu espírito atravessa a ponte "Cinvat", submetendo-se à pesagem de suas obras pelo justo Rasn. Os fatos positivos serão apresentados em forma de uma bela mulher; e se vencer na balança acessará à luz eterna dos bem-aventurados. Caso contrário, será conduzido às regiões infernais dirigidas por um demônio.

Segundo a lenda, Zaratustra, nascido de uma virgem, deu uma grande gargalhada ao nascer. A natureza inteira se regozijou com a sua vinda ao mundo. Desde tenra idade, ele possuía uma sabedoria extraordinária, manifestada em sua conversação e em sua maneira de ser. Aos sete anos já teria começado a cultivar o silêncio.

A sua vida foi salva muitas vezes dos inimigos que queriam martirizá-lo a fim de que não chegasse à maturidade e cumprisse a sua missão divina. Aos quinze anos de idade, Zaratustra realizou valiosas obras religiosas e chegou a ser conhecido por sua grande bondade para com os pobres, anciãos, enfermos e animais.

Dos 20 aos 30 anos, Zaratustra viveu quase sempre isolado, habitando no alto de uma montanha, em cavernas. Em outros relatos, teria ido ao deserto, onde fora tentado pelo diabo, mas não sucumbiu à tentação – de modo semelhante a Jesus, nos 40 dias de provação no deserto. Após sete anos de solidão completa, regressou ao seu povo, e com a idade de 30 anos recebeu a revelação divina por meio de sete visões ou idéias.

Assim começou Zaratustra a sua missão aos 40 anos (a mesma idade em que o Zaratustra de Nietzsche iniciou a dele).

Segundo os masdeístas (adeptos da religião do Irã antigo, revelada ao profeta Zoroastro, e que admite dois princípios: um, bom, deus de luz, criador, e o outro, mau, deus das trevas e da morte, que travam um combate decisivo para o destino da humanidade), encontrou muita dificuldade para converter as pessoas à sua nova religião: segundo a tradição, em dez anos de pregação teve apenas um primo como seguidor.

Foi perseguido e hostilizado por toda a sorte de inimigos (especialmente sacerdotes) ao longo de dez anos. Os governantes recusaram dar-lhe apoio e proteção e encarceraram-no porque a sua nova mensagem ameaçava a tradição e causava confusão nas mentes de seus súditos.

Segundo a tradição, om 40 anos, realizou milagres e preocupava-se com a instrução do povo. Converteu o rei Vishtaspa, que se tornou um fervoroso seguidor da religião por ele pregada, iniciando a verdadeira difusão dos ensinamentos de Zaratustra e de uma grande reforma religiosa.

Logo em seguida, a corte real seguiu os passos do rei e, mais tarde, o masdeísmo chegou a ser a religião oficial da Pérsia. No império dos reis Sassânidas, principalmente no de Ardashir (227 a.C.), o chefe religioso era a segunda pessoa no Estado depois do imperador soberano e este, inteiramente de acordo com o antigo costume, era admitido como divino ou semidivino, vivendo em particular intimidade com Ormuzde.

Aos 77 anos de idade, Zaratrusta teria morrido assassinado enquanto rezava no templo, diante do fogo sagrado. Há relatos de que seu túmulo estaria em Persépolis.
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MensagemAssunto: Re: GRANDES MISTÉRIOS - Os Paraísos Perdidos   Dom Jun 27, 2010 6:53 pm

Os Paraísos Perdidos - XIV

Shamblah e Agarthi, paraísos materiais-reinos do oculto

A maior parte de crenças e cultos religiosos do Oriente Próximo, desde o hinduísmo até as crenças de Buda e as próprias manifestações da Tradição Primordial prolongada pelo tempo, fazem menção específica a um reino material utilizado pelo conclave de filósofos e iluminados espirituais como ponto de origem desde o qual aplicam sua atividade ao resto do mundo.

Segundo alguns, esta região coincidirá com um santuário localizado nas montanhas de Tien-Dhan ou "Montanhas Celestes", desde antigamente consideradas como lugar sagrado. A tradição difundida pelos ocultistas do século XIX indica que a cidade profunda, a partir da qual são regidos os destinos do homem e onde se reconhece a verdade como única fonte de vida, é denominada Shambhala, residência dc "Rei do Mundo"

O influxo deste fantástico reino-paraíso é tão poderoso que durante a Idade Média é difundida pela Europa uma mensagem procedente do chamado reino do Preste Juan, muito ao oriente, que coincide com as descrições modernas.

As leis cristãs da época estavam imersas nas guerras desencadeadas para resistir ao poderio muçulmano e recuperar os santos lugares da Palestina. Ao chegarem notícias de um lugar desconhecido, aparentemente governado por um rei-sacerdote que recebia os tributos e fidelidade dos países circundantes, foi produzida uma grande comoção.

Para alguns, o Preste Juan era somente uma lenda produzida para animar as campanhas no Oriente Médio, enquanto que outros afirmavam convencidos a existência do mesmo mais além da Pérsia e Armênia.

O fato confirmado por uma mensagem manuscrita dirigida ao Papa Alexandro III na qual se diz descendente de Melquisedec e "Todo-poderoso de todos os reis da Terra", fazendo pé firme em determinadas crenças religiosas que incluem a Trindade cristã e hindi, é queexistia um reino cristão nos confins da Terra conhecida na época.

O próprio Preste Juan descreve em sua comunicação a capital do reino, à qual chama Orionda a Grande, que seria "a mais formosa cidade do mundo, protegida por um de nossos reis e que recebe o tributo do Grande Rei de Israel.

Estas notícias, da mesma forma que foram acolhidas com esperança, deram passo à dúvida e nunca seriam confirmadas.
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MensagemAssunto: Re: GRANDES MISTÉRIOS - Os Paraísos Perdidos   Qua Jun 30, 2010 11:27 pm

Os Paraísos Perdidos - XV

A coincidência estrutural do mito

A relação de informações sobre as denomina das regiões-paraíso poderia ser muito mais extensa, posto que o mito praticamente forma uma parte destacada da quase totalidade dos povos que deram lugar a tradições culturais, porém as amostras que mencionamos são suficientemente representativas para estabelecer um quadro de concordâncias que nos proporcione indícios de sua origem.

Observando as diversas descrições, aparecem claramente quatro grupos diferenciados quanto à função e destino que possuía esse misterioso, oculto, inacessível ou desaparecido lugar. Algumas tradições afirmam que os deuses e outros seres de características sobrenaturais ha viam criado o homem localizando-o em uma região cujos dons particulares lhe ofereciam a possibilidade de uma vida inalterável e feliz.

Em outros casos, os próprios "celestes" se dão assim mesmo a satisfação de residir entre belíssimos jardins, de modo exclusivo e à margem totalmente das criaturas mortais.

Outros paraísos coincidem mais radicalmente em sua aparência material, são criados por uma civilização humana sobrevivente de algum tremem do desastre, que por seu impulso na busca da transcendência consegue superar suas próprias limitações; e finalmente encontramos àqueles nos quais a busca de respostas últimas ao trânsito da morte gera a crença em um processo de avaliação das ações pessoais humanas, após a qual ter-se-á acesso à bem-aventurança ou, ao contrário, à região onde tudo é dor e ranger de dentes.

Que resposta dão os mitos?

Essencialmente, são estes os cenários nos quais é desenvolvida a crença no paraíso, mas o que obtém o homem de sua busca e a afirmada avaliação de suas idéias e criações a respeito?

A esta interrogação os mitos nos proporcionam uma resposta tripla. De um lado, a esperança de recuperar a felicidade experimentada originalmente. Por outro lado, a superação de nossa condição mortal, fazendo-nos partícipes da natureza imortal dos deuses e, em última instância, o acesso a um conhecimento superior de origem transcendente que dê sentido a todo o universo e a nossa situação nele.

As influências geográficas

Se estudarmos as coincidências estruturais e inclusive o detalhe na quase totalidade da mito-paraíso, descobriremos uma série de influências geográficas transladadas com o movimento migratório ou de conquista de alguns povos.

E evidente que a descrição do paraíso, por exemplo, no Gênesis se vê influenciada pelas lendas sumérias de Gilgamés e sua peregrinação.

Isto nos conduz a supor que tão uniformes tradições culturais, gestionadas em povos de diversas índoles e separadas por distâncias geográficas em certos casos enormes, somente pode ter sido motivada por uma tradição original perdida no remoto tempo que conservamos em retalhos e estes mesmos influenciados pela história e geografia de cada povo.

Muitos seres humanos se sucederam na busca do paraíso, seja este o Éden, os Campos Elíseos, os Jardins de Alcinoo, o Olimpo, o Jardim das Hespérides, Tir-Nan-Og, o Hades, Shambhala ou Agarthi; mas o aprofundamento dos estudiosos nesta crença generalizada talvez influa de modo determinante para que se conheça melhor essa parte da história não escrita ou ao menos escassamente conservada.
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MensagemAssunto: Re: GRANDES MISTÉRIOS - Os Paraísos Perdidos   Hoje à(s) 5:41 pm

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