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 GRANDES MISTÉRIOS - Do Criacionismo à Evolução da Humanidade

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Anarca



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MensagemAssunto: GRANDES MISTÉRIOS - Do Criacionismo à Evolução da Humanidade   Qua Mar 17, 2010 1:16 am

Do Criacionismo à Evolução da Humanidade - I

A lenta porém incessante digestão geológica conseguiu fazer desaparecer da Terra, quase em sua totalidade, as pegadas que através do tempo e desde suas origens foi imprimindo a humanidade. Somente alguns vestígios permitem entrever quem fomos e como, há milhares de anos, as rudes mãos de nossos antepassados puseram em marcha o difícil caminho da cultura e do progresso.

No entanto, ainda que não ofereça realidades concretas, o passado abre as portas às mais sugestivas possibilidades.

A antropologia no sentido de ciência no qual atualmente é concedida, não existia até 1866. Inacreditável; e no entanto, aí estão os fatos: os homens não começaram a preocupar-se em conhecer o que poderíamos ser, e o que fomos até há pouco mais de cem anos. Naturalmente, tal descuido tinha sua razão de ser, e esta, a partir do advento do cristianismo, era simplesmente que não havia porque duvidar da palavra de Deus. Se Deus, no livro do Gênesis, revelava que o homem havia sido fabricado por ele com barro, havia insuflado seu espírito no mesmo, e o havia colocado como rei da criação no jardim do Éden, e de uma de suas costelas havia extraído a Eva, sua companheira, etc., qualquer um poderia atrever-se a dizer o contrário. E senão a ele pessoalmente, a seus representantes na terra.

Em tal clima intelectual restavam muito poucas opções para tentar saber algo mais; por exemplo, porque havia homens de pele clara, outros de tez escura, outros amarelados, e até cobreados, porque havia pigmeus na África e Asia e gigantes na Patagônia. Porém claro, ali estava o livro Sagrado, com toda sua autoridade, para calar a boca dos que puderam vislumbrar nessas variedades. indícios de diferentes origens: no começo Deus criou um único casal humano; em seguida todos os seres humanos, apesar de não serem parecidos demasiadamente entre si, eram filhos de Adão e Eva.

O Criacionismo

Criacionismo é o termo que resume a noção genérica de uma entidade ou entidades inteligentes por trás de eventos como a origem do universo, da vida na Terra ou das próprias espécies.

Dentro do termo "criacionismo", um vasto espectro de hipóteses podem ser enquadradas, visando sustentar interpretação em diversos graus de literalidade de livros sagrados como Gênesis ou o Corão. Existem também versões que não são religiosamente explícitas, rotuladas como hipótese do desenho inteligente (comumente abrevida para DI, ou ID, do inglês, intelligent design), recurso utilizado como tentativa de combate a teorias científicas conflitantes com o fundamentalismo religioso em aulas de ciência, assim que nos Estados Unidos da América julgou-se inconstitucional a introdução do criacionismo religiosamente explícito nas aulas de ciência. Recentemente, novas tentativas têm sido feitas sob uma nova roupagem, advogando pelo que chamam de uma "análise crítica da evolução".

Na maioria das civilizações antigas, tanto como nas atuais, é possível encontrar relatos explicando a origem de tudo como um ato intencional criativo, muitas vezes destacando uma figura central como o originador da vida.

As concepções criacionistas comumente não limitam a ação de um deus à criação do universo e da vida. O Deus judaico-cristão, nas visões criacionistas mais fundamentalistas, interfere no destino do seu povo, enviando o dilúvio, conduzindo os casais de animais para a arca de Noé, mandando as pragas ao Egito, abrindo o Mar Vermelho, parando o Sol para Josué consolidar sua batalha, curando e até ressuscitando pessoas, transformando água em vinho, e mais uma variedade de milagres.

Os princípios do monogenismo

Tal doutrina, que é denominada "monogenismo",( del latín. mono, uma + genus, raça". sistema antropológico que considera todas as raças humanas provenientes de um tipo único primitivo ) foi formulada definitivamente por Santo Agostinho (354-430), de acordo com o dogma cristão herdado dos hebreus, em sua obra "A cidade de Deus", assim: "Nenhum fiel deve colocar em dúvida que todos os homens (qualquer que seja sua cor, estatura, voz, proporções ou outro caracter natural) têm a mesma origem. Ninguém deve aceitar a idéia dos antípodas, isto é, dos continentes dessecados e habitados por homens no lado oposto da terra que pisamos. Ninguém deve crer que o mundo tenha existido milhares de anos antes dos 6.000 que a Sagrada Escritura nos ensina". O bom santo ia algo desencaminhado, pois resulta que a Terra, ao invés dos 6.000 anos e seis dias do relato bíblico (no sétimo dia Deus descansou), conta com a bagatela de 4.500 milhões de anos. Insignificâncias. Aos santos devem ser perdoados todos os despistes; ainda que, neste caso, verdadeiramente, o santo equívoco adquire dimensões de catedral. Mas, como diria Cervantes séculos depois, "com a Igreja tropeçamos, amigo Sancho...", referindo-se a outras insignificâncias que aqui não vêm ao caso. A doutrina de Santo Agostinho dominou, inconstrastada, por umbom milênio. Claro, que esporadicamente surgiu alguma discussão nesses mil anos de estrita observância, por exemplo, em um concílio celebrado sob o reinado de Justiniano (482-565), onde foi estabelecido o problema de se os negros descendiam de Adão e Eva e se tinham direito ou não de converter-se ao cristianismo. Também no ano 748 houve alarme antropológico, e para aplacar ao atrevido monge Virgilius, que sustentava a existência de outros mundos e homens nas antípodas, teve que intervir pessoalmente o mesmíssimo papa Zacarias, que não aceitava contemplações e castigou severamente ao incauto.
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MensagemAssunto: Re: GRANDES MISTÉRIOS - Do Criacionismo à Evolução da Humanidade   Qui Mar 18, 2010 10:01 pm

Do Criacionismo à Evolução da Humanidade - II

Adão e suas Evas

Até o ano 1.100 houve silêncio ortodoxo sobre a questão. O rompeu o filósofo Guillaume de Conches, que teve a desaventurada ocorrência de "supor" que devia de ter havido, para Adão, mais mulheres que a única Eva, e que não havia razões de peso para descartar a idéia dos antípodas. Mal foi ao filósofo, que teve que retratar-se para evitar graves conseqüências para sua incolumidade pessoal; coisa que não conseguiu o judeu Samuel Sarsa, que no ano 1450, foi queimado vivo por haver sustentado que o homem e a Terra tinham muitíssimo mais que os 6.000 anos "oficiais" de idade.

O descobrimento da América e de seus habitantes provocou alterações da ordem estabelecida, até que em 1512 o papa Julio II conciliou a questão decretando que "os ameríndios também descendem de Adão e Eva". Isto não foi suficiente, pois em 1520 o médico suíço Theophrastus Bombast von Hohenheim, mais conhecido como Paracelso (1493-1541) escrevia textualmente que "não é possível admitir que os habitantes das ilhas recentemente descobertas sejam filhos de Adão, e que sejam da mesma carne e sangue que nós.

Moisés era teólogo, mas não físico; atualmente nenhum físico (isto é, médico) pode aceitar o relato de Moisés, e é necessário fiar-se mais no testemunho da experiência". Trabalho para a Inquisição: em 1619 a Luciano Vanini foi cortada a língua e queimado vivo na fogueira, por haver defendido, em seus Diálogos, a hipótese da origem "natural" do homem, e ter recordado, nos mesmos, que talvez os "etíopes" descendessem do mono.

No campo protestante as coisas não iam muito melhor, e o monogenismo continuava sendo a doutrina oficial, apesar da desesperada batalha sustentada por Isaac de La Payrère, com seu famoso livro "Prae-Adamitae" (Amsterdam, 1655), seqüestrado e queimado publicamente em Paris. La Peyrère, baseando-se nas mesmas Sagradas Escrituras, afirmava que Adão e Eva eram somente o casal originário do povo judeu, e que, paralela e anteriormente a ele haviam existido outros homens, que não houve dilúvio universal mas parcial e local, etc.

Adão e Eva na ciência e na religião

A arqueologia, paleontologia e antropologia, estabelecem o aparecimento do Homo sapiens sapiens (o Homem Moderno), a cerca de 160 mil anos atrás, num período geológico muito recente, a partir da África, no Vale de Omo, no Sudueste da Etiópia. A evolução biológica da espécie humana é resultado da adaptação do Homo Erectus (o antepassado do Homem Moderno) ao meio em que vivia. Desde então, o Homo Sapiens vem evoluindo e mutiplicando-se cada vez mais, tornando-se na espécie dominante do Planeta.

Do ponto de vista religioso, esta narrativa é hoje entendida por muitos como enquadrada na época em que foi escrita, e em que os conhecimentos científicos de então, eram bastante reduzidos. Assim sendo, tratou-se apenas de mais uma tentativa de explicar a Origem do Universo e da Humanidade. Tal necessidade é bem evidente nas demais religiões ao redor da Terra.

A Igreja Católica e algumas outras denominações da cristandade reconhecem valor científico à teoria da evolução proposta por Charles Darwin e às descobertas arqueológicas subsequentes. Crêem que a narrativa de Adão e Eva não deve ser interpetada ao pé da letra. Porém, existem muitas denominações cristãs que crêem na criação literal de Adão e de Eva. As religiões islãmicas também crêem literalmente na criação de Adão e Eva. Para outras informações relacionadas, veja também o artigo sobre Criacionismo.

Surge o poligenismo

A hipótese do poligenismo, que seria o aparecimento de diversos casais de um mesmo tronco originários. Esse sistema é contrário à doutrina do pecado original universal e contrário à unidade da História da Salvação. Mas também não é totalmente descartável, e pode, pelos menos, ser aceitável, levando-se em consideração o nome de Adão, “homem”, como gênero humano.

Entendamo-nos: não é que seja importante e decisivo sustentar o monogenismo ou o poligenismo, que nunca poderão ser provados. A questão é polêmica e perigosa em outro sentido, porque, na realidade, o que disfarçadamente é estabelecido com o poligenismo é a possibilidade de estabelecer discriminações entre as raças humanas, naturalmente a favor da raça branca, considerando-a superior a todas as demais. Nessa direção andaram sempre os tiros dos poligenistas posteriores a La Reyrère, que, além disso, aproveitaram a questão antropológica como arma anticlerical.
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MensagemAssunto: Re: GRANDES MISTÉRIOS - Do Criacionismo à Evolução da Humanidade   Dom Mar 21, 2010 12:34 am

Do Criacionismo à Evolução da Humanidade - III

Os caminhos da evolução

Para calibrar bem a importância da reaparição do "evolucionismo" na história do pensamento ocidental, bastam as surpreendentes conseqüências que produziu, e que se prolongam até nossos dias.

Em primeiro lugar, a doutrina oficial do cristianismo católico e protestante transformou-se, paulatina, mas terminantemente: frente ao avanço dos achados paleontológicos, aos teólogos não restou mais remédio que dizer adeus à agostiniana interpretação das Sagradas Escrituras; na realidade, disseram, com intuito de admitir que Deus criou o mundo e o homem, pouco importa que o fizera verdadeiramente há 6000 ou muitos milhares de anos, como sustentam muitos cientistas, e, do mesmo modo, carece de importância que o fizesse amassando barro ou que o homem surgisse por evolução de alguma outra espécie animal; portanto, concluíram, talvez preocupados pela estrita intolerância de seus predecessores, cabe uma nova interpretação do relato bíblico, uma interpretação analógica e não literal.

Claro que a este complexo giro de 360 graus a oficialidade cristã não chegou até o início do século XX, por obra do padre Theillard de Chardin sobretudo, quem, contudo, teve que suportar o inexplicável até ver-se amparado pela autoridade papal.

O que acontecia era que nos seminários os sacerdotes eram instruídos conforme a doutrina dos "seis dias naturais", já não tão somente de Santo Agostinho, mas do mui reverendo padre Suárez (1548-1617) jesuíta espanhol, muito importante no campo da Teologia Moral, ramo do Direito Natural, e já se sabe o que costuma ocorrer quando alguém que não seja do ofício se mete a sapateiro.

Em resumidas contas, contra o evolucionismo trovejou e relampeou desde os púlpitos e desde os opúsculos, desde os confessionários e desde os tratados.

O que estava em jogo era a dignidade do ser humano: é um pouco duro admitir que somos primos ou filhos de um chimpanzé ou de um orangotango; e então, enfim, não nos esqueçamos que o mesmíssimo Albert Von Bollstãdt (ou melhor, São Alberto Magno), mestre de Santo Tomás, chamado o "Aristóteles da Idade Média" admitia que os restos de plantas e animais eram petrificações fósseis de antigos seres vivos que induziam a pensar na possibilidade da evolução.

Seria, contudo, um erro crer que o evolucionismo foi uma das bandeiras de combate dos livres pensadores contra os crentes. Um dos mais encarniçados defensores do criacionismo não evolucionista foi Voltaire (1694-1778), o grande pontífice do Enciclopedismo.

Sua divergência com o pensamento oficial cristão consistia em afirmar que Deus não criou um só casal, mas vários; jamais lhe ocorreu sustentar, como fazem muitos evolucionistas, que Deus não criou nada de nada e que a matéria é eterna e em contínua evolução. Para Voltaire não existia nem transformação nem modificação das espécies, todas elas criadas, e com caracteres permanentes imutáveis e hereditários; e quando lhe perguntavam acerca dos fósseis, sua resposta, invariavelmente, era que se tratava de "singularidades da Natureza".

Outro grande defensor do fixismo" criacionista foi Carlos de Linneu, o pai das modernas Ciências Naturais. Para ele, e as palavras são rigorosamente suas, "o gênero e a espécie são sempre a obra de Deus; as variações são a obra do tempo.

Nada do criado por Deus é destruído; já não são criadas mais espécies, nem nunca foi extinta nenhuma". E para conciliar a questão das evidências fósseis, encolhia os ombros e repetia a célebre frase anti-evolucionista de Leibnitz "Natura non facit saltus", A Natureza não dá saltos.
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MensagemAssunto: Re: GRANDES MISTÉRIOS - Do Criacionismo à Evolução da Humanidade   Sex Mar 26, 2010 12:34 am

Do Criacionismo à Evolução da Humanidade - IV

O enigma dos fósseis

O que alterava o sossego e os sonhos, dogmáticos ou não, dos criacionistas fixistas era a questão dos fósseis. O que podiam ser esses estranhos achados pétreos?

Não eram uma descoberta recente. Sabe-se, segundo relata Estrabom (63-19 a.C.) que Xanthus, em 500 a.C. havia encontrado, em distintos lugares muito longe do mar, certas espécies de conchas e moluscos petrificados, e que estava por isso convencido de que essas terras antes haviam sido mares. Da mesma forma, consta que na Sicília o filósofo Empédocles (430-490 a.C.) havia encontrado ossos fósseis de hipopótamos aos que considerava restos de gigantes desaparecidos.

Por sua parte, Heródoto (484-425 a.C.), comentando os ensinamentos recebidos no Egito pelos sacerdotes de Menfis, Tebas e Heliópolis, escrevia: "Não me custa, pois, nenhum trabalho acreditar no que me foi dito, penso que a origem o Egito pode ser um amplo golfo que levava as águas do Mediterrâneo até a Etiópia, e como prova disso tenho as conchas que são encontradas nas montanhas".

Naturalmente continuaram sendo encontrados restos fósseis desde os tempos de Heródoto em diante; mas era muito difícil que se conseguisse com eles construir e defender uma teoria claramente evolucionista; sempre houve um certo horror instintivo por parte do gênero humano, a supor-se descendentes das bestas. Por isso, apesar do interesse que em certas pessoas continuavam despertando os fósseis, prevaleceu a opinião de que não havia que fazer muito caso deles, que se tratava de simples jogos da natureza

Algumas hipóteses contraditórias

Ao máximo, se era desejado ver neles algo mais, como é o caso de Leonardo da Vinci (1452-1519), eram formuladas explicações do tipo que este consignou: "os grandes rios transportam para o oceano os restos de terras, e os bancos assim formados foram recobertos por outros de diversas espessuras; enfim, o que era o fundo do mar, foi convertido no alto das montanhas".

Poucos, como Bernard de Palissy (1510-90) se atreviam a sustentar idéias raras como que "as conchas e os peixes petrificados que são encontrados em certos terrenos não são simples jogos da Natureza, mas que viveram em dito lugar; enquanto que as rochas não eram mais que água e limo, que depois se petrificaram quando a água faltou".

Houve quem foi mais longe em seu atrevimento, vistos os tempos que corriam. Por exemplo, Pierre Belon (1517-64). Este singular cientista não somente dizia que os fósseis não eram jogos da Natureza, mas que ao publicar em 1555 sua "Histoire naturelle des oiseaux", teve o sagrado valor de fazer figurar, na primeira página de sua obra, frente a frente, os esqueletos de um homem e de uma ave, com a legenda "a fim de que fique claro quão grande é a afinidade entre um e outro". E milagrosamente não lhe aconteceu nada.

Não é fácil explicar os fósseis

Quase um século mais tarde, o médico e prelado católico Nicolaus Steno (1638-86), já não tão milagrosamente, como veremos em seguida porque, apoiando-se no conhecimento dos fósseis, em 1669 publicou uma obra surpreendente, titulada "De Solido intra solidum contento", na qual estabeleceu as bases de craniologia estratigráfica.

O motivo da imunidade de que desfrutou Steno, apesar do uso heterodoxo que havia feito dos fósseis, não foi devido à sua condição de prelado: o que havia acontecido é que poucos anos antes, em Londres, em 1662, havia sido fundada a "Real Sociedade de Ciências"; em Paris, em 1666, a "Academia de Ciências de Paris", e, meses depois desta, na Alemanha, a "Academia Imperial Leopoldo-Carolina". Por isso, ainda que em seus começos as três importantes instituições não fossem de idéias demasiadamente avançadas, o fato é que já haviam passado os tempos dos teólogos à espiação.

"Natura non facit saltus"

E tão verdade é isto, que pouco depois Robert Hooke pode tranqüilamente afirmar que "os fósseis podem sem dúvida revelar o passado da Terra", enquanto que Godofredo W. Leibnitz em seu "Protogaea", publicado em 1693, descrevia as "petrificações" não como jogos da Natureza, mas textualmente assim: "Em tempos muito remotos viviam nos mares que nos rodeiam, animais e conchas que atualmente já não são encontrados neles... Nas grandes mudanças que a Terra sofreu, inúmeras formas animais foram transformadas". Como? Perguntavam-lhe por todas as partes, e Leibnitz, homem prudente que não gostava de criar inimigos, sorria e respondia docemente: "pouco a pouco, natura non facit saltus". Uma frase afortunada para ele, pois tinha a virtude de servir também aos fixistas que, como Linneu, a utilizavam em defesa de suas teorias antievolucionistas.

No entanto, Leibnitz, em filosofia, não andava pelos ramos, e em seu "Monadologia" escreveu que "os homens encontram-se enlaçados com os animais; estes com as plantas, e estas com os minerais fósseis... A lei da continuidade exige que todos estes seres naturais formem uma cadeia na qual as diferentes chaves encontram-se unidas com outros tantos elos, tão intimamente, que é possível determinar onde termina uma classe, posto que todas as espécies que ocupam lugar de trânsito naquela cadeia são equívocas e possuem qualidades que se referem às espécies vizinhas igualmente".
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MensagemAssunto: Re: GRANDES MISTÉRIOS - Do Criacionismo à Evolução da Humanidade   Sab Mar 27, 2010 11:48 am

Do Criacionismo à Evolução da Humanidade - V

As disputas dos antropólogos

A ciência antropológica havia nascido e os cientistas já haviam começado a atirar os trastes à cabeça, problema religioso à parte. Em primeira instância levavam todas as de ganhar os "fixistas", que contaram em suas fileiras não somente com Carlos Linneu, mas também com Blumenbach e Cuvier, ou melhor, aos "morfologistas", além de seus provisionais inimigos os "funcionalistas", isto é, os discípulos de Georges Louis de Leclerc, conde de Buffon (1707-1778).

Buffon foi uma espécie de inovador do método. Não têm razão os evolucionistas que pretenderam fazer dele uma espécie de precursor de Charles Darwin ou de Lamarck. Sua contenda com os lineanos refere-se ao critério de classificação das espécies. Sua obsessão era que não havia de fixar-se na conformação dos órgãos ou na presença de traços para atribuir um animal a uma classe ou outra. "Os gêneros, as classes, as ordens não existem mais que em nossa imaginação - costumava afirmar -, não são mais que idéias convencionais; não existe mais que indivíduos, a espécie é uma palavra abstrata e geral, que existe somente enquanto se considere a Natureza na sucessão do tempo, e a melhor maravilha da Natureza não é o indivíduo, mas a sucessão, renovação e duração das espécies".

Hoje, contemplando o panorama da Antropologia durante o século XVIII e o século XIX, com os olhos da mentalidade de nosso século, científica ou não, ficamos algo perplexos do curioso e freqüentemente cômico espetáculo das polêmicas e das disputas, das tomadas de posições radicais, da assombrosa mistura de afirmações e negativas acerca de se o homem tem ou não tem alma, se é um animal a mais ou um ser excepcional, se foi criado ou não, e todos aportando sua opinião como se fosse a última verdade.

A Europa era um fervilhar de idéias. Estava acabando um mundo e começando outro. As paixões estavam exaltadas. Não é, portanto, incompreensível que a Antropologia, mais além de seu objetivo científico, foi erigida em uma espécie de bando disposto a acabar de uma vez com a Teologia.

No século XVIII a palavra "antropologia" é sinônimo de "descrição do corpo e da alma". O termo passa ao domínio da linguagem filosófica alemã e é aplicado em seguida a tudo referente ao homem. Hegel usa abundantemente dele. E à sua morte, ocorrida em 1831, a interpretação esquerdista de sua doutrina deu lugar a uma corrente de depurado materialismo ateu.

A antropologia evolucionista

Marcada pela discussão evolucionista, a antropologia do Século XIX privilegiou o Darwinismo Social, que considerava a sociedade europeia da época como o apogeu de um processo evolucionário, em que as sociedades aborígenes eram tidas como exemplares "mais primitivos". Esta visão usava o conceito de “civilização” para classificar, julgar e, posteriormente, justificar o domínio de outros povos. Esta maneira de ver o mundo a partir do conceito civilizacional de superior, ignorando as diferenças em relação aos povos tidos como inferiores, recebe o nome de etnocentrismo. É a «Visão Etnocêntrica», o conceito europeu do homem que se atribui o valor de “civilizado”, fazendo crer que os outros povos, como os das Ilhas da Oceania estavam “situados fora da história e da cultura”. Esta afirmação está muito presente nos escritos de Pauw e Hegel.

Teoria

Com fundamento nestas concepções, as primeiras grandes obras da antropologia, consideravam, por exemplo, o indígena das sociedades não europeias como o primitivo, o antecessor do homem civilizado: afirmando e qualificando o saber antropológico como disciplina, centrando o debate no modo como as formas mais simples de organização social teriam evoluido, de acordo com essa linha teórica essas sociedades caminhariam para formas mais complexas como as da sociedade europeia.

Nesta forma de apreender a experiência humana, todas as sociedades, mesmos as desconhecidas, progrediriam em ritmos diferentes, seguindo uma linha evolutiva. Isso balizou a idéia de que a demanda colonial seria "civilisatória", pois levaria os povos ditos "primitivos" ao "progresso tecnológico-científico" das sociedades tidas como "civilizadas". Há que ver estes equívocos como parte da visão de mundo que pretendiam estabelecer as diretrizes de uma lei universal de desenvolvimento. Durkheim, por exemplo, entendia o estudo das manifestações totêmicas dos nativos australianos como o modo de determinar a origem de todas as religiões. Partindo de tais princípios, surgem os conceitos de progresso e determinação.

Método

O método concentrava-se numa incansável comparação de dados, retirados das sociedades e de seus contextos sociais, classificados de acordo com o tipo (religioso, de parentesco, etc), determinado pelo pesquisador, dados que lhe serviriam para comparar as sociedades entre si, fixando-as num estágio específico, inscrevendo estas experiências numa abordagem linear, diacrônica, de modo a que todo costume representasse uma etapa numa escala evolutiva, como se o próprio costume tivesse a finalidade de auxiliar esta evolução. Entendiam os evolucionistas que os costumes se demarcavam como substância, como finalidade, origem, individualidade e não como um elemento do tecido social, interdepedente de seu contexto.
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MensagemAssunto: Re: GRANDES MISTÉRIOS - Do Criacionismo à Evolução da Humanidade   Seg Mar 29, 2010 11:01 pm

Do Criacionismo à Evolução da Humanidade - VI

A Evolução do Crânio

Blumembach decidiu toda sua vida a estudar crânios humanos, publicando o resultado de suas pesquisas em uma obra titulada "Decades craniorum", que pode ser considerada fundamental para a posterior craniologia, isto é, o estudo do homem através de seu crânio.

E por que precisamente através do crânio? Porque no crânio está o cérebro, e no cérebro... à vontade, a alma, a faculdade de pensar, a inteligência, a racionalidade..., em uma palavra, conhece o cérebro e conhecerás ao homem.

Façamos um apartado para recordar que alvoroços produziram precisamente os craniólogos (ao menos, alguns deles). Moleschott, discípulo de Feuerbach, o filósofo que havia proclamado "O homem é o que come, Der Mensch ist was er isst", com ânimo de eliminar para sempre a velha definição aristotélica de que "o homem é um animal racional", fazendo tesouro das sentenças de Cabanis ("o pensamento é uma secreção do cérebro") e de Karl Vogt ("o cérebro secreciona o pensamento como o fígado a bílis e os rins a urina"), deu sua fórmula pessoal sobre o assunto, tentando demonstrar esta equação: pensamento = cérebro. Em primeira instância lhe ocorreu que a única coisa que tinha que fazer era medir os cérebros; e, posto que então estavam em moda os crânios, supôs que o volume da massa cerebral, equivalente à capacidade interior do crânio, devia ser a expressão da inteligência.

Não é suficiente o estudo dos crânios

Era então preciso medir crânios, de todas as épocas e raças. Moleschott aplicou-se com afinco à tarefa; mas... os resultados lançaram por terra sua hipótese, pois, contrariamente às previsões, os crânios dos selvagens ao invés de estarem meio atrofiados, estavam superdesenvolvidos com relação ao dos civilizados em geral, e em particular, com relação aos dos povos germânicos, que na classificação crânio = inteligência ocuparam o escalão mais ínfimo da espécie humana, ainda que tivessem sido os possuidores dos crânios em questão homens célebres. E havia mais, quanto mais antigo eram os crânios, mais capazes.

Porém Moleschott e companhia científica não se renderam frente ao fracasso.

Estabeleceu-se uma nova equação: pensamento = peso absoluto da massa cerebral. E outra vez à tarefa, pesa que te pesa e... não faltaria mais, resultou que o elefante era três vezes mais inteligente que o homem. Se o cérebro de Cromwell e de Byron pesavam 2231 gramas, o de Schiller somente 1785, o de Gambeta 1160, igual que o de uma cria de sete anos.

E os pobres Rafael, Descartes, Voltaire e Napoleão, pelo estilo. Segundo a equação, ao invés de gênios resultava que haviam sido deficientes mentais.

Segundo a Wikipedia, O crâneo ou crânio é um invólucro de tecidos mais ou menos rígidos que, nos animais do clade Craniata (a que pertencem os vertebrados e outros de filogenia próxima), envolve o cérebro, os órgãos do olfacto, da visão, o ouvido interno e serve de suporte aos órgãos externos dos aparelhos respiratório e digestivo.
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MensagemAssunto: Re: GRANDES MISTÉRIOS - Do Criacionismo à Evolução da Humanidade   Ter Mar 30, 2010 7:00 pm

Do Criacionismo à Evolução da Humanidade - VII

O animal mais inteligente, o peixe

Porém a ciência, após a bofetada no crânio que teve que dar-se Moleschott, disse que havia se equivocado na fórmula. A verdadeira equação era: inteligência = peso relativo (não absoluto) da massa cerebral. Enfim, uma desculpa a tem qualquer um. E torna a começar. Atenção: pesos relativos, isto é, peso do cérebro com relação ao peso do corpo, não peso absoluto do cérebro. Acabáramos. Resultou que o rato era igualmente inteligente que o homem, e o cão mais tonto que o morcego. Visto o êxito da pesquisa, qualquer um em lugar de Moleschott e companhia teria dito "terra engula-me, mas não.

Com doutas e sisudas expressões explicou que na realidade a inteligência não tinha muito que ver com a capacidade craniana, mas com a quantidade de fósforo contida no cérebro. A debilidade mental era paralela à deficiência de fósforo. Foi organizada, como conseqüência de tão assombrosa revelação, uma campanha a nível de estados: guerra às batatas e a todos os alimentos pobres em fósforo; e boa propaganda aos legumes, o peixe, etc. Resultado: os cérebros dos loucos e dos delinqüentes tinham a mesma quantidade de fósforo que os normais, inteligentes e honrados. E o animal mais inteligente do universo não era o homem, e sim o peixe.

"O homem é um animal recente"

O mal é que algo semelhante estava acontecendo com a questão da origem do homem, campo no qual reinava a confusão máxima. Reconstruamos a situação.

Indubitavelmente haviam sido dados passos importantes no campo da Geologia, da Estratigrafia e da Paleontologia animal e vegetal, que permitiam deduzir a origem pré-histórica do homem e dar razão a Buffon, que havia assinalado em 75.000 anos a idade da Terra, escandalizando com tal abismo de tempo a todos os convencidos de que não podiam ser admitidos mais de 10.000 anos.

E o caso já era que haviam sido encontrados testemunhos pré-históricos; mas a Ciência oficial, representada na França por Jean B.L. Elie de Beaumont (1798-1874) e William Buckland (1784-1756) na Inglaterra, criou obstáculos com todos os meios a seu alcance à hipótese da origem pré-histórica do homem.

Para entender bem a atitude da ciência oficial, vale a seguinte precisão: em 1863, Elie de Beaumont, inalterável em seu ponto de vista clássico, não se escondia em dizer e proclamar publicamente "je ne crois pas que l'espece humaine ait été contemporaine de l'Elephas primigenius" (não creio que a espécie humana tenha sido contemporânea do elefante primitivo).

E o mesmo acontecia na Inglaterra com Buckland. Em uma palavra: o homem é recente, não temos que buscar suas origens através da paleontologia nem fantasiar com uma pré-história humana; no melhor dos casos pode ser falada de uma protohistória, e não demasiadamente dilatada.

E por quê? Resposta da ciência oficial: sendo o homem um ser inteligente, desde o princípio desenvolveu-se inteligentemente; não passou de animal a racional, e posto que nenhum animal se transformou em racional, não existe porque supor que tal transformação a tenha protagonizado o "animal humano". Os restos fósseis, que denotam traços simiescos, são de antropóides, não de homens; portanto, não houve homens pré-históricos, ainda que tenha havido animais e plantas pré-históricas.
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MensagemAssunto: Re: GRANDES MISTÉRIOS - Do Criacionismo à Evolução da Humanidade   Qui Abr 01, 2010 8:52 pm

Do Criacionismo à Evolução da Humanidade - VIII

O homem antidiluviano

Em 1797 John Frere descobriu em Hoxne, Suffolk (Inglaterra) implementos líticos, mas somente lhes concedeu importância pré-histórica em 1859, quando John Evans realizou uma visita às escavações de Abbeville, efetuadas por Boucher de Perthes. Motivo do reconhecimento britânico: se os franceses concedem importância ao de Abbeville, nós não vamos ficar atrás, e nosso Hoxne também é importante.

Quando Boucher de Perthes, em 1846, publicou os resultados de suas escavações em Abbeville, dando provas da existência do homem "antidiluviano", soaram gargalhadas na respeitável Academia de Ciências de Paris. Custou-lhe anos sair do descrédito, e não foi tanto porque fez novos méritos pessoais, mas porque em 1854 o doutor Rigollet, até a data encarniçado difamador de Boucher de Perthes, realizou suas próprias escavações pessoais na caverna de Saint-Acheul, recolhendo nela diversas achas de mão.

Não teve a mesma sorte Pierre Charles Schmerling, que em 1833 havia publicado sua obra "recherches sur le ossements fossiles del cavernes de la province de Liège" demonstrando a contemporaneidade do homem com mamíferos extintos.

Somente um século mais tarde ficou plenamente comprovado que, na realidade, Schmerling havia 'sido o primeiro a encontrar restos do homem fóssil, e de dois tipos diferentes: o Homo Neanderthalensis do Musteriense e o Homo Sapiens do Aurinaciense, ambos na caverna de Engis, próximo de Liège. Schmerling morreu sem nenhuma reabilitação científica, esquecido por todos.

Em 1856, próximo de Düsseldorf', Alemanha, foi descoberta a famosa cabeça Neanderthal, porém a ciência oficial da nação, encabeçada por Wirchow, negou tenazmente, e por anos, que se tratasse de um resto humano. Quem arriscou-se frente aos alemães foi um britânico insociável, cujo sobrenome jogou, graças a seus dois falcões, Aldous, e Julian, um papel importante em nosso século.

Trata-se de Thomas Henry Huxley (Ealing, Middlesex, 4 de maio de 1825 — Eastbourne, Sussex, 29 de junho de 1895) foi um biólogo britânico que ficou conhecido como "O Buldogue de Darwin" por ser o principal defensor público da teoria da Evolução de Charles Darwin e um dos principais cientistas ingleses do século XIX..

T.H. Huxley foi um dos poucos confidentes a quem Charles Darwin expôs suas idéias evolucionistas antes da publicação de Origem das Espécies e um dos principais responsáveis pelo sucesso da sua publicação. Logo após conhecer e concordar com a Teoria da Evolução (apesar de não aceitar várias das idéias de Darwin, como o gradualismo), iniciou a estratégia eficaz de substituir na cúpula científica inglesa, graças à sua influência, cientistas idosos e com idéias ultrapassadas por uma nova classe de cientistas jovens e talentosos, abertos a novas idéias e prontos para uma "revolução" científica.

Em 1858, quando Darwin foi orientado (em parte por Huxley) a elaborar rapidamente um artigo científico sobre a Teoria da Evolução e apresentá-la em conjunto com o artigo semelhante de Alfred Russel Wallace à Linnean Society em Londres, a comunidade científica já era muito diferente e permeável à mudança. De fato, apesar da resistência esperada, a mudança de paradigma causada pela Teoria da Evolução coincidiu com uma ampla mudança na ciência inglesa.
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MensagemAssunto: Re: GRANDES MISTÉRIOS - Do Criacionismo à Evolução da Humanidade   Seg Abr 05, 2010 10:49 pm

Do Criacionismo à Evolução da Humanidade - IX

A guerra pela evolução

Chegamos a algumas datas transcendentais na história da Ciência, porque foi então quando a corrente evolucionista começou a transbordar a seus adversários.

Até agora centralizamos nossa atenção sobre a polêmica da pré-história ou não do homem. Vejamos o que acontecia com a briga entre os defensores da evolução e os representantes da ciência oficial, defensores da firmeza e imutabilidade das espécies.

A disputa desenvolveu-se sem exclusão de golpes, com um dramatismo digno da pena de Shakespeare. A primeira batalha, como era lógico, perderam os evolucionistas, cujo mártir foi Lamarck, frente ao todo-poderoso Cuvier. Cenário, França. Personagens principais, Georges Cuvier (1769-1832), professor de Anatomia Comparada no Museu de História Natural de Paris, Elie de Beaumont, presidente da Academia de Ciências de Paris, que já apresentamos, e Jean BaptistelLamarck 1(1744-1829) ex-mili tar, erudito em botânica e professor também no Museu de História Natural de Paris, feudo de Cuvier, na cátedra de "Zoologia dos insetos, vermes e animais microscópicos".

Georges Leopold Chrétien Fréderic Dagobert Cuvier, de família protestante, ingressou na Academia de Ciências em 1795, apoiado por Barras, poucos meses depois do golpe de estado que acabou com Robespierre. Em seguida se fez amigo de Napoleão, e quanto este, em 1799, foi nomeado primeiro cônsul, Cuvier obteve sua cátedra. Quanto a estrela imperial de Napoleão começou a declinar, com muitos outros colegas, Cuvier acolheu-se à sombra de Luis XVIII, monarca que lhe dispensou sua amizade pessoal; em 1818 Cuvier foi nomeado membro da Academie Française, e em 1831 o rei concedeu-lhe o título de barão.

As idéias científicas de Cuvier, na incipiente Paleontologia, essencialmente são centralizadas na denominada teoria dos cataclismos, que explicaria a origem das espécies extintas e atuais.

O Barão Georges Léopold Chrétien Frédéric Dagobert Cuvier Nasceu em Monebéliard em 23 de Agosto de 1769, e morreu em París em 13 de Maio de 1832; filósofo, naturalista, anatomista e zoólogo francês, é considerado um dos gênios do século XVIII.

Estudou em Stuttgart - Alemanha, durante 4 anos, até 1788, tendo trabalho como tutor em uma família na região da Normandia. Enquanto lá esteve, foi nomeado para uma carreira governamental na função de naturalista.

Em 1795 assumiu a função de assistente do Museu Nacional de História Natural . Começou a lecionar, como professor, sendo nomeado, pelo Imperador Napoleão Bonaparte, Inspetor-Geral da educação e membro do Conselho de Estado.

Cuvier acreditava que os organismos eram formados de partes complexas interrelacionadas, que não podiam ser alteradas sem que o todo perdesse a sua harmonia.

Não acreditava na Teoria da Evolução Orgânica, pois qualquer modificação acabaria com as chances do animal sobreviver.

Seu estudo com gatos mumificados no Egito, levou-o a concluir que os mesmos não apresentavam diferenças anatômicas com os gatos da sua época, o que seria mais uma prova da inexistência da Evolução Orgânica.

Cuvier ficou famoso também por sua habilidade legendária de reconstruir os organismos através de fragmentos fósseis.

Nos últimos dias de sua vida, Cuvier combateu as idéias de Geoffroy Saint-Hilaire sobre a unidade de composição orgânica.

Em 1821, escreveu "As revoluções do Globo" (Academia Francesa). Emprendeu junto com seu irmão Frédéric, em "História dos mamíferos" e depois escreveu "História dos cetáceos".
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MensagemAssunto: Re: GRANDES MISTÉRIOS - Do Criacionismo à Evolução da Humanidade   Dom Abr 11, 2010 12:11 am

Do Criacionismo à Evolução da Humanidade - X

As Teorias da Evolução Humana

A teoria dos cataclismos

Segundo Cuvier, os fósseis procediam de épocas em que o mundo estava habitado por uma fauna diferente da atual; não admitia que as espécies contemporâneas poderiam ser modificações das antigas, encontradas em estado fóssil. Por isso esboçou uma história da Terra e dos seres que a habitaram até os tempos modernos, à base de uma série de criações e cataclismos sucessivos.

Para ele a prova dos cataclismos eram as rochas de origem marinha que são encontradas terra adentro e que encerram restos fósseis dos mais diversos animais. A princípio, disse, houve corais, moluscos e crustáceos; em seguida veio a época das primeiras plantas; depois a dos peixes e répteis, e por último a das aves e mamíferos. Uma vez acalmada a terra, depois de cada cataclismo, aparecia uma nova vida com animais novos, e assim sucessivamente. O homem, para Cuvier, apareceu depois da última revolução geológica, há uns 5.000 ou 6.000 anos.

A teoria da adaptação

Elie de Beaumont, que era geólogo, compartilhava as idéias de seu amigo Cuvier. Assim, se este assinalou em princípio sete cataclismos, Beaumont opinava que houve mais de cem, enquanto que outro acadêmico, A. D'Orbigny (1802-57) falava de 27 estratificações rochosas e, portanto, de 27 cataclismos.

Contra as canonizadas idéias de seu eminente colega ousou levantar-se Lamarck em 1809 , influenciado um pouco pelo ponto de vista de Buffon acerca da artificiosidade do conceito de espécie, e em um ambiente absolutamente hostil proclamou que "o hábito constitui uma segunda natureza e produz dois tipos de modificações, um por progressão ou desenvolvimento, e outro por regressão ou degeneração, sendo hereditários os hábitos adquiridos".

E eis aqui o pensamento de Lamark acerca da origem do homem: "suponhamos que uma raça qualquer de quadrúmanos, a mais aperfeiçoada, perdesse por necessidades de ambiente ou por outra causa qualquer o hábito de trepar pelas árvores e de agarrar os ramos com os pés da mesma forma que com as mãos; se os indivíduos desta raça, durante uma série de gerações, se vissem obrigados a não utilizar seus pés mais que para andar, e parassem de empregar suas mãos como pés, não existe dúvida de que ditos quadrúmanos transfomar-se-iam finalmente em bípedes, e que os polegares de seus pés deixariam de estar separados e ser oponíveis, já que ditos pés somente serviriam para andar".

As réplicas dos cuvieristas

Como que não há dúvidas! gritaram - e com razão, dita seja a verdade - Cuvier e os demais. As posteriores pesquisas realizadas no campo da genética demonstraram que eles e não Lamarck estavam com a razão. Em que tinha razão Lamarck? Em um conceito que logo encontrou confirmações paleontológicas; isto é, nesta idéia: não existem séries lineares de espécies animais, mas sim que os animais atuais são ramificações laterais de troncos comuns.

Precisamente o contrário do que sustentava Cuvier a respeito. E por isso não houve piedade para Lamarck. "Ninguém tomou suas teorias por tão perigosas que merecessem uma refutação, e foram abandonadas, o mesmo e pelas mesmas razões que suas teorias químicas". Com estas palavras, pronunciadas em 1832 na Academia de Ciências de Paris por motivo do falecimento de Lamarck, no mesmo discurso de seu Elogio Fúnebre, Cuvier, encarregado do mesmo, despachou a seu colega indiferentemente.

Na Inglaterra as coisas andavam pelo estilo. Nada menos que em 1794, Erasmus Darwin, avô do famoso Charles Darwin, em seu livro titulado "Zoonomia ou leis da vida", enunciou as noções de herança e seleção natural que meio século depois fariam célebre a seu neto; mas em sua época fez o ridículo. No entanto, suas idéias não morreram; e o relevo o tomou precisamente seu neto, que em 1831 realizou sua famosa viagem à América do Sul que durou até 1836.

Não teve pressa em fazer públicas suas conclusões acerca do que pôde observar em sua expedição; aguardou pacientemente o momento oportuno, nada menos que vinte anos, aparentemente sem tomar partido das disputas científicas, visto o resultado do atrevimento de Lamarck. De certa forma, não lhe escapava detalhe e ia tomando boas anotações do desgaste cuvierista. Por exemplo, que em 1844 a Universidade de Munique premiara a Karl. E. von Baer por ser o autor da melhor tese sobre o tema "Causas da variabilidade das espécies".

Em dito trabalho afirmava que "observações baseadas em extensos conhecimentos, especialmente no campo paleontológico, nos levam à convicção de que, no entanto, a espécie não é eterna; aparece em um determinado momento da história do mundo e mais tarde desaparece novamente. Ignoramos como apareceu pela primeira vez.
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MensagemAssunto: Re: GRANDES MISTÉRIOS - Do Criacionismo à Evolução da Humanidade   Sex Abr 16, 2010 3:55 pm

Do Criacionismo à Evolução da Humanidade - XI

Charles Darwin toma a palavra

Darwin tinha um bom amigo que compartilhava suas teorias, chamado A. Russel Wallace. Entre os dois decidiram que havia chegado o momento do ataque. Na sessão de 18 de julho de1858 da Sociedade Linneana de Londres, Charles Darwin deu leitura a dois trabalhos, um próprio, que era um breve resumo de sua "Origem das espécies por meio da Seleção Natural" (que publicaria um ano depois, em 1859) e outro de seu amigo Wallace, remetido por este desde o arquipélago malasio onde estava realizando pesquisas.

Os dois amigos expuseram idênticas conclusões, fruto de observações e experiências, e com elas afirmavam que, como são obtidos resultados favoráveis por meio da seleção artificial de espécies domésticas, também na Natureza se dá uma seleção natural, graças à qual as variações individuais úteis, em um princípio acidentais e produzidas por causas desconhecidas, podem ser transmitidas e perpetuadas.

O êxito de Darwin foi notável, e com o tempo foi sendo consolidado, graças também à extraordinária defesa que dele fizeram Thomas H. Juxley, o eminente geólogo Charles Lyell, Weisemann e Haeckel, Karl Vogt, Paul Bert, Hermann von Helmoholtz na Alemanha, e na França Alfred Giard, Etienne J. Marey e Edmond Perrier.

Também houve nomes ilustres no campo antidarwinista, porque, a partir de Darwin, a ciência dividiu-se em dois bandos; e contra Darwin argüiram Claude Bernard, Armand de Quatrefages, Louis Pasteur, Wirchow, Wigand, etc. Pouco a pouco, no entanto, todos acabaram sendo evolucionistas, ainda que não compartilhassem do todo as teorias de Darwin. Em seguida o evolucionismo passou a ser mutacionismo, e em tal linha permanece até nossos dias. De certa forma, é preciso recordar que a data de 1866 é transcendental para a Antropologia, a Paleontologia, a Paleantropologia, etc. no sentido que atualmente têm. O que aconteceu, pois, em 1866? Nada menos que o seguinte: em 1865 um grupo de naturalistas e arqueólogos iniciou uma série de reuniões internacionais para examinar e discutir os problemas pré-históricos. E o êxito da iniciativa foi contundente desde o primeiro Congresso que foi celebrado, precisamente em 1866.

Charles Robert Darwin - Biografia

Charles Robert Darwin (Shrewsbury, 12 de Fevereiro de 1809 — Downe, Kent, 19 de Abril de 1882) foi um naturalista britânico que alcançou fama ao convencer a comunidade científica da ocorrência da evolução e propor uma teoria para explicar como ela se dá por meio da seleção natural e sexual. Esta teoria se desenvolveu no que é agora considerado o paradigma central para explicação de diversos fenômenos na Biologia.

Darwin começou a se interessar por história natural na universidade enquanto era estudante de Medicina e, depois, Teologia. A sua viagem de cinco anos abordo do Beagle e escritos posteriores lhe trouxeram reconhecimento como geólogo e fama como escritor. Suas observações da natureza o levaram ao estudo da diversificação das espécies e, em 1838, ao desenvolvimento da teoria da Seleção Natural. Consciente de que outros antes dele tinham sido severamente punidos por sugerir idéias como aquela, ele as confiou apenas a amigos próximos e continuou a sua pesquisa tentando antecipar possíveis objeções. Contudo, a informação de que Alfred Russel Wallace tinha desenvolvido uma idéia similar forçou a publicação conjunta da teoria em 1858.

Em seu livro de 1859, "A Origem das Espécies" (do original, em inglês, On the Origin of Species by Means of Natural Selection, or The Preservation of Favoured Races in the Struggle for Life), ele introduziu a idéia de evolução a partir de um ancestral comum, por meio de seleção natural. Esta se tornou a explicação científica dominante para a diversidade de espécies na natureza. Ele ingressou na Royal Society e continuou a sua pesquisa, escrevendo uma série de livros sobre plantas e animais incluindo a espécie humana, notavelmente, "A descendência do Homem e Seleção em relação ao Sexo" (The Descent of Man, and Selection in Relation to Sex, 1871) e "A Expressão da Emoção em Homens e Animais" (The Expression of the Emotions in Man and Animals, 1872).

Em reconhecimento à importância do seu trabalho, Darwin foi enterrado na Abadia de Westminster, próximo a Charles Lyell, William Herschel e Isaac Newton.
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MensagemAssunto: Re: GRANDES MISTÉRIOS - Do Criacionismo à Evolução da Humanidade   Dom Abr 18, 2010 6:16 pm

Do Criacionismo à Evolução da Humanidade - XII

Dados acerca da origem do homem

Se muito pouco soube o homem acerca de seus Bens, até a data antes consignada, examinemos, agora que a problemática é, sem interferências estranhas, propriamente dos paleontólogos, que é o que se sabe.

Em primeiro lugar, os dados. A idade da Terra não é de 75.000 anos como se atrevia a defender Buffon, mas de 4.500 milhões de anos no mínimo.

A antiguidade do homem, segundo opina a maioria dos paleontólogos é de uns 600.000 anos, e seu começo coincide com o início do período geológico quaternário. Houve um tempo em que se acreditou que o homem surgiu no terciário, devido ao misterioso achado de Piltdown, que em seguida resultou ser uma fraude. No entanto, recentemente, a tese do homem terciário voltou a surgir a propósito do Oreopithecus bambolii, que, se forem certas as conclusões de Huerzler, situariam a antiguidade da espécie humana em mais de 200 milhões de anos.

Tudo parece estar em ordem. E, no entanto, apesar do grande trabalho realizado, a origem do homem continua sendo um problema encravado no mistério. Todavia estamos no campo das hipóteses, e, o que é pior, todos os experts têm clara a consciência de que esse mistério nunca poderá ser decifrado.

Unicamente temos avançado algo no que se refere à cronologia e no concernente ao conhecimento dos assentamentos humanos pré-históricos. As descobertas acompanhadas por restos culturais nos permitiram esboçar um quadro do modo de vida de nossos ancestrais. As variedades morfológicas e estruturais nos permitiram distinguir diferenças de tipo racial entre os homens pré-históricos; porém, e é dever admiti-lo, o conjunto de dados e de fatos de que dispomos é demasiadamente fragmentário e incompleto.

Tampouco temos que acreditar que entre os paleontólogos reine a concórdia; desde logo todos eles se prendem a certas regras de trabalho e de determinação cronológica; mas no momento de procedcer à classificação do estudado, em última instância o que decide é a "impressão subjetiva" do pesquisador. Existem demasiadas questões não resolvidas que impossibilitam a unanimidade de pareceres.

O homem provém do macaco?

Por exemplo, durante longos anos foi debatido se o homem procede do mono ou não. A dúvida não carece de importância porque os primeiros passos que foram dados ao estrear a paleontologia em direção darwinista estavam encaminhados a encontrar o "elo" entre o homem e o mono precisamente.

E não temos que esquecer que quanto mais antigos são os restos fósseis, mais são parecidos entre si os humanos e os símios, o que, para o especialista, constitui um grave problema. Se agora a tendência dominante é a de considerar o homem como um ramo isolado dos primatas, colateral com os dos três grandes antropóides (gorila, chimpanzé e orangotango), que havia sido separado de um antecessor comum, posto que as coisas não estão nada claras, não é de maravilhar que nos primeiros momentos se optara pela outra probabilidade.

Como pudemos comprovar, fazendo uma síntese de todo o exposto, o nascimento da humanidade e a conquista de seu estado atual de evolução e inteligência continuam constituindo o primeiro grande enigma sem solução com que se defronta o homem moderno.
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MensagemAssunto: Re: GRANDES MISTÉRIOS - Do Criacionismo à Evolução da Humanidade   Hoje à(s) 1:11 am

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