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 VERGÍLIO FERREIRA - O POETA DA SOLIDÃO

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MensagemAssunto: VERGÍLIO FERREIRA - O POETA DA SOLIDÃO   Seg Jan 25, 2010 9:52 pm

Filho de António Augusto Ferreira e de Josefa Ferreira. Em 1920, os pais de Vergílio Ferreira emigram para os Estados Unidos, deixando-o, com seus irmãos, ao cuidado de suas tias maternas. Esta dolorosa separação é descrita em Nitido Nulo. A neve - que virá a ser um dos elementos fundamentais do seu imaginário romanesco é o pano de fundo da infância e adolescência passadas na zona da Serra da Estrela. Aos 10 anos, após uma peregrinação a Lourdes, entra no seminário do Fundão, que frequentará durante seis anos. Esta vivência será o tema central de Manhã Submersa.

Em 1932, deixa o seminário e acaba o Curso Liceal no Liceu da Guarda. Entra para a Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, continuando a dedicar-se à poesia, nunca publicada, salvo alguns versos lembrados em Conta-Corrente e, em 1939, escreve o seu primeiro romance, O Caminho Fica Longe. Licenciou-se em Filologia Clássica em 1940. Concluiu o Estágio no Liceu D.João III (1942), em Coimbra. Começa a leccionar em Faro. Publica o ensaio "Teria Camões lido Platão?" e, durante as férias, em Melo, escreve "Onde Tudo Foi Morrendo". Em 1944, passa a leccionar no Liceu de Bragança, publica "Onde Tudo Foi Morrendo" e escreve "Vagão "J"". Vergílio Ferreira morre em Lisboa, a 1 de Março de 1996 e é sepultado em Melo.
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MensagemAssunto: Re: VERGÍLIO FERREIRA - O POETA DA SOLIDÃO   Seg Jan 25, 2010 9:54 pm

Pretextos para o Holocausto…

“Vi o fim do fascismo.Foi bom.
Vejo o fim do comunismo. É bom.
E vi durante toda a vida como um e outro foram úteis para o ódio se cumprir.
Mas finda a utilidade desses pretextos, que outro pretexto vai ser?
Curamos os efeitos da doença, guardamos a doença para outra vez.
É a reserva maior do homem, essa, a do mal que lhe é inevitável, mas não lhe basta.
Cataclismos, traições do irmão corpo. Não chega.
E a própria morte, que é a sua fatalidade, ele não a desperdiça e aproveita-a para ir matando mais cedo.
Como a um animal do seu sustento.
O homem.
Que enormidade.”

(Vergílio Ferreira)
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MensagemAssunto: Re: VERGÍLIO FERREIRA - O POETA DA SOLIDÃO   Qua Jan 27, 2010 11:51 pm

Cai a Chuva Abandonada

Cai a chuva abandonada
à minha melancolia,
a melancolia do nada
que é tudo o que em nós se cria.

Memória estranha de outrora
não a sei e está presente.
Em mim por si se demora
e nada em mim a consente

do que me fala à razão.
Mas a razão é limite
do que tem ocasião

de negar o que me fite
de onde é a minha mansão
que é mansão no sem-limite.
Ao longe e ao alto é que estou
e só daí é que sou.

Vergílio Ferreira, in 'Conta-Corrente 1'
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MensagemAssunto: Re: VERGÍLIO FERREIRA - O POETA DA SOLIDÃO   Qui Jan 28, 2010 11:35 pm

Veio Ter Comigo Hoje a Poesia

Veio ter comigo hoje a poesia.
Há quantos anos? Desde a juventude.
Veio num raio de sol, num murmúrio de vento.
E a ilusão que me trouxe de uma antiga alegria
reinventou-me a antiga plenitude
que já não invento.

Fazia-lhe outrora poemas verdadeiros
em fornicações rápidas de galo.
Hoje não sou eu nunca por inteiro
e há sempre no que faço um intervalo.

Estamos ambos tão velhos - que vens fazer?
- a cama entre nós da nossa antiga função.
Nublado o olhar só de a ver.
E tomo-lhe em silêncio a mão.

Vergílio Ferreira, in 'Conta-Corrente 1'
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MensagemAssunto: Re: VERGÍLIO FERREIRA - O POETA DA SOLIDÃO   Ter Fev 02, 2010 10:46 pm

Joga Todo o Teu Ser na Breve Ideia

Joga todo o teu ser na breve ideia
que incerta entre o corrente te procura
pra lá do que banal te prende e enleia
e pelo destacá-la emerge pura.

Fazê-lo é dar-lhe já o que perdura.
Porque a banalidade que a medeia
como à pedra vulgar por entre a areia
esquece o que em tomá-la a rareia.

Ser homem é escolher o que o oriente
e ser-lhe o mais a margem que lhe mente.

Vergílio Ferreira, in 'Conta-Corrente 1'
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MensagemAssunto: Re: VERGÍLIO FERREIRA - O POETA DA SOLIDÃO   Sex Fev 05, 2010 11:04 pm

Só nos Pertence o Gesto que Fizemos

Só nos pertence o gesto que fizemos
não o fazê-lo como, iludida,
a divindade que em nós já trouxemos
supõe errada (e não) por convencida.

Porque o traçado nosso em breve cessa,
para que outro o recomece e não progrida;
que um gesto em ser gesto real se meça,
não está em nós fazê-lo, mas na Vida.

Assim o nada a sagra quando finda
porque o que é, só é o não ainda.

Vergílio Ferreira, in 'Conta-Corrente 1'
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MensagemAssunto: Re: VERGÍLIO FERREIRA - O POETA DA SOLIDÃO   Dom Fev 07, 2010 4:29 pm

Fímbria de Melancolia

Fímbria de melancolia,
memória incerta da dor,
ouço-a no gravador,
no fado que não se ouvia
quando ouvia o seu clamor.

Porque era já no passado
o presente dessa hora
e que me ressoa agora
a um outro mais alongado.

Assim a dor que se sente
no outro obscuro de nós
nunca fala a nossa voz
mas de quem de nós ausente,
só a nós próprios consente
quando não estamos nós
mas mais sós do que ao estar sós.

Onde então estamos nós?

Vergílio Ferreira, in 'Conta-Corrente 1'
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MensagemAssunto: Re: VERGÍLIO FERREIRA - O POETA DA SOLIDÃO   Ter Fev 09, 2010 10:24 pm

Sinto na Angústia o Quem me Lembrasse

Sinto na angústia o quem me lembrasse
e do lembrar a mim como uma ponte
onde de noite já ninguém passasse
viesse a notícia desse outro horizonte

em que o meu grito preso na garganta
dissesse à voz que não ouvi e veio
quanto vansaço inverosímil, quanta
fadiga me enternece como um seio.

Vibrátil voga vaga pela tarde
que em cigarros distrai o eu estar só
a chama obscura que visível arde
quando arde ao sol o pó.

Vergílio Ferreira, in 'Conta-Corrente 1'
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