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 ESPIRITISMO

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Anarca

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MensagemAssunto: ESPIRITISMO   Seg Set 28, 2009 9:39 pm

Espiritismo

Espiritismo é o conjunto de crenças que consideram que a essência humana é baseada na existência de um espírito imortal, que pode estar entre os vivos ou não, admitindo vidas sucessivas (reencarnações) e a comunicação entre os vivos e os mortos, geralmente pelo intermédio de um médium, ou seja, um mediador. A expressão também designa a doutrina e práticas das pessoas que partilham esta crença.

O termo espiritismo (do francês antigo "spiritisme", onde "spirit": espírito + "isme": doutrina) surgiu como um neologismo, mais precisamente uma palavra-valise, criada pelo pedagogo francês Hippolyte Léon Denizard Rivail para nomear especificamente o corpo de ideias por ele sistematizadas em "O Livro dos Espíritos" (1857).

Contudo, a utilização do termo, cuja raiz é comum a diversas nações ocidentais de origem latina ou anglo-saxónica, fez com que ele fosse rapidamente incorporado ao uso quotidiano para designar tudo o que dizia respeito à comunicação com os espíritos. Assim, por espiritismo, entende-se hoje as várias doutrinas religiosas e/ou filosóficas que crêem na sobrevivência dos espíritos à morte dos corpos, e, principalmente, na possibilidade de se comunicar com eles, casual ou deliberadamente, via rituais ou naturalmente.

Este tópico visa tratar do espiritismo levando em consideração todos os diferentes usos do termo...

A doutrina espírita descreve o espiritismo conforme sistematizado por Kardec.

A divisão entre espiritismo (geral) e doutrina espírita (específico) é meramente didáctica, não implicando apologia a nenhum dos dois usos...
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Anarca

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MensagemAssunto: Re: ESPIRITISMO   Ter Set 29, 2009 11:24 pm

Fundamentos gerais

O espiritismo, apesar das diversas variações, de um modo geral fundamenta-se nos seguintes pontos:

. O homem é um espírito temporariamente ligado a um corpo (para Kardec esta ligação é feita através de uma conexão que denomina de perispírito, um envoltório semimaterial que é o corpo espiritual);

. A alma, especificamente, é o espírito que encontra-se ligado, ou não, ao corpo (encarnado ou desencarnado);

. O espírito, compreendido como individualidade inteligente da Criação, é imortal;

. A reencarnação é o processo natural que permite vidas sucessivas (para Kardec com a função de permitir o aperfeiçoamento dos espíritos, ligado a uma "Lei de Causa e Efeito");

. A Terra não é o único planeta com vida inteligente (pluralidade dos mundos habitados).
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Anarca

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MensagemAssunto: Re: ESPIRITISMO   Qui Out 08, 2009 9:51 pm

História

Segundo a visão espírita, os supostos fenômenos mediúnicos são registrados em diversos lugares e épocas da História, desde a Antiguidade, sob diversas formas. Como exemplo dessa visão de realidade religiosa, refere-se:

. a prática ancestral de culto aos antepassados, venerando-os ou rendendo-lhes homenagens por meio de diversos rituais;

. na cultura judaico-cristã encontram-se registados no Antigo Testamento, nomeadamente a proibição de Moisés à prática da "consulta aos mortos" (evidência da crença judaica nessa possibilidade, uma vez que não se proíbe aquilo que não é praticado)[1], e, no Novo Testamento, a comunicação de Jesus com Moisés e Elias no Monte Tabor (Mt, 17:1-9);

. na cultura da Grécia Antiga, a crença em que as almas dos mortos habitavam o submundo e que era possível entrar em contacto com eles, cuja referência mais conhecida encontra-se na Odisséia. Ali Homero narra que Odisseu (Ulisses), rei de Ítaca realiza um ritual conforme indicações da feiticeira Circe, logrando conversar com as almas de sua mãe e dos seus companheiros, que haviam soçobrado durante a Guerra de Tróia. Em época posterior, registram-se os comentários de Platão sobre o "dáimon" ou gênio que acompanharia Sócrates;

. os povos Celtas acreditavam que os espíritos regressavam ao mundo dos vivos em certas ocasiões ("Samhain"), crença essa que se encontra na origem das populares festas de "halloween";

. na Idade Média, a persistência popular de crenças em superstições e amuletos para obter protecção;

. na Idade Moderna, as narrativas sobre fantasmas e assombração de locais, ilustrada, por exemplo, pela peça de teatro Hamlet, em que o dramaturgo inglês William Shakespeare apresenta o fantasma do rei assassinado demandando vingança ao protagonista, seu filho.

Os xamãs dos povos "primitivos" da Ásia e Oceania, também afirmam ter o dom de comunicação com o além. Entre a população nativa americana, apenas o xamã (feiticeiro) tinha o poder de comunicar com os deuses e espíritos, fazendo a mediação entre eles e os mortais. A principal função do xamã era a de assegurar a ajuda do mundo dos espíritos, incluindo o Espírito Supremo, para benefício da comunidade. Tal como os xamãs, os curandeiros na América Latina, são capazes de aceder ao mundo dos espíritos. A actuação a este nível, envolve não só o uso de orações, mas também a consulta de guias espirituais ou espíritos superiores.

Actualmente é comum adotar-se a data de 31 de março de 1848, início do fenómeno das Irmãs Fox ainda que tenham confessado a fraude, como marco inicial das modernas manifestações mediúnicas quando se inicia uma fase de manifestações mais ostensivas[2] e freqüentes do que jamais ocorrera, particularmente nos Estados Unidos da América e na Europa[3], o que levou muitos pesquisadores a se debruçarem sobre tais fenômenos.

Entre esses pesquisadores destacou-se o professor Hippolyte Léon Denizard Rivail, que mais tarde, sob o pseudônimo de Allan Kardec, com base em uma série de relatos psicografados, publicou O Livro dos Espíritos.
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MensagemAssunto: Re: ESPIRITISMO   Dom Out 11, 2009 7:23 pm

Espiritismo kardecista

A expressão, criada no Brasil, refere-se à Doutrina espírita como codificada por Allan Kardec e, assim como o neologismo "Kardecismo", é vivamente repudiada por adeptos mais ortodoxos da doutrina.

As expressões nasceram da necessidade de alguns em distinguir o "Espiritismo" (como originalmente definido por Kardec) dos cultos afro-brasileiros, como a Umbanda. Estes últimos, discriminados e perseguidos em vários momentos da história recente do Brasil, passaram a se auto-intitular espíritas (em determinado momento com o apoio da Federação Espírita Brasileira[6]), num anseio por legitimar e consolidar este movimento religioso, devido à proximidade existente entre certos conceitos e práticas destas doutrinas. Seguidores mais ortodoxos de Kardec, entretanto, não gostaram de ver a sua prática associada aos cultos afro-brasileiros, surgindo assim o termo "espírita kardecista" para distinguí-los dos que passaram a ser denominados como "espíritas umbandistas".

Alguns adeptos de Kardec entendem que o espiritismo, como corpo doutrinário, é um só - aquele que foi codificado por Allan Kardec - o que tornaria redundante o uso do termo "espiritismo kardecista". Assim, ao seguirem estritamente os ensinamentos codificados por Kardec nas obras básicas (a "Codificação"), sem a interferência de qualquer outra linha de pensamento que não tenha sido a originalmente codificada, ou ao menos prevista pelo codificador, denominam-se simplesmente "espíritas", sem o complemento "kardecista". A própria obra invalida o emprego de outras expressões como "kardecista", definindo que os ensinamentos codificados, em sua essência, não se ligam à figura única de um homem, como ocorre com o cristianismo ou o budismo, mas a uma coletividade de espíritos que se manifestaram através de diversos médiuns naquele momento histórico, e que se esperava continuassem a comunicar, fazendo com que aquele próprio corpo doutrinário se mantivesse em constante processo evolutivo, o que não se verificou: as obras básicas da Codificação permanecem inalteradas desde então.

Históricamente, no Brasil, existiram ainda conflitos entre "kardecistas" e "roustainguistas", consoante a admissão ou não dos postulados da obra "Os Quatro Evangelhos", de Jean-Baptiste Roustaing, nomeadamente acerca da natureza do corpo de Jesus. Para os chamados "roustainguistas" Jesus teve um corpo fluídico, não material, já o os ditos "kardecistas" acreditam que Jesus possuia um corpo de carne como de qualquer ser humano.
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Anarca

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MensagemAssunto: Re: ESPIRITISMO   Ter Out 13, 2009 11:09 pm

Cultos afro-brasileiros

No Brasil, o termo "espiritismo" é historicamente utilizado como designação por algumas casas e associações das religiões afro-brasileiras, e seus membros e frequentadores definem-se como "espíritas". Como exemplo, citam-se a antiga Federação Espírita de Umbanda e as atuais Congregação Espírita Umbandista do Brasil, no estado do Rio de Janeiro, e a Federação Espírita do Brasil, no do Espírito Santo.

No Brasil Império a Constituição de 1824 estabelecia expressamente que a religião oficial do Estado era o Catolicismo. No último quartel do século XIX, com a difusão das idéias e práticas espíritas no país, registraram-se choques não apenas na imprensa, mas também a nível jurídico-policial, nomeadamente em 1881, quando uma comissão de personalidades ligadas à Federação Espírita Brasileira reuniu-se com o Chefe de Polícia da Corte e, subsequentemente, com o próprio Imperador D. Pedro II, e após a Proclamação da República Brasileira, agora em função do Código Penal de 1890, quando Bezerra de Menezes oficiou ao então presidente da República, marechal Deodoro da Fonseca, em defesa dos direitos e da liberdade dos espíritas. Outros momentos de tensão registrar-se-iam na década de 1930, durante o Estado Novo, o que levou a que a prática dos cultos afro-brasileiros conhecesse uma espécie de sincretismo sob a designação "espiritismo", como em época colonial o fizera com o Catolicismo.

Na prática, sinteticamente, as semelhanças entre a prática Umbanda e a Doutrina Espírita são:

a comunicação entre os vivos e os mortos, admitindo ambas, por conseguinte, a sobrevivência à morte do chamado "espírito";
a evolução do espírito através de vidas sucessivas (reencarnação);
o resgate, pela dor, das faltas cometidas em anteriores existências.
a prática da caridade (dar de graça o que recebeu de graça).

Por outro lado, as principais diferenças são a admissão pela Umbanda:

de cerimônias litúrgicas como o batizado e o matrimônio;
a presença de imagens em seus cultos;
o emprego de plantas em seus cultos.
a música dos pontos cantados para as entidades.

De todas as religiões afro-brasileiras, a mais próxima da Doutrina Espírita é um segmento (linha) da Umbanda denominado de "Umbanda branca", e que não tem nenhuma ligação com o Candomblé, o Xambá, o Xangô do Recife, o Tambor de Mina ou o Batuque. Embora popularmente se acredite que estas últimas sejam um tipo de "espiritismo", na realidade trata-se de religiões iniciáticas animistas, que não partilham nenhum dos ensinamentos relacionados com a Doutrina Espírita. Entretanto, outros segmentos da Umbanda podem ter algumas semelhanças com a Doutrina Espírita, mas também com o Candomblé por causa da figura dos Orixás.

No tocante específicamente ao Candomblé, crê-se na sobrevivência da alma após a morte física (os Eguns), e na existência de espíritos ancestrais que, caso divinizados (os Orixás, cultuados coletivamente), não materializam; caso não divinizados (os Egungun), materializam em vestes próprias para estarem em contacto com os seus descendentes (os vivos), cantando, falando, dando conselhos e auxilindo espiritualmente a sua comunidade. Observe-se que o conceito de "materialização" no Candomblé, é diferente do de "incorporação" na Umbanda ou na Doutrina Espírita. Em princípio os Orixás só se apresentam nas festas e obrigações para dançar e serem homenageados. Não dão consulta ao público assistente, mas podem eventualmente falar com membros da família ou da casa para deixar algum recado para o filho. O normal é os Orixás se expressarem através do jogo de Ifá (oráculo).

No Candombé, a função dos rituais durante as cerimónias de iniciação é a de afastar todo e qualquer espírito ou influência, recorrendo-se ao Ifá para monitorar a sua presença. A cerimónia só ocorre quando este confirma a ausência de Eguns no ambiente de recolhimento. Os espíritos são cultuados, nas casas de Candomblé, em uma casa em separado, sendo homenageados diariamente uma vez que, como Exú, são considerados protetores da comunidade.
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Anarca

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MensagemAssunto: Re: ESPIRITISMO   Sex Out 16, 2009 8:31 pm

Racionalismo cristão

Na cidade brasileira de Santos, em 1910 surgiu uma dissidência do movimento espírita, que se denominou "Espiritismo Racional e Científico Cristão" e, posteriormente, Racionalismo cristão, sistematizada por Luís de Matos e Luís Alves Tomás.

O Racionalismo Cristão é uma doutrina espiritualista surgida no Brasil, em 1910. Nascido de uma dissidência do movimento espírita brasileiro (que, segundo seus membros, estava impregnado de religiosidade e misticismo), inicialmente denominava-se Espiritismo Racional e Científico Cristão, para depois assumir a atual denominação. Quem sistematizou a doutrina do Racionalismo Cristão foi o português Luiz de Mattos, que, ao lado do compatriota Luiz Alves Thomas, tornou-se o grande responsável pelos passos iniciais da doutrina racionalista.

Essa doutrina denominada Racionalismo Cristão, foi muito antes idealizada pelo Padre Antônio Vieira no Astral Superior. E os dois espíritos valorosos que foram designados para a tarefa árdua de estabelecer e concretizar essa doutrina na terra, que é a mesma doutrina que Jesus ensinava a mais de dois mil anos atrás, foram Luís de Mattos e Luís Alves Tomás. Por isso que o Padre Antônio Vieira é o patrono do Racionalismo Cristão. Quem assumiu as "rédeas" da doutrina após a desencarnação de Luiz de Mattos, presidindo as seções e cuidando para que o valor do patrimônio fosse bem administrado, que foi legado em testamento ao Racionalismo Cristão pelo amigo de Luiz de Mattos (que foi o Luiz Alves Tomás), foi o Sr. Antônio do Nascimento Cottas. Consolidando a doutrina, e fazendo com que o valor do patrimônio fosse multiplicado em muitas vezes.

E essa doutrina é o prosseguimento e o restabelecimento da verdadeira verdade que foi explanada por Jesus o Cristo. E isso é tão sério que, em uma sessão que estava sendo feita quando da inauguração da casa chefe, foi organizada uma fortíssima corrente fluídica, com 50 pessoas de moral ilibada, e nesta sessão foi dito pelo próprio Cristo, dirigindo-se a Luís de Mattos e Luís Alves Thomás: "-Outros falharam. Mas vocês, não podem falhar!". Assim como o próprio padre Antônio Vieira, presidindo astralmente uma sessão no Centro Redentor, disse, a respeito do fato dessa doutrina ser a continuação da obra de Jesus na terra, e desse fato ser tão sério, que ele falou: "-Disse eu uma vez que, para se conseguir alguma coisa realmente superior, necessário era ser-se, o tanto quanto possível, puro". E esta verdade é a garantia da sua estabilidade perene aqui na terra.

Raízes espíritas

Luís de Matos começou a frequentar centros espíritas, na cidade de Santos, em 1909, a convite de um amigo. Recuperava-se, à época, de um problema cardíaco. Não demorou a manifestar discordância com as práticas e idéias vigentes no movimento espírita. Julgava haver excesso de religiosidade, de misticismo entre os adeptos do espiritismo. O sistematizador da doutrina espírita, Allan Kardec, era considerado por Matos "um médium (...) muitas vezes (...) atuado por espíritos jesuítas, e daí a influência do misticismo religioso nos seus escritos[1]". Para Mattos, o espiritismo deveria ser "a ciência das ciências, a filosofia das filosofias[2], mas não deveria se vincular a qualquer dimensão religiosa. Foi com base nessa premissa que ele fundou, em 1910, o Centro Redentor, primeira instituição oficialmente racionalista, e lançou, em 1914, Espiritismo racional e científico (cristão) a obra fundamental da nova doutrina, que é editada hoje sob o título Racionalismo Cristão. Uma particularidade do "RC" é o fato de que são possivelmente os únicos Cristãos que não seguem a Bíblia ou qualquer outro livro considerado "sagrado". Sua Doutrina exige disciplina com Ciência , Filosofia e Razão. Não é Religião e nem Seita , apenas uma Doutrina única no Mundo. Não há Sacramentos e nem Líderes Religiosos Mundias , mas é Reencarnacionista sucessivamente , Evolucionista e considera Jesus o maior Espírito do Mundo , mas não Divino ou Deus. Não é Kardecista ou de qualquer outra ramificação Espírita. O seu lema é: "Força e Matéria" , ou seja , o espírito e o corpo. Junto com a Filosofia Cristã é só o que há no Mundo.

Diferenças doutrinárias

Casa Racionalista Cristã, Mindelo, São Vicente, Cabo VerdeO Racionalismo Cristão ensina que os que hoje são espíritos (seres humanos encarnados) iniciaram sua trajetória evolutiva como partículas de força que animaram, primeiramente, átomos, ascendendo, pouco a pouco, até atingir o reino vegetal, animal e, posteriormente, adquirir condições de animar um corpo humano. A exemplo do Samsara segundo as tradições orientais.

Nas Casas Racionalistas Cristãs todos são submetidos à doutrinação, sendo levados a compreender que após a desencarnação devem ascender aos seus mundos correspondentes de evolução. A fim de que se preparem para uma nova encarnação.

O Racionalismo Cristão ensina que não existem "espíritos protetores". Por considerar que "espíritos protetores" são espíritos desencarnados presos à atmosfera do planeta Terra (Astral Inferior), e se assim estão não podem ajudar a quem quer que seja.

O Racionalismo Cristão explica que o ser humano possui três "dimensões":

Corpo físico
Feito da matéria do planeta terra, que é apenas um dos "mundos escola", onde se misturam espíritos das 17 primeiras classes de uma série de 33;

Corpo astral
Também chamado "fluídico" ou "perispírito", feito também de matéria, mas uma matéria mais diáfana, vinda do mundo próprio de cada classe, também chamados "mundos de estágio", onde se não misturam espíritos de classes diferentes e onde não há, portanto, evolução. Daí a necessidade de se encarnar;

Espírito
O espírito propriamente dito, é a energia, ou partícula em evolução, parte da Força Universal, ou do Todo. Para o Racionalismo Cristão, os espíritos, após a desencarnação só podem retornar à Terra como "encarnados", depois de se prepararem em mundos que lhe são próprios, ou mundos de estágios, em número de 17 para quem encarna neste planeta.

Doutrina

Reencarnação

Ninguém reencarna a partir de outro lugar que não do seu próprio mundo de estágio espiritual. Somente os espíritos desconhecedores da realidade da vida espiritual, desgarrados, vaidosos, místicos, perturbados, rebeldes ficam presos por afinidade à atmosfera do planeta Terra. E até por mais inteligentes, bondosos e evoluídos que pareçam se não possuírem caráter exemplar e desprendimento em relação a vida material podem, também, ficar presos a este planeta. Por isso precisam retornar aos seus mundos, a fim de se prepararem para a próxima encarnação.

Astral Inferior

Na atmosfera terrestre permanecem espíritos desencarnados que ficam retidos pela Lei de Atração. A vibração de seus pensamentos não permite que percebam seu estado espiritual. Estão tão materializados que não conseguem alçar de volta aos seus mundos de estágio espiritual. Ficam retidos na atmosfera terrestre, sendo atraidos por pensamentos semelhantes emitidos pelos espíritos dos encarnados. A grande maioria dos fenômenos espiríticos e místicos não passam de manifestações destes espíritos. Sua presença na atmosfera é perniciosa para o espírito encarnado que permite a sua influência por alimentar pensamentos semelhantes. É a Lei de atração em ação. A grande maioria dos problemas, que a humanidade em geral e as pessoas em particular enfrentam, estão associados à influência perniciosa destes espíritos.

Astral Superior

O chamado "Astral Superior" ou espíritos mais evoluídos (da 18ª classe em diante), são espíritos que já processaram sua evolução no mundo terra e continuam sua evolução trabalhando astralmente. Estão em estágio de evolução elevado, mas ainda ligados ao mundo terra, trabalhando no sentido de garantir que os espíritos encarnados tenham as melhores condições para aproveitar ao máximo a sua encarnação. Neste sentido, limpam o ambiente, arrebatando da atmosfera terrestre espíritos do Astral Inferior, encaminhando-os aos seus respectivos mundos de estágio espiritual. Neste trabalho, precisam de pontos de apoio, pessoas com pensamentos elevados, cuja a vibração sintoniza-se com a destes espíritos. Esta corrente de pensamento é que permite sua aproximação e limpeza dos ambientes. Espíritos de mundos opacos ajudam estes espíritos neste trabalho astral invisível ao olho humano, mas de imenso valor aos encarnados.

Espíritos Superiores

Os espíritos verdadeiramente evoluídos, denominados "Superiores" em evolução, vivem em outros mundos, mais diáfanos, e só podem ser atraídos à Terra através de polos de atração muito fortes e com muita dificuldade, devido à diferença vibratória (ou de sintonia).

Sem o estabelecimento de pólos de atração suficientemente fortes seria impossível aos espíritos superiores alcançarem a Terra. Para isso, além dos seres esclarecidos (vivos, encarnados) que neste planeta lhe servem de instrumento, contam com o concurso dos espíritos de mundos "opacos" (aqueles que estão entre a 6ª e a 11ª classe).

Os espíritos do Astral Superior, ou aqueles de evolução superior à 17ª classe, só encarnam na Terra para missões especiais. E ainda como já foi dito, só retornam a este planeta, como desencarnados, para realizar atividades específicas. Não ficam dia e noite, a participar ou influenciar na rotina dos encarnados.



Última edição por Anarca em Dom Nov 01, 2009 1:51 pm, editado 1 vez(es)
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MensagemAssunto: Re: ESPIRITISMO   Dom Out 18, 2009 12:59 pm

Espiritismo Ramatisiano

No Brasil, desde a segunda metade da década de 1950, alguns centros espíritas seguem a doutrina ditada pelo espírito Ramatis (corporificada sobretudo nas obras psicografadas por Hercílio Maes). Distinguem-se dos centros espíritas tradicionais em função da maior ênfase ao universalismo (origem comum das religiões) e ao estudo comparado de religiões e filosofias espiritualistas ocidentais e orientais. Nota-se também a influência mais acentuada de correntes de pensamento orientais (tais como o budismo e o hinduísmo) e a proximidade com a cosmogonia do espiritualismo universalista.

Ramatis, Ramatís, Rama-tys ou Swami Sri Rama-tys é o nome atribuído por médiuns de diversos países a um espírito que seria o autor/inspirador de dezenas de obras escritas por eles. Hercílio Maes, América Paoliello Marques, Maria Margarida Liguori, Wagner Borges, Jan Val Ellam, Norberto Peixoto, Dalton Roque e Hur-Than de Shidha são alguns dos que afirmam comunicar-se ou terem se comunicado com Ramatis. O conjunto das obras atribuídas a ele representa a principal fonte bibliográfica e ideológica do espiritualismo universalista.

Histórico

Sua última encarnação teria sido na Indochina do século X d.C. À época, teria sido instrutor em santuários iniciáticos indianos, falecendo ainda cedo. Em reencarnação no século IV teria participado dos acontecimentos narrados no poema hindu Ramaiana. Segundo o médium Wagner Borges, o nome Ramatís homenageia dois personagens do Ramaiana: Lord Rama e sua esposa Sita. Também segundo Wagner Borges, Ramatís não nasceu na Indochina, mas na Índia, por suas caraterísticas hinduístas e por ser um mestre em mantras. Como o primeiro médium a escrever por Ramatís foi Hercílio Maes, cujo nome escreveu com a última vogal acentuada "í", esta é a forma correta de escrever o nome de "Ramatís", acentuando-se o i no final.

Doutrina

Para seus discípulos e admiradores, Ramatis coordena a "Fraternidade da Cruz e do Triângulo", equipe extrafísica de espíritos oriundos do cristianismo e das tradições religiosas do Oriente, comprometida em difundir síntese do conhecimento contido nas doutrinas religiosas e espiritualistas ocidentais e orientais, a fim de promover a integração da humanidade em torno de valores éticos e cosmoéticos em comum e a expansão dos horizontes conscienciais planetários.

O convite ao autoconhecimento assim como a conscientização do ser humano em relação ao seu habitat são conceitos sistêmicos igualmente abordados por Ramatis além dos temas pré-encarnação e os cidadãos do terceiro milênio. Nos últimos anos, Ramatis também teria se dedicado ao esclarecimento sobre o tema da umbanda e apometria através de diversas obras psicografadas por Norberto Peixoto e alguns artigos de Dalton Roque espalhados na internet.

O grupo universalista Voadores, ligado à Fraternidade da Cruz e do Triângulo, reúne alguns dos médiuns citados e também atribui a Ramatis a sua fundação e coordenação. Existem vários grupos de discussão e news de adeptos e admiradores de Ramatís, assim como inúmeras comunidades no orkut.

A Fraternidade Ramatis Hercílio Maes foi fundada pelo Diretor Geral da Unibem, professor que alega ser médium, Octávio Melchíades Ulysséa, para continuar o trabalho de Hercílio Maes, após sua morte, em Curitiba - PR.

O professor Ulysséa freqüentava a casa de Hercílio e dele era amigo. Disponibilizou dentro da Unibem (também referida como FIES - Faculdades Integradas "Espírita") local e infra-estrutura para o grupo simpatizante coordenado pelo sr. Epaminondas. Em novembro de 2007 através da iniciativa de um integrante desta fraternidade, seu membro Dalton Packer produziu um DVD com cerca de 15 minutos sobre a vida de Ramatís. Está agora desenvolvendo um outro trabalho sobre a vida de Hercílio Maes.

O repertório de estudos que teriam contado com a orientação do espírito de Ramatis se caracteriza pelo ecletismo, ao versar acerca de temas variados, tais quais fanatismo, ecumenismo, universalismo, espiritismo, teosofia, hinduísmo, cosmoética, transição planetária, conscienciologia, projeciologia, apometria,umbanda, ufologia, vegetarianismo, esperanto, câncer, tabagismo, alcoolismo, bioenergias, magia negra, chacras, mediunidade, projeção da consciência (viagem astral), autoconhecimento, leis do carma, projeto reencarnatório, suicídio, sexo, procriação, futuro do Brasil e da Terra, Jesus e profecias bíblicas.

Médiuns Diversos

Em função da proposta universalista de Ramatís, os médiuns que psicografam suas obras possuem perfis diferenciados, mesclando influências do esoterismo, do hinduísmo, da umbanda, da doutrina espírita, da Conscienciologia, da Projeciologia e do espiritualismo laico e temporal.
Os distintos perfis de seus médiuns e a mediunidade inspirativa (não-mecânica) de muitos deles fazem com que possuam, muitas vezes, opiniões diferentes sobre mesmas temáticas e controvérsias conscienciais.
Para que se tenha visão abrangente do pensamento de Ramatis é necessário comparar o conteúdo das obras escritas por seus médiuns e extrair desse cotejo pontos de convergência. As semelhanças residem no discurso do espiritualismo universalista, na abordagem de questões pouco discutidas na literatura espiritualista (ou na expressão de enfoques e pontos de vista pioneiros) e na invocação de princípios éticos universais. As diferenças radicam na simpatia ou antipatia por profecias apocalípticas, nos distintos estilos literários (mais coloquiais ou mais formais), áreas temáticas de especialização e no grau de proximidade do espiritualismo laico ostentado por cada médium.


Última edição por Anarca em Dom Nov 01, 2009 1:47 pm, editado 1 vez(es)
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MensagemAssunto: Re: ESPIRITISMO   Qua Out 21, 2009 8:46 pm

Apometria

Surgiu no Brasil, na década de 1960, como uma forma de tratamento alternativo a doentes desenganados. Através de um trabalho de sistematização coordenado pelo Dr. José Lacerda de Azevedo, do Hospital Espírita de Porto Alegre, foram fixadas as Leis da Apometria.

Apometria é o nome dado a uma prática científica-espiritual, consistindo na emancipação temporária da alma, que pode se desligar parcialmente do corpo, com o objetivo de promover a cura e o bem-estar. Sua eficácia é dirigida tanto ao próprio praticante quanto a outras pessoas previamente selecionadas para participar do tratamento. Etimologicamente o termo se compõe do prefixo grego apo (além) e do radical metria (medida).

De acordo com seus preceitos, é uma espécie de energia, direcionada pela atuação da força de vontade do condutor dos trabalhos, e impregnada de amor, canalizada na forma de "pulsos magnéticos" para tratar portadores de transtornos psicológicos, doenças genéticas de difícil resposta à terapêutica médica, ou consideradas incuráveis.

A prática surgiu nos anos 60, como um tratamento alternativo a doentes desenganados. Através do trabalho coordenado pelo Dr. José Lacerda de Azevedo, do Hospital Espírita de Porto Alegre, foram estruturadas as Leis da Apometria.

Leis da Apometria

Primeira Lei: Lei do desdobramento espiritual.
Segunda Lei: Lei do acoplamento físico.
Terceira Lei: Lei da ação à distancia, pelo espírito desdobrado.
Quarta Lei: Lei da formação dos campos-de-força.
Quinta Lei: Lei da revitalização dos médiuns.
Sexta Lei: Lei da condução do espírito desdobrado, de paciente encarnado, para os planos mais altos, em hospitais do astral.
Sétima Lei: Lei da ação dos espíritos desencarnados socorristas sobre os pacientes desdobrados.
Oitava Lei: Lei do ajustamento de sintonia vibratória dos espíritos desencarnados com o médium ou com outros espíritos desencarnados, ou de ajustamento da sintonia destes com o ambiente para onde, momentaneamente, forem enviados.
Nona Lei: Lei do deslocamento de um espírito no espaço e no tempo.
Décima Lei: Lei da dissociação do espaço-tempo.
Décima Primeira Lei: Lei da ação telúrica sobre os espíritos desencarnados que evitam a reencarnação.
Décima Segunda Lei: Lei do choque do tempo.
Décima Terceira Lei: Lei da influência dos espíritos desencarnados, em sofrimento, vivendo ainda no passado, sobre o presente dos doentes obsediados.
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MensagemAssunto: Re: ESPIRITISMO   Dom Nov 01, 2009 2:01 pm

Candomblé (Culto Afro-Brasileiro)

Candomblé, culto dos orixás, de origem totêmica e familiar, é uma das religiões afro-brasileiras praticadas principalmente no Brasil, pelo chamado povo do santo, mas também em outros países como Uruguai, Argentina, Venezuela, Colômbia, Panamá e México. Na Europa: Alemanha, Itália, Portugal e Espanha.

A religião que tem por base a anima (alma) da Natureza, sendo portanto chamada de anímica, foi desenvolvida no Brasil com o conhecimento dos sacerdotes africanos que foram escravizados e trazidos da África para o Brasil, juntamente com seus Orixás/Inquices/Voduns, sua cultura, e seu idioma, entre 1549 e 1888.

Embora confinado originalmente à população de negros escravizados, proibido pela igreja católica, e criminalizado mesmo por alguns governos, o candomblé prosperou nos quatro séculos, e expandiu consideravelmente desde o fim da escravatura em 1888. Estabeleceu-se com seguidores de várias classes sociais e dezenas de milhares de templos. Em levantamentos recentes, aproximadamente 3 milhões de brasileiros (1,5% da população total) declararam o candomblé como sua religião. Na cidade de Salvador existem 2.230 terreiros registrados na Federação Baiana de Cultos Afro-brasileiros e catalogado pelo Centro de Estudos Afro-Orientais da UFBA, (Universidade Federal da Bahia) Mapeamento dos Terreiros de Candomblé de Salvador. Entretanto, na cultura brasileira as religiões não são vistas como mutuamente exclusivas, e muitos povos de outras crenças religiosas - até 70 milhões, de acordo com algumas organizações culturais Afro-Brasileiras - participam em rituais do candomblé, regularmente ou ocasionalmente. Orixás do Candomblé, os rituais, e as festas são agora uma parte integrante da cultura e uma parte do folclore brasileiro.

O Candomblé não deve ser confundido com Umbanda, Macumba e/ou Omoloko, outras religiões afro-brasileiras com similar origem; e com religiões afro-americanas similares em outros países do Novo Mundo, como o Vodou haitiano, a Santeria cubana, e o Obeah, em Trinidade e Tobago, os Shangos (similar ao Tchamba [3africano, Xambá e ao Xangô do Nordeste do Brasil) o Ourisha, de origem yorubá, os quais foram desenvolvidas independentemente do Candomblé e são virtualmente desconhecidos no Brasil.

Nações

Os negros escravizados no Brasil pertenciam a diversos grupos étnicos, incluindo os yoruba, os ewe, os fon, e os bantu. Como a religião se tornou semi-independente em regiões diferentes do país, entre grupos étnicos diferentes, evoluíram diversas "divisões" ou nações, que se distinguem entre si principalmente pelo conjunto de divindades veneradas, o atabaque (música) e a língua sagrada usada nos rituais.

Crenças

Candomblé é uma religião "monoteísta", embora alguns defendam a ideia que são cultuados vários deuses, o deus único para a Nação Ketu é Olorum, para a Nação Bantu é Nzambi e para a Nação Jeje é Mawu, são nações independentes na prática diária e em virtude do sincretismo existente no Brasil a maioria dos participantes consideram como sendo o mesmo Deus da Igreja Católica.

Os Orixás/Inquices/Voduns recebem homenagens regulares, com oferendas de animais, vegetais e minerais, cânticos, danças e roupas especiais. Mesmo quando há na mitologia referência a uma divindade criadora, essa divindade tem muita importância no dia-a-dia dos membros do terreiro, como é o caso do Deus Cristão que na maioria das vezes são confundidos.

Orixás têm individuais personalidades, habilidades e preferências rituais, e são conectados ao fenômeno natural específico (um conceito não muito diferente do Kami do japonês Xintoísmo). Toda pessoa é escolhida no nascimento por um ou vários "patronos" Orixás, que um babalorixá identificará. Alguns Orixás são "incorporados" por pessoas iniciadas durante o ritual do candomblé, outros Orixás não, apenas são cultuados em árvores pela coletividade. Alguns Orixás chamados Funfun (branco), que fizeram parte da criação do mundo, também não são incorporados.

Sincretismo

No tempo das senzalas os negros para poderem cultuar seus Orixás, Inkices e Voduns usaram como camuflagem um altar com imagens de santos católicos e por baixo os assentamentos escondidos, segundo alguns pesquisadores este sincretismo já havia começado na África, induzida pelos próprios missionários para facilitar a conversão.

Depois da libertação dos escravos começaram a surgir as primeiras casas de candomblé, e é fato que o candomblé de séculos tenha incorporado muitos elementos do Cristianismo. Crucifixos e imagens eram exibidos nos templos, Orixás eram freqüentemente identificados com Santos Católicos, algumas casas de candomblé também incorporam entidades caboclos, que eram consideradas pagans como os Orixás.

Mesmo usando imagens e crucifixos inspiravam perseguições por autoridades e pela Igreja, que viam o candomblé como paganismo e bruxaria, muitos mesmo não sabendo nem o que era isso.

Nos últimos anos, tem aumentado um movimento "fundamentalista" em algumas casas de candomblé que rejeitam o sincretismo aos elementos Cristãos e procuram recriar um candomblé "mais puro" baseado exclusivamente nos elementos Africanos.
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MensagemAssunto: Re: ESPIRITISMO   Dom Nov 01, 2009 2:07 pm

Umbanda (Culto Afro-Brasileiro)

Umbanda é uma religião formada dentro da cultura religiosa brasileira que sincretiza elementos vários, inclusive de outras religiões como o catolicismo, o espiritismo e as religiões afro-brasileiras.

As raízes da Umbanda são difusas. Existem diversas ramificações onde podemos encontrar influências indígenas (Umbanda de Caboclo), Africanas (Umbandomblé, Umbanda traçada) e diversas outras de cunho esotérico (Umbanda Esotérica, Umbanda Iniciática). Existe também a "Umbanda popular", onde encontraremos um pouco de cada coisa ou um cadinho de cada ancestralidade, onde o sincretismo (associação de santos católicos aos orixás africanos) é muito comum.

Não existe uma fonte única que reflita a origem da Umbanda. Cada vertente tem as suas origens e história. Mais recentemente, na década de 1970, aceitou-se que Zélio Fernandino de Moraes teria sido o anunciador da Umbanda através do Caboclo das Sete Encruzilhadas (1908) em determinados moldes, fazendo com que ela pudesse ser institucionalizada como religião. Porém, o trabalho dos guias (pretos velhos, caboclos, crianças, exus, etc.) é bem anterior a Zélio.

Mantém-se na Umbanda o sincretismo religioso com o catolicismo e os seus santos, assim como no antigo Candomblé dos escravos, por uma questão de tradição, pois antigamente fazia-se necessário como uma forma de tornar aceito o culto afro-brasileiro sem que fosse visto como algo estranho e desconhecido, e, portanto, perseguido e combatido.

Há discordância sobre as cores votivas de cada orixá conforme o local do Brasil e a tradição seguida por seus seguidores. Da mesma forma quanto ao Santo sincretizado a cada orixá.

Alguns exemplos:

Ogum - São Jorge OU Santo Antonio na bahia;
Oxossi - São Sebastião;
Xangô - São Jerônimo,São João Batista, São Miguel Arcanjo
Iemanjá - Nossa Senhora dos Navegantes;
Oxum - Nossa Senhora da Conceição;
Yansan - Santa Bárbara;
Omulu - São Roque;
Obá - Santa Rita de Cássia, Santa Joana d'Arc
Obaluaê - São Lázaro;
Nanã - Sant'Anna;
Egunitá - Santa Sara Kali,
Oxalá - Divino Jesus Cristo, o Ser Cristalino.

Os fundamentos

Os fundamentos da Umbanda variam conforme a vertente que a pratique.

Existem alguns conceitos básicos que são encontrados na maioria das casas e assim podem, com certa ressalva e cuidado, ser generalizados para todas as formas de Umbanda. São eles:

A existência de uma fonte criadora universal, um Deus supremo, chamado Olorum ou Zambi;
A obediência aos ensinamentos básicos dos valores humanos, como: fraternidade, caridade e respeito ao próximo. Sendo a caridade uma máxima encontrada em todas as manifestações existentes;
O culto aos orixás como manifestações divinas, em que cada orixá controla e se confunde com um elemento da natureza do planeta ou da própria personalidade humana, em suas necessidades e construções de vida e sobrevivência;
A manifestação dos Guias para exercer o trabalho espiritual incorporado em seus médiuns ou "cavalos";
O mediunismo como forma de contato entre o mundo físico e o espiritual, manifesta de diferentes formas;
Uma doutrina, uma regra, uma conduta moral e espiritual que é seguida em cada casa de forma variada e diferenciada, mas que existe para nortear os trabalhos de cada terreiro;
A crença na imortalidade da alma;
A crença na reencarnação e nas leis cármicas;

Um Deus único e superior

Deus, em sua benevolência e em sua força emana de si e através dos orixás e dos guias (espíritos desencarnados) seu amor, auxiliando os homens em sua caminhada para a elevação espiritual e intelectual.

Os Orixás

Na Umbanda os Orixás são energias, forças da natureza que estão presentes em todos os lugares, influenciando as pessoas e irradiando energias que mantém o equilíbrio natural dos elementos em relação ao universo.

Uma interpretação mais objetiva coloca os orixás como espíritos que progrediram muito espiritualmente, não necessitando mais do processo reencarnatório, e que para darem continuidade no seu progresso espiritual possuem como missão organizar e orientar uma rede de espíritos com menos progresso espiritual do que eles, ajudando-os a progredirem espiritualmente.

Cada pessoa está ligada a um desses orixás e suas características são encontradas em seus filhos, seja na forma física ou, mais evidente, nas características psicológicas e comportamentais a qual a pessoa está relacionada.

Os elementos nos quais se manifestam os orixás cultuados na umbanda são:

Oxalá Onipresente, Ogum estradas e campinas, Oxóssi nas matas, Xangô pedreiras, Oxum cachoeiras, Iansã ventos e tempestades, Iemanjá no mar, Obaluaê na terra, Nanã nas águas paradas e da lama dos fundos dos rios e lagos, além da água das chuvas.

Sincretismo

A Umbanda é uma junção de elementos africanos (orixás e culto aos antepassados), indígenas (culto aos antepassados e elementos da natureza), Catolicismo (o europeu, que trouxe o cristianismo e seus santos que foram sincretizados pelos Negros Africanos), Espiritismo(fundamentos espíritas, reencarnação, lei do carma, progresso espiritual etc).

A Umbanda prega a existência pacífica e o respeito ao ser humano, à natureza e a Deus. Respeitando todas as manifestações de fé, independentes da religião. Em decorrência de suas raízes, a Umbanda tem um caráter eminentemente pluralista, compreende a diversidade e valoriza a diferenças. Não há dogmas ou liturgia universalmente adotadas entre os praticantes, o que permite uma ampla liberdade de manifestação da crença e diversas formas válidas de culto.

A máxima dentro da Umbanda é "Dê de graça, o que de graça recebestes: com amor, humildade, caridade e fé".

O culto umbandista

A Umbanda tem como lugar de culto o templo, terreiro ou Centro, que é o local onde os Umbandistas se encontram para realização do culto aos orixás e dos seus guias, que na Umbanda se denominam giras.

O chefe do culto no Centro é o Sacerdote ou Sacerdotisa (pode ser Babá, Zelador, Dirigiente, Diretor(a) de culto, Mestre(a), sempre dependendo da forma escolhida por cada casa). São os médiuns mais experientes e com maior conhecimento, normalmente fundadores do terreiro. São quem coordenam as sessões/giras e que irão incorporar o guia-chefe, que comandará a espiritualidade e a materialidade durante os trabalhos.

Vale lembrar que o termo pai-de-santo ou mãe-de-santo não deve ser aplicado na religião de Umbanda, pois estes termos são oriundos do Candomblé, que é uma religião diferente da Umbanda.

Como uma religião espiritualista, a ligação entre os encarnados e os desencarnados se faz por meio dos médiuns. Na Umbanda existem várias classes de médiuns, de acordo com o tipo de mediunidade. Normalmente há os médiuns de incorporação, que irão "emprestar" seus corpos para os guias e para os orixás.

Há também os atabaqueiros, que transmitem a vibração da espiritualidade superior por via dos atabaques, criando um campo energético favorável à atração de determinados espíritos, sendo muitas vezes responsáveis pela harmonia da gira. Há os Corimbas, que são os que comandam os cânticos e as cambonas que são encarregadas de atender as entidades, provisionando todo o material necessário para a realização dos trabalhos.

Embora caiba ao sacerdote ou à sacerdotisa responsável o comando vibratório do rito, grande importância é dada à cooperação, ao trabalho coletivo de toda a corrente mediúnica.

Segundo a Umbanda, as entidades que são incorporadas pelos médiuns podem ser pretos-velhos, caboclos, boiadeiros, mineiros, crianças, marinheiros, ciganos, baianos, orientais e exus.

As sessões

O culto nos terreiros é dividido em sessões de desenvolvimento e de consulta, e essas, são subdivididas em giras.

Nas sessões de consulta, onde comumente podemos encontrar Pretos-Velhos, Caboclos, Ciganos... As pessoas conversam com as entidades a fim de obter ajuda e conselhos para suas vidas, curas, descarregos, e para resolver problemas espirituais diversos.

As ocorrências mais comuns nessas sessões são o "passe" e o descarrego.

No passe, a entidade reorganiza o campo energético astral da pessoa, energizando-a e retirando toda a parte fluídica negativa que nela possa estar.

O descarrego é feito com o auxílio de um médium, o qual irá captar a energia negativa da pessoa e a transferir para os assentamentos ou fundamentos do terreiro que contém elementos dissipadores dessas energias. Também a entidade faz com que essa energia seja deslocada para o astral. Caso seja um obsessor, o espírito obsediador é retirado e encaminhado para tratamento ou para um lugar mais adequado no astral inferior caso ele não aceite a luz que lhe é dada. Nesses casos pode ser necessária a presença de um ou mais Exus (um gênero de espírito desencarnado) para auxiliar a desobsessão.

Os dias de Consulta e/ou Desenvolvimento podem variar de casa para casa, de Linha Doutrinária para Linha Doutrinária. Nos dias de consulta há o atendimento da assistência e nos dias de desenvolvimento há as giras médiunicas, que são fechadas à assistência, onde os sacerdotes educam e ensinam os mecanismos próprios da mediunidade.

Médiuns

Médium é toda pessoa que, segundo a Doutrina Espírita, que tem a capacidade de se comunicar com entidades desencarnadas ou espíritos, seja pela mecânica da incorporação, pela vidência (ver), pela audiência (ouvir) ou pela psicografia (escrever movido pelos espíritos).

A Umbanda crê que o médium tem o compromisso de servir como um instrumento de guias ou entidades espirituais superiores. Para tanto, deve se preparar através do estudo, desenvolvendo a sua mediunidade, sempre prezando a elevação moral e espiritual, a aprendizagem conceitual e prática da Umbanda, respeitar os guias e orixás; ter assiduidade e compromisso com sua casa, ter caridade em seu coração, amor e fé em sua mente e espírito, e saber que a Umbanda é uma prática que deve ser vivenciada no dia-a-dia, e não apenas no terreiro.

Uma das regras básicas da umbanda é que a mediunidade não deve ser vista ou vivenciada vaidosamente como um dom ou poder maior concedido ao médium, segundo os umbandistas, mas sim como um compromisso e uma oportunidade que lhe foi dada para resgate kármico e expiação de faltas pregressas antes mesmo da pessoa reencarnar. Por isso não deve ser encarada como um fardo ou como uma forma de ganhar dinheiro, mas como uma oportunidade valiosa para praticar o bem e a caridade.

Existe médiuns que acabam distorcendo o verdadeiro papel que lhes foi dado e se envaidecem, agindo de forma leviana em suas vidas. O médium deve tangir sua vida como sendo um mensageiro de Deus, dos orixás e guias. Ter um comportamento moral e profissional dignos, ser honesto e íntegro em suas atitudes, pois do contrário acaba atraindo forças negativas, obsessores ou espíritos revoltados que vagam pelo mundo espiritual atrás de encarnados desequilibrados que estejam na mesma faixa vibracional que eles. Por isso, desenvolver a mediunidade é um processo que deve ser encarado de forma séria e regido através de um profundo estudo da religião, e seguido por conceitos morais e éticos. Ser orientado e iniciado por uma casa que pratica o bem é essencial.

As pessoas que são médiuns devem levar sempre a sério sua missão, ter muito amor e dar valor ao que fazem, tendo sempre boa-vontade nos trabalhos de seu terreiro e na vida diária.

O médium deve tomar, sempre que necessário, os banhos de descarrego adequados aos seus orixás e guias, estar pontualmente no terreiro com sua roupa sempre limpa, conversar sempre com o chefe espiritual do terreiro quando estiver com alguma dúvida, problema espiritual ou material.

Sobre o estudo da mediunidade e do médium, pode-se utilizar como fonte para estudos a relação que existe abaixo, no item "Literatura Umbandista". Alguns terreiros utilizam-se das obras Espíritas (codificadas por Allan Kardec), mas a maioria segue as orientações da literatura umbandista que é prolífica nas discussões teóricas e nas orientações práticas. Há livros umbandistas a partir da década de 1930.

Polêmicas dentro das "Umbandas"

Sacrifício ritual de animais

Existem várias ramificações dentro da Religião de Umbanda entretanto na umbanda não se usa o sacrifício de animais em hipótese alguma. Esta prática está ligada a algumas linhas que ainda cultuam junto com a umbanda alguns rituais de religiões afro-brasileiras. Apesar da umbanda ser bastante ramificada, denominamos traçada - alusão ao sincretismo com o candomblé - a umbanda que ainda carrega em seus cultos o sacrifício de animais. Em suma, qualquer ritual onde se pratica a imolação animal não deve utilizar o nome "Umbanda".

Uso de bebidas alcoólicas

Também encontramos terreiros dos seguintes tipos:

Os que as entidades incorporadas não usam bebidas (muitas vezes por questão do próprio médium não estar preparado para este tipo de trabalho com bebida) criando uma espécie de tabu;
Os que elas bebem durante os trabalhos (tanto os que fazem o uso correto deste elemento, como os que abusam);
Os que usam bebida em situações mais veladas (existindo um certo rigor quanto a sua utilização, buscando coibir abusos de médiuns ainda em preparação).
Toda essa controvérsia é gerada pelo uso que as pessoas fazem das bebidas alcoólicas na vida diária, muitas vezes caindo no vício do alcoolismo, trazendo consequências graves para sua vida material e espiritual.

Ocorre que médiuns predispostos ao vício podem, ao invés de atraírem espíritos de luz, afinizarem-se com espíritos de viciados que já morreram - esses espíritos serão obcessores dessa pessoa, uma vez que ela satisfaz seus desejos materialistas. Note-se que o álcool é um elemento usado na magia para trabalhos para o bem; abusos nunca são tolerados e exibicionismo não são sinais de incorporações de luz.

Existem casas que, por ordem do mentor espiritual, nunca usaram ou deixaram de utilizar o fumo, assim como a bebida alcoólica, sem que por isso, tivessem qualquer problema com as entidades que, por ventura, utilizavam esses elementos. Afinal, os espíritos podem se adaptar e mudar a forma de trabalhar de acordo com o fundamento de cada instituição.

É importante ressaltar, ainda, que quanto menos o espírito utilizar materiais terrenos melhor. Eles podem trabalhar com elementos bastante etérios e tão eficazes quanto, como os fluidos do próprio médium.

Paramentos

Na Umbanda, os médiuns usam normalmente como paramentos apenas roupas brancas, podendo estar os pés descalços, representando a simplicidade e a humildade. Mas há Umbandas que também utilizam roupas com as cores de cada linha. Por exemplo, em giras de Ogum se utiliza camisas ou batas vermelhas e calças e saias brancas. Nas giras de esquerda as roupas são pretas, sendo que as filhas de santo podem se vestir de vermelho e preto.

Pode ocorrer, por exemplo, que uma entidade de Preta-velha solicite uma saia ou um lenço para amarrar os cabelos; isso visa a proporcionar que o médium se pareça mais com a entidade que está incorporando. Também há os apetrechos dos guias. Por exemplo, os Caboclos costumam utilizar cocares, alguns utilizam machadinhas de pedra, chocalhos, etc.

Uma outra visão sobre os paramentos e apetrechos materiais utilizados pelos médiuns é de que são usados pelos espíritos como condensadores de energia: um modo de concentrar a energia e depois enviá-la, se positiva, ou dissipá-la no elemento apropriado, quando negativa.
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MensagemAssunto: Re: ESPIRITISMO   Qua Nov 04, 2009 11:23 pm

Conscienciologia

Conscienciologia é o termo proposto pelo médico e pesquisador brasileiro Waldo Vieira para definir o que seria uma nova ciência dedicada ao estudo da consciência, que, dentre outros termos, é aquilo o que se denomina por ego, alma, espírito, essência, eu, individualidade, personalidade, pessoa, self, ser e sujeito.

Segundo Vieira, a Conscienciologia parte do princípio de que a manifestação da consciência vai além do cérebro físico e que seria independente do corpo humano. Este fato poderia ser verificado, dentre outras maneiras, por meio da experiência fora-do-corpo. Ainda segundo Vieira, a Conscienciologia como ciência não seria restrita ao paradigma newtoniano-cartesiano e aos métodos convencionais de pesquisa científica, mas segue um novo modelo de idéias denominado paradigma consciencial.

Histórico:

O termo conscienciológico foi descrito, ao que as pesquisas indicam, pela primeira vez pelo filósofo brasileiro Miguel Reale em sua obra "Filosofia do Direito" (p. 120), em 1978:

"Temos, pois, em primeiro lugar, o chamado idealismo psicológico ou "conscienciológico", que consiste em dizer que a realidade é cognoscível se e enquanto se projeta no plano da consciência, revelando-se como momento ou conteudo de nossa vida interior" (REALE, 1978, p.120)

No entanto, no ano seguinte, Vieira em seu livro Projeções da Consciência: Diário de Experiências Fora do Corpo Físico (1979) propõe o termo "Conscienciologia". Considera-se o criador do termo "conscienciológico" e portanto "conscienciologia" Reale.

A proposta original de Vieira era o estudo das experiências fora do corpo para o qual ele criou o termo Projeciologia, surgido inicialmente na obra Projeçoes da Consciência: Diário de Experiências Fora do Corpo Físico. Este campo de estudos foi sistematizado com a publicação, em 1986, do tratado Projeciologia: Panorama das Experiências da Consciência Fora do Corpo Humano.

Posteriormente, avançando a partir das experiências fora do corpo para um estudo mais abrangente da consciência, com o livro 700 Experimentos da Conscienciologia (1994), Vieira dedicou-se a estabelecer as bases de uma nova ciência, a Conscienciologia. Nesse intuito, seus esforços concentraram-se em estabelecer o escopo, as áreas subssidiárias (disciplinas) e forma de se estudar a consciência.

Para promover a Projeciologia, Vieira criou em 1988 uma instituição denominada IIP (Instituto Internacional de Projeciologia), renomeada em 1994 como IIPC (Instituto Internacional de Projeciologia e Conscienciologia) quando a Conscienciologia passou a ser o foco de seu trabalho.

Desde então, a difusão da Conscienciologia vem sendo feita sistematicamente no Brasil e no exterior por meio da publicação de livros, artigos e periódicos, assim como por meio de cursos seminários e congressos promovidos pelo IIPC e por outras instituições congêneres (Instituições Conscienciocêntricas no jargão da Conscienciologia) que seguem os princípios estabelecidos por Vieira.

Em 1995, os colaboradores de Vieira decidiram criar na cidade de Foz do Iguaçu, no estado do Paraná, um centro de pesquisas com a finalidade de promover o estudo da Conscienciologia, denominado CEAEC (Centro de Altos Estudos da Consciência). Nos anos seguintes outros centros semelhantes foram criados no Brasil e no exterior com o mesmo objetivo.

Fundamentos:

A conscienciologia, segundo Vieira, é o estudo da consciência em uma abordagem integral, holossomática, multidimensional, projetiva e autoconsciente.

Holossoma é o conjunto dos quatro veículos de manifestação (corpos) usados pela consciência para se manifestar: o soma (corpo físico), o energossoma (corpo energético, duplo etérico, corpo bioplásmico), o psicossoma (corpo astral) e o mentalsoma (corpo mental).

O corpo físico seria extinto com a morte fisica, após a qual a consciência se manifestaria exclusivamente em dimensões extrafísicas empregando seus demais corpos até que, por forças naturais ou não, ela volte a constituir um novo corpo físico (reencarnação). A consciência teria, portanto, um aspecto multiexistencial.

A natureza multidimensional da consciência fica evidenciada durante o fenômeno da experiência fora do corpo (projeção da consciência) quando ela pode se manifestar de forma lúcida em outras dimensões de espaço-tempo além da dimensão física que conhecemos, empregando os corpos não físicos que constituem o seu holossoma.

Além de estar sujeita as forças básicas da natureza, a consciência também interage por meio de bioenergias (energia vital, prana, orgonio, chi) com outras consciências, com outros seres vivos, com o ambiente. Por meio das bioenergias a consciência interfere e sofre interferências do meio.

A consciência seria intimamente regida por uma ética maior que permeia todo o universo, denominada cosmoética. A cosmoética não se limitaria aos conceitos de "certo" e "errado". Ela é orientada pela evolução da consciência, em qualquer dimensão de manifestação. Assim, não se pergunta se uma idéia ou ação é certa, mas se é a favor da evolução das consciências.

Segundo Vieira, o estudo da Conscienciologia com base nesses pressupostos constitui um paradigma consciencial, um novo modelo de idéias, distinto, portanto, do paradigma adotado pelas ciências tradicionais. Ainda segundo o autor, o escopo da Conscienciologia é o estudo da consciência do vírus (a forma mais simples de consciência) ao Serenão, a consciência mais evoluída existente em nosso planeta.

No intuito de sistematizar a Conscienciologia, Vieira também estabeleceu uma relação de 70 possíveis especialidades ou disciplinas que organizam e aprofundam os estudos da conscienciologia. Um link para a relação dessas especialidades encontra-se abaixo (veja em Links Externos).

Por fim, as publicações conscienciológicas geralmente seguem os preceitos de redação estabelecidos por Vieira em seu livro Manual de Redação da Conscienciologia (1997).

Críticas à Conscienciologia:

Por não ser reconhecida como uma ciência de fato, a Conscienciologia é, naturalmente, alvo de inúmeras críticas por razões muito compreensíveis. Derivada direta da antiga Metapsíquica, que interessava-se pela investigação qualitativa dos fenômenos psiquicos ou paranormais, acolhida com louvor pela comunidade espirita no Brasil, Vieira traz essas bases justamente numa época em que os experimentos qualitativos deram lugar aos experimentos de laboratório, a partir da Parapsicologia Experimental, com os fenomenos de ESP e PK sendo comprovados em laboratório, com bases nos fundamentos de Rhine.

A Conscienciologia, pois, nasce embebedecida na Metapsiquica, nos experimentos subjetivos, sem maior preocupação com rigor próprio da ciência, ou seja, definição de método e pesquisas realizadas com ampla liberdade de investigações.

Sob o ponto de vista da comunidade científica, a Conscienciologia seria meramente uma corrente dissidente do espiritismo criada por Vieira, que assume como característica básica o deslocamento da ênfase no aspecto moral dessa doutrina em favor do experimentalismo (Veja o item 1 da Bibliografia).

Muitos críticos consideram que a Conscienciologia seria baseada em antigas idéias, técnicas e metodologias, e que ela, em grande parte, se baseia em tradicionis conceituações, classificações, valores, normas de conduta, procedimentos e teorias oriundos de outras linhas de pensamento tais como o Budismo, a Teosofia, a Parapsicologia e a Doutrina Espírita, motivo pelo qual a Conscienciologia também recebe críticas da comunidade espírita.

Por outro lado, Vieira e seus colaboradores sugerem a necessidade de novos termos técnicos para atender, pelo menos, duas necessidades: a) deixar de usar um termo antigo, de significação restritiva (muitas vezes, de cunho religioso); b) utilizar um termo que compreenda melhor a realidade do objeto em questão, na perspectiva do paradigma consciencial.

Desta forma, por estar centrada hoje, nesse processo de alterações conceituais e "neologização", acabou por se debruçar demasiadamente num campo de pesquisa que é mais "linguistica" do que pesquisa da consciência. A experiência é mais importante que os conceitos ou as teorias; vivências são mais significativas que conceitos. Isso sugere o principio da "teática", onde na prática desta ciência, a crítica não encontra correlação lógica.

Outra crítica a Conscienciologia se dá à obra que teoricamente a fundamenta: 700 Experimentos da Conscienciologia, escrita por Waldo Vieira. Em tal obra, não encontramos "experimentos", mas sugestões para experimentos, o que coloca um ponto de interrogação na discussão. O que significam, pois, "experimentos"? Do ponto de vista científico, a obra apresenta recheada de "pontos de vista" do autor, opiniões diretas a respeitos de temas complexos, sem maior aprofundamento, mostrando distância de ciência do campo psíquico. Ao expor suas opiniões sobre a sexualidade, por exemplo, não apresenta pesquisas mais sólidas do assunto, ficando mais numa espécie de "norma conscienciológica", um outro ponto de vista da moral religiosa. A obra, pois, apesar de conter elementos interessantes de estudo, em termos de rigor científico carece de maior fundamentação para se propor como ciência a Conscienciologia. Por outro lado, a Projeciologia, em seu tratado escrito pelo mesmo autor, trata-se de obra bastante relevante do ponto de vista científico, apresentando coerência metodológica, epistemológica e isenta de preceitos morais, dá ao sujeito a liberdade de agir conforme sua própria moral. Já a obra Homo Sapiens Reurbanizatus, de Vieira, apresenta repetições de outras de suas obras, transcrições que poderiam ser citações de referências, e "uma tonelada" de referências, tópicos, sessões e subsessões, um rigor até mesmo obsessivo no que tange às organizações das referências bibliográficas. Em tal obra o autor defende a tese da reurbanização extrafísica e do homo sapiens reurbanizatus. No todo da obra, apesar da "classificação das consréus" numa tipologia e quase uma caracterologia da personalidade (traços), o autor numa linha quase psiquiátrica e com uma lógica centrada na patologia (abordagem já ultrapassada), vem trazer as consréus como "consciências patológicas". Assim, reafirma a dualidade "saúde" e "doença" do outro. Tenta, como coloca na introdução, mapear um estado da Terra, o que obviamente, fica bem longe do esperado. O livro logicamente, poderia ser menos obsessivo nas referências e mais objetivo na idéia e nos experimentos. A pesquisa é essencialmente teórica. Em nenhum momento encontramos relatos projetivos ou outros experimentos que fundamentaram a idéia base do livro. É, pois, mais uma obra de reflexões filosóficas baseada em dados jornalísticos (fontes duvidosas e secundárias de pesquisa) do que de ciência. Apesar disso, a obra possui coerência nas idéias e na proposta de demonstrar por argumentos e por referências de fatos jornalisticos, a hipótese do homo sapiens reurbanizatus. É sem dúvida, uma teoria nova e inovadora e merece todo acolhimento das ciências parapsíquicas em geeral.

Apesar desta dificuldade, que é comum em toda ciência que se inicia, muito se sabe hoje de métodos seguros que levam a pessoa a sair do corpo com lucidez assim como perceber seus processos de energia, sem qualquer meio fisico de medição, e que gera replicabilidade. Assim, a estruturação dos Laboratórios Conscienciológicos e de espaços para experimentação de técnicas de indução de EFC, o mundo científico deve em muito a esta nova ciência, que opera esta realidade com abertura e ética.

Futuro da Conscienciologia:

O futuro da Conscienciologia é incerto. Para ser aceita como ciência, seus postulados terão que ser comprovados seja por meio de métodos científicos experimentais, seja por outros meios que, no futuro, venham a ser aceitos como válidos pela comunidade científica. Uma das novas propostas de se provar a "hipótese do corpo objetivo", que fundamenta toda a Conscienciologia e a Projeciologia, assim como a Parapsicologia, é o Projeciotron. O Projeciotron é a hipótese da máquina de indução de experiência fora do corpo (ver: Conscienciopedia, verbete: projeciotron). Através desta máquina, supomos que quaisquer pessoas poderão experimentar a projeção para fora do corpo. Assim, poderemos universalizar os experimentos e alcançar o critério de saturação em pesquisa científica.

Existem diferenças fundamentais entre o método de pesquisa da Conscienciologia e das ciências já estabelecidas. No paradigma (modelo, referencial) materialista, são utilizados recursos como objetividade e replicabilidade para a comprovação ou não de teses.

Como demonstrar ou falsificar destas formas a saída fora do corpo ou o uso das bioenergias? Segundo a Conscienciologia, a experiência subjetiva deve ser considerada neste tipo de investigação, junto de um consenso entre experimentadores e pesquisadores do assunto. Deste modo, as experiências individuais se somam para formar um consenso razoável quanto aos resultados das pesquisas.

Vale lembrar aqui que os sonhos não são fenômenos objetivos, porém são aceitos porque cada indivíduo tem seus próprios sonhos, havendo então um consenso quanto a sua existência, mesmo que não se compreenda o seu funcionamento. Do mesmo modo, a experiência fora do corpo e os fenômenos bioenergéticos seriam experiências que podem ser constatadas e consensuadas.

O mais importante de uma ciência é que ela seja útil e ética, para que atenda as necessidades de desenvolvimento da humanidade. Mais importante do que saber se a Conscienciologia será aceita como ciência pela comunidade científica, é saber quais os benefícios que tal abordagem oferece às pessoas.

Alguns pesquisadores da conscienciologia acreditam que a Conscienciologia poderá tornar-se a 8a força em Psicologia que se dispõem cronologicamente na seguinte ordem:

1ª força: Behaviorismo
2ª força: Psicanálise
3ª força: Humanista
4ª força: Transpessoal
5ª força: Metapsíquica
7ª força: Parapsicologia
8ª força: Conscienciologia

Nesta ordem, o conjunto "maior" contém o "menor". É importante esclarecer que as escolas se complementam e se interconectam, não sendo uma superior a outra. Existem, por exemplo, técnicas psicanalíticas mais eficientes que as conscienciológicas na superação de problemas específicos.
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MensagemAssunto: Re: ESPIRITISMO   Sex Nov 06, 2009 10:20 pm

Críticas ao espiritismo

Críticas ao Espiritismo é um artigo de orientação espírita que busca das respostas a controvérsias existentes no movimento espírita e pretende explicar o porquê de elas existirem. Além disso, trata de rebater críticas feitas aos adeptos da Doutrina Espírita por outros sistemas de crenças. As críticas à doutrina espírita são identificadas como "crítica contrária", já as respostas como "Crítica favorável" ou "Comentário".

Controvérsias no Movimento Espírita

Seguem alguns exemplos de controvérsias existentes no movimento espírita:

Questão:

Uma das características marcantes do Espiritismo é a inexistência de dogmas, o que equivale a dizer que ele é uma doutrina dinâmica que pode e deve evoluir à medida que a ciência humana evolui. No meio espírita não há nenhum órgão destinado a autorizar a publicação de livros nem a investigar o comportamento dos espíritas com o objetivo de censurá-los ou puni-los. Logo, a existência de controvérsias no movimento espírita é um fato absolutamente natural e compreensível, dado que cada pessoa é, segundo o Espiritismo, um espírito em um nível evolutivo específico.

Comentário:

Dogma, por definição, é o fundamento de uma doutrina, que não precisa ser provado, mas é incontestavelmente aceito pelos seus adeptos. O dogma do espíritismo está justamente na crença inabalável na exisência de um suposto plano espiritual, na existência de espíritos, na reencarnação, na herança reencarnatória de expiações, na evolução do espírito e na vida após a morte em si. Afirmações estas que não possuem provas reconhecidas pela ciência moderna, se não "fundamentadas" somente pela convicção dos adeptos. A confirmação de que a doutrina espírita possui dogmas, está na ausência total de passagens nas próprias codificações que questionam a possibilidade de que o contexto espiritual "revelado" seja inverídico, e também dos próprios adeptos que de forma nenhuma questionam tal suposta verdade. É verdade que não existem provas contra a existência de espíritos, assim como não existem provas definitivas de sua existência, porém, acreditar, divulgar e ensinar algo que não se sabe certamente ser verídico, são atitudes costumeiramente realizadas por religiões e crenças, baseadas justamente em dogmas.

Crítica favorável:

Os princípios da doutrina espírita são encarados, por seus adeptos, como axiomas de uma teoria, a princípio passíveis de validação científica. As próprias obras de base do Espiritismo incentivam a realização de pesquisas acerca desses axiomas, como da sobrevivência da alma à morte do corpo material, da comunicabilidade entre vivos e seres extracorpóreos e da reencarnação. Diferentemente do que ocorre com os pilares das religiões tradicionais, portanto, esses pontos não são considerados inquestionáveis. Dogma, por outro lado, é bem definido como um ponto fundamental e indiscutível de uma crença religiosa. Sendo os princípios da Doutrina Espírita tomados como verificáveis, em vez de indiscutíveis, não podem, pois, constituir dogmas.

Questão:

Segundo Allan Kardec, todos os espíritos têm que passar pelas provações da vida corporal, o que equivale a dizer que, pela vontade de Deus, todos somos obrigados a passar por experiências que podem trazer sofrimento.

Comentário:

Argumenta-se que Deus nos fez simples e ignorantes, dando-nos o livre-arbítrio e inscrevendo suas leis em nossa consciência. Assim, se sofremos, a responsabilidade é totalmente nossa. O Espiritismo se propõe a explicar o porquê do sofrimento e nos ensina os meios de evitá-lo no futuro, coisa que nem todas as religiões fazem. O problema desse argumento é que não existe aplicação do livre-arbítrio no ato da criação, ou seja, os espíritos são concebidos por Deus e têm de viver de acordo com a sua lei, quanto a que não têm escolha. Não existe, em tese, nenhum espírito que evolua sem passar por tais experiências e provações. Ele é obrigado a executar a maratona praticamente infinita de reencarnações e sofrimentos. Muitos ainda argumentam que existem espíritos estacionados na maratona evolutiva, por vontade própria.

Questão:

Para Allan Kardec, a mudança de sexo nas diferentes encarnações favorece o desenvolvimento espiritual, já para o escritor espírita Léon Denis essa mudança poderia criar problemas.

Comentário:

Léon Denis manifestou a sua opinião, o que todos temos o direito de fazer e somos incentivados a tal. Cabe observar, no entanto, que ele, em nenhum momento, afirmou estar fazendo uma revisão da Codificação. Com respeito à essência da questão, basta se observar as características biológicas e as responsabilidades sociais de cada sexo para se constatar que um espírito somente terá passado por todas as experiências possíveis em nosso mundo se tiver tido diversas existências em cada um dos dois sexos. Além disso, podemos entender que Denis referia-se às dificuldades naturais que o espírito enfrenta ao mudar de sexo entre encarnações, pela familiaridade já adquirida com uma dada condição nesse campo, e não que ele estivesse afirmando que essa alternância fosse prejudicial à evolução do espírito, o que seria absurdo.

Questão:

Léon Denis discorda de Kardec quanto à teoria das almas gêmeas, rejeitada por este em "O Livro dos Espíritos". Léon Denis diferencia-se também do mestre lionês por criticar a Igreja Católica Romana e por ter um posicionamento filosófico aparentemente mais socialista, o que talvez se explique por sua origem social mais pobre.

Comentário:

Léon Denis pode ter-se equivocado em sua análise da teoria das almas gêmeas. O trabalho de Kardec constitui a base da Doutrina Espírita e foi elaborado com maior rigor metodológico, tendo sido submetido ao Controle Universal dos Ensinamentos dos Espíritos. Nesse tipo de discordância em que não se pode realizar verificação mais acurada, a postura mais segura é ater-se aos ensinamentos contidos nas obras básicas, pelo reconhecido rigor com que foram concebidas. O tema, por outro lado, não deve ser considerado um dogma, e é passível de revisão. Sobre as críticas a Igreja Católica Romana, naturalmente se trata de um posicionamento pessoal do autor. O Espiritismo não censura a opinião de seus adeptos, e Denis estava na execução de seu direito de expressão ao tecer tais críticas, conquanto elas não devam ser vistas como um posicionamento oficial da doutrina, que não admite hierarquia sacerdotal. A obra de Léon Denis, como a de qualquer outro autor espírita, deve ser criticada pelos seus próprios méritos, e não pela importância que o autor teve no desenvolvimento do movimento espírita. O mesmo vale quanto à orientação política do pensador. A doutrina espírita, por si só, é apolítica, defendendo apenas valores humanitários como a liberdade, a igualdade e a fraternidade entre os povos.

Questão:

Kardec escreveu alguns trechos racistas e etnocentristas e equivocou-se em "A Gênese, os milagres e as predições segundo o Espiritismo" no argumento que usou para criticar a Astrologia.

Comentário:

Argumenta-se que quando Kardec emite uma opinião própria isso fica claro na Codificação, não devendo ser confundida a mesma com a opinião universal e concordante dos espíritos superiores. Kardec manifestou um entendimento compatível com a época em que viveu. Na França, como em todos os países da Europa de então, prevaleciam opiniões eurocêntricas que desvalorizavam outros povos por ignorância que tinham quanto aos costumes e crenças dos mesmos. Aliás, quem se der ao trabalho de ler a introdução de "A Gênese, os milagres e as predições segundo o Espiritismo", verá que Kardec enfatiza a necessidade de se distinguir na obra o que é opinião pessoal deste ou daquele espírito (encarnado ou não) do que é o ensino coletivo dos espíritos. O grande problema desse argumento, é que desta forma é possível se questionar a própria competência (ou falta dela) de Kardec para codificar os ensinamentos dos espíritos, criando uma nova doutrina, uma vez que, em certos aspectos, teria se deixado levar pela ideologia da época, em vez de emitir uma informação imparcial de suas supostas revelações.

Questão:

Há contradições de fontes muito respeitadas no movimento espírita em informações consideradas mediúnicas sobre assuntos como vida no planeta Marte, possibilidade de remuneração de médiuns (possibilidade oficialmente já descartada e que só ocorreu na França nos primeiros anos do Espiritismo), fatos da vida de Jesus, traduções da biblia, corpo fluídico de Jesus, roustainguismo, etc.

Comentário 1:

O Movimento Espírita é feito pelos homens e não pelos espíritos. Logo, nada mais natural que haja contradições dentro do movimento. O grande problema disso, é o fato de essa discordancia colocar em questionamento justamente pontos importantes: Se as informações dadas pelos homens não são totalmente confiáveis devido as contradições, a própria declaração da existência do contexto espiritual também passa a ser questionável. Outra implicação, é que em doutrina baseada em uma suposta "revelação", a transformação de informações é algo que põe em cheque as próprias revelações. Se os espíritos revelaram um suposto fato, então este fato não pode ser alterado por pesquisadores futuros, pois do contrário, algo errado havia com a suposta revelação. Isso é diferente do que acontece na metodologia científica, que não é revelada, mas sim descoberta, testada e retestada, assim como analisada por diversos pesquisadores independentes até confirmarem determinada conclusão.

Comentário 2:

É interessante lembrar que as leis que compõem a mecânica clássica de Newton foram descobertas, testadas e retestadas, assim como analisadas por diversos pesquisadores independentes até confirmarem que eram, de fato, inequivocamente, leis naturais inegáveis e "absolutas"; entretanto, ao alcançar as profundezas subatômicas e a imensidão cósmica do espaço sideral, a mecânica clássica se mostrou inefetiva, sendo nesses contextos substituída por uma nova verdade também composta de leis descobertas, testadas e retestadas, assim como analisadas por diversos pesquisadores independentes até confirmarem que eram, de fato, inequivocamente, leis naturais inegáveis e "absolutas": as leis da mecânica quântica. A mecânica clássica ainda vale, mas não é absoluta; vejamos até onde irá a mecânica quântica, mas vale lembrar, que até hoje a MQ em nada remeteu qualquer fenômeno físico ao suposto contexto espiritual, como gostam de argumentar vários espiritualistas.

Controvérsias entre Adeptos da Doutrina Espírita e Seguidores de Outros Sistemas de Crenças

Catolicismo e Igrejas Evangélicas

As críticas contrárias apresentadas a seguir são feitas por religiosos e teólogos de Igrejas Evangélicas e Católicas, sendo as críticas favoráveis apresentadas logo abaixo delas feitas por estudiosos do Espiritismo. Assim, torna-se desnecessário dizer ao longo do texto "segundo A" ou "segundo B", "de acordo com A" ou "de acordo com B".

Religião cristã

Crítica contrária:

O Espiritismo não é uma religião cristã pois não aceita a doutrina da trindade, formada pelo Pai (Deus), pelo Filho (Jesus) e pelo Espírito Santo. Embora tenha posições favoráveis a respeito de Jesus, não pode ser considerada uma religião cristã, porque o cristianismo prega a redenção através da expiação e da justificação e o espiritismo prega a redenção através da reencarnação. O cristianismo se baseia na Bíblia e o espiritismo, apesar de utilizar a Bíblia, interpretando-a a seu modo, baseia-se nos escritos de seus fundadores, variando conforme a corrente. Embora os espíritas se considerem cristãos, as principais denominações cristãs não consideram os espíritas cristãos.

Crítica favorável:

O Espiritismo é uma religião cristã pois segue todos os ensinamentos de Jesus, considerando-o como modelo e guia de toda a humanidade e tendo como máxima que "fora da caridade não há salvação", incentivando, assim, a obediência ao maior mandamento, conforme ensinado por Jesus, que é "Amai ao Pai sobre todas as coisas e ao próximo como a vós mesmos". Quanto à questão da reencarnação, Jesus ensinou que a cada um segundo suas obras. Ora, como pode, por exemplo, alguém nascer anencéfalo se nada havia feito antes para merecer tal condição? A única explicação plausível é que as obras negativas feitas por esse ser tenham sido executadas antes do seu nascimento como anencéfalo, isto é, em uma existência anterior, na qual, por exemplo, ele teria gozado de saúde e a utilizado para o mal. Sua anencefalia seria, então, uma expiação pelo mal cometido em existência pregressa. Além disso, quando Jesus disse, referindo-se a João Batista, que ele era Elias, ele teria deixado claro que aceitava a lei de reencarnação. Vários dos dogmas aceitos pelos católicos e evangélicos foram criados pela Igreja em seus concílios, não constando do Velho Testamento, nem tendo sido ensinadas por Jesus. O termo Trindade, para citar um exemplo, não consta de nenhum trecho da Bíblia, como pode ser conferido em uma simples busca na bíblia, tanto em versão católicas quanto em evangélica. O dogma da Trindade foi criado no Primeiro Concílio de Nicéia. Tampouco Jesus disse ser filho único de Deus, tendo-nos ensinado a rezar "Pai Nosso" e tendo dito a Maria de Magdala após sua crucificação, que não o tocasse pois ainda não havia subido ao Pai, recomendando a ela "Deixa de me tocar, porque ainda não subi ao Pai; mas vai a meus irmãos e dize-lhes que eu subo para meu Pai e vosso Pai, meu Deus e vosso Deus." (Jo 20:17). O fato de os católicos e evangélicos seguirem tais dogmas que não constam da Bíblia não faz com que as correspondentes religiões sejam não-cristãs. Elas são cristãs por seguirem os ensinamentos de Jesus, assim como o espiritismo o é porque o faz.

Crítica Contrária:

A interpretação de que João Batista foi Elias reencarnado é considerada errônea pelos teólogos católicos e evangélicos. Além disso, o conceito da Santíssima Trindade consta da Bíblia em Mt 28:19, confirmada em II Co 13:13 e em Mc 1:9-11 (No Batistmo de Jesus).

Crítica Favorável:

O argumento de que alguns consideram uma interpretação errônea é uma falácia, já que a interpretação é uma questão de cunho pessoal. Somente pode ser considerada definitivamente errônea quando for encontrado um sentido absoluto, sendo qualquer outro possível de ser encontrado. O conceito de Santíssima Trindade foi definido pelo Concílio de Nicéia, não tendo existido antes disso. A religião é cristã ao passo de que segue os ensinamentos de Cristo. Não há como discutir tal afirmação, já que nenhuma religião possui o monopólio da figura de Jesus Cristo. Ademais, nas passagens bíblicas citadas, embora haja menção a Deus, a Jesus e ao Espírito Santo, não há nenhuma exposição relacionando os três elementos na forma da Santíssima Trindade. Esse argumento também é, portanto, inválido.

Entidades

Crítica contrária:

As entidades que se manifestam nos Centros Espíritas são demônios, pois somente o Espírito Santo é de Deus.

Crítica favorável:

A palavra demônio vem do grego daimon, que significa gênio, portanto nada tem a ver com a concepção usual dada pelas religiões tradicionalistas, concepção essa que, aliás, é ilógica, visto que seria um paradoxo que Deus, como um Pai soberanamente Justo e Bom, pudesse ter criado um ser eternamente mau. Substituindo, entretanto, o termo "demônio" por "espírito voltado para o mal", temos o seguinte comentário a fazer. Jesus nos ensinou que se reconhece a árvore boa por produzir bons frutos. Ora, o Espiritismo ensina que se reconhece os bons espíritos, não pela pompa com que falam nem pelo nome importante que assumem, mas pelo conteúdo moral de suas palavras. Todos os ensinamentos contidos na Doutrina Espírita orientam o homem a melhorar-se, tornado-se caridoso, compassivo, paciente e humilde, incentivando-o, enfim, a aumentar as suas virtudes e abandonar seus vícios, orientação a qual seria frontalmente contrária à dada por demônios, já que por esses se entende seres voltados ao mal, interessados na queda e na corrupção do homem. Admitindo-se, portanto, que fossem demônios (espíritos voltados para o mal) e ao vermos que estes praticam o bem poderíamos concluir que, se assim o fizessem, estariam eles mesmos frustrando as próprias chances de alcançarem seus objetivos que é o sofrimento da humanidade.

Crítica contrária:

O objetivo dos demônios, segundo alguns estudiosos, não é necessariamente fazer com que o homem pratique o "bem" ou o "mal", mas que o homem deixe de reconhecer a divindade de Jesus, contrariando o Evangelho segundo João (No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus.), negar que Ele seja o Unigênito do Pai, Segunda Pessoa da Trindade, e Cordeiro de Deus. De sorte que o sacrifício vicário deixa de ser considerado essencial para a salvação do homem.

Crítica favorável:

Se o objetivo de demônios é que o homem deixe de reconhecer a divindade de Jesus, os espíritos certamente não os são, pois que repetidamente veneram seu nome e aconselham a todos venerá-lo igualmente.

Crítica favorável:

Praticamente em quase sua totalidade, a literatura espírita reconhece Jesus Cristo como o irmão mais velho de toda a humanidade terrestre. Jesus, segundo o espiritismo, é o principal guia espiritual da terra desde a formação deste planeta. A Doutrina Espírita afirma que a divindade é uma centelha presente no espírito de todos os homens, e Jesus, na terra, é aquele onde esta centelha é mais desenvolvida.
Crítica contrária: O método de identificação de espiritos adotado pelo espiritismo, a saber, discernir os espiritos por suas palavras e mensagens não é condizente com o que a Biblia Cristã ensina, conforme passagem de Paulo de Tarso em Atos 16, havia um espirito malévolo e enganador que se manifestava mediunicamente por uma jovem, tal espirito falou mensagens benévolas para Paulo (Ela, seguindo a Paulo e a nós, clamava, dizendo: São servos do Deus Altíssimo estes homens que vos anunciam um caminho de salvação. Atos16), e mesmo com tais mensagens foi desmascarado como espirito maligno.

Comunicação com os mortos

Crítica contrária:

A Bíblia condena o espiritismo e a comunicação com os mortos. a Bíblia, supostamente, mostraria que todos os "espíritos" seriam demônios comandados por Satanás, com o simples intuito de realizar diversos tipos de "enganos".

Crítica favorável:

Se o Deus católico é em sua bondade maguinífico e é o criador de tudo assim como o céu e a terra, porque a pesar de sua tamanha bondade este deus teria criado um ser tão malévolo e seguidores para este mesmo?!

Crítica favorável:

O termo espiritismo foi criado no século XIX por Allan Kardec e não poderia, portanto, ter sido usado pelos autores dos livros bíblicos. O que Moisés proibiu foi a necromancia, o comércio com os mortos para obtenção de vantagens pessoais ou adivinhação«Não se achará no meio de ti quem faça passar pelo fogo o seu filho ou a sua filha, nem adivinhador, nem prognosticador, nem agoureiro, nem feiticeiro, nem encantador, nem quem consulte um espírito adivinhador, nem mágico, nem quem consulte os mortos...» (Deuteronômio 18:10-14), prática igualmente condenada pelo Espiritismo. A propósito, se Jesus condenasse a comunicação com os "mortos", isto é, com os espíritos, ele não teria conversado com os espíritos de Moisés e Elias no monte Tabor.

Crítica contrária:

O corpo de Moisés não foi encontrado pelo próprio povo da época e a Bíblia relata que Elias foi arrebatado aos céus, e, por isso, estudiosos da bíblia afirmam que não se pode constatar que estejam "mortos".

Crítica favorável:

Pode-se afirmar que a bíblia é tão errônea quanto os livros espiritas devido á uma mesma falha, o elemento humano!

Crítica favorável:

O argumento acima é falacioso, já que a não-presença de um corpo não significa que ele não esteja fora de uso pelo espírito (isto é, morto). Muito ao contrário, a não-presença prolongada de um corpo é argumento para que ele seja considerado morto, o que ocorre muitas vezes na sociedade atual com pessoas desaparecidas, naufragadas, etc.

Crítica contrária:

Não se pode adotar a passagem em que Jesus se comunicara com espiritos como pratica de fé, uma vez que isso não foi parte dos ensinamentos de Jesus para a prática cristã, tampouco vemos tal ato nas manifestações dos apóstolos que sucederam a Jesus. Outro argumento é que Jesus, sendo Deus, pode ser capaz de se comunicar com espiritos, o que não invalida a proibição de Deus para que também o façamos.

Crítica favorável:

Jesus e Deus são seres distintos. o próprio Jesus se refere à Deus como pai em trechosjá citados acima!

Crítica favorável:

Deuteronômio 5-8 é explícito sobre a morte de Moisés, não deixando dúvidas sobre a sua MORTE, sendo assim, é falsa a afirmação feita, na crítica contrária, generalizando, de que "estudiosos da bíblia afirmam que não se pode constatar que estejam 'mortos'", referindo-se a Moisés e Elias. Quanto à questão de não ter encontrado o corpo de Moisés, lembrar que existe uma discussão sobre quando foi escrito o texto de Deuteronômio, sendo datado por diversos historiadores, no reinado de Josias, no século VII ac, mais de setecentos anos após a ocorrência dos fatos(Fonte: Wikipédia:Torá). Deve-se observar ainda, que, a tradição diz que não houve testemunha na localização da sua sepultura (Deut.34:6), considerando, por fim, a falta de testemunha, a total imprecisão da exatidão da localização e forma de sepultamento, o período de tempo longo (setentos anos após) de quando foi escrito o texto bíblico, torna-se sem sentido querer localizar um corpo, sem nenhuma condição que permita a sua idenficação ou localização.

Conversa de Jesus com Moisés e Elias

Crítica contrária:

Na Bíblia está escrito que Elias não morreu, mas sim que foi arrebatado por uma carruagem de fogo. A morte de Moisés indica que Deus tinha outros planos, portanto Jesus pode não ter conversado com os espíritos deles, e sim com eles próprios, visto que nem o corpo de Elias nem o de Moisés foram encontrados pelo povo da época.

Crítica favorável:

Segundo o relato da Bíblia, somente Eliseu viu o arrebatamento de Elias em uma carruagem de fogo. No entendimento espírita, a se dar crédito ao relato de Eliseu, o que deve ter havido foi um fenômeno de vidência do médium Eliseu que, incapaz, devido à sua ignorância sobre os fenômenos mediúnicos, de entender a grande claridade que emanava do espírito Elias após sua desencarnação, a descreveu como uma carruagem de fogo. É completamente possível, segundo o Espiritismo, que, tendo ele visto Elias após a morte envolto em grande luz, tenha imaginado que o seu mestre não havia morrido. Por outro lado, imaginar que as pessoas conservem seus corpos após a sua morte seria ir contra todas as evidências da ciência, o que invalidaria a hipótese de Moisés ter conservado o seu por milênios após sua morte.

Crítica contrária:

Obviamente os corpos não poderiam ser conservados na Terra, mas no céu as pessoas poderiam estar em seus próprios corpos, já que a escatologia cristã afirma que haverá ressurreição corporal (e não espiritual) das pessoas. Os cristãos crêem que para Deus nada é impossível e que será exatamente assim a ressurreição corporal.

Crítica favorável:

A tese de ressurreição corporal apresentaria um problema insolúvel: Quando um corpo é enterrado, todos os seus componentes retornam à natureza, onde são absorvidos primeiramente pelas bactérias e pelos vermes, depois pelas plantas que são, por sua vez, comidas por animais, que são comidos por outros animais e por outros seres humanos. Então, as partes constituintes do corpo de uma pessoa que morreu vão sendo utilizadas nos corpos de outros animais e de outros humanos pelos milênios afora. Após milhões de anos, os elementos minerais que constituíam o corpo de uma pessoa que morreu estarão espalhados em milhões de outros corpos vivos e terão sido usados em bilhões de outros corpos de seres que morreram ao longo desse extenso período. Assim, nenhum ser humano poderia, após um período tão extenso, ter reconstituído o seu corpo original, pois cada átomo desse corpo teria que ser usado para reconstituir, também, uma infinidade de corpos de outros seres humanos.

Crítica contrária:

Maciej Józefczuk, teólogo e estudioso da Bíblia, julga refutar esta questão no nível teológico, mas não no científico, em sua dissertação de doutorado, apontando o capítulo 37 do livro de Ezequiel, que para este deixa claro a questão da ressurreição corporal, que independeria de átomos ou moléculas originais para que seja plenamente efetuada.

Crítica favorável:

O capítulo 37 do livro de Ezequiel tem linguagem nitidamente metafórica. Começa o capítulo dizendo Ezequiel que "1 VEIO sobre mim a mão do SENHOR, e ele me fez sair no Espírito do SENHOR, e me pôs no meio de um vale que estava cheio de ossos. 2 E me fez passar em volta deles; e eis que eram mui numerosos sobre a face do vale, e eis que estavam sequíssimos." Ora, a nossa análise mais acima é de natureza científica. Ossos de pessoas mortas no meio de um vale e que estejam inteiros, mesmo que secos, é uma impossibilidade física. Poderia, se muito, haver fragmentos de ossos. Como Ezequiel diz que saiu "no Espírito do SENHOR", é evidente que a visão que ele teve não foi física, mas espiritual. Não serve, portanto, para refutar um argumento científico. Ezequiel prossegue dizendo: "4 Então me disse: Profetiza sobre estes ossos, e dize-lhes: Ossos secos, ouvi a palavra do SENHOR. 5 Assim diz o Senhor DEUS a estes ossos: Eis que farei entrar em vós o espírito, e vivereis. 6 E porei nervos sobre vós e farei crescer carne sobre vós, e sobre vós estenderei pele, e porei em vós o espírito, e vivereis, e sabereis que eu sou o SENHOR. 7 Então profetizei como se me deu ordem. E houve um ruído, enquanto eu profetizava; e eis que se fez um rebuliço, e os ossos se achegaram, cada osso ao seu osso. 8 E olhei, e eis que vieram nervos sobre eles, e cresceu a carne, e estendeu-se a pele sobre eles por cima; mas não havia neles espírito. 9 E ele me disse: Profetiza ao espírito, profetiza, ó filho do homem, e dize ao espírito: Assim diz o Senhor DEUS: Vem dos quatro ventos, ó espírito, e assopra sobre estes mortos, para que vivam. 10 E profetizei como ele me deu ordem; então o espírito entrou neles, e viveram, e se puseram em pé, um exército grande em extremo. 11 Então me disse: Filho do homem, estes ossos são toda a casa de Israel. Eis que dizem: Os nossos ossos se secaram, e pereceu a nossa esperança; nós mesmos estamos cortados." É fácil de observar que o processo descrito por Ezequiel não se refere à volta dos espíritos aos seus corpos originais, logo não se trata da ressurreição corporal que contestamos.

Outras Controvérsias

Outras controvérsias desse tipo podem ser encontradas nos diversos artigos que tratam de temas espíritas, como, por exemplo:

Espiritismo
Reencarnação
Mediunidade
Tratamentos Espirituais
Obsessão
Materialização

A grande vantagem deste tipo de controvérsia ser feito nos artigos principais é que o leitor pode ler um texto mais completo a favor antes de ler a crítica negativa, permitindo-lhe não só entender melhor a crítica negativa como melhor ponderar os argumentos pró e contra a fim de fazer o seu próprio julgamento sobre a questão.

Dissidências do Movimento Espírita

Seguem, abaixo, as dissidências mais conhecidas do Movimento Espírita:

Racionalismo Cristão: Movimento surgido em 1910 como dissidência do movimento espírita brasileiro. A principal diferença é uma menor ênfase que dão ao aspecto religioso, que é muito forte no movimento espírita brasileiro.

Renovação Cristã: Movimento surgido em setembro de 2002 como dissidência do movimento espírita brasileiro, sem, no entanto, deixar de seguir a Doutrina Espírita, o que afirma fazer com maior seriedade que aquele, tendo sido este, inclusive, o argumento usado para o afastamento.

Waldo Vieira: Afastou-se em 1966 do movimento espírita, continuando, no entanto, a ser o que os espíritas chamam de um pesquisador dos fenômenos espíritas, atividade a que se dedica até hoje, tendo, no entanto, criado uma interpretação e uma terminologia próprias para os fenômenos, teoria a que deu o nome de Projeciologia.
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MensagemAssunto: Re: ESPIRITISMO   Seg Nov 09, 2009 5:17 pm

Projeciologia

Projeciologia (do latim projectio significa projeção e logos no grego significa tratado) é o ramo, subcampo, ou especialidade de caráter mais prático da conscienciologia, e da psicobiofísica (versão mais abrangente da parapsicologia) que estuda as projeções energéticas da consciência e as projeções da própria consciência para fora do corpo humano, ou seja, das ações da consciência operando fora do estado de restrição física do cérebro e todo o corpo biológico.

O neologismo projeciologia foi proposto pelo pesquisador Waldo Vieira, em 1979, no livro Projeções da Consciência, uma reunião de relatos de experiências fora do corpo do próprio autor, em forma de diário.

Este fenômeno também é conhecido como: EFC (Experiência Fora-do-Corpo), OBE (Out-of-Body Experience), desdobramento, projeção astral, dentre outras.

Índice

1 Correlações
2 Método de pesquisa
3 Publicações Históricas
4 Referências
5 Ver também
6 Ligações externas


Correlações

Além da experiência fora-do-corpo propriamente dita, a Projeciologia também investiga dezenas de fenômenos parapsíquicos correlatos tais como: bilocação, clarividência, deja-vú, experiência de quase-morte (EQM), precognição, retrocognição, telepatia e outros.

Método de pesquisa

Embora inúmeras evidências já foram reproduzidas, existem recorrentes discussões acerca da prova científica do fenômeno da projeção da consciência para fora do corpo humano, uma vez que esta experiência, na maior parte das vezes, é imperceptível aos sentidos físicos dos observadores externos e aos instrumentos científicos atuais. Da mesma forma que não podemos provar a existência objetiva dos sonhos ou dos próprios pensamentos torna-se difícil evidenciar objetivamente o fenômeno da experiência fora do corpo. Neste sentido, torna-se inevitável o uso da introspecção, da experimentação pessoal e dos relatos (projeciografia) na pesquisa científica da Projeciologia.

Tal limitação é semelhante à Psicologia que não possui aparelhagens específicas para a captação daquilo que chama de subjetividade e de inconsciente. Porém pesquisas de Charles T. Tart nos anos 1960 mostraram que durante os períodos relatados pelos projetores que estavam fora do corpo humano, o cérebro apresentou reações anormais às detectadas usualmente no sono de não-projetores, merecendo maior atenção da comunidade científica que vem estudando com maior dedicação fenômenos como experiência de quase-morte, projeção da consciência e autoscopia.

De acordo com Dr. James E. Whinnery, a experiência de quase morte não permitem a confirmação da projeções que podem ser explicadas como um processo neurofisiológico que leva à ilusão da projeção. Entretanto para Titus Rivas, a EQM não pode ser completamente explicada por causas fisiológicas ou psicológicas, pois a consciência funcionaria independentemente da atividade cerebral.

Publicações Históricas

Já houve inúmeros casos históricos relatados de aparição, aparentemente simultânea, da personalidade humana em dois locais diferentes. Tal fenômeno é conhecido como Bilocação física e também foi pesquisado nos dois volumes do livro Phantoms of the Living ("Fantasmas dos vivos"), publicado em 1886 pelos pesquisadores ingleses Edmund Gurney, Frederick Myers e Frank Podmore.
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MensagemAssunto: Re: ESPIRITISMO   Qui Nov 12, 2009 12:34 am

A Renovação Cristã

A Renovação Cristã é um movimento religioso surgido no Brasil em 2002. Alguns centros espíritas que faziam parte da chamada União de Irmãos, descontentes com os rumos que o movimento espírita vinha tomando, decidiram, na última assembléia da União, em setembro de 2002, fundar a Renovação Cristã. Baseiam-se nas Escrituras, a partir de um enfoque centrado na Codificação Espírita, elaborada pelo pedagogo francês Allan Kardec, e se organizam de forma diferenciada com relação aos centros espíritas.

As instituições que integram a Renovação Cristã passam a se denominar igrejas. A prática doutrinária dessas novas igrejas busca o entendimento acerca de Deus e do Cristo nos seguintes princípios desenvolvidos pelo Apóstolo dos Gentios, Paulo de Tarso: a fé, a comunhão, a confissão, a justificação, a edificação e a manifestação do Espírito Santo. Acreditam na instrução dos homens nos caminhos da humildade e na submissão a vontade de Deus, sem isolacionismos e sectarismos. Os membros da Renovação Cristã aceitam a reencarnação e a existência dos espíritos, mas desaconselham as práticas mediúnicas em suas igrejas. Os três pilares doutrinários em que se assenta a Renovação Cristã são: a Fé, a Lei e a Graça. As igrejas da Renovação Cristã também desenvolvem trabalhos de auxílio às pessoas que sofrem com a fome, a miséria material e doenças.
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MensagemAssunto: Re: ESPIRITISMO   Ter Nov 17, 2009 12:44 am

Fenômenos espíritas e a ciência

A investigação dos fatos e causas do fenómeno mediúnico é objecto de estudo pela Pesquisa Psíquica, ramo da parapsicologia (substituindo a metapsíquica). Seu primeiro interesse é o de verificar a ocorrência dos aludidos factos, mediante o uso de metodologia própria, que inclui a estatística e o chamado teste duplo-cego. Faz-se investigação científica também em âmbito universitário, mas os resultados obtidos até o momento não permitem a conclusão científica da existência de espíritos.

Para além dos aspectos doutrinais, existe uma diversidade de práticas que vêm suscitando uma crescente curiosidade dos pesquisadores da área - a ectoplasmia, psicoquinesia, levitação, telepatia, clarividência, clariaudiência, pré-cognição via onírica (sonhos), psicografia, psicopictografia, medicina e cirurgia mediúnica, radiestesia e rabdomancia.

Kardec, no preâmbulo de "O Que É o Espiritismo?", afirma que ele "é uma ciência que trata da natureza, origem e destino dos espíritos, bem como de suas relações com o mundo corporal". Dentro dessa perspectiva, Kardec teria fundado o que naquele momento se chamou de "ciência espírita", tendo como objecto de estudo o espírito e adotando uma postura teórico-metodológica própria, ou seja, não baseada no método científico. Na "Revue Spirite", que publicou até à sua morte, Kardec analisa vários relatos de fenômenos aparentemente mediúnicos ou sobrenaturais, oriundos de diversas partes do mundo. Esmerava-se por distinguir os acontecimentos que considerava verossímeis de charlatanismo e da simples imaginação superexcitada pela fé.
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MensagemAssunto: Re: ESPIRITISMO   Sab Nov 21, 2009 2:22 pm

Medicina Espiritual

. Tratamento espiritual

A expressão tratamento espiritual é utilizada para abranger um conjunto de métodos de curandeirismo praticados em centros espíritas, espiritualistas, de umbanda, ou afins, que têm como objetivo um auxílio no tratamento de doenças do corpo ou da mente. Apesar de serem estudados desde o final do século XVIII, a eficácia destes tratamentos ainda não pôde ser comprovada através de pesquisas científicas.

São denominados de espirituais pelo fato de, segundo afirmam aqueles que praticam estes tratamentos, serem realizados - no corpo fisico ou no chamado perispírito - por espíritos desencarnados, com o eventual auxílio de um médium. No primeiro caso, no Brasil, por exemplo, ficaram famosas as cirurgias praticadas pela entidade que se denomina Dr. Fritz, através do médium José Arigó.

. Origem das doenças

Alterações no chamado "corpo espiritual" (perispírito) são capazes de afetar a ordem molecular no corpo físico.
O Espiritismo diz também que essas 'alterações' podem enfraquecer ou fortalecer o organismo, determinando estados de doença ou de saúde. Segundo o neurologista e espírita brasileiro Nubor Orlando Facure, "toda doença, de qualquer natureza, tem sempre uma motivação espiritual"[1]. Sendo o corpo material e o espiritual oriundos da mesma fonte - o chamado "fluido cósmico universal" (Allan Kardec. Revista Espírita, 1866.), intervenções na esfera do perispírito podem resultar em danos ou benefícios à saúde do corpo material[2].

. Médicos espirituais

Os espíritos, após o desencarne, tendem a se ocupar das mesmas atividades a que se dedicavam em vida, não que seja uma regra. Como exemplo, apresenta o caso do Dr. Antoine Demeure, médico que conhecera, e que, após a morte, continuara a cuidar de doentes (Alan Kardec. Revista Espírita, março e abril de 1865.). No Brasil, é emblemático o exemplo do Dr. Bezerra de Menezes.

Fora da doutrina espírita, mas também de acordo com a mesma ideia, um dos casos mais famosos de atuação de um médico espiritual é o do Dr. Fritz, a partir da década de 1950.

A literatura espírita refere ainda que os chamados "médicos espirituais" utilizam-se de uma ampla variedade de recursos, que vão desde aparelhos e instrumentos até fluidos e medicações. Nesse particular, a doutrina espírita compreende que o pensamento e a vontade possuem a capacidade de modelagem e aplicação desses itens no chamado "mundo espiritual". Complementarmente, podem recorrer a métodos terapêuticos convencionais, como intervenções cirúrgicas de pequeno porte, a dietética, a medicação alopática e a homeopatia. Ressalte-se que as práticas cirúrgicas encontram na atualidade grandes restrições, principalmente entre os médicos espíritas, pela natureza de sua própria formação.

. Sobre a eficácia do tratamento espiritual

Afirmam a doutrina espírita e outras crenças espiritualistas que o sucesso de um tratamento espiritual depende das seguintes condições serem atendidas simultaneamente:

o paciente e quem o acompanha necessitam ter fé no tratamento, pois, se eles não acreditarem, as suas mentes trabalharão contra o mesmo, bloqueando qualquer benefício possível;

a doença não deve ser mais necessária para o fim a que se destinava;

o médium precisa estar equilibrado emocionalmente e se dedicar ao seu trabalho com amor, o que seria necessário para que ele obtivesse o auxílio de bons espíritos.

Podem ocorrer casos, de a fé do paciente não ser necessária se as duas outras condições forem atendidas. Isso ocorreria quando o paciente não tivesse fé no tratamento mas tampouco duvidasse dele. Assim, a mente dele não trabalharia a favor, mas tampouco trabalharia contra.

. Tipos de tratamento

. Aplicação de passes

O passe corresponde a uma transmissão de fluidos magnéticos e/ou espirituais de um indivíduo para outro, podendo, uns e outros, estar encarnados ou não.

Nos centros espíritas e em outras instituições espiritualistas há, durante as sessões públicas, um momento reservado para a aplicação de passes. Acreditam os espíritas que, nessa atividade, o médium age, como diz o nome, como intemediário entre os espíritos e os beneficiados, sendo eles, os espíritos, os emissores dos fluidos benéficos. Para que as energias benéficas fluam livremente, é necessário que o médium faça o seu trabalho em estado de prece.

O passe é feito sempre com o médium utilizando as suas mãos, que podem ser impostas de forma estática sobre o beneficiado ou movimentadas a redor de seu corpo, sempre, no entanto, sem se dar o toque físico entre os dois. Em outras casas espiritualistas, por outro lado, o passe pode incluir toques físicos da mão do médium sobre o beneficiado e sopros daquele sobre partes do corpo deste.

. Fluidoterapia (água fluidificada)

A chamada "água fluidificada" é utilizada nos centros espíritas e em diversos centros de outras tradições espiritualistas. Acreditam os seguidores de tais crenças que a água pode servir como uma espécie de depósito de fluidos espirituais benéficos que são nela mantidos durante um bom período.

Em alguns centros, os freqüentadores são orientados a trazer de casa garrafas com água e deixarem-nas em determinado local do centro para que ali receba, durante a sessão, os fluidos benéficos transmitidos pelos espíritos, podendo eles levá-las de volta para casa ao final daquela e beber da água em pequenas doses, obtendo, assim, o benefício contido na água fluidificada. Em outros centros, a água fluidificada é servida em copinhos aos freqüentadores, que a ingerem no próprio local.

Masaru Emoto na obra "Os Milagres da Água", procura demonstrar as propriedades curativas da água com base em pesquisa que afirma ter feito. Trechos dessa pesquisa podem ser lidos em diversos sites da Internet. Outros pesquisadores espíritas, entretanto, questionam uma das conclusões do pesquisador, qual seja, a de que, se deixarmos determinados nomes escritos junto à água, isto pode ter efeito sobre ela. Argumentam os pesquisadores que nomes, por si só, não carregam emoção, podendo um mesmo nome pertencer a um homem violento ou a um pacífico. Outro questionamento, feito por um cientista quanto ao trabalho de Masaru Emoto, é que este não teria seguido as diretrizes básicas para ser visto como um trabalho científico, como a de não ter sido publicado em revista científica especializada, mostrando os métodos empregados de forma a que o mesmo pudesse ser reproduzido por outros cientistas em qualquer parte do mundo, de modo a comprovar as conclusões alegadas.

. Receituário homeopático

A tradição de receituário homeopático em centros espíritas remonta aos primórdios do movimento, não sendo, porém, muitos aqueles onde isso ocorre hoje em dia. Neste tipo de tratamento, há um médium que escreve as receitas após ouvir os problemas dos pacientes que procuram o tratamento. Esse médium pode ser um médico homeopático, mas há relatos de casos em que não o é.

Os medicamentos são informados alegadamente por espíritos médicos, caso em que o médium faria apenas o que o nome diz, isto é, servir de meio pelo qual a receita seria passada para o papel.

Conforme o entendimento da doutrina espírita, é importante que o médium seja médico homeopata ou o tenha sido em existência anterior, de modo a facilitar a alegada utlização pelo espírito receitista dos seus registros mentais sobre o nome dos remédios e a dosagem de cada um, conforme apropriado para cada caso. Além disso, prefere-se a presença de um médico pois a legislação de determindos países não reconhece o médium que alega ter recebido um espírito receitista como um médico, caso em que o diagnóstico seguido de prescrição é qualificado como "exercício ilegal da medicina, arte dentária ou farmacêutica", como definido, por exemplo, segundo o artigo 282 do Código Penal brasileiro.

. Tratamento à distância

O chamado "tratamento à distância" é praticado em muitos centros espíritas e espiritualistas. Destina-se a atender a pessoas que, por motivo da doença que têm, ou por morarem muito longe, não podem comparecer ao centro pessoalmente. Atualmente é também conhecido o tratamento virtual, onde muitos médiuns praticam esse tratamento via internet.

Nessa forma de tratamento, segundo afirmam as obras espíritas que tratam do tema, um médium leria os dados do paciente que seriam por ele mentalmente passados a espíritos que, então, visitariam o doente com vistas a tratar de sua saúde.[carece de fontes?]

. Anti-goécia

A anti-goécia é uma modalidade de tratamento espiritual praticado em pouquíssimos centros espíritas e espiritualistas.

O termo "goécia" refere-se a um trabalho da chamada "magia negra", isto é, aquela cujo objetivo seria o de prejudicar alguém com o alegado auxílio de espíritos orientados para o mal. Logo, a "anti-goécia" é um tratamento destinado a desfazer um trabalho de goécia que teria sido feito contra alguém.

Entre os seguidores da doutrina espírita, muitos são aqueles que compreendem que a magia negra não terá efeito contra eles.[carece de fontes?] No entanto, o próprio codificador, Allan Kardec, aborda o assunto na questão 549 de O Livro dos Espíritos sob o título de "Pactos"[4].

. Apometria

A Apometria é uma técnica de tratamento espiritual criada pelo farmacêutico e bioquímico porto-riquenho Luis Rodrigues, quando jovem e residente no Rio de Janeiro. Afirmava ele ter descoberto que, através de uma contagem progressiva, se podia obter o desdobramento anímico das pessoas e levá-las a hospitais do mundo espiritual onde suas enfermidades seriam diagnosticadas e onde elas seriam tratadas.[carece de fontes?]

Luiz Rodrigues denominou o tratamento de hipnometria, termo que, para evitar confusão com outras formas de tratamento que usam de hipnotismo, segundo relata o Ginecologista José Lacerda Azevedo, foi rebatizado por este de Apometria. O termo Apometria deriva do grego "apo" = separar e "metron" = medir, tendo-se consagrado como designativo do tratamento espiritual por meio do desdobramento provocado por uma seqüência de pulsos ou comandos energéticos mentais.

Como forma de tratamento espiritual, a Apometria é rejeitada por grande parte do movimento espírita com o argumento de que as técnicas empregadas nada possuem que seja baseado na Doutrina Espírita. A despeito disso, é um tipo de tratamento espiritual praticado em diversos centros espíritas e espiritualistas dos vários cantos do Brasil.

. Cirurgia espiritual

Atualmente, o termo "cirurgia espiritual" é associado a uma prática onde uma suposta entidade espiritual, com ou sem a incorporação num médium hospedeiro, e sem cortes, executam cirurgias buscando a reabilitação do enfermo. Existem relatos de sucesso na cura em grande número de casos, gerando algum confronto com os conhecimentos actuais da ciência, mas não há nenhuma demonstração científica dessas curas que não seja explicada por outros mecanismos, como o efeito placebo. O caso do médium João Teixeira de Faria que executa as suas "cirurgias" na Casa de Dom Inácio de Loyola é para alguns um exemplo actual de "cirurgia espiritual". Por outro lado, a única prova científica da eficácia do placebo são resultados estatísticos.

A cirurgia espiritual, ainda segundo a Doutrina Espírita, nada mais seria do que um tipo específico de passe que é aplicado para o restabelecimento energético de um determinado órgão interno de um indivíduo, sem qualquer intervenção física. Estas cirurgias aconteceriam muitas vezes sem o indivíduo se dar conta, principalmente enquanto dorme.

Como tratamento espiritual, a chamada "cirurgia espiritual" com intervenção de médiuns é praticada em pouquíssimos centros espíritas e espiritualistas. Os centros onde ocorre, entretanto, são procuradíssimos, geralmente por pessoas que se consideram desenganadas pela medicina tradicional.

Como ocorre com tudo mais que envolve tratamentos espirituais, a seriedade de um centro onde se pratica "cirurgia espiritual" costuma ser avaliada pelos espíritas a partir de dois critérios básicos: as cirurgias não devem ser cobradas aos doentes e o centro onde elas ocorrem deve insistir para que os doentes não abandonem de forma alguma o tratamento médico convencional que vem fazendo ou que procurem atendimento médico caso não o tenham ainda feito.

Porém, o Conselho Federal de Medicina e a comunidade científica de modo geral, alertam que esse tipo de cirurgia não deve ser feita em substituição da medicina tradicional, principalmente em casos graves. Se alguém convencer um paciente de que esse método é eficaz, no Brasil este pode ser enquadrado na lei por charlatanismo, principalmente se a "cirurgia espiritual" for cobrada ou causar algum dano no paciente por negligência de socorro, podendo pagar multas e ser condenado a até 1 ano de prisão (ver, a título de exemplo, o ocorrido com o Rubens Farias Jr., que culminou com a morte de uma menina, por leucemia, em 1998).

Apesar de a Doutrina Espírita não negar a sua eficácia, a prática de cirurgias espirituais por intermédio de médiuns não é abordada na Codificação espírita, e nem são consideradas verdadeiras as práticas que cobram algum valor material ou qualquer tipo de favor em troca das cirurgias, pelo espiritismo, uma vez que isso iria de encontro com o pressuposto básico do espiritismo, que é a caridade.

. A ciência médica

A ciência médica e a grande maioria dos profissionais de saúde não consideram os tratamentos espirituais como válidos, atribuindo quaisquer bons resultados observáveis nos pacientes ao tratamento médico convencional a que se submeteram, ao efeito placebo e à remissão espontânea. Até o momento, não há nenhum caso cientificamente documentado de melhora após tratamento espiritual que não pudesse ser completamente explicado pelos fatores acima. E não há nenhum dado que comprove diferença na eficácia do tratamento espiritual em comparação com o placebo.

É de se notar, entretanto, um crescente número de médicos interessados em estudar a validade dos tratamentos espirituais como apoio aos procedimentos médicos, como mostra, por exemplo, a realização, nos dias 30 de junho e 1 de julho de 2007, do 1st British Congress on Medicine and Spirituality (Primeiro Congresso Britânico sobre Religião e Espiritualidade). No movimento espírita brasileiro, muitos deles se agregam nas chamadas AME (Associação Médico-Espírita) estaduais, havendo uma entidade nacional chamada de Associação Médico-Espírita do Brasil. A existência dessa entidade, deve ficar claro, significa apenas uma organização de médicos espíritas e não um indicativo de que exista a comprovação de eficácia dos tratamentos espirituais que, como já foi dito, até o momento não há.

Existe um estudo nacional visando investigar a eficácia de tratamentos espirituais, mas que conclui: "As cirurgias são reais, mas, apesar de não ter sido possível avaliar a eficácia do procedimento, aparentemente não teriam efeito específico na cura dos pacientes. Sem dúvida, nossos achados são mais exploratórios que conclusivos. São necessários posteriores estudos para lançar luz sobre esse heterodoxo tratamento."

Verifica-se que o fato de serem, as três condições preconizadas na seção "Sobre a Eficácia do Tratamento", necessárias e suficientes ao sucesso de um tratamento espiritual, implicaria na dificuldade de comprovar a eficácia de tais tratamentos pelo método científico experimental. Desta forma, num experimento assim dirigido, a constatação prática de que o tratamento espiritual é inócuo pode ser justificado pela falta de fé do paciente no próprio tratamento, pela suposta "necessidade" espiritual da doença para a evolução do espírito do paciente ou, ainda, pela interferência do meio gerando desequilíbrio emocional no médium.

Como nenhuma das justificativas para a falência do tratamento espiritual são comprováveis, assim como não haveria comprovação de que os três fatores necessários e suficientes estariam presentes nos resultados positivos, a eficácia do tratamento espiritual só poderia ser pesquisada cientificamente com um espaço amostral grande em quantidade de casos e espaço de tempo, onde a comparação entre os grupos (tratado x não tratado) seria feita esperando-se que a incidência de pessoas que satisfariam todas as condições fosse a mesma em ambos. Não se tem notícia de que tal abordagem tenha sido feita até hoje (Janeiro de 2008), o que se justifica pela grande dificuldade da empreitada.
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MensagemAssunto: Re: ESPIRITISMO   Seg Out 25, 2010 3:01 pm

O exorcismo da Celeste 1 (Crónica)

23.10.2010

Em terras da Beira, depois da guerra, a gratidão para com a senhora de Fátima, pela afeição a Portugal, estendia-se ao senhor presidente do Conselho por nos ter livrado do conflito. No Cume sobrava piedade e faltava comida. Estavam no fim os anos quarenta e os portugueses longe de começarem a ser gente.

A Celeste morava ao cimo do povo, sozinha, e cismava que se matava. Via-se que não regulava bem da cabeça e adivinhava-se a fome que a apoquentava.

Suspeitaram os vizinhos de mau olhado e a ti Catrina, calhada nas benzeduras para tal moléstia, já a tinha ido visitar com outras mulheres embiocadas no xaile e os rostos sumidos na copa de enormes lenços pretos. Das conversas delas nada se disse mas ouviu-se na rua a ladainha:

«Dois to deram, três to tirarão,
foi S. Pedro e S. Paulo e o apóstolo S. João
Sant’Ana pariu Maria, Maria pariu Jesus,
assim como isto é verdade,
livre este corpo de ares, olhares e todo o mal
em louvor de Sant’Ana e Santa Iria…
padre nosso, ave-maria…»

Muitos padre-nossos e ave-marias depois, sem abrandar o mal, as mulheres mais velhas concluíram que deviam ser espíritos que atenazavam a bendita alma da Celeste, tão temente a Deus que ela era, mas nestas coisas de espíritos ruins são estes que escolhem a morada e, embora a oração lhes dificulte a entrada, está provado que não é intransponível a barreira.

A adensar a suspeita ouvia-se na habitação, durante a noite, o barulho de máquina de costura, que não havia, a trabalhar, a perturbar o sono e a aumentar a angústia. À porta juntavam-se pessoas vindas da igreja a ouvir o som que os espíritos produziam. Os poucos que não ouviram, apesar da atenção e do silêncio, conformaram-se com a deficiência auditiva e renderam-se à maioria.

O senhor padre pode ter desconfiado do diagnóstico, o sr. António Bernardo dizia que ela não batia bem da bola, podia até ser dos espíritos, a senhora professora aconselhou um médico, que disparate, o que sabe um médico destas coisas e onde é que o há, mas o povo na sua infinita sabedoria já tinha o veredicto, eram espíritos, só podia ser, falava-se de uma avó falecida há muitos anos, a voz tinha sido reconhecida, faltaram-lhe algumas missas ao trintário na encomendação da alma, não se perde nada em benzer a casa e deixar algum latim – conformou-se, acossado, o padre Pires –, dizem-se as missas em dívida e logo se verá.

A Celeste é mulher e o destino das mulheres serem possuídas, os espíritos malignos aproveitam e, depois de entrarem, são difíceis de expulsar. É um combate para senhores párocos, ou mesmo para um reverendíssimo bispo se as posses da vítima e a malignidade o aconselham. Pouco avezado a tais pelejas, mas com habilitações canónicas e compleição adequada à luta, bem se esforça o padre a desalojá-los. Quem julgue que a força da cruz e do divino devem bastar não conhece os espíritos e o furor que transmitem às mulheres possuídas, levando à exaustão o exorcista que não raro precisa de várias tentativas para se fazer obedecer. Fracassa e fica extenuado, à primeira, o padre Pires, valendo-lhe a gemada que o aguarda com vinho e açúcar, enquanto a ceia e o breviário lhe não retemperam as forças e devolvem a serenidade.

A Celeste não melhora. Continua a ouvir vozes que desconhece, definha. Alguns dias após, no regresso do Carapito, onde tinha ido levar o viático a um moribundo, volta o padre Pires à peleja com o maligno. Pode ser que na vez anterior se tenha entupido o hissope, avariado o crucifixo ou faltado à água a bendição, quem sabe, o senhor prior não costuma partilhar as dúvidas, se dúvidas assaltam o ministro de Deus, isto é um incréu a pensar, a força da fé move montanhas, sempre ouvi dizer, a Celeste pode ter perdido a fé com a fraqueza, e sem fé não adianta, é um esforço inglório, o certo é que o senhor padre volta a entrar naquela casa, se pode chamar-se assim ao sítio, mal nunca faz, senhor eu não sou digna de que entreis na minha morada, isto é uma forma de dizer, a Celeste refere-se a Deus que está em toda a parte, mas quando vem acompanhado do seu representante há-de infundir maior respeito, as pessoas humildes dizem estas coisas, o senhor padre mergulha bem o hissope, asperge-o com vigor, desenha cruzes, vai-se ao demo com o latim e as mãos, põe as pessoas a rezar o terço que a irmã Lúcia recomenda contra o comunismo, que também resulta com os espíritos, tudo obra do demo, deixa a reza para os paroquianos e sai da refrega exausto à procura da gemada com vinho, açúcar e nódoas para a batina, sem saber se os espíritos encurralados no corpo frágil obedeceram à ordem de expulsão, onde resistiam acossados à parafernália de alfaias sagradas e pias intimações.

As pessoas esperam na rua alheias ao perigo de serem apanhadas para refúgio dos espíritos em fuga. Nessa noite a máquina de costura inexistente permanece silenciosa e quieta, calam-se as vozes das almas penadas, a Celeste dorme bem pela primeira vez em muitos dias, depois da canja que lhe levaram. Se os espíritos não saíram estão debilitados.
A Celeste, com pouco alento, é certo, volta à horta e à igreja, o exorcismo resulta. Finou-se algumas semanas depois, completamente curada e liberta de espíritos malignos.

(Diário Ateísta)
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MensagemAssunto: Re: ESPIRITISMO   Sab Fev 11, 2012 8:59 pm

AS 4 LEIS DA ESPIRITUALIDADE

1ª Lei " A pessoa que vem é a pessoa certa".
Significa que ninguém está em nossa vida por acaso.Todas as pessoas ao nosso redor estão interagindo connosco. Há sempre alguém que nos faz aprender e avançar em cada situação.

2ª Lei "Aconteceu a única coisa que poderá ter acontecido".
Nada,nada, absolutamente nada do que aconteceu nas nossas vidas poderia ter sido de outra forma. Mesmo o menor detalhe. Não há nenhum " se eu tivesse feito tal coisa..., aconteceu que um outro...". O que aconteceu foi tudo o que poderia ter acontecido, e foi para aprendermos alguma lição e seguirmos em frente, todas e cada uma das situações que acontecem em nossas vidas são perfeitas.

3ª Lei "Toda a vez que você iniciar é o momento certo".
Tudo começa na hora certa: nem antes, nem depois. Quando estamos prontos para iniciar algo novo em nossas vidas, é o momento em que as coisas acontecem.

4ª Lei "Quando algo termina, acaba realmente".
Simplesmente assim. Se algo acabou nas nossas vidas foi para a nossa evolução, por isso, é melhor seguirmos em frente e nos enriquecermos em cada experiência.

" Se um dia você tiver de escolher entre o mundo e o amor, lembre-se: se escolher o mundo ficará sem amor, se você escolher o amor, com ele conquistará o mundo".
(Albert Einstein)
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